Posts com a tag ‘brasil’

04

Sep

16

São Paulo, agosto de 2016

Imagens da manifestação contra o golpe e da violenta repressão da PM, por Yan Boechat.
#foratemer

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20

Sep

15

Ainda sob impacto de Que horas ela volta?. Filmaço! Diz tanto sobre a história do Brasil e sobre a condição da mulher. Sensível, inteligente, bem humorado e sem discurso panfletário. Sem dúvida, um dos melhores filmes da década. De baixo orçamento e poucas locações, sem tiros, sem efeitos especiais e sem perseguições de carro. Pleno de vigor, com roteiro e interpretações primorosas. Gostei muito dos detalhes sutis que ajudam a contar a história, como a cuba de gelo vazia no congelador e “o sorvete de Fabinho”. Fico curioso pra saber como vai ser visto em outros países. Essa herança escravagista misturada com cordialidade hipócrita deve ser meio difícil de entender por quem não é brasileiro. “Que horas…” vai além disso, aponta pra mudanças. Vejam, e levem os filhos, pais, maridos, namorados e alunos.

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22

Mar

15

O valor estratégico da pegada hídrica

Reportagem que publiquei no Valor Econômico em 20 de março:

Arjen Hoekstra. Foto de Danielle Spoelman

Arjen Hoekstra. Foto de Danielle Spoelman

O total de água incorporada aos produtos que saem pelos portos brasileiros chega a 112 trilhões de litros anuais, equivalentes a 45 milhões de piscinas olímpicas, segundo estudo da Unesco. Esse volume coloca o Brasil em quarto lugar no ranking de exportadores brutos do recurso, atrás dos Estados Unidos, China e Índia.

Embora ainda não seja contabilizada nas trocas comerciais, a água virtual tende a ganhar valor estratégico em um cenário mundial de escassez hídrica. Isso abre oportunidades para o protagonismo do Brasil, que dispõe do recurso em abundância, mas precisa avançar na sua conservação.

Um instrumento de pesquisa relevante na área é a “pegada hídrica” (“water footprint”, em inglês), criada em 2002 pelo pesquisador Arjen Hoekstra, da Universidade de Twente, Holanda, para calcular o uso direto e indireto da água, tanto por produtores quanto por consumidores na cadeia produtiva. A pegada hídrica média do consumidor brasileiro é de 5.550 litros por dia, uma vez e meia superior à média global, principalmente por causa do grande consumo de carne. (…)

Leia mais: reportagem | entrevista com Arjen Hoekstra

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15

Mar

15

Marcelo Rubens Paiva, no sábado…

…sobre as manifestações do dia 13 e do dia 15:

 

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03

Mar

15

Cooperação Brasil-Cuba-Haiti

Bruna Canever (da UFSC, ao centro) com estudantes haitianos. Acervo do projeto

Bruna Canever (da UFSC, ao centro) com estudantes haitianos. Acervo do projeto

Um acordo de cooperação técnica entre Brasil, Cuba e Haiti está possibilitando a formação de profissionais haitianos para atuar na atenção primária à saúde neste país caribenho, o mais pobre das Américas, que foi devastado por um forte terremoto em 12 de janeiro de 2010. Em quatro anos de atividades, já foram titulados mais de 1.300 agentes de saúde comunitários, auxiliares de enfermagem, inspetores sanitários e agentes de saúde ambiental.

Da parte brasileira, a gestão é realizada pelo Ministério da Saúde, em parceria o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e com três instituições de ensino e pesquisa: a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). O acordo tripartite deu continuidade à atuação solidária do Brasil com o Haiti nas áreas de segurança e reconstrução da infraestrutura, iniciada logo após o desastre sísmico.

Coube à UFSC, com apoio administrativo da Fapeu, assumir a qualificação dos recursos humanos de nível médio na área da saúde. O Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da instituição já tem um histórico de parcerias bem sucedidas com o governo federal nessa área. A UFRGS contribuiu com a organização da rede de serviços e a Fiocruz, com a atuação nos campos de epidemiologia, imunização, comunicação e informação. Em torno de R$ 5 milhões foram investidos na formação desses profissionais.

SUS é referência

Visita de delegação haitiana ao Hospital Universitário da UFSC. À direita, a coordenadora do projeto, Flávia Ramos.

