Posts com a tag ‘mundo’

08

Apr

15

Casais russos dormindo e esperando

Lindo projeto documental da fotógrafa Jana Romanova, de São Petersburgo. Casais russos grávidos dormindo.

Casal russo grávido dormindo. Foto de Jana Romanova

 

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29

Mar

15

O saldo de dez anos da “Guerra ao Terror”

A ong Physicians for Social Responsibility (PSR), prêmio Nobel da Paz em 1985, divulgou relatório com uma nova estimativa do número de mortos em dez anos de “Guerra ao Terror” promovida pelos Estados Unidos e aliados: em torno de 1 milhão de pessoas no Iraque, 220 mil no Afeganistão e 80 mil no Paquistão, somando cerca de 1,3 milhão. O número é dez vezes maior que o divulgado pela mídia e pelas principais ongs. Eles acrescentam que essa é uma estimativa conservadora: “O número total de mortos nos três países pode superar os 2 milhões, e um número inferior a 1 milhão é bastante improvável”.
~ PDF, 101 páginas. Via Glenn Greenwald e Sônia Bridi

 

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22

Mar

15

O valor estratégico da pegada hídrica

Reportagem que publiquei no Valor Econômico em 20 de março:

Arjen Hoekstra. Foto de Danielle Spoelman

Arjen Hoekstra. Foto de Danielle Spoelman

O total de água incorporada aos produtos que saem pelos portos brasileiros chega a 112 trilhões de litros anuais, equivalentes a 45 milhões de piscinas olímpicas, segundo estudo da Unesco. Esse volume coloca o Brasil em quarto lugar no ranking de exportadores brutos do recurso, atrás dos Estados Unidos, China e Índia.

Embora ainda não seja contabilizada nas trocas comerciais, a água virtual tende a ganhar valor estratégico em um cenário mundial de escassez hídrica. Isso abre oportunidades para o protagonismo do Brasil, que dispõe do recurso em abundância, mas precisa avançar na sua conservação.

Um instrumento de pesquisa relevante na área é a “pegada hídrica” (“water footprint”, em inglês), criada em 2002 pelo pesquisador Arjen Hoekstra, da Universidade de Twente, Holanda, para calcular o uso direto e indireto da água, tanto por produtores quanto por consumidores na cadeia produtiva. A pegada hídrica média do consumidor brasileiro é de 5.550 litros por dia, uma vez e meia superior à média global, principalmente por causa do grande consumo de carne. (…)

Leia mais: reportagem | entrevista com Arjen Hoekstra

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03

Mar

15

Cooperação Brasil-Cuba-Haiti

Bruna Canever (da UFSC, ao centro) com estudantes haitianos. Acervo do projeto

Bruna Canever (da UFSC, ao centro) com estudantes haitianos. Acervo do projeto

Um acordo de cooperação técnica entre Brasil, Cuba e Haiti está possibilitando a formação de profissionais haitianos para atuar na atenção primária à saúde neste país caribenho, o mais pobre das Américas, que foi devastado por um forte terremoto em 12 de janeiro de 2010. Em quatro anos de atividades, já foram titulados mais de 1.300 agentes de saúde comunitários, auxiliares de enfermagem, inspetores sanitários e agentes de saúde ambiental.

Da parte brasileira, a gestão é realizada pelo Ministério da Saúde, em parceria o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e com três instituições de ensino e pesquisa: a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). O acordo tripartite deu continuidade à atuação solidária do Brasil com o Haiti nas áreas de segurança e reconstrução da infraestrutura, iniciada logo após o desastre sísmico.

Coube à UFSC, com apoio administrativo da Fapeu, assumir a qualificação dos recursos humanos de nível médio na área da saúde. O Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da instituição já tem um histórico de parcerias bem sucedidas com o governo federal nessa área. A UFRGS contribuiu com a organização da rede de serviços e a Fiocruz, com a atuação nos campos de epidemiologia, imunização, comunicação e informação. Em torno de R$ 5 milhões foram investidos na formação desses profissionais.

SUS é referência

Visita de delegação haitiana ao Hospital Universitário da UFSC. À direita, a coordenadora do projeto, Flávia Ramos.

Visita de delegação haitiana ao Hospital Universitário da UFSC. À dir., gestora do projeto, Flávia Ramos. Foto: Soninha Vill.

