Posts de 2018

15

Jun

18

Digital News Reporting 2018

Saiu o Digital News Reporting 2018, estudo anual do Instituto Reuters de Estudos sobre Jornalismo da Universidade de Oxford, que envolveu 74 mil entrevistas em 37 países. Alguns destaques sobre o Brasil:
- Um terço dos entrevistados acessam notícias pelas mídias sociais, mas o uso do FB com essa finalidade caiu de 69% pra 52% em dois anos;
- 61% dos entrevistados compartilham as notícias por redes sociais ou e-mail e 38% comentam nas redes ou sites;
- o Whatsapp é fonte de acesso a notícias para 48% dos pesquisados;
- 22% pagam por notícias online, percentual estabilizado e em quarto lugar entre os 37 países pesquisados;
- o uso de adblocks aumentou em um terço, indicando preocupação maior com segurança e privacidade;
- 85% estão preocupados com o que é real e falso na internet:
- nos últimos três anos, a circulação dos 11 maiores jornais impressos pagos caiu 41,4%, enquanto a circulação digital aumentou 5,8%.
~ Dica de Breno Costa, do Brio.

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20

Mar

18

Historinha zen

O mestre chegou no salão onde seus discípulos o aguardavam e disse:
- Eu vim trazer a boa nova. Alguém sabe o que é?
Ninguém se manifestou.
- Se ninguém sabe, então eu vou embora – e saiu.
No dia seguinte voltou.
- Eu vim trazer a boa nova. Alguém sabe o que é?
Todos levantaram a mão. – Sim, sim!
- Se todo mundo sabe, então não precisam de mim – e saiu.
No terceiro dia voltou:
- Eu vim trazer a boa nova. Alguém sabe o que é?
Metade da platéia disse que sim e metade ficou quieta.
- Então quem sabe conta pra quem não sabe.
E foi embora.

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20

Mar

18

RT @alejodorowsky

“¿Maestro, cómo hacer para vivir hasta tan viejo?”

“Nunca contradigo a alguien”

“¡No es posible!”

“¡Sí, no es posible!”.

 

 

 

 

 

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12

Mar

18

Anotações do quintal

Um passeio pelo quintal. Verde em mudança permanente. Nos quase doze anos em que convivemos, quantas faces já teve. Vida e morte cambiantes numa dança cósmica, bem aqui neste microcosmo do sul da Ilha de Nossa Senhora dos Aterros, como diz o qrido Fabio Brüggemann. Espaço de presenças, e de presença da ausência. Como a das árvores mortas. Uma se foi de velhice. Sua filha, que vi neném, hoje é frondosa e galhuda, se exibe no outono com sementes redondas que os papagaios adoram. Árvore-aquarela com trilha de algazarra. Duas foram derrubadas pelo vento, outras quatro morreram por causa de um aterro de drenagem. Entre elas um presente do inesquecível Augusto Tuyama, a fantástica nim – suas folhas servem pra mais de cem aplicações, como xampu antipulgas e chá pra ressaca.

Tantas outras nascidas ou transplantadas. A pitangueira nativa, germinada no pé de outra árvore. As bananeiras, todas filhas da muda que nos deu o Edson Campos. A amoreira que podei com amor e cresceu linda. Já podei outras com amor e morreram, coisas da vida. Hoje com copa espalhada, é sempre generosa de frutas e tem galhos baixinhos pra criança pequena pegar. Fonte de amora pra suco, vitamina, geleia, tempero, e em breve, sorvete. Ultimamente reparo que tá tendo uma “safrinha” fora da época, observação corroborada pelo Mauro Sniecikowski, também cuidador de amoreira no Sul da Ilha. À sombra dela, nenhum mato cresce, mas uma guabiroba insiste em existir. Miúda, humilde, sempre pegou pouco sol e cresce devagar, mas sólida. Dá uns poucos frutos por ano, como que dizendo “são especiais” e, entre filosófica e irônica, “espere pra ver” e “por que você me antropomorfiza?”.

O limoeiro adolescente sem espinhas, mas com muitos espinhos, produziu seus primeiros seis limões neste verão. As primas tangerinas – uma poncã, outra montenegrina – são meninas, ainda não chegou a hora de dar frutos. O abacateiro também é fiote. Tudo a seu tempo. Tem o tempo dos saguis, ou soins, como dizem lá na minha terra. Eles vêm, acampam, têm filhotes e vão embora quando a comida acaba. Tem que ficar ligado pra não entrarem na cozinha e fazerem bagunça, né Deborah Figueiredo? Tem o tempo das aracuãs, das aves de migração. Das abelhas, das vespas. E tem os moradores fixos, por assim dizer: bem-te-vis, sabiás, curiós. Uns beija-flores que gostam de beijar uma lanterna-japonesa bem do lado da minha rede.

As formigas moram na área, mas aparecem tão pouco que quando chegam a gente pensa que é visita. Às vezes elas encasquetam com uma árvore e ficam trabalhando nela direto por dias a fio, podando as folhas. Meio estressadas, as formigas. Quintal também de minhocas e bactérias, de coisas e seres enterrados, de nosso gato Branquito que aqui descansa em paz. Quintal de Bóris, o lagarto, que morava embaixo do antigo barracão de ferramentas e anda meio sumido. De Lavínia, a lagartixa que encontrei fazendo faxina do depósito. Eu fazia a faxina, no caso. Sementes brotando, maracujás se espalhando, pimenteiras fabricando ardências e temperos. A vida pulsa no quintal e a louça espera na pia da cozinha.

