01
nov11
Sociedade condenada
Recebi do Fernando Evangelista e compartilho.
Frase da filósofa russo-americana Ayn Rand, fugitiva da revolução russa, que chegou aos Estados Unidos na metade da década de 20:“Quando você perceber que, para produzir, precisa obter a autorização de quem não produz nada; quando comprovar que o dinheiro flui para quem negocia não com bens, mas com favores; quando perceber que muitos ficam ricos pelo suborno e por influência, mais que pelo trabalho, e que as leis não nos protegem deles, mas, pelo contrário, são eles que estão protegidos de você; quando perceber que a corrupção é recompensada, e a honestidade se converte em auto-sacrifício; então poderá afirmar, sem temor de errar, que sua sociedade está condenada”.
31
out11
Conversa Pública sobre o Haiti
Compartilhando:
CONVITE: CONVERSA PÚBLICA SOBRE O HAITI
COM KIM YVES E DAN COUGHLIN
A Agência Pública de reportagem e jornalismo investigativo vai receber dois grandes jornalistas que cobrem o Haiti para uma conversa aberta e franca com o público.
Os dois foram responsáveis pela publicação dos documentos do WikiLeaks no Haiti, que revelaram entre outras coisas o lobby dos Estados Unidos para frear o aumento do salário mínimo para 5 dólares por dia e a articulação para manter Aristide fora do país.
Na Conversa Pública eles vão falar também sobre o atual governo e os protestos contra a Minustah, a força de paz da ONU comandada pelo Brasil desde 2004. O papo será mediado por Natalia Viana.
Dan Coughlin faz reportagens sobre o Haiti desde 1992. Ele foi correspondente do Inter Press Service e director da radio independente Pacifica Network, nos EUA. Hoje em dia colabora com o The Nation, que foi parceiro do Haiti Liberte para a publicação dos documentos do WikiLeaks sobre oi Haiti.
Kim Ives é editor do jornal Haiti Liberté, que circula no Haiti e nas comunidades de imigrantes haitianos nos Estados Unidos. Ele comanda um programa semanal na radio publica WBAI-FM, nos EUA, e já dirigiu e produziu diversos documentários sobre o Haiti.
SERVIÇO:
CONVERSA PÚBLICA – HAITI
Dia 06 de novembro às 14 horas
Rua Vitorino Carmilo, 459 – Barra Funda – São Paulo – TEL: +55 (11) 3661 3887
Entrada Franca
15
out11
13
out11
Perseguição a jornalista em Angola
Da ong Repórteres sem Fronteiras:
12.10.2011
ANGOLA
Condenado por “difamação”, o jornalista William Tonet sujeita-se a um ano de prisão
Repórteres sem Fronteiras denuncia a condenação por “difamação”, anunciada a 10 de Outubro de 2011, do jornalista William Tonet, e a decisão da justiça angolana de lhe impor o pagamento da soma de dez milhões de kwanzas (77 000 euros) aos queixosos num prazo de cinco dias. Se não desembolsar este montante, o jornalista terá de cumprir um ano de prisão.
Além disso, para que o recurso interposto pelo advogado de defesa seja aceite pelo Tribunal Supremo, o jornalista terá de pagar a multa de dez milhões de kwanzas.
“O juiz do Tribunal Provincial de Luanda decretou uma pena incompreensível. Embora o carácter difamatório do artigo em questão não tenha sido comprovado, o jornalista vê-se obrigado a indemnizar os queixosos. William Tonet, há muito alvo das autoridades, parece pagar o preço da sua independência. Denunciamos igualmente a conivência entre o juiz e os queixosos. A pena pronunciada contra este jornalista assemelha-se a um aviso e uma intimidação dirigida ao conjunto da profissão”, declarou Repórteres sem Fronteiras.