“Estamos implantando um modelo inspirado na estratégia de saúde da família no Brasil”, diz a gestora operacional do projeto e coordenadora do Departamento de Pós-Graduação em Enfermagem da UFSC, Flávia Regina Ramos. Essa estratégia, adotada pelo Sistema Único de Saúde (SUS), enfatiza a atenção à família no local onde ela vive, valorizando as ações de promoção e proteção da saúde, a prevenção de doenças e a atenção integral às pessoas. Ela se contrapõe ao modelo tradicional e ineficiente, focado na supervalorização da assistência curativa, especializada e hospitalar.

Flávia destaca que a tônica da ação brasileira sempre foi desenvolver um projeto estruturante, isto é, evitar ações paliativas como as que foram realizadas pontualmente por diversos países após o terremoto de 2010. O objetivo é trabalhar junto com as autoridades haitianas e os médicos cubanos para desenvolver competências locais que ajudem a restaurar o sistema de saúde do país caribenho. “Isso significa fazer junto”, afirma. Cuba tem participação fundamental na parceria, pois atua há muitos anos no Haiti, onde mantém hospitais e profissionais de saúde experientes.

Em maio de 2014, o Brasil inaugurou uma rede hospitalar no entorno de Porto Príncipe, a capital do país. Com investimento de R$ 25 milhões, ela é composta pelo Hospital Comunitário de Bon Repos, pelo Instituto Haitiano de Reabilitação e pelo Laboratório de Órteses e Próteses. Outros dois hospitais comunitários de referência estão em construção. Somados, eles podem atender 300 mil pacientes, um apoio significativo para o país de 10 milhões de habitantes, que tem o pior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do continente.

Bolsa de estudos

Durante o curso, os alunos recebem do governo brasileiro uma bolsa de estudos para que tenham condições de alimentação e transporte e possam se dedicar integralmente à formação. Quando eles se titulam, continuam recebendo a bolsa por seis a 12 meses, para que tenham tempo de ser inseridos profissionalmente na rede pública. “A formação é feita por haitianos, que são capacitados, supervisionados e acompanhados por brasileiros”, explica Flávia.

“A ajuda técnica e financeira do Brasil tem sido fundamental”, disse a enfermeira Guerline Bayas, especializada em saúde comunitária e diretora de uma escola técnica em Porto Príncipe. Em outubro de 2014, ela esteve em Brasília com outros dois profissionais de saúde haitianos para participar de um seminário internacional de avaliação dos quatro anos de atividades do projeto. Os resultados superam as expectativas. Em seguida, o grupo visitou uma escola técnica em Blumenau e o Hospital Universitário da UFSC em Florianópolis.

“Esperamos renovar o convênio, pois o Haiti sozinho não tem condições de construir a estrutura necessária”, afirmou, acrescentando que a meta é formar pelo menos 10 mil profissionais de saúde para oferecer cobertura em todo o país. (…)

Publiquei esta reportagem na Revista da Fapeu 2014. Leia aqui a íntegra em pdf.

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14

Feb

14

A vez das cidades inteligentes e humanas

Álvaro Oliveira, coordenador da Rede de Cidades Inteligentes e Humanas

O engenheiro português Álvaro de Oliveira, professor da Universidade de Aalto, em Helsinque (Finlândia), conta nesta entrevista como a metodologia de criação de Cidades Inteligentes e Humanas pode ser um instrumento valioso para promoção do desenvolvimento sustentável, ao incluir as comunidades no processo de co-design e co-criação de soluções. O experimento está ocorrendo em várias cidades europeias. Conversamos em junho de 2013 e o texto era destinado a um suplemento especial do Valor Econômico, mas não foi publicado por falta de espaço. De qualquer forma, o assunto continua na ordem do dia.

Como surgiu a Rede de Cidades Inteligentes?

Álvaro de Oliveira – A Europa tem feito um grande investimento na pesquisa das tecnologias que são a base da infraestrutura inteligente das cidades do futuro. Essa Rede engloba atualmente cerca de 70 cidades. Minha empresa, Alfamicro, e a Universidade de Helsinque estão ou estiveram envolvidas em 27 destas cidades, em 17 países. Trata-se de infraestruturas abertas de comunicação e sensorização que podem crescer organicamente num ambiente inovador. Desenvolvi um modelo de Urban Living Lab (Laboratório Vivo Urbano) com base na experiência adquirida na Rede Europeia de Living Labs (EnoLL na sigla em inglês), na qual tenho estado fortemente envolvido desde  sua fundação em 2006. Ao todo são 320 Living Labs com 25 mil organizações participantes. Eles permitem que a cidade se afirme como um ecossistema de inovação onde se identificam as necessidades, desejos e interesses dos cidadãos, empresas, centros de pesquisa e autoridades públicas. Em 2010 lancei a Rede de Cidades Inteligentes Conectadas, cujo núcleo inicial incluía Amsterdã, Manchester, Lisboa, Barcelona e Helsinque. A rede estabelece um mecanismo de colaboração e troca experiências sobre mobilidade sustentável, mudanças climáticas, segurança energética, envelhecimento da população, vida saudável… (…)

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16

Mar

13

A volta ao mundo em um ano: um balanço

Um ano depois, o ciclo se completa. Primos Ricardo Gomes e Renilza Violante deram uma volta ao mundo. Fui encarregado por eles de manter contato permanente e, se necessário, “buscar os presuntos”. Felizmente não precisei: no final de fevereiro, eles desembarcaram inteiros em Belo Horizonte pra curtir uma feijoada de boas-vindas. Ao longo da jornada fiz três entrevistas com o casal, que vocês podem ler aqui no blog [1, 2, 3]. Agora, eles fazem um balanço geral e dão dicas práticas pra quem pretende fazer a aventura.

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21

Jan

13

Visita aos palestinos do campo de Aida

Primos Ricardo Gomes e Renilza Violante estão agora na Guatemala, quase na reta final da sua volta ao mundo que começou em fevereiro de 2012, quando “chutaram o balde” da estabilidade como engenheiros em Minas Gerais pra pegar a estrada. Em outubro e novembro eles percorreram alguns países do Oriente Médio. Pouco depois de passarem pelo Irã, fizeram uma visita ao campo de refugiados palestinos de Aida, em Belém. Nada de neutralidade aqui. Embora a passagem por Aida tenha sido rápida, deu novos elementos para confirmar a simpatia do casal pela causa palestina. Como bons viajantes de olhos e corações abertos, eles pensam como o veterano jornalista britânico Robert Fisk, que há anos cobre conflitos na região: “Você tem de estar do lado da justiça, do equilíbrio, da decência, tem de se posicionar”. Um resumo da nossa conversa:

A visita foi planejada ou de improviso? Foi difícil o acesso?

Ricardo - Improviso. Antes de Aida imaginávamos que campos de refugiados eram lugares isolados, com pessoas vivendo em tendas, sem estrutura alguma. Mas isto é o caso de campos provisórios e recém-criados. Não sabíamos disso. Fomos a Belém para conhecer a Igreja da Natividade e bem próximo a ela está o Centro de Paz Belém. Fomos lá e pegamos algumas informações. Eles nos encorajaram a visitar algum campo. Vimos que seria fácil tomar um táxi até Aida e decidimos ir.

Qual foi a primeira impressão?

Renilza – Sentimos um pouco de medo. Apesar do enorme “Welcome to Aida Camp” na entrada, estávamos preocupados com nossa situação depois desta visita perante as autoridades de Israel. Isto porque antes de entrar em Israel fomos alertados de que não deveríamos dizer que iríamos visitar territórios palestinos e realmente os israelenses nos questionaram isto na imigração. E a forte presença do enorme muro que Israel construiu separando Aida do resto do mundo é muito opressora.

Como foi a experiência de terem sido recebidos como hóspedes pelas famílias palestinas?

Ricardo - Caminhamos bastante pelo campo (entenda o campo como um bairro pobre em uma grande cidade, por exemplo). Um grupo de crianças que acabava de sair da escola nos seguiu por um tempão, falando de futebol, perguntando sobre Brasil, dizendo que os israelenses são loucos, tudo isso num “mutirão de inglês”. Quando passamos pelos soldados que faziam a segurança de uma entrada, trocamos algumas palavras com eles e um civil que estava no meio nos convidou para tomar um chá. Topamos. Conhecemos sua esposa, filho e batemos papo um tempão. O cara estava desempregado, mas é músico e graduado em hotelaria. A casa é simples, com retratos de um tio e do pai, que morreu na última intifada. Como é praticamente impossível conversar com um palestino sem falar na relação com Israel, este acabou sendo o assunto predominante.

Quais são as principais carências dos palestinos no campo?

Renilza - Eu diria que seriam o pleno direito de ir e vir, empregos e perspectivas. Como disse em um momento o nosso anfitrião, ele, que nasceu no campo, acorda todos os dias e, ao olhar pela janela, a única coisa que pode ver é o muro. Este rapaz nos disse que há mais de 14 anos ele não visita Jerusalém, que fica a poucos minutos de sua casa.

Há muita tensão no ar?

Ricardo - Muita. Tente imaginar que aquele é um cenário de um povo muito poderoso dominando outro e ambos são muito orgulhosos de si e existe um ódio que não é possível disfarçar. A qualquer momento um adolescente, por exemplo, pode atirar uma pedra em um soldado, que responderá com tiros e isso tudo pode gerar mais uma guerra. A tensão é muito grande e nós mesmos fomos vítimas. Assim que entramos no campo, depois de caminhar uns 150 metros, um veículo militar parou na porta por onde entramos e quatro soldados desceram. Pensamos que eram israelenses e que nos dariam uma geral quando saíssemos. Ficamos com medo. Mas nos informamos e eram palestinos. Depois acabamos batendo um papo muito legal com os caras.

Como é o lazer em Aida?

Ricardo - Vimos uma escola com uma quadra e mais nada. Mas a galera se vira. Conversando com os soldados palestinos, vimos que são jovens normais, mulherengos, gozadores, usam facebook, gostam de futebol…

Como eles veem o futuro?

Ricardo – O jovem que nos recebeu em sua casa nos disse que não consegue pensar em um futuro que vá além de uma semana. Ao mesmo tempo em que faltam perspectivas, várias pessoas nos disseram que o que querem é paz. Quase ninguém gostaria de ver uma guerra do Irã com Israel, pois sabem que vai sobrar é para eles. Acredito que o fato de o Irã ser xiita e eles serem sunitas tem um peso importante. Os que são mais religiosos não veem com bons olhos os “favores” prestados pelo Irã. Entendi que o que todos querem é poder trabalhar e levar a vida. Para isto é preciso, antes de tudo, paz. Ir trabalhar ou viver fora, como na Jordânia, por exemplo, seria uma solução para muita gente.

Vocês conversaram de política internacional? Como eles se referem a Israel, Estados Unidos, Brasil?

Ricardo - Contra Israel só há ódio. Um senhor nos disse que Israel foi o presente maldito deixado pelos ingleses. Um garoto de uns 11 anos nos disse que os israelenses são loucos. Os Estados Unidos, ao mesmo tempo em que os atrapalham ajudando Israel, são uma fonte de esperança, pois se um dia eles mudarem de ideia, tudo mudaria para os palestinos em questão de meses. Alguns estavam temerosos com a possiblidade de vitória do Romney [a visita ocorreu antes das eleições presidenciais nos Estados Unidos]. Outros diziam que, ganhasse quem ganhasse, não mudaria nada. O Brasil é muito admirado e amado. O futebol ajuda muito, mas a aproximação promovida no governo Lula foi muito importante. Como exemplo, o local onde foi construído o mausoléu de Yasser Arafat em Ramallah fica na Avenida Brasil. Segundo um palestino que conhecemos, o motivo é que o governo brasileiro ajudou na construção das ruas que dão acesso ao monumento, que é um dos mais vistosos da cidade.

Como vocês perceberam a realidade feminina no campo de refugiados?

Renilza - Na verdade, dentro do campo tivemos contato com poucas pessoas. As ruas estavam bem vazias. Na casa que visitamos a esposa não tinha emprego nem muitas perspectivas, assim como o marido. Mas fora do campo, vimos as mulheres palestinas bem ativas, trabalhando, estudando, passando pela dura rotina de atravessar os pontos de controle diariamente. Acredito que, dentre os que são muçulmanos, os palestinos são menos conservadores que seus vizinhos árabes. Isto porque as mulheres se vestem de forma um pouco mais liberal, andam sozinhas, trabalham e estudam.

Qual é o balanço dessa experiência?

Ricardo – Foi um dos pontos mais emocionantes da viagem. Desde minha adolescência acompanho por livros, revistas e outras fontes o conflito árabe-israelense. Posso dizer que desde o início me posicionei do lado palestino. Visitar Israel, duas cidades palestinas, Aida, ser tratado com desprezo na imigração por ter ido ao Irã, passar pelos postos de controle duas vezes junto com os palestinos, sentir de perto a opressão concretizada pelos muros, ser extremamente bem tratado pelos palestinos e não receber sequer um olá de um judeu, talvez por eu ser parecido com os árabes, tudo isso me deixou muito aliviado, com a sensação de que escolhi o lado certo. Conhecer de perto dois povos que praticamente estão em guerra e suas realidades me forçou a ver de uma forma mais madura e menos romantizada como é viver em estado de guerra.