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17

Jan

18

A borra do café

Ainda impactado com A Borra do Café, de Mario Benedetti, que terminei de ler esta madrugada. É uma abordagem ficcional da sua infância, adolescência e entrada na idade adulta em Montevidéu. Mudanças de casa, amigos, parentes e cotidiano do bairro, a morte da mãe, descoberta do sexo e do amor… e as misteriosas coincidências de um momento exato no relógio, 3 e 10 da tarde. Texto límpido, coloquial, bem humorado e poético. A narrativa teria tudo pra ser banal se escrita por outras mãos, mas ganha uma dimensão emocional profunda e única na voz do grande escritor uruguaio. Amei ler este livro.

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01

Jan

18

DVeras Awards 2017: livros

Minhas leituras no ano passado renderam bons momentos, a maior parte do tempo na rede do alpendre, mas também no ônibus, na cama, na fila do mercado e em outras salas de espera da vida. Foram poucos os desapontamentos e várias surpresas deliciosas. Os temas variaram do romance histórico às narrativas de viagem, espionagem e gângsters, passando pela ficção científica, autobiografia e contos. As origens dos autores também são bem diversas: Suíça, Islândia, Estados Unidos, Brasil, Noruega, Chile, Japão, Reino Unido, Cuba, Peru, Argentina e Israel. Como ponto em comum, todos conseguiram me conduzir da primeira a última página, o que não é pouca coisa pra um leitor volúvel. Segue uma lista de 27 obras, com os títulos no idioma do exemplar lido. Não incluí reportagens, contos isolados, livros de referência, leituras parciais nem obras técnicas de interesse restrito. Revendo a lista, percebo que há várias lacunas a preencher daqui pra frente: incluir mais mulheres, mais autores africanos e latino-americanos, mais variedade de temas, alguns clássicos. Bom, foi o que deu pra fazer no conturbado ano da graça de 2017. Espero que essas sugestões possam inspirar suas leituras. Ao final, conheça os contemplados com as medalhas de bronze, prata e ouro no DVeras Awards.

  • The course of love, Alain de Botton
  • Invierno ártico, Arnaldur Indridason
  • 10% mais feliz, Dan Harris
  • Meia-noite e vinte, Daniel Galera
  • Getting things done, David Allen
  • O homem que buscava sua sombra, David Lagercrantz
  • World gone by, Dennis Lehane
  • Pssica, Edyr Augusto
  • Tierra del fuego, Francisco Coloane
  • Pinball, Haruki Murakami
  • A legacy of spies, John Le Carré
  • Liberdade, Jonathan Franzen
  • 14 contos de Kenzaburo Oe
  • O homem que amava os cachorros, Leonardo Padura
  • Passado perfeito, Leonardo Padura
  • Vento sudoeste, Luiz Alfredo Garcia-Roza
  • Cinco Esquinas, Mario Vargas Llosa
  • Los cuadernos de Don Rigoberto, Mario Vargas Llosa
  • A Segunda Guerra Mundial: os 2.174 dias que mudaram o mundo, Martin Gilbert
  • Um solitário à espreita, Milton Hatoum
  • Diário de inverno, Paul Auster
  • Androides sonham com ovelhas elétricas?, Philip K. Dick
  • Alvo Noturno, Ricardo Piglia
  • Calibre 22, Rubem Fonseca
  • O seminarista, Rubem Fonseca
  • Homo Deus, Yuval Noah Harari
  • Sapiens: A Brief History of Humankind, Yuval Noah Harari

A escolha dos três melhores no DVeras Awards foi bem difícil, dada a qualidade dos “concorrentes”. Por isso, nesta edição aponto também três menções honrosas: The course of love, de Alain de Botton, é um mergulho filosófico criativo sobre o amor entre um homem e uma mulher, ao mesmo tempo sensível às sutilezas do relacionamento a dois e demolidor do mito do amor romântico. Liberdade, de Jonathan Franzen, disseca as contradições da classe média americana ao acompanhar a história de uma família e um triângulo amoroso. Pssica, de Edyr Augusto, é uma história vertiginosa sobre o tráfico de mulheres na Amazônia. Sua linguagem crua, concisa, e a narrativa cinematográfica nada deixam a dever aos textos de Rubem Fonseca.

Sem mais delongas, vamos aos premiados de 2017:

  • Bronze: Sapiens. Com simplicidade e humor, o professor de História Yuval Harari dá uma aula magistral sobre nossas origens, da idade da pedra ao presente. Um convite à reflexão sobre coisas cotidianas que fazemos sem pensar. Se gostar, emende no excelente Homo Deus, que aponta pro futuro dominado pela inteligência artificial e pela ambição humana da imortalidade.
  • Prata: Diário de inverno. Paul Auster, um dos meus autores favoritos, chega à maturidade revisitando a própria vida a partir da perspectiva agridoce do corpo e suas cicatrizes (sabia que ele sobreviveu a um raio aos 14 anos de idade?). Um livro especial, agora que tenho uma cicatriz no pescoço a me lembrar todos os dias que sobrevivi ao câncer de tireoide.
  • Ouro: O homem que amava os cachorros, de Leonardo Padura, foi o melhor livro que li no ano passado. Talvez não seja novidade pra você, pois foi lançado em 2013 e já conquistou vários prêmios. Mas se ainda não teve a oportunidade de ler, recomendo muito. Neste romance histórico, o escritor cubano reconstrói as trajetórias de duas personagens marcantes do século 20: o revolucionário russo Leon Trótski e seu assassino Ramón Mercader. É daqueles que, mesmo já conhecendo o final, a gente não consegue largar antes do fim.
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