“Por outro lado, é anormal que o jornalista tenha de pagar o montante da multa de forma a obter a suspensão da pena. Em caso de recurso, o efeito suspensivo da pena deveria ser imediato”, acrescentou a organização, que salienta que os jornalistas que cobriam a audiência foram intimidados e impedidos de realizar o seu trabalho livremente.
William Tonet foi atacado em tribunal na sequência de um artigo publicado em 2008 no seu jornal Folha8, no qual acusava três generais do exército angolano e o director nacional das alfândegas de enriquecimento ilícito, corrupção e abuso de poder.
O seu advogado, David Mendes, arremeteu contra o valor exorbitante da multa. “Por homicídio, a multa é de 200 mil kwanzas, 700 mil se o juiz forçar a nota. Como explicar uma condenação a dez milhões de kwanzas por difamação, num caso em que demonstrámos a realidade dos factos evocados?”, inquiriu o advogado.
“Onde é que vamos arranjar tanto dinheiro para pagar aos queixosos? Prefiro ir para a cadeia”, afirmou por seu lado o jornalista.
A Associação Justiça, Paz e Democracia (AJPD), observadora oficial da União Africana em temas de direitos humanos, lançou uma campanha oficial de recolha de fundos para pagar a indemnização.
07
out11
A coisa mais importante do mundo
Reproduzo na íntegra o discurso de Naomi Klein aos ocupantes de Wall Street, traduzido por Idelber Avelar e publicado na Revista Fórum.
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A intelectual e ativista canadense fez um discurso histórico à Assembleia Geral do movimento Ocupar Wall Street.
Por Naomi Klein [07.10.2011 01h10]
Tradução e nota introdutória de Idelber Avelar
Naomi Klein é hoje uma das principais intelectuais e militantes anticapitalistas do planeta. Jovem (nasceu em 1970), apaixonada, corajosa, de brilhante trânsito por uma série de disciplinas e potente domínio da retórica, ela já se destacara como figura central nos protestos de 1999 contra a financeirização do mundo. Em 2000, lançou No Logo, uma crítica das multinacionais e do seu uso do trabalho escravo. Mas foi seu terceiro livro, A Doutrina do Choque: A Ascensão do Capitalismo do Desastre, que a elevou à condição de uma das principais intelectuais de esquerda do mundo. Com capítulos sobre os EUA, a Inglaterra de Thatcher, o Chile de Pinochet, o Iraque pós-invasão, a África do Sul, a Polônia, a Rússia e os tigres asiáticos, Klein demonstra como o capitalismo contemporâneo funciona à base da produção de desgraças, apropriando-se delas para o contínuo saqueio e privatização da riqueza pública. De família judia, Klein participou, em 2009, durante o massacre israelense a Gaza, da campanha “Desinvestimento, Sanções e Boicote” (BDS) contra Israel. Num discurso em Ramalá, pediu perdão aos palestinos por não ter se juntado antes à campanha BDS.
Nesta quinta-feira, 06 de outubro, Naomi Klein compareceu, convidada, à Assembleia Geral de Nova York. A amplificação foi banida pela polícia. Não havia microfones. Num inesquecível gesto, a multidão mais próxima a Klein repetia suas frases, para que os mais distantes pudessem ouvir e, por sua vez, repeti-las também. Era o “microfone humano”. O memorável discurso de Klein foi assistido por dezenas de milhares de pessoas via internet. A Fórum publica o texto em português em primeira mão. É um comovente documento da luta de nosso tempo.
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Eu amo vocês.
E eu não digo isso só para que centenas de pessoas gritem de volta “eu também te amo”, apesar de que isso é, obviamente, um bônus do microfone humano. Diga aos outros o que você gostaria que eles dissessem a você, só que bem mais alto.
Ontem, um dos oradores na manifestação dos trabalhadores disse: “Nós nos encontramos uns aos outros”. Esse sentimento captura a beleza do que está sendo criado aqui. Um espaço aberto (e uma ideia tão grande que não pode ser contida por espaço nenhum) para que todas as pessoas que querem um mundo melhor se encontrem umas às outras. Sentimos muita gratidão.
