Posts com a tag ‘humor’

30

Dec

15

A matemática de amassar barro com as costas

Dia dos Mortos no México. Foto de Barney Moss/Creative Commons

Dia dos Mortos no México. Foto de Barney Moss/Creative Commons

Você pode achar esta calculadora de probabilidades um tanto mórbida. Prefiro vê-la como um exercício de riso filosófico — meu pai costumava fazer isso anotando as idades em que as personalidades da enciclopédia abotoaram o paletó. Na comparação, ele se considerava um homem de sorte. Cumpriu sua missão aos 85 anos, quando 70,2% das pessoas já dormiram o sono dos justos, segundo os matemáticos.

Se você só tem 25 anos, a possibilidade de esticar o pernil é de apenas 0,3%. Somos praticamente imortais nesta idade, aproveite — mas não abuse da paciência do anjo da guarda, que às vezes é ruim em matemática. Já as chances de arrefecer o céu da boca antes dos 50, idade que completo no mês que vem, são um pouco mais altas: 3,6%. Se depender de mim, não pretendo estar entre os 99,6% que já bateram biela antes de completar cem anos.

Já pensou em como pode ser reconfortante ter a consciência de que nosso corpo não foi feito pra durar? A gente pode se dedicar de alma muito mais leve aos amigos, beijos de língua, amores, viagens, atos solidários ou solitários, à realização de pequenos e grandes sonhos. E, claro, a chutar o balde do que não nos interessa. Um momento de cada vez, sem auto-ilusão e sem se estressar com o triste pio. É o que temos.

Afinal, pra que se preocupar com o dia de dar o peido mestre, sair com os pés pra frente, ter a conta feita, dar o couro às varas, fazer tijolo, ir para o jardim das tabuletas, amassar o barro com as costas, dar com a cola na cerca, morder o pó, perder a colher, colocar o pijama de madeira, esticar o alcatre, desconectar geral, mudar pra cidade dos pés juntos, se isso está fora do nosso controle? Carpe diem e feliz 2016!

~

Esta crônica foi inspirada no texto Your body wasn’t built to last: a lesson from human mortality rates

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13

May

14

De Quintana, Shakespeare e leitura

- Poeta, o que devo ler para entender Shekespeare? - Shakespeare, minha filha.

– Poeta, o que devo ler para entender Shekespeare? – Shakespeare, minha filha.

Fonte: Ora Bolas – O humor de Mário Quintana. Juarez Fonseca, L&PM Pocket, 4a. edição, p. 94, maio de 2013.

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03

Jul

12

Brunitezas: absolutamente

Eu: – Meninos, vocês lancharam?
Miguel: – Absolutamente nada.
Bruno: – Absolutamente dois pães.

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03

Dec

11

Funk do iate

A meninada aqui em casa curtiu muito esse comercial com Marcelo Adnet. E tá bem feito, né?

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25

Nov

11

Hey Jude passo a passo

Genial. Não sei o autor, se souberem me digam. Compartilhado pela Márcia Fernandes no Facebook.

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30

Oct

11

Humor no twitter

Testando um widget do Twitter que permite exibir o fluxo de mensagens de listas. Selecionei a minha lista “frasistas”, de gente que tem o dom de fazer rir – e também refletir – em até 140 caracteres. Se você tiver outras sugestões, deixe aí nos comentários.


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08

Oct

11

Sessão da Tarde

Meu novo ídolo, Pedrosa da Silva, colunista da Fired – uma publicação da Lhamas Imperiais Editora.

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Um belo dia, o chefe lhe diz: “Precisamos conversar.” É o preâmbulo para uma nova e excitante fase da sua vida. Você esvazia as gavetas e escreve aquele fatídico e-mail aos colegas: “Não é um adeus, é um até logo”, etc. Em casa, explora as reentrâncias do sofá macio, folheia uma HQ e observa o gato. O felino ainda vai lhe dar muitas aulas sobre como conservar energia evitando movimentos desnecessários. Agora você está apto a praticar o nadismo, a doce arte de não fazer nada. E se transforma em potencial leitor da Fired – a revista do desempregado moderno.

Pesquisa do Sensacionalista (“um jornal isento de verdade”) revela: 75% das pessoas que vão “partir em busca de novos desafios” passarão seis meses vendo Sessão da Tarde. Isso reforça a convicção da equipe Fired de que existe um importante segmento de público a atender com informação e serviços. A revista é a sua nova aliada no enfrentamento dos mitos criados pela cultura da aceleração. Sem medo e sem culpa.

Pense nas vantagens de seu novo status. Adeus tensão de alternar rapidamente a tela do computador entre o jogo de paciência e uma planilha excel. Chega do balé dissimulado que é transportar documentos aparentando pressa, para em seguida passar meia hora na sala do cafezinho. O candidato a nadista é um ator em permanente ação de resistência – ou melhor, resistência à ação. Mas essa vida dupla cobra seu preço em úlceras ou coisa pior.

Fired investe na autoestima do ocioso criativo que sai do armário. Esqueça os rótulos de loser ou mandrião, pois essa caterva não sabe o que fala. Experimente a sensação inebriante de se autodefinir: “Sou artista conceitual”. Ou freelancer, filósofo, flâneur, como preferir. Existe um termo em alta no mercado, empreendedor, mas alguém sempre termina lhe pedindo pra descrever o projeto que desenvolve, e isso dá trabalho. Há ainda a mítica figura do consultor, um oráculo em estado de repouso, que só se mexe quando é bem pago.