Visita de delegação haitiana ao Hospital Universitário da UFSC. À dir., gestora do projeto, Flávia Ramos. Foto: Soninha Vill.

“Estamos implantando um modelo inspirado na estratégia de saúde da família no Brasil”, diz a gestora operacional do projeto e coordenadora do Departamento de Pós-Graduação em Enfermagem da UFSC, Flávia Regina Ramos. Essa estratégia, adotada pelo Sistema Único de Saúde (SUS), enfatiza a atenção à família no local onde ela vive, valorizando as ações de promoção e proteção da saúde, a prevenção de doenças e a atenção integral às pessoas. Ela se contrapõe ao modelo tradicional e ineficiente, focado na supervalorização da assistência curativa, especializada e hospitalar.

Flávia destaca que a tônica da ação brasileira sempre foi desenvolver um projeto estruturante, isto é, evitar ações paliativas como as que foram realizadas pontualmente por diversos países após o terremoto de 2010. O objetivo é trabalhar junto com as autoridades haitianas e os médicos cubanos para desenvolver competências locais que ajudem a restaurar o sistema de saúde do país caribenho. “Isso significa fazer junto”, afirma. Cuba tem participação fundamental na parceria, pois atua há muitos anos no Haiti, onde mantém hospitais e profissionais de saúde experientes.

Em maio de 2014, o Brasil inaugurou uma rede hospitalar no entorno de Porto Príncipe, a capital do país. Com investimento de R$ 25 milhões, ela é composta pelo Hospital Comunitário de Bon Repos, pelo Instituto Haitiano de Reabilitação e pelo Laboratório de Órteses e Próteses. Outros dois hospitais comunitários de referência estão em construção. Somados, eles podem atender 300 mil pacientes, um apoio significativo para o país de 10 milhões de habitantes, que tem o pior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do continente.

Bolsa de estudos

Durante o curso, os alunos recebem do governo brasileiro uma bolsa de estudos para que tenham condições de alimentação e transporte e possam se dedicar integralmente à formação. Quando eles se titulam, continuam recebendo a bolsa por seis a 12 meses, para que tenham tempo de ser inseridos profissionalmente na rede pública. “A formação é feita por haitianos, que são capacitados, supervisionados e acompanhados por brasileiros”, explica Flávia.

“A ajuda técnica e financeira do Brasil tem sido fundamental”, disse a enfermeira Guerline Bayas, especializada em saúde comunitária e diretora de uma escola técnica em Porto Príncipe. Em outubro de 2014, ela esteve em Brasília com outros dois profissionais de saúde haitianos para participar de um seminário internacional de avaliação dos quatro anos de atividades do projeto. Os resultados superam as expectativas. Em seguida, o grupo visitou uma escola técnica em Blumenau e o Hospital Universitário da UFSC em Florianópolis.

“Esperamos renovar o convênio, pois o Haiti sozinho não tem condições de construir a estrutura necessária”, afirmou, acrescentando que a meta é formar pelo menos 10 mil profissionais de saúde para oferecer cobertura em todo o país. (…)

Publiquei esta reportagem na Revista da Fapeu 2014. Leia aqui a íntegra em pdf.

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16

Apr

14

As eleições e as energias renováveis

Entrevistei por telefone o físico Heitor Scalambrini Costa, professor do Departamento de Engenharia Elétrica da UFPE. Ele é especialista em energias renováveis e ativista por uma nova política energética no Brasil. Nesse trechinho da nossa longa conversa, ele compartilha suas impressões sobre a corrida presidencial:

“Do ponto de vista das energias alternativas, o cenário eleitoral é triste. A Marina fez uma aliança pragmática com um candidato que defende a energia nuclear. Nesses sete anos de governo Eduardo Campos em Pernambuco, vimos um modelo predador. Nunca se desmatou tanto. Aécio é um candidato amorfo. O governo Dilma não tem princípios nessa área, ela é movida essencialmente pelos interesses de poder. Um exemplo: ela recebeu pressão e abriu a possibilidade para leilões de usinas de carvão mineral, uma das fontes mais poluidoras que existem. O Plano Decenal de Energia 2013-2022 prevê somente 1.400 megawatts de geração fotovoltaica – isso é irrisório e inibe o mercado. O Brasil hoje corre o risco de perder a corrida do ouro pela energia solar, por falta de uma política industrial para o setor. As mudanças vão depender de pressão social”.

