Posts com a tag ‘lugares’

04

Apr

13

Lago Nahuel Huapi

Lago Nahuel Huapi

Lago Nahuel Huapi. Bariloche, Argentina

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21

Jan

13

Visita aos palestinos do campo de Aida

Primos Ricardo Gomes e Renilza Violante estão agora na Guatemala, quase na reta final da sua volta ao mundo que começou em fevereiro de 2012, quando “chutaram o balde” da estabilidade como engenheiros em Minas Gerais pra pegar a estrada. Em outubro e novembro eles percorreram alguns países do Oriente Médio. Pouco depois de passarem pelo Irã, fizeram uma visita ao campo de refugiados palestinos de Aida, em Belém. Nada de neutralidade aqui. Embora a passagem por Aida tenha sido rápida, deu novos elementos para confirmar a simpatia do casal pela causa palestina. Como bons viajantes de olhos e corações abertos, eles pensam como o veterano jornalista britânico Robert Fisk, que há anos cobre conflitos na região: “Você tem de estar do lado da justiça, do equilíbrio, da decência, tem de se posicionar”. Um resumo da nossa conversa:

A visita foi planejada ou de improviso? Foi difícil o acesso?

Ricardo - Improviso. Antes de Aida imaginávamos que campos de refugiados eram lugares isolados, com pessoas vivendo em tendas, sem estrutura alguma. Mas isto é o caso de campos provisórios e recém-criados. Não sabíamos disso. Fomos a Belém para conhecer a Igreja da Natividade e bem próximo a ela está o Centro de Paz Belém. Fomos lá e pegamos algumas informações. Eles nos encorajaram a visitar algum campo. Vimos que seria fácil tomar um táxi até Aida e decidimos ir.

Qual foi a primeira impressão?

Renilza – Sentimos um pouco de medo. Apesar do enorme “Welcome to Aida Camp” na entrada, estávamos preocupados com nossa situação depois desta visita perante as autoridades de Israel. Isto porque antes de entrar em Israel fomos alertados de que não deveríamos dizer que iríamos visitar territórios palestinos e realmente os israelenses nos questionaram isto na imigração. E a forte presença do enorme muro que Israel construiu separando Aida do resto do mundo é muito opressora.

Como foi a experiência de terem sido recebidos como hóspedes pelas famílias palestinas?

Ricardo - Caminhamos bastante pelo campo (entenda o campo como um bairro pobre em uma grande cidade, por exemplo). Um grupo de crianças que acabava de sair da escola nos seguiu por um tempão, falando de futebol, perguntando sobre Brasil, dizendo que os israelenses são loucos, tudo isso num “mutirão de inglês”. Quando passamos pelos soldados que faziam a segurança de uma entrada, trocamos algumas palavras com eles e um civil que estava no meio nos convidou para tomar um chá. Topamos. Conhecemos sua esposa, filho e batemos papo um tempão. O cara estava desempregado, mas é músico e graduado em hotelaria. A casa é simples, com retratos de um tio e do pai, que morreu na última intifada. Como é praticamente impossível conversar com um palestino sem falar na relação com Israel, este acabou sendo o assunto predominante.

Quais são as principais carências dos palestinos no campo?

Renilza - Eu diria que seriam o pleno direito de ir e vir, empregos e perspectivas. Como disse em um momento o nosso anfitrião, ele, que nasceu no campo, acorda todos os dias e, ao olhar pela janela, a única coisa que pode ver é o muro. Este rapaz nos disse que há mais de 14 anos ele não visita Jerusalém, que fica a poucos minutos de sua casa.

Há muita tensão no ar?

Ricardo - Muita. Tente imaginar que aquele é um cenário de um povo muito poderoso dominando outro e ambos são muito orgulhosos de si e existe um ódio que não é possível disfarçar. A qualquer momento um adolescente, por exemplo, pode atirar uma pedra em um soldado, que responderá com tiros e isso tudo pode gerar mais uma guerra. A tensão é muito grande e nós mesmos fomos vítimas. Assim que entramos no campo, depois de caminhar uns 150 metros, um veículo militar parou na porta por onde entramos e quatro soldados desceram. Pensamos que eram israelenses e que nos dariam uma geral quando saíssemos. Ficamos com medo. Mas nos informamos e eram palestinos. Depois acabamos batendo um papo muito legal com os caras.

Como é o lazer em Aida?

Ricardo - Vimos uma escola com uma quadra e mais nada. Mas a galera se vira. Conversando com os soldados palestinos, vimos que são jovens normais, mulherengos, gozadores, usam facebook, gostam de futebol…

Como eles veem o futuro?

Ricardo – O jovem que nos recebeu em sua casa nos disse que não consegue pensar em um futuro que vá além de uma semana. Ao mesmo tempo em que faltam perspectivas, várias pessoas nos disseram que o que querem é paz. Quase ninguém gostaria de ver uma guerra do Irã com Israel, pois sabem que vai sobrar é para eles. Acredito que o fato de o Irã ser xiita e eles serem sunitas tem um peso importante. Os que são mais religiosos não veem com bons olhos os “favores” prestados pelo Irã. Entendi que o que todos querem é poder trabalhar e levar a vida. Para isto é preciso, antes de tudo, paz. Ir trabalhar ou viver fora, como na Jordânia, por exemplo, seria uma solução para muita gente.

Vocês conversaram de política internacional? Como eles se referem a Israel, Estados Unidos, Brasil?

Ricardo - Contra Israel só há ódio. Um senhor nos disse que Israel foi o presente maldito deixado pelos ingleses. Um garoto de uns 11 anos nos disse que os israelenses são loucos. Os Estados Unidos, ao mesmo tempo em que os atrapalham ajudando Israel, são uma fonte de esperança, pois se um dia eles mudarem de ideia, tudo mudaria para os palestinos em questão de meses. Alguns estavam temerosos com a possiblidade de vitória do Romney [a visita ocorreu antes das eleições presidenciais nos Estados Unidos]. Outros diziam que, ganhasse quem ganhasse, não mudaria nada. O Brasil é muito admirado e amado. O futebol ajuda muito, mas a aproximação promovida no governo Lula foi muito importante. Como exemplo, o local onde foi construído o mausoléu de Yasser Arafat em Ramallah fica na Avenida Brasil. Segundo um palestino que conhecemos, o motivo é que o governo brasileiro ajudou na construção das ruas que dão acesso ao monumento, que é um dos mais vistosos da cidade.

Como vocês perceberam a realidade feminina no campo de refugiados?

Renilza - Na verdade, dentro do campo tivemos contato com poucas pessoas. As ruas estavam bem vazias. Na casa que visitamos a esposa não tinha emprego nem muitas perspectivas, assim como o marido. Mas fora do campo, vimos as mulheres palestinas bem ativas, trabalhando, estudando, passando pela dura rotina de atravessar os pontos de controle diariamente. Acredito que, dentre os que são muçulmanos, os palestinos são menos conservadores que seus vizinhos árabes. Isto porque as mulheres se vestem de forma um pouco mais liberal, andam sozinhas, trabalham e estudam.

Qual é o balanço dessa experiência?

Ricardo – Foi um dos pontos mais emocionantes da viagem. Desde minha adolescência acompanho por livros, revistas e outras fontes o conflito árabe-israelense. Posso dizer que desde o início me posicionei do lado palestino. Visitar Israel, duas cidades palestinas, Aida, ser tratado com desprezo na imigração por ter ido ao Irã, passar pelos postos de controle duas vezes junto com os palestinos, sentir de perto a opressão concretizada pelos muros, ser extremamente bem tratado pelos palestinos e não receber sequer um olá de um judeu, talvez por eu ser parecido com os árabes, tudo isso me deixou muito aliviado, com a sensação de que escolhi o lado certo. Conhecer de perto dois povos que praticamente estão em guerra e suas realidades me forçou a ver de uma forma mais madura e menos romantizada como é viver em estado de guerra.

Como vocês avaliam o reconhecimento da Palestina pela ONU, ocorrido algumas semanas depois dessa visita?

Ricardo - Foi um passo importante. Isto legitima os anseios dos palestinos. Mais importante do que ser aceito, o fato de terem tido 138 votos a favor contra apenas nove contrários evidencia que ali ocorre uma grande injustiça. A curto prazo não muda nada, mas este reconhecimento é uma mensagem dada pela grande maioria dos povos, que reconhecem a Palestina como um Estado com os mesmos direitos dos demais. Israel recebeu uma mensagem em letras garrafais de que eles não são os donos da Palestina e que a insistência neste caminho poderá levar a um isolamento.

Fotos: acervo pessoal de Ricardo Gomes e Renilza Violante.

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05

Dec

12

A guerra não declarada no Paquistão

No décimo episódio da série O Mundo Amanhã, Julian Assange encontra Imran Khan, candidato à presidência do Paquistão, para discutir o futuro de um dos países mais afetados pela Guerra ao Terror

Ao longo de 25 minutos, Julian Assange recebe Imran Khan, que nos anos 70 e 80 foi capitão do vitorioso time de críquete do Paquistão, para conversar sobre corrupção, Osama Bin Laden, soberania e bombas atômicas. Isso porque hoje Khan está na corrida para se tornar o próximo presidente do país nas eleições de 2013, liderando a oposição com o partido que criou, o Movimento para Justiça, que combate a corrupção no país.

O Paquistão tem uma dívida acumulada de 12 trilhões. “Metade do nosso PIB vai para o pagamento de dívidas, 600 bilhões vão para o exército e assim 180 milhões de pessoas têm 200 bilhões de rúpias para sobreviver. Então, claramente, o país está inviabilizado”, pndera o político. A crise é sentida na pele pela população: em áreas urbanas, não há eletricidade por até 15 horas durante o dia, e os apagões chegam a durar 18 horas nas áreas rurais.

Khan se tornou a principal voz crítica ao fazer denúncias sobre o governo do Paquistão, um dos países mais afetados pela Guerra ao Terror promovida pelos EUA. “Quarenta mil paquistaneses foram mortos em uma guerra com a qual não temos nada a ver. Basicamente, nosso próprio exército matando nosso povo e eles fazendo ataques suicidas a civis paquistaneses. O país já perdeu 70 bilhões de dólares nessa guerra. A ajuda humanitária total tem sido de menos de US$ 20 bilhões”, diz Khan.

Mas como Khan levaria a relação com os Estados Unidos caso fosse eleito? “Não deveria ser uma relação de cliente-patrão, e pior ainda, o Paquistão como pistoleiro contratado, sendo pago para matar inimigos da América. Nós somos um Estado independente e soberano e a relação com os EUA deve ser de dignidade e respeito mútuo, não mais uma relação de cliente-patrão”, diz. Resta saber se, caso ele vença, cumprirá suas palavras.

Assista a entrevista a seguir, ou clique aqui para baixar o texto na íntegra.

Esta é a décima de uma série de 12 entrevistas que o fundador do WikiLeaks, Julian Assange, fez com líderes e pensadores contemporâneos. DVeras em Rede publica O Mundo Amanhã em parceria com a Agência Pública e o WikiLeaks.

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20

Nov

12

Dezoito dias no Irã

Chegada ao Irã pela fronteira turca

Chegada ao Irã pela fronteira turca

Os primos mineiros Ricardo Gomes e Renilza Violante estão no terço final de sua volta ao mundo de um ano, que começou em fevereiro. De ilhas desertas na Indonésia à estepe russa na ferrovia Transiberiana, estão vivendo uma experiência da qual ninguém retorna do jeito que entrou. Um dos países mais marcantes do percurso foi o Irã, onde foram muito bem recebidos. Veja as impressões deles e algumas fotos da estada em terras persas.

Quanto tempo vocês passaram no Irã e qual foi a rota?

Ricardo - Dezoito dias. Chegamos por terra, pela Turquia e da fronteira pegamos um táxi para Tabriz, no norte. Não gostamos muito e decidimos ir para uma cidade mais atraente em termos de turismo. Se continuássemos não gostando, iríamos embora. Era Shiraz, no sul, a 1300 km. De Shiraz subimos para Yazd, depois para Isfahan e depois para Tehran, de onde partimos para a Jordânia.

Como foram recebidos pelas pessoas?

Novas amigas

Novas amigas

Renilza - Melhor receptividade é impossível. Todas as pessoas nos perguntavam primeiro de onde éramos e depois (100%) nos diziam que éramos muito bem vindos. Perguntamos a uma guia se era sempre assim e ela nos disse que os iranianos gostam especialmente do Brasil por causa do futebol. Na verdade, graças ao futebol, tivemos uma recepção mais calorosa em todos países não ocidentais que visitamos. Mas no Irã é diferente. Eles não são exatamente calorosos. Eles são extremamente receptivos. O sentimento geral é que um turista é como um hóspede na casa de cada iraniano. Eles se sentem responsáveis pelos turistas como qualquer pessoa se sente por um hóspede.

Vocês podem descrever acontecimentos cotidianos que vão ficar marcados na memória?

Aula de português

Aula de português

Renilza - Da fronteira com a Turquia pegamos um taxi compartilhado até a primeira cidade grande, Tabriz. Não tínhamos hotel reservado, guia, mapa, nada. Um iraniano que conhecemos dentro do ônibus ainda na Turquia foi quem nos conseguiu o taxi. O motorista não falava inglês e dividimos o taxi com uma senhora que apenas falava pouquíssimas palavras em inglês. Quando chegamos em Tabriz apenas dissemos ao motorista “hotel”. Logo a senhora disse “no, hotel, no, my house, my house”. Infelizmente como ela não falava inglês e a gente realmente precisava usar a internet acabamos insistindo para ir para um hotel. Então ela telefonou, se informou, e nos levou até um hotel. Desceu do taxi com a gente, negociou com o recepcionista, nos deixou seu número de telefone e pediu que ligássemos pra ela se precisássemos de alguma coisa. Ali começamos a perceber o quão grande é a hospitalidade iraniana.

Convidados para o chá

Convidados para o chá

Ricardo - Fomos um pequeno museu em Yazd, cujas visitas eram guiadas. Naquele horário só havia a gente de turista. O guia era muito atencioso e a gente estava aprendendo muito. Dentre outras coisas falamos o nome do hotel em que estávamos. De noite o telefone toca no nosso quarto. Era o guia do museu. Nos convidou para irmos à sua casa tomar um chá. Topamos. A casa dele era muito simples. Na sala apenas tapetes. Ele, além de trabalhar no museu, é professor de inglês numa universidade e sua esposa estudante de medicina. Em alguns minutos chegam os seus vizinhos, um casal com uma criança. Tomamos chá, comemos frutas, as mulheres exibiram seus penduricalhos de ouro (Pretinha, tadinha, só tinha o anel de casamento) e ficamos ali até a madrugada. Depois nos levaram de volta ao hotel. Pessoas nos convidaram para irmos às suas casas. Além de oferecerem ajuda a todo momento quando a gente está andando e parece procurar algum endereço. Interagir com as pessoas é a parte mais legal do Irã.

Como vocês observaram o papel da mulher na sociedade iraniana?

Universitárias

Universitárias

Ricardo - Não é como no ocidente, mas elas têm muito mais direitos do que imaginávamos. Dirigem, (inclusive táxi), andam sozinhas pra todo lado, trabalham e já são maioria nas faculdades. Elas se comparam com outros povos muçulmanos e dizem que lá elas são mais livres do que em muitos outros lugares. O lenço na cabeça é obrigatório, bem como cobrir braços e pernas. Mas isso não parece ser tão pesado para elas, pois os homens também têm de cobrir pernas e quase sempre usam manga comprida. A imposição de cobrir o corpo não nos pareceu ser um problema, pois é muito comum as mulheres usarem o chador, aquela roupa preta que é tipo um véu que cobre o corpo todo menos a face, mesmo sem ser obrigatório.

Como os iranianos, no dia a dia, lidam com as ameaças externas referentes ao programa nuclear? Existe uma sensação de guerra iminente?

Renilza - As pessoas estão insatisfeitas com a política externa porque sentem os efeitos das sanções econômicas impostas por EUA e UE. Porém, não há nenhum clima de guerra iminente. Eles realmente não acreditam que Israel vai atacar o Irã sem o apoio americano e não acreditam que o Obama irá apoiar o ataque. Em relação ao Irã eles dizem que não há risco de ataque. Eles afirmam que só entrarão em guerra se forem atacados. As pessoas com quem conversamos disseram-nos que o Islamismo não permite o ataque, mas em caso de serem atacados, eles são obrigados a reagir.

Vocês tiveram oportunidades para conversar de política internacional com os iranianos? E de política interna?

A moda persa

A moda persa

Ricardo - É muito fácil conversar com os iranianos. Falamos abertamente sobre a guerra com o Iraque (anos 80), economia, possibilidade de serem atacados, de estarem construindo armas nucleares, treinamento militar, etc. Eles gostam da posição do Brasil, de manter o diálogo aberto com todas as partes. O sentimento geral é de desânimo quanto à economia. Não gostam muito do Ahmadinejad, mas reconhecem que na sua primeira eleição ele era o menos pior. Falamos muito sobre Síria, Estados Unidos, a presença da religião na política. Realmente eles são bastante fervorosos e convictos de sua fé, e não vejo como um Estado Laico pode ter sucesso ali nas próximas décadas.

E a segurança dos viajantes? Em algum momento vocês se sentiram intimidados?

Na loja de tapetes

Na loja de tapetes

Ricardo - Foi o país mais seguro que visitamos. Foi onde nos sentimos mais tranquilos. As pessoas se aproximam realmente querendo ajudar. Parecem se achar responsáveis por você. Às vezes a generosidade era tanta que chegávamos a pensar que era golpe. Mas logo depois víamos que era só gentileza mesmo.

Como estão os preços e a infraestrutura de transporte?

Ricardo - Os preços estão muito baixos. Fizemos uma viagem de 1.300 km e as passagens custaram cerca de oito dólares cada. A moeda perdeu mais de 80% de seu valor frente ao dólar no último ano e não há política de diferenciação de preços entre turista e habitante. Já a estrutura de transporte pode melhorar. As estradas são boas e cobrem bem o país, mas não há norma que obrigue os ônibus a pararem de duas em duas horas, por exemplo, e também não há garantia de parada em locais com estrutura mínima de banheiros e restaurantes. Os ônibus são ruins. Existem os “VIP”, que geralmente são melhores. Nos disseram que avião é barato também, mas não usamos do expediente porque viajando por terra podemos conhecer melhor o país.

Dicas para viajantes mulheres?

Delicioso sorvete de açafrão de Isfahan

Delicioso sorvete de açafrão de Isfahan

Renilza - Chegue ao país com apenas um conjunto de casaco e lenço. Pode ser qualquer lenço para cobrir os cabelos, podendo deixar boa parte da frente exposta. Para cobrir o corpo use qualquer peça de manga comprida, que não seja justa ao corpo e que cubra os quadris. Deixe para comprar mais já no país. Use da vontade de interação das pessoas para pedir alguma garota que te ajude nas escolhas ou simplesmente observe o que as iranianas estão usando antes de compar. As combinações de cores que parecem interessantes para mulheres de fora podem não fazer sentido para a moda local. Demonstrações públicas de intimidade entre sexo oposto não são bem vistas. Os mais conservadores sequer cumprimentam uma pessoa do sexo oposto com aperto de mão. Para evitar constrangimentos ao cumprimentar um homem apenas coloque a mão sobre o peito e faça um movimento de leve inclinação da cabeça. Se a mão for estendida aperte-a sem medo.

Leia aqui a entrevista que fiz com eles em junho

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25

Jul

12

Impressões da volta ao mundo: 1a. metade

Do alto à esquerda para baixo à direita: Jaipur, Índia; Bali, Indonésia; Nova Zelândia; São Petersburgo, Rússia; casamento indiano; Templo da Literatura em Hanoi, Vietnã.

Primos Ricardo e Renilza, de Minas Gerais, partiram em fevereiro numa aventura de volta ao mundo em um ano, começando pela Oceania, Sudeste Asiático e em seguida a China e a Rússia pela Ferrovia Transiberiana. Agora chegaram à metade da viagem e estão na Polônia. Eles me concederam esta entrevista por e-mail.

1. O que muda nas vidas de vocês com esta aventura? Depois, vão conseguir encarar a rotina da mesma forma?

Ricardo: Esta também é uma pergunta que me faço. Acredito que será gostoso voltar a ter uma rotina casa-trabalho-casa. Não há como negar que esta viagem muda nossa vida e isto mudará a forma como vemos as coisas. Espero me tornar mais paciente e menos preocupado. Mas não sei realmente como serei depois.

2. Numa volta ao mundo, vale mais planejamento ou improviso?

Ricardo: Vale mais o planejamento, mas principalmente por a viagem ser tão longa tem que saber improvisar. Digamos, 60%/40%. Ma outra coisa muito importante é o controle da viagem, como registro dos gastos, dos fatos, organização de fotos, contatos regulares com amigos e parentes, saúde, etc. Sem planejamento você nem sai do Brasil. Para comprar um bilhete de volta ao mundo é preciso ter definido a direção, os países principais, vistos exigidos, etc. Outras coisas importantes: planejamento financeiro, pessoas que serão os contatos no Brasil, quem cuidará das suas coisas etc. O improviso te ajuda a sair de encrencas e a economizar. Lavar roupas em garrafas de 1L cortadas, usar cadarços como varais, fazer desenhos e gestos quando o inglês falha. A cidade é cara? Procure a Chinatown!

3. Três experiências maravilhosas.
Renilza: Contato com as crianças de uma escola no Nepal, mergulhar na ilha de Bunaken na Indonésia, visitar o museu da guerra em HCMC [Ho Chi Minh City] no Vietnam.

4. Três roubadas. E dicas de como evitar.

Ricardo: A – Perder os cartões de crédito no aeroporto de Moscou e ter que dispensar canivetes, tesoura, cremes de cabelo, tudo por causa de bagunça com horários. Como evitar: deixar o dia de partida de algum lugar todo dedicado a isto. Se puder, chegue 4 ou 5 horas antes do voo. Se tudo estiver tranquilo o tempo não é perdido. Se pode ler, usar internet e mesmo apreciar o aeroporto, que às vezes é muito interessante.
B – Tentar fazer turismo de baixo custo na Índia. Se não quer passar aperto, raiva e ficar doente, é preciso escolher bem a época (fuja de monções e da pré-monções, que é muito quente), reservar tempo, dinheiro e planejar muito bem.
C – Bagagem grande. Não foi o nosso caso. Nossas bolsas são as menores que vimos nesta viagem. Mesmo assim poderíamos ter saído do Brasil com menos coisas. Bagagens grandes impossibilitam caminhadas maiores, toma mais tempo para fazer e desfazer, te faz perder coisas no meio da bagunça, dificulta sua estadia em lugares pouco espaçosos, te impede de pagar voos baixo custo, etc.

5. Até o momento, qual foi a boa surpresa e a maior decepção? Por quê?

Ricardo: Surpresa: os alemães! Tínhamos uma imagem deles de pessoas muito formais, fechadas e demasiadamente preocupadas com organização. E aprendemos o contrário. São os as pessoas que mais viajam, são educados, bem informados e despreocupados. ótima companhia. Decepção: Índia. Criamos expectativas, muitas delas baseadas em depoimentos muito romantizados sobre o país.

6. Vestir camisetas da seleção brasileira ajuda os viajantes? E do Cruzeiro e Atlético?

Renilza: Até agora a do Brasil ajudou pouco e dos times mineiros quase nada. Ás vezes ajuda a iniciar um conversa com quem gosta de futebol.

7. Como estão os preços em comparação com o Brasil? Qual foi o país mais caro e o mais barato até o momento?

Renilza: Bem, saímos do Brasil com o dólar a R$1,78 e agora já está a 2,05. Este é realmente um problema. Os custos variam muito de um lugar para outro e isto tem ajudado a definir para quais países vamos. O país que tivemos os maiores gastos diários foi a Nova Zelândia, mas aproveitamos bem. Mas o país mais caro com certeza é a Austrália. O mais barato foi o Vietnam. E o custo/benefício lá é excelente.

8. Existe rotina na viagem? Como é um dia típico do casal?

Ricardo: Por incrível que pareça, existe! Há uma dezena de coisa que temos que fazer com rotina: registro de gastos, organização de fotos, postagens, brigar com os gerentes de bancos por e-mail, etc. A cada cidade temos que entender o transporte público, localizar nosso hotel, a cama, lavar roupa, descobrir como e o que comeremos, estudar as atrações, a próxima cidade, reservar o próximo hotel… há sempre muito trabalho e não há diferença entre domingo e meio de semana. Estamos sempre com um monte de coisas para fazer. Mas o melhor é que quando bem entendemos, podemos parar tudo e ficar de bobeira no quarto, navegando na internet, lendo, jogando baralho…

9. Vocês acabam de percorrer a Transiberiana, maior ferrovia do mundo. Que dicas dão pra quem quiser aproveitar bem essa viagem?

Renilza: Fizemos no sentido Beijing – Moscou. O maior problema tanto na China quanto na Rússia é a língua. Pouquíssimas pessoas falam inglês nas capitais, e no interior então… mas é possível comprar os bilhetes sem a intervenção de agentes ou agências, o que onera muito. A dica é reservar alguns dias para a cidade de início da viagem (Beijing, Moscou ou São Petersburgo), são todas incríveis e não será perda de tempo. Estando na cidade peça ajuda para alguém que fale inglês na compra do bilhete. Por exemplo, pedir a um funcionário do albergue para ir com você fora do seu horário de serviço. Ofereça alguns dólares por isso, se for o caso. O melhor preço é sempre comprando na estação. Já dentro do trem, crie coragem e saia procurando pessoas que falem inglês. Sempre tem alguém que arranha. Isso pode facilitar muito a viagem. Nós conseguimos comprar de várias formas, a mais usada foi pedir uma pessoa do hotel para escrever num papel os detalhes do bilhete que queríamos comprar. Os russos são mandões e às vezes são rudes, mas se te entendem, são as pessoas mais prestativas que existem. Não te deixam na mão mesmo.

10. Pra dar água na boca: onde vocês comeram melhor até o momento, e o quê? Qual é a comida mineira de que vocês sentem mais falta?

Renilza: Gostamos muito da culinária Balinesa, Tailandesa e Vietnamita. Mas realmente nenhuma supera a culinária brasileira. Na Rússia o tempero é um pouco mais parecido com o nosso. Normalmente tentamos comer os pratos mais populares da região, é mais barato e mais fresco, chegamos a apontar para o prato de outros clientes para dizer “eu quero o mesmo”. Como ficamos pouco tempo em cada país apreciamos a culinária local sem preconceitos, mas como estamos sempre mudando de lugar nossa referência continua sendo a comida mineira. Sentimos falta do frango com quiabo, pão de queijo, feijão tropeiro, feijoada como couve, humm… melhor parar por aqui.

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04

Jul

12

Cartografia da memória: Preikestolen

preikestolen8

Preikestolen

Do fundo do baú, esta foto de maio de 1997: Laura Tuyama e nosso amigo Eirik Chambe-Eng na Preikestolen, a Rocha do Púlpito, um paredão vertical de granito com 604 metros na borda do fiorde de Lyse, próximo a Stavanger, Noruega. Nunca fui dado a vertigens por causa de altura, mas na Preikestolen, fiquei uns bons cinco minutos de olhos fechados até voltar ao meu estado normal. O lugar, acessível depois de uma trilha de duas horas e meia, é literalmente de uma beleza estonteante. Mas o que mais me impactou não foi propriamente o medo de cair, e sim a epifania sobre o livre arbítrio – a consciência sobre a como seria fácil me jogar lá do alto por vontade própria e abraçar o espaço. Depois de um tempinho, consegui pacificar a tempestade interior. Aí me arrastei até a borda, olhei pro abismo e falei pros outros: “Pronto, agora podemos ir embora, né?”

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13

Jun

12

Da série ‘pé na estrada’: Ceará

Ceará

Estrada costeira entre Fortaleza e o porto de Pecém.

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29

Sep

11

NY, 11.set.11

9/11/11
Foto de Yan Boechat.

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28

Jul

11

Solidariedade à Noruega

A ausência de um comentário meu aqui antes sobre o massacre na Noruega não é indiferença, pelo contrário. É choque diante do horror além da compreensão. Tenho fortes e antigos laços de amizade com o povo norueguês. Hospitalidade, solidariedade, abertura pras diferenças, só consigo pensar em coisas boas quando lembro dos meus amigos vikings, dos amigos dos meus amigos e das pessoas com quem tive contato casual ao viajar pelo país e em outros cantos do mundo. Gente bonita, amante da paz, da natureza, das viagens e descobertas.

A riqueza que a Noruega conseguiu conquistar no século 20 graças à indústria petrolífera reverteu de fato pra redução das diferenças materiais entre os ricos e pobres (é o primeiro país no ranking mundial do IDH). Esse estado do bem-estar social, privilegiado por paisagens lindíssimas, poderia ter sido construído de maneira egoísta. Mas os noruegueses, cientes de suas responsabilidades, aplicaram parte da riqueza na melhoria da vida dos outros. Aberta à imigração, a Noruega tem sido um importante abrigo para refugiados políticos e econômicos, principalmente de países muçulmanos.

Não é um paraíso na terra, é certo. A inexistência de grandes dificuldades materiais termina levando as pessoas a se voltar para dilemas existenciais. Depressão e suicídio são recorrentes, em especial nos longos meses de inverno, em que a luz do sol vira artigo de luxo. O rígido controle do consumo de bebidas alcoólicas deriva de um histórico problema social com o alcoolismo – reforçado pela moral puritana da época em que as leis restritivas foram adotadas. Mesmo assim, a Noruega sempre foi considerada um oásis de segurança e placidez. É um dos lugares mais improváveis do mundo pra se levar um tiro.

O crime horrendo praticado pelo fundamentalista cristão de extrema direita – até o momento, tudo indica que agiu sozinho – quebrou a ilusão de que existem lugares intocados pela violência. No momento em que escrevo, as notícias que os jornais vão acrescentando para montar o quebra-cabeças do massacre são nauseantes, pela frieza como o crime foi planejado. Tenho lido diversos artigos que tentam “explicar” essa chacina, mas boa parte dos analistas tira conclusões rasas e contraditórias, como observa Christopher Hitchens em texto publicado pelo NY Times e traduzido pelo UOL (com dois erros de concordância no título).

A tragédia norueguesa é um alerta para a perigosa ascensão da extrema direita na Europa, que não pode mais ser ignorada. Recomendo a leitura deste artigo na New Yorker sobre as investigações feitas nos anos 90 pelo falecido jornalista sueco Stieg Larsson, autor da trilogia Millenium, que também aborda o assunto na ficção. Merece aplauso a declaração do primeiro-ministro norueguês de que a resposta ao atentado terrorista será uma intensificação da abertura e da democracia. Essa postura, digna de estadista, é uma das melhores homenagens que as 76 vítimas do maníaco poderiam receber.

p.s.: A personificação do mal na figura desse terrorista me fez recordar um romance marcante que li no ano passado: As Benevolentes, de Jonathