Posts de 2019

22

Nov

19

Amazônia Minada

Jornalismo de dados e programação, associados às boas e velhas técnicas de reportagem, a serviço da proteção da Amazônia contra os saqueadores. Por Hyury Potter:

“Caros, hoje [21/11] lançamos o mapa #AmazoniaMinada, projeto apoiado pelo International Center for Journalists que cruza dados da ANM e do ICMBio para encontrar registros minerários dentro de unidades de conservação de proteção integral da Amazônia, algo que é proibido por lei. O mapa atualiza diariamente os dados e está hospedado no site InfoAmazonia.

# Matéria InfoAmazonia: https://bit.ly/3391NY9
# Mapa Amazônia Minada: https://bit.ly/2O828pJ

Sempre que um novo requerimento minerário dentro de UC aparecer, os dados da empresa responsável, minério e área afetada são tuitados automaticamente no perfil @amazonia_minada.  Sigam lá!

Nada disso seria possível sem a trabalheira que o Rodrigo Brabo (desenvolvedor) e a Juliana Mori (visualização de dados em mapas) tiveram nos últimos três meses. Contamos ainda com o apoio e revisão do Gustavo Faleiros (co-fundador do InfoAmazonia) e com a mentoria da Amara Aguilar pelo ICFJ.

Como estamos perto da Black Friday, ainda tem mais! Matéria publicada hoje no The Intercept Brasil, feita a partir da base de dados do #AmazoniaMinada, mostra quais são as empresas que estão de olho na mineração em áreas de proteção. A matéria contou com edição ponta firme da Paula Bianchi e de grande elenco do TIB.

# Matéria no Intercept: https://bit.ly/2QCIxja

É isso. Leiam, compartilhem, deem RT, curtam, mandem um joinha… Tá valendo tudo. Beijão! ”

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18

Nov

19

Eu tenho preconceito

Uma croniquinha que publiquei no Facebook em 2 de setembro de 2018.

~

O papo no almoço de domingo foi sobre preconceito, uma coisa que as pessoas só costumam enxergar nos outros, nunca em si mesmas. Não é o meu caso. Poderia fazer uma lista exaustiva dos meus, mas vou só resumir. Se você vestir a carapuça de algum dos que vou citar agora, não se apoquente nem reforce meus preconceitos deixando comentário desaforado. Desde já admito que a culpa é minha. Sou só um humilde aprendiz em busca de evolução espiritual nestes tempos tenebrosos de aversão à diversidade.

Pra começar, tenho preconceito contra quem tenta me vender qualquer produto ou serviço não solicitado. Isso inclui operadores de telemarketing, políticos em campanha, gerentes de banco, escritores de autoajuda, assessores de imprensa que mandam e-mail com meu endereço no campo de /cco, anúncios personalizados, testemunhas de jeová, hare khrisnas, carismáticos e evangelizadores de qualquer denominação. Abro poucas exceções: indígenas vendendo artesanato, crianças pedindo gostosuras no ralouin, mendigos pedindo um troco pra tomar cachaça. Dia desses comprei dois abacates de um casal que tocou a campainha de casa. A história deles muda a cada vez, mas são simpáticos e adoro abacate.

Tenho preconceito contra perfis de casal nas redes sociais – a gente nunca sabe com quem está falando nem a quem dar os parabéns no aniversário. Tenho um tiquinho de preconceito contra casais que vivem dizendo como seu amor é lindo – são os que mais se divorciam, mas a insegurança que revelam é tão comovente que merecem perdão. Não é o caso dos comentaristas de portal, racinha abominável. Tenho preconceito com fotos de viagens a Paris (inveja pura). No Instagram, com quem vive postando selfie ou foto de comida. Exceção pra modelos (sigo vári@s) e conhecedores da boa mesa. Também sou preconceituoso com fotos ruins de pôr do sol e lua cheia, horizontes desnivelados, rótulos de cerveja artesanal. Mas adoro vídeos de gatinho, vá entender.