Se há uma coisa que sei, é que o 1% adora uma crise. Quando as pessoas estão desesperadas e em pânico, e ninguém parece saber o que fazer: eis aí o momento ideal para nos empurrar goela abaixo a lista de políticas pró-corporações: privatizar a educação e a seguridade social, cortar os serviços públicos, livrar-se dos últimos controles sobre o poder corporativo. Com a crise econômica, isso está acontecendo no mundo todo.
Só existe uma coisa que pode bloquear essa tática e, felizmente, é algo bastante grande: os 99%. Esses 99% estão tomando as ruas, de Madison a Madri, para dizer: “Não. Nós não vamos pagar pela sua crise”.
Esse slogan começou na Itália em 2008. Ricocheteou para Grécia, França, Irlanda e finalmente chegou a esta milha quadrada onde a crise começou.
“Por que eles estão protestando?”, perguntam-se os confusos comentaristas da TV. Enquanto isso, o mundo pergunta: “por que vocês demoraram tanto? A gente estava querendo saber quando vocês iam aparecer.” E, acima de tudo, o mundo diz: “bem-vindos”.
Muitos já estabeleceram paralelos entre o Ocupar Wall Street e os assim chamados protestos anti-globalização que conquistaram a atenção do mundo em Seattle, em 1999. Foi a última vez que um movimento descentralizado, global e juvenil fez mira direta no poder das corporações. Tenho orgulho de ter sido parte do que chamamos “o movimento dos movimentos”.
Mas também há diferenças importantes. Por exemplo, nós escolhemos as cúpulas como alvos: a Organização Mundial do Comércio, o Fundo Monetário Internacional, o G-8. As cúpulas são transitórias por natureza, só duram uma semana. Isso fazia com que nós fôssemos transitórios também. Aparecíamos, éramos manchete no mundo todo, depois desaparecíamos. E na histeria hiper-patriótica e nacionalista que se seguiu aos ataques de 11 de setembro, foi fácil nos varrer completamente, pelo menos na América do Norte.
O Ocupar Wall Street, por outro lado, escolheu um alvo fixo. E vocês não estabeleceram nenhuma data final para sua presença aqui. Isso é sábio. Só quando permanecemos podemos assentar raízes. Isso é fundamental. É um fato da era da informação que muitos movimentos surgem como lindas flores e morrem rapidamente. E isso ocorre porque eles não têm raízes. Não têm planos de longo prazo para se sustentar. Quando vem a tempestade, eles são alagados.
Ser horizontal e democrático é maravilhoso. Mas esses princípios são compatíveis com o trabalho duro de construir e instituições que sejam sólidas o suficiente para aguentar as tempestades que virão. Tenho muita fé que isso acontecerá.
Há outra coisa que este movimento está fazendo certo. Vocês se comprometeram com a não-violência. Vocês se recusaram a entregar à mídia as imagens de vitrines quebradas e brigas de rua que ela, mídia, tão desesperadamente deseja. E essa tremenda disciplina significou, uma e outra vez, que a história foi a brutalidade desgraçada e gratuita da polícia, da qual vimos mais exemplos na noite passada. Enquanto isso, o apoio a este movimento só cresce. Mais sabedoria.
Mas a grande diferença que uma década faz é que, em 1999, encarávamos o capitalismo no cume de um boom econômico alucinado. O desemprego era baixo, as ações subiam. A mídia estava bêbada com o dinheiro fácil. Naquela época, tudo era empreendimento, não fechamento.
Nós apontávamos que a desregulamentação por trás da loucura cobraria um preço. Que ela danificava os padrões laborais. Que ela danificava os padrões ambientais. Que as corporações eram mais fortes que os governos e que isso danificava nossas democracias. Mas, para ser honesta com vocês, enquanto os bons tempos estavam rolando, a luta contra um sistema econômico baseado na ganância era algo difícil de se vender, pelo menos nos países ricos.