Como vocês avaliam o reconhecimento da Palestina pela ONU, ocorrido algumas semanas depois dessa visita?

Ricardo - Foi um passo importante. Isto legitima os anseios dos palestinos. Mais importante do que ser aceito, o fato de terem tido 138 votos a favor contra apenas nove contrários evidencia que ali ocorre uma grande injustiça. A curto prazo não muda nada, mas este reconhecimento é uma mensagem dada pela grande maioria dos povos, que reconhecem a Palestina como um Estado com os mesmos direitos dos demais. Israel recebeu uma mensagem em letras garrafais de que eles não são os donos da Palestina e que a insistência neste caminho poderá levar a um isolamento.

Fotos: acervo pessoal de Ricardo Gomes e Renilza Violante.

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20

Dec

12

Entrevista com Anwar Ibrahim, líder da oposição malaia

No 12º e último episódio da série, Julian Assange conversa via videolink com Anwar Ibrahim, o mais proeminente e provocador líder da oposição na Malásia.

Em busca de ideias poderosas que podem transformar o mundo, o fundador do WikiLeaks se depara com um caso que guarda semelhanças com a sua própria trajetória.

Após ter sido vice primeiro-ministro da Malásia na década de 90, Anwar Ibrahim foi expulso da política e preso por acusações de corrupção e crimes sexuais – no caso, sodomia, considerada ilegal no país asiático. Após seis anos no cárcere, ele foi inocentado das acusações. Mas, em 2008, teve que enfrentar novas acusações por crimes sexuais e encarar uma batalha legal de quatro anos. Só foi inocentado em janeiro de 2012.

Para ele, seu país é ainda menos democrático do que o vizinho Burma. Ele descreve democracia como “um judiciário independente, uma mídia livre e uma política econômica que pode promover crescimento e a economia de mercado”. Com essa plataforma, seu partido está ganhando mais apoio da população, chegando a ser uma ameaça ao atual governo nas próximas eleições gerais de 2013.

Agora, Ibrahim é acusado de ter participado em uma marcha por reformas eleitorais – reuniões não autorizadas também são consideradas crime – o que pode comprometer suas ambições eleitorais. Mas, durante a entrevista, ele se mostra otimista quando relembra a última campanha, em 2008. “Ganhamos 10 dos 11 mandatos parlamentares, então acredito que estamos maduros para um tipo de Primavera Malaia através do processo eleitoral”, diz.

Assista a entrevista a seguir, ou clique aqui para baixar o texto na íntegra.

 

Esta é a última de uma série de 12 entrevistas que o fundador do WikiLeaks, Julian Assange, fez com líderes e pensadores contemporâneos. DVeras em Rede publica O Mundo Amanhã em parceria com a Agência Pública e o WikiLeaks.

Republicadores da série O Mundo Amanhã:

Anonymous Brasil * Agora Sustentabilidade * Baixa Cultura * Blog Brasil Acadêmico * Coletivo Catarse * Coletivo Digital * Desculpe a Nossa Falha * Diário de S. Paulo * DVeras em Rede * EBC* Estadão Online * Estado de Minas * Felipe Cabral * Jornal Informação * Jornal Mercadão *Nota de Rodapé * Opera Mundi * Papo de Homem * Portal Administradores * Portal Desacato *Revista Babel * Revista Fórum * Revista Samuel * Revista Sina * TV Unochapecó * TVT *Yahoo Brasil

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12

Dec

12

Entrevista: Noam Chomsky e Tariq Ali

Assange recebe Noam Chomsky e Tariq Ali para conversar sobre as mudanças políticas recentes ao redor do globo. Os dois analisam: para onde será que o mundo caminha?

Ninguém poderia tê-las previsto. Mas ainda com o mundo sob o efeito das revoluções no Oriente Médio, Assange se reuniu com dois pensadores de peso para saber o que eles pensam sobre o futuro.

Noam Chomsky, renomado linguista e pensador rebelde, e Tariq Ali, romancista de revoluções e historiador militar, encontram na Primavera Árabe questões sobre a independência das nações, a crise da democracia, sistemas políticos eficientes (ou não) e a legião de jovens ativistas que tem se levantado para protestar no mundo todo. “A democracia é como uma concha vazia, e é isso que está revoltando a juventude, ela sente que faça o que fizer, vote em quem votar, nada vai mudar. Daí todos esses protestos”, explica Ali.