Admito: muitas vezes sou intolerante. Tenho preconceito com quem vota em fascista, fiscaliza o cu dos outros, diz “o” direitos humanos como se fosse pessoa, exige ser chamado de doutor, posa de machão, exibe arma, abusa do marketing pessoal, faz piada humilhante com deficiente, caga regra à direita ou à esquerda. Com quem, sendo escolarizado, escreve “menas”, “a muito tempo”, “haviam muitas coisas”. Com colonizados que amam jargão em inglês. Meu estômago se revira quando leio “deixa eu desenhar”, “vá estudar história”, “vá pra Cuba”, “narrativa do golpe”. Tenho os dois pés atrás com aperto de mão molenga ou forte demais, com quem só tecla usando emoji, com quem fala “tá ligado?” cem vezes por dia, com motorista que não dá seta e fecha cruzamento.

Eu olho atravessado pra quem me trata bem, mas humilha o garçom; pra frases no imperativo, publicidade infantil, hamburgueria gourmet, terraplanistas e criacionistas; pra abusadores da fé alheia, sabichões do twitter, picaretas do empreendedorismo, arautos do livre mercado que sugam os serviços públicos; pra imitadores baratos de Bukowski, bêbados e abstêmios inconvenientes, gente que vem me falar mal de meus amigos como se me fizesse um favor. Tenho preconceito com vampiros emocionais, com quem só tem certezas e, confesso, um enorme preconceito com quem não ri de si próprio. Paro a lista por aqui, porque talvez alguém ache que fui longe demais e tenho preconceito com quem não gosta de textão. Prometo que vou tentar melhorar, tá?

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26

Oct

19

Mulher folgada

Compartilho este texto de Leandro Demori, editor executivo do Intercept Brasil, na newsletter da publicação.

Mulher folgada

Juliana Gonçalves e a Bruna de Lara publicaram uma entrevista com a Patricia Hill Collins, lenda do feminismo negro. O título me chamou atenção: Collins considera abandonar o termo ‘feminismo’, pelo bem da própria luta feminista. Lembra alguma coisa? A mim, lembra o uso da palavra ‘golpe’ para o impeachment de Dilma Rousseff, e muitas outras coisas. Palavras importam, e pode-se defender o uso delas – e a disposição para a briga por seus significados – ou o abandono, em nome do recrutamento de mais e mais pessoas em torno de uma ideia.

Patricia Hill Collins, durante o papo com o TIB: “Eu pergunto: ‘por que você tem medo de uma palavra?’. [Risos] ‘O que numa palavra te assusta, a quais interesses você está servindo ao não usá-la e a quais está servindo com o uso da palavra, em termos de como você a entende?’ Se a palavra atrapalha ao ponto de você não conseguir chegar nas questões que ela deveria invocar, significa que o ataque da mídia ao termo feminismo foi bem-sucedido, e é hora de usar outra palavra que descreva aquilo sobre o que você quer conversar.”

Eu perdi algum tempo no Twitter essa semana (na verdade eu perco muito tempo no Twitter todas as semanas), mas também acabei topando com uma sequência do jornalista Igor Natusch. Ele publicou em sua conta (@igornatusch) algumas mensagens com poder para inspirar o Brasil de hoje – o Igor fala da Islândia dos anos 1970 – e que têm muito a ver com o que a Collins disse. Você conhece a história das mulheres que decidiram tirar uma folga em vez de fazer uma greve? Leia, e bom final de semana.

“Há exatos 44 anos, no dia 24 de outubro de 1975, as mulheres da Islândia resolveram tirar um dia de folga – e promoveram mudanças enormes na questão de gênero em seu país.

A desigualdade entre homens e mulheres era grande na Islândia em 1975. Trabalhadoras recebiam, em média, menos de 60% do salário dos homens. No pequeno e gelado país, o senso comum era de que mulheres deveriam cuidar da casa e dos filhos, e só.

Os movimentos feministas da Islândia decidiram, então, promover um “dia de folga”. No dia 24 de outubro, mulheres não iriam ao trabalho, e não fariam nenhuma tarefa doméstica. A ideia, óbvio, era demonstrar a importância delas para o país.

Percebam a astúcia em chamar de “folga”, e não de “greve”. A ideia de um “descanso” angariou simpatia, e ficou bem mais fácil convencer outras mulheres a aderir, em especial as mais velhas – que talvez não topassem a ousadia se fosse associada com a “balbúrdia” de uma greve.

Na véspera do grande dia, o clima era de ansiedade coletiva. Nas repartições, os chefes estocavam papel, lápis e guloseimas. O objetivo: distrair as inúmeras crianças que os pais homens, sem o trabalho doméstico das mães, teriam que levar consigo pro serviço.