Dez anos depois, parece que já não há países ricos. Só há um bando de gente rica. Gente que ficou rica saqueando a riqueza pública e esgotando os recursos naturais ao redor do mundo.
A questão é que hoje todos são capazes de ver que o sistema é profundamente injusto e está cada vez mais fora de controle. A cobiça sem limites detona a economia global. E está detonando o mundo natural também. Estamos sobrepescando nos nossos oceanos, poluindo nossas águas com fraturas hidráulicas e perfuração profunda, adotando as formas mais sujas de energia do planeta, como as areias betuminosas de Alberta. A atmosfera não dá conta de absorver a quantidade de carbono que lançamos nela, o que cria um aquecimento perigoso. A nova normalidade são os desastres em série: econômicos e ecológicos.
Estes são os fatos da realidade. Eles são tão nítidos, tão óbvios, que é muito mais fácil conectar-se com o público agora do que era em 1999, e daí construir o movimento rapidamente.
Sabemos, ou pelo menos pressentimos, que o mundo está de cabeça para baixo: nós nos comportamos como se o finito – os combustíveis fósseis e o espaço atmosférico que absorve suas emissões – não tivesse fim. E nos comportamos como se existissem limites inamovíveis e estritos para o que é, na realidade, abundante – os recursos financeiros para construir o tipo de sociedade de que precisamos.
A tarefa de nosso tempo é dar a volta nesse parafuso: apresentar o desafio à falsa tese da escassez. Insistir que temos como construir uma sociedade decente, inclusiva – e ao mesmo tempo respeitar os limites do que a Terra consegue aguentar.
A mudança climática significa que temos um prazo para fazer isso. Desta vez nosso movimento não pode se distrair, se dividir, se queimar ou ser levado pelos acontecimentos. Desta vez temos que dar certo. E não estou falando de regular os bancos e taxar os ricos, embora isso seja importante.
Estou falando de mudar os valores que governam nossa sociedade. Essa mudança é difícil de encaixar numa única reivindicação digerível para a mídia, e é difícil descobrir como realizá-la. Mas ela não é menos urgente por ser difícil.
É isso o que vejo acontecendo nesta praça. Na forma em que vocês se alimentam uns aos outros, se aquecem uns aos outros, compartilham informação livremente e fornecem assistência médica, aulas de meditação e treinamento na militância. O meu cartaz favorito aqui é o que diz “eu me importo com você”. Numa cultura que treina as pessoas para que evitem o olhar das outras, para dizer “deixe que morram”, esse cartaz é uma afirmação profundamente radical.
Algumas ideias finais. Nesta grande luta, eis aqui algumas coisas que não importam:
Nossas roupas.
Se apertamos as mãos ou fazemos sinais de paz.
Se podemos encaixar nossos sonhos de um mundo melhor numa manchete da mídia.
E eis aqui algumas coisas que, sim, importam:
Nossa coragem.
Nossa bússola moral.
Como tratamos uns aos outros.
Estamos encarando uma luta contra as forças econômicas e políticas mais poderosas do planeta. Isso é assustador. E na medida em que este movimento crescer, de força em força, ficará mais assustador. Estejam sempre conscientes de que haverá a tentação de adotar alvos menores – como, digamos, a pessoa sentada ao seu lado nesta reunião. Afinal de contas, essa será uma batalha mais fácil de ser vencida.
Não cedam a essa tentação. Não estou dizendo que vocês não devam apontar quando o outro fizer algo errado. Mas, desta vez, vamos nos tratar uns aos outros como pessoas que planejam trabalhar lado a lado durante muitos anos. Porque a tarefa que se apresenta para nós exige nada menos que isso.
Tratemos este momento lindo como a coisa mais importante do mundo. Porque ela é. De verdade, ela é. Mesmo.