Construir sua persona pós-CLT demanda rigorosos exercícios iniciáticos, tais como:

- Ir ao cinema no meio da tarde. É um passo fundamental na gênese do Novo Desempregado, o Übermensch liberto da ditadura do relógio-ponto. Dono de seu tempo, compra o ingresso sem pegar fila, escolhe a melhor poltrona e goza o momento com a consciência tranquila, inspirado no filósofo bigodudo: os remorsos são obscenos.

- Caminhar até a geladeira e pegar uma cerveja. Quando esta prática esotérica ocorre antes do meio-dia, é duplamente salutar, pois se associa ao benefício de acordar cedo (mas não cedo demais) – e assim aproveitar melhor o tempo inútil. Há quem garanta que o som da latinha sendo aberta libera endorfinas.

Criamos a Sessão da Tarde com dois objetivos: acabar de vez com as nossas dúvidas sobre a diferença entre seção e sessão; e levar dicas de joie-de-vivre ao nosso seleto público sem vínculo empregatício. O leque é amplo. De resenhas dos sucessos de Charles Bronson a indicações de lugarzinhos charmosos onde tomar um expresso sem pressa. Quem sabe, trocando olhares com uma moça bonita, enquanto vocês conversam sobre o ser e o nada. Bom proveito.

Pedrosa da Silva tem doutorado em estudos hedonísticos no Barbecue Institute of High Studies, com PhD em Morro de São Paulo. Consultor holístico e sentimental, é também especialista em redes sociais – comprou uma de casal no Ceará e garante que cabem três com folga. Os honorários recebidos por este artigo – meia mariola e duas balas chita – foram doados para o Centro de Apoio aos Dependentes do Expediente 9 às 6.

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01

Oct

11

No tempo em que não havia ultrassom

Meu amigo João Augusto Dantas, de Natal, que faz aniversário hoje (“pedalei 98 km de manhã, fui a Nísia Floresta e voltei”), me contou uma história que meu pai contava e eu nem lembrava mais:

No tempo em que não havia ultrassom, um médico de Recife ficou famoso por adivinhar o sexo do bebê ainda na barriga das mães, só de tocar no umbigo delas. Todas as grávidas queriam fazer pré-natal com ele. Até que um dia o médico brigou com a enfermeira e o segredo de seu dom veio a público.

No exame, ele previa: “É um menino”. Mas depois falava pra enfermeira anotar “menina” na ficha, e acertava 50% das vezes. Quando o bebê nascia, algumas mãe reclamavam: “Mas doutor, o senhor disse que era menino, fiz todo o enxoval azul e veio menina!”. Ele, rápido: “Vamos consultar a ficha. Viu aqui? Menina. Foi o que eu tinha dito, mas a senhora, emocionada, se confundiu”.

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21

Jul

11

O poligrota

Recebi do Celso Vicenzi e passo adiante.

O POLIGROTA

É verdade matemática que ninguém pódi negá,
que essa história de gramática só serve pra atrapaiá.
Inda vem língua estrangêra ajudá a compricá.
Mió nóis cabá cum isso pra todos podê falá.

Na Ingraterra ouví dizê que um pé de sapato é xu.
Desde logo já se vê, dois pé deve sê xuxu.
Xuxu pra nóis é um legume que cresce sorto no mato.
Os ingrêis lá que se arrume, mas nóis num come sapato.

Na Itália dizem até, eu não sei por que razão,
que como mantêga é burro, se passa burro no pão.
Desse jeito pra mim chega, sarve a vida no sertão,
onde mantêga é mantêga, burro é burro e pão é pão.

Na Argentina, veja ocêis, um saco é um paletó.
Se o gringo toma chuva tem que pô o saco no sór.
E se acaso o dito encóie, a muié diz o pió:
”Teu saco ficô piqueno, vê se arranja ôtro maió!’

Na América corpo é bódi. Veja que bódi vai dá.
Conheci uma americana doida pro bódi emprestá.
Fiquei meio atrapaiado e disse pra me escapá:
ói, moça, eu não sou cabra, chega seu bódi pra lá!

Na Alemanha tudo é bundes. Bundesliga, bundesbão.
Muita bundes só confunde, disnorteia o coração.
Alemão qué inventá o que Deus criou primêro.
É pecado espaiá o que tem lugar certêro.

No Chile cueca é dança de balançá e rodá.
Lá se dança e baila cueca inté a noite acabá.
Mas se um dia um chileno vié pro Brasir dançá,
que tente mostrá a cueca pra vê onde vai pará.

Uma gravata isquisita um certo francês me deu.
Perguntei, onde se bota? E o danado respondeu.
Eu sou home confirmado, acho que num entendeu,
Seu francês mar educado, bota a gravata no seu!

Pra terminar eu confirmo, tem que se tê posição.
Ô nóis fala a nossa língua, ô num fala nada não.
O que num pode é um povo fazê papér de idiota,
dizendo tudo que é novo só pra falá poligrota.

(Autor desconhecido)

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02

Jul

11

A escolas acabam com a criatividade

Esta palestra de Ken Robinson no TED Talks é de 2006, mas continua atualíssima. Ele conta, com muito bom humor e ótimos exemplos, como o sistema educacional foi concebido para moldar as crianças pro mercado de trabalho e como isso mata a criatividade.

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