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24

Sep

13

O som ao redor

Vi e gostei demais de “O som ao redor”. Uma crônica urbana sutil sobre o Brasil “Casa Grande e Senzala” do século 21, que se passa num bairro de classe média do Recife. Nasci e passei parte da infância na capital pernambucana, então o filme me despertou vários flashbacks e identificações (mas não é preciso ser nordestino pra ter a mesma impressão, acho). Longe de ser um panfleto, é um retrato do encontro do velho com o novo. Das relações sociais que parecem mudar, mas continuam as mesmas, e das que tinham tudo pra não mudar, mas evoluem. Pra quem ainda não viu, esta observação do José Geraldo Couto pode evitar frustração de expectativas: “Depois de tanto aplauso e elogio, muitos espectadores talvez entrem no cinema esperando ver algo espetaculoso (como foram Cidade de Deus e Tropa de elite, por exemplo). E a qualidade maior de O som ao redor é, justamente, a sutileza, o subtom, a entrelinha”.

 

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24

Feb

13

“Não utilizar a energia do sol é burrice”

Heitor Scalambrini CostaO especialista em energias renováveis Heitor Scalambrini Costa, físico e professor do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Pernambuco, é entusiasta do uso da energia solar para geração de eletricidade – a tecnologia fotovoltaica. É também um áspero crítico do que qualifica de “cegueira” do governo brasileiro pela falta de uma política consistente de aproveitamento dessa riqueza. Hoje a participação da energia do sol na matriz energética nacional é quase nula, menos de 0,02% da potência instalada. Ele defende que o assunto não fique restrito a decisões técnicas e seja discutido democraticamente pela sociedade, na busca de uma matriz elétrica sustentável. “A diversidade e a complementaridade são as palavras chaves”, diz. Autor de dezenas de artigos, publicou em 2002 o livro de coletâneas “Equívocos de uma política energética” e, 2008, “Insatisfação além da conta”. Entrevistei o professor Scalambrini para uma reportagem sobre energia fotovoltaica que publiquei no jornal Valor Econômico. A íntegra da nossa conversa está neste link.

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26

Nov

12

O jornalista em bodas, o usineiro e o crime organizado

Acordo hoje com um texto visceral do amigo Marques Casara, repórter raro, que me emocionou. Compartilho:

Hoje me dei conta que sou jornalista há 25 anos, mais da metade da minha vida.

Sempre achei que um dia alcançaria aquele estado de distanciamento profissional, tipo um médico acostumado a lidar com o sofrimento e que constrói um muro diante da morte, da dor, da miséria.

Um bloqueio emocional que me permitisse seguir em frente e dar o melhor de mim.

Até agora não pintou o lance, a hora em que eu finalmente assumiria aquele ar do cara que não se deixa afetar pelas tragédias do mundo, que faz o seu trabalho, que constrói o próprio futuro.

Um ser produtivo e inserido no mercado.

Um cara com casa na praia, com amigos de final de semana, uma mesa grande e um computador atualizado.

Com uma biblioteca e as obras primas universais.

A merda é que carrego a dor de gente que não conheço. (…)

Leia o texto completo aqui

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30

Oct

12

Camisinhas da floresta

Linha de produção da Natex em Xapuri, Acre

No dia 24, publiquei uma reportagem no Valor Econômico sobre uma fábrica de preservativos masculinos instalada no município de Xapuri, no Acre, terra do líder ambientalista Chico Mendes. A fábrica utiliza borracha natural fornecida por comunidades extrativistas e fornece toda a produção para o Ministério da Saúde usar em campanhas nacionais de prevenção à aids e outras doenças sexualmente transmissíveis. Até 2015 a produção anual de 100 milhões de unidades deve dobrar, e o governo estuda exportar parte das camisinhas para outros países, possivelmente da África. O Ministério da Saúde também está investindo no desenvolvimento de dois produtos a partir de oleaginosas amazônicas: um lubrificante natural e um gel retardante para auxiliar no tratamento da ejaculação precoce. No jornal o texto foi condensado por motivo de espaço. Leia a íntegra aqui.

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