29
set11
28
jul11
Solidariedade à Noruega
A ausência de um comentário meu aqui antes sobre o massacre na Noruega não é indiferença, pelo contrário. É choque diante do horror além da compreensão. Tenho fortes e antigos laços de amizade com o povo norueguês. Hospitalidade, solidariedade, abertura pras diferenças, só consigo pensar em coisas boas quando lembro dos meus amigos vikings, dos amigos dos meus amigos e das pessoas com quem tive contato casual ao viajar pelo país e em outros cantos do mundo. Gente bonita, amante da paz, da natureza, das viagens e descobertas.
A riqueza que a Noruega conseguiu conquistar no século 20 graças à indústria petrolífera reverteu de fato pra redução das diferenças materiais entre os ricos e pobres (é o primeiro país no ranking mundial do IDH). Esse estado do bem-estar social, privilegiado por paisagens lindíssimas, poderia ter sido construído de maneira egoísta. Mas os noruegueses, cientes de suas responsabilidades, aplicaram parte da riqueza na melhoria da vida dos outros. Aberta à imigração, a Noruega tem sido um importante abrigo para refugiados políticos e econômicos, principalmente de países muçulmanos.
Não é um paraíso na terra, é certo. A inexistência de grandes dificuldades materiais termina levando as pessoas a se voltar para dilemas existenciais. Depressão e suicídio são recorrentes, em especial nos longos meses de inverno, em que a luz do sol vira artigo de luxo. O rígido controle do consumo de bebidas alcoólicas deriva de um histórico problema social com o alcoolismo – reforçado pela moral puritana da época em que as leis restritivas foram adotadas. Mesmo assim, a Noruega sempre foi considerada um oásis de segurança e placidez. É um dos lugares mais improváveis do mundo pra se levar um tiro.
O crime horrendo praticado pelo fundamentalista cristão de extrema direita – até o momento, tudo indica que agiu sozinho – quebrou a ilusão de que existem lugares intocados pela violência. No momento em que escrevo, as notícias que os jornais vão acrescentando para montar o quebra-cabeças do massacre são nauseantes, pela frieza como o crime foi planejado. Tenho lido diversos artigos que tentam “explicar” essa chacina, mas boa parte dos analistas tira conclusões rasas e contraditórias, como observa Christopher Hitchens em texto publicado pelo NY Times e traduzido pelo UOL (com dois erros de concordância no título).
A tragédia norueguesa é um alerta para a perigosa ascensão da extrema direita na Europa, que não pode mais ser ignorada. Recomendo a leitura deste artigo na New Yorker sobre as investigações feitas nos anos 90 pelo falecido jornalista sueco Stieg Larsson, autor da trilogia Millenium, que também aborda o assunto na ficção. Merece aplauso a declaração do primeiro-ministro norueguês de que a resposta ao atentado terrorista será uma intensificação da abertura e da democracia. Essa postura, digna de estadista, é uma das melhores homenagens que as 76 vítimas do maníaco poderiam receber.
p.s.: A personificação do mal na figura desse terrorista me fez recordar um romance marcante que li no ano passado: As Benevolentes, de Jonathan Littell, narrativa em primeira pessoa das experiências de um oficial nazista na frente russa e na administração de campos de concentração.
29
jun11
O peixe
Tendo por berço
o lago cristalino,
folga o peixe
a nadar todo inocente.
Medo ou receio
do porvir não sente,
pois vive incauto
do fatal destino.Se na ponta de
um fio longo e fino
a isca avista,
ferra-a inconsciente,
ficando o pobre
peixe de repente,
preso ao anzol
do pescador ladino.O camponês também
do nosso Estado,
ante a campanha eleitoral:
Coitado.
Daquele peixe tem
a mesma sorte.Antes do pleito:
festa, riso e gosto.