“O que temos na política ocidental não é a extrema esquerda e nem a extrema direita, mas um extremo centro”, continua ele. “E esse extremo centro engloba tanto a centro-direita quanto a centro-esquerda, que concordam em fundamentos: travando guerras no exterior, ocupando países e punindo os pobres, punindo por meio de medidas de austeridade. Não importa qual o partido no poder, seja nos Estados Unidos ou no mundo ocidental… “.

Segundo o próprio Ali, a grande crise da democracia está pulsando nas mãos das corporações. “Quando você tem dois países europeus, como a Grécia e a Itália, e os políticos abdicando e dizendo ‘deixem os banqueiros comandar’… Para onde isso está indo? O que nós estamos testemunhando é a democracia se tornando cada vez mais despida de conteúdo”, critica o ativista.

Mas após as revoluções, as conquistas vêm da construção de novos modelos políticos, inventados. Chomsky cita a Bolívia como exemplo. “Eu não acho que as potências populares preocupadas em mudar suas próprias sociedades deveriam procurar modelos. Deveriam criar os modelos”. Para ele, a chegada da população indígena ao poder político através da figura de Evo Morales está se replicando no Equador e no Peru. “É melhor o Ocidente captar rápido alguns aspectos desses modelos, ou então ele vai se acabar”, alerta Chomsky.

Por outro lado, está na mãos dos jovens perceber a necessidade de agir, segundo Tariq Ali. “Não desistam. Tenham esperança. Permaneçam céticos. Sejam críticos com o sistema que tem nos dominado. E mais cedo ou mais tarde, se não essa geração, então nas próximas, as coisas vão mudar”.

Assista a entrevista a seguir, ou clique aqui para baixar o texto na íntegra.

Esta é a décima-primeira de uma série de 12 entrevistas que o fundador do WikiLeaks, Julian Assange, fez com líderes e pensadores contemporâneos. DVeras em Rede publica O Mundo Amanhã em parceria com a Agência Pública e o WikiLeaks.

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05

Dec

12

A guerra não declarada no Paquistão

No décimo episódio da série O Mundo Amanhã, Julian Assange encontra Imran Khan, candidato à presidência do Paquistão, para discutir o futuro de um dos países mais afetados pela Guerra ao Terror

Ao longo de 25 minutos, Julian Assange recebe Imran Khan, que nos anos 70 e 80 foi capitão do vitorioso time de críquete do Paquistão, para conversar sobre corrupção, Osama Bin Laden, soberania e bombas atômicas. Isso porque hoje Khan está na corrida para se tornar o próximo presidente do país nas eleições de 2013, liderando a oposição com o partido que criou, o Movimento para Justiça, que combate a corrupção no país.

O Paquistão tem uma dívida acumulada de 12 trilhões. “Metade do nosso PIB vai para o pagamento de dívidas, 600 bilhões vão para o exército e assim 180 milhões de pessoas têm 200 bilhões de rúpias para sobreviver. Então, claramente, o país está inviabilizado”, pndera o político. A crise é sentida na pele pela população: em áreas urbanas, não há eletricidade por até 15 horas durante o dia, e os apagões chegam a durar 18 horas nas áreas rurais.

Khan se tornou a principal voz crítica ao fazer denúncias sobre o governo do Paquistão, um dos países mais afetados pela Guerra ao Terror promovida pelos EUA. “Quarenta mil paquistaneses foram mortos em uma guerra com a qual não temos nada a ver. Basicamente, nosso próprio exército matando nosso povo e eles fazendo ataques suicidas a civis paquistaneses. O país já perdeu 70 bilhões de dólares nessa guerra. A ajuda humanitária total tem sido de menos de US$ 20 bilhões”, diz Khan.

Mas como Khan levaria a relação com os Estados Unidos caso fosse eleito? “Não deveria ser uma relação de cliente-patrão, e pior ainda, o Paquistão como pistoleiro contratado, sendo pago para matar inimigos da América. Nós somos um Estado independente e soberano e a relação com os EUA deve ser de dignidade e respeito mútuo, não mais uma relação de cliente-patrão”, diz. Resta saber se, caso ele vença, cumprirá suas palavras.

Assista a entrevista a seguir, ou clique aqui para baixar o texto na íntegra.

Esta é a décima de uma série de 12 entrevistas que o fundador do WikiLeaks, Julian Assange, fez com líderes e pensadores contemporâneos. DVeras em Rede publica O Mundo Amanhã em parceria com a Agência Pública e o WikiLeaks.

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