Trivia: um dia antes da folga feminina, esgotou-se completamente o estoque de salsichas de porco no país. Motivo: o embutido sempre foi a comida pronta favorita no país, e como não havia qualquer perspectiva da mulherada cozinhar no dia seguinte…

O dia 24 de outubro 1975 foi inesquecível na Islândia, e os relatos das participantes são muito legais. As escolas não abriram, porque as professoras não foram dar aula. As lojas não conseguiram atender, porque não tinha quem ficasse no balcão ou nos caixas.

Os jornais da Islândia tiveram enormes dificuldades para rodar naquele dia, porque as tipógrafas eram quase todas mulheres no país. E os telefones não funcionaram, porque as telefonistas… Bom, vocês já entenderam.

No centro da capital Reikjavik, uma manifestação (hoje lendária no país) reuniu 25 mil pessoas. Talvez não pareça tanto, mas é importante dizer que isso dá MAIS DE 10% DA POPULAÇÃO TOTAL do país à época.

O dia de folga das mulheres islandesas tornou-se um símbolo mundial, e teve consequências muito positivas. Leis garantindo salários iguais para homens e mulheres foram aprovadas e, em 1980, o país teve sua primeira presidente mulher, Vigdís Finnbogadóttir.

NA VERDADE, Vigdís Finnbogadóttir foi a primeira mulher eleita presidente NO MUNDO. “Se me permitem dizer, já que muitos dizem isso para mim: isso mudou tudo”, diz a própria em entrevista posterior, sem falsa modéstia. E tem razão.

Em 2009, a Islândia indicou Jóhanna Sigurðardóttir como primeira-ministra. Ela também foi uma das primeiras mulheres a casar legalmente com outra mulher no país (a novelista e autora de peças teatrais Jónína Leósdóttir).

Até hoje, as feministas da Islândia lembram periodicamente do Kvennafrídagurinn (“dia da folga das mulheres”, em islandês). No aniversário da greve, elas saem mais cedo do trabalho – sempre um pouco mais tarde, simbolizando o quanto se avançou em igualdade até ali.

Em 24 de outubro de 2016, as trabalhadoras islandesas saíram do serviço às 14h38 – três minutos mais tarde do que em 2010. E, ao se reunirem em Reikvajik, fizeram as mesmas palmas que ficaram famosas na torcida da Eurocopa daquele ano.

Enfim, fica aí essa bela história de como uma mobilização bem sucedida produz maravilhas. Obrigado <3.”

Editor Executivo
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25

Oct

19

The laundromat

Quem curtiu A grande aposta vai gostar de The Laundromat, filme dirigido por Steven Soderbergh, com Meryl Streep, Gary Oldman e Antonio Banderas. História do famoso caso Panama Papers, o vazamento de maior impacto na história do jornalismo. Ela é narrada de forma simples de entender, com toques de comédia e de teatro, por dois personagens principais do escândalo, os advogados Mossack e Fonseca. Bastante instrutiva sobre o funcionamento dos sofisticados mecanismos financeiros utilizados por criminosos internacionais para lavar dinheiro e fugir dos impostos. A Odebrecht tem menção especial na segunda metade do filme. Produção Netflix.

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20

Oct

19

Pantheon: ferramenta de visualização interativa

pantheon

Projeto bem interessante de visualização interativa lançado esta semana pela Datawheel, empresa com sede em Cambridge – Massachusetts e escritórios em Washington DC, Santiago e Concepción (Chile). O Pantheon faz um ranking de popularidade de mais de 70 mil biografias a partir de dados disponíveis em 15 idiomas da Wikipedia.

Os dados mais atualizados, de meados de 2019, mostram que a biografia online mais popular é a de Maomé, seguida de perto pelas de Jesus, Leonardo da Vinci, Genghis Khan e Isaac Newton. As biografias mais populares de mulheres são as de Joana D’Arc, Maria (mãe de Jesus), Elizabeth II, Marie Curie e Elizabeth I. No Brasil as dez biografias mais populares são as de Pelé, Santa Ana, Paulo Coelho, Garrincha, Oscar Niemeyer, Ayrton Senna, João Gilberto, Dilma Rousseff, Lula e Michel Temer.

A Datawheel foi fundada pelo físico chileno Cesar Hidalgo, professor das universidades de Toulouse, Manchester, Harvard e MIT. Hidalgo é conhecido pela criação do campo da Complexidade Econômica, que usa dados desagregados e métodos de rede para explicar e predizer dinâmicas de desenvolvimento econômico. Ele também é referência por suas ideias sobre o uso da inteligência artificial na democracia.