Depois do pleito:
imposto e mais imposto…
Pobre matuto do
Sertão do Norte.- Patativa do Assaré
28
jun11
Semana Wikileaks
Esta semana a recém-criada agência de reportagem e jornalismo investigativo Pública está publicando uma série de reportagens inéditas sobre o Brasil, baseadas em documentos obtidos pelo Wikileaks. Uma interessante iniciativa de jornalismo independente e colaborativo. Boa parte do material se refere a despachos de embaixadas – entre elas a dos Estados Unidos – e consulados no Brasil. Compartilho o texto de apresentação:
15 repórteres, 2.500 documentos, 3 dias. O resultado são cerca de 50 matérias inéditas sobre documentos diplomáticos referentes ao Brasil obtidos pelo WikiLeaks, que serão publicados durante esta semana no site da Pública.
A Semana WikiLeaks é uma iniciativa coletiva, capitaneada pela Pública com o apoio do WikiLeaks e a participação de jornalistas independentes que acreditam que histórias de interesse público devem ser contadas.
São eles: Andrea Dip, Anselmo Massad, Tadeu Breda, Julio Cruz Neto, Jessica Santos, Mariana Simões, Igor Ojeda, Tatiana Merlino, Daniel Santini, Glauco Faria, João Perez, Natalia Viana, Débora Prado, Paula Sambo e Ana Aranha.
Nos dias 10, 11 e 12 de junho, esses jornalistas se reuniram voluntariamente na sede da Pública, na Barra Funda, para ler todos os documentos referentes ao Brasil que ainda não foram publicados no site do WikiLeaks. Além de documentos da embaixada em Brasília e consulados em São Paulo, Recife e Rio de Janeiro, a Pública também teve acesso a despachos de outras embaixadas, referentes ao Brasil.
São documentos inéditos, produzidos entre 2004 a 2010, debatendo grandes questões nacionais.
A preocupação da Pública é dar visibilidade a esses telegramas, que contam o que se discute nas relações internacionais – conversa a conversa, reunião a reunião.
Durante esta semana, os documentos originais serão publicados no site da Pública e no site do WikiLeaks. No dia 4 de julho, todos os telegramas brasileiros serão disponibilizados no site do WikiLeaks.
Todas as reportagens são em creative commons, para livre reprodução desde que citada a fonte.
“Meses depois deste vazamento tomar as manchetes da imprensa, há ainda muitas informações importantes nos documentos de todos os países. Estes documentos são mais que notícia, eles contam a história desses países. Até mesmo documentos que já foram publicados no site do WikiLeaks trazem revelações inéditas, e estão ali para serem pesquisados pelo público”, diz o porta-voz do WikiLeaks, Kristinn Hrafnsson.
27
jun11
Carvão: relatório corrobora denúncia de mortes
O assunto tratado no post de ontem está em matéria da Folha de S. Paulo de hoje, seção Ambiente.
Relatório sobre carvão ilegal corrobora denúncia de mortes no PA
JOÃO CARLOS MAGALHÃES
FILIPE COUTINHO
DE BRASÍLIAProdutoras de ferro-gusa do polo de Carajás, na Amazônia, continuam usando carvão de origem ilegal, burlando um instituto que elas mesmas criaram há sete anos para fiscalizar a produção do insumo.
A conclusão é de um relatório produzido pela ONG Observatório Social, que desde 2004 investiga a produção de gusa no polo siderúrgico –o maior do país depois do de Minas Gerais.
O documento corrobora denúncias feitas recentemente pelo casal de líderes extrativistas José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo da Silva, cujos assassinatos no final de maio em Nova Ipixuna (PA) levaram o governo federal a montar uma operação para brecar a violência rural na Amazônia.
No relatório, a ONG comparou a produção real de gusa no ano passado e a produção possível com o carvão fiscalizado pelo ICC (Instituto Carvão Cidadão).
O instituto foi criado pelas empresas em 2004 para auditar as carvoarias, em resposta a uma pesquisa do próprio Observatório Social daquele ano, que diagnosticou trabalho análogo ao escravo na produção carvoeira.
O resultado da comparação foi que, no caso de metade das guseiras avaliadas (quatro), a produção real excedeu a produção possível em até 155%. (…)