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30

Aug

19

Cidades mais populosas do Brasil

Exercício de criação de infográfico usando a ferramenta online Datawrapper.

 

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13

Aug

19

Don Draper, personagem memorável

mad menNão vos trago novidades, passei só pra contar que finalmente terminei de ver a série Mad Men, exibida entre 2007 e em 2015. Confesso que na época não me fisgou e interrompi no primeiro episódio. Finalmente resolvi encarar e só tenho elogios. Roteiro, diálogos, cenários, figurino, arco dramático dos personagens, atores e atrizes, trilha sonora (Tomorrow Never Knows, dos Beatles, que fecha um dos episódios, custou 250 mil dólares à produção)… Tudo muito caprichado. Não por acaso ganhou 137 prêmios e foi indicada a outros 372.

Don Draper (Jon Hamm), o destruidor de corações das mulheres, que personagem bem construído e complexo! As pontes entre o passado misterioso e o presente dele explicam (sem entregar de uma só vez) sua dependência por sexo, a carência afetiva, o sentimento de culpa e inadequação, misturados com alcoolismo, senso de lealdade, genialidade e eloquência. Admirado, desejado e invejado, nunca ignorado. Nem bom nem mau, um humano com várias definições possíveis. “Frio como um peixe”, diz alguém num certo momento, referindo-se ao modo reservado que adota como couraça (sem spoilers, mas a resolução de seu drama e o fechamento da história, na sétima temporada, são brilhantes).

Como tema central, a evolução do mundo da publicidade entre os anos 1950 e 1970, com seus lances de brilhantismo, golpes baixos e manipulação da opinião pública, doses cavalares de cigarro e álcool, camaradagem e um prazer de trabalhar em equipe que me despertaram lembranças agridoces dos tempos de redação de jornal. Em paralelo, uma excelente reconstituição de época, pontuada por acontecimentos marcantes como a crise dos mísseis em Cuba, os assassinatos de Kennedy e Luther King e a chegada dos astronautas à lua.

Tão relevante quanto esse pano de fundo é a crônica de costumes sobre o empoderamento das mulheres, na família e no trabalho. A trajetória de Peggy (Elisabeth Moss), secretária ambiciosa que quer se tornar publicitária, é uma metáfora de muitas conquistas femininas (e por falar em metáforas, muito foda a animação de abertura). Também gostei da evolução da filha de Don, Sally (Kiernan Shipka), que no começo é uma menina e vemos se tranformar em uma adolescente de personalidade forte, fundamental na evolução do seu pai. Há vários outros personagens muito bons.

Eu poderia passar uma noite inteira conversando sobre Mad Men num boteco, tamanha a impressão que me causou. No momento estou “órfão de séries”, com a sensação de tempo bem aproveitado.

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17

Jul

19

Três microcontos bem black mirror

Usou o app de se ver mais velho; viu a viúva já bem alegre.

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Usou o app de se ver mais velho; viu-se aposentado com meio salário mínimo.

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Não usou o app de se ver mais velho; mais tarde, fazendo a barba, viu-se mais velho.

 

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06

Jul

19

Pra que discutir com madame?

Uma #miguelice em homenagem a João Gilberto, neste dia da sua partida. Os meninos – acho que tinham oito e cinco anos na época – brincavam de pular na nossa cama e a mãe mandou pararem. Obedeceram, mas Miguel saiu cantarolando:
- Vamos acabar com o samba / madame não gosta que ninguém sambe…

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17

Apr

19

A realidade não é o que parece

realidadeLeitura iniciada.

(Carlo Rovelli, Objetiva, 2017)

“O espaço e o tempo realmente existem? De que é feita a realidade? De onde vem a matéria? O cientista Carlo Rovelli passou a vida inteira investigando essas questões, tentando ampliar os limites do que sabemos. Em A realidade não é o que parece, ele revela como nossa compreensão da realidade mudou ao longo dos séculos, de Demócrito à gravidade quântica em loop. Rovelli nos guia por uma jornada maravilhosa e nos convida a imaginar um mundo completamente novo onde os buracos negros estão esperando para explodir, o espaço-tempo é feito de grãos e o infinito não existe – um vasto universo amplamente desconhecido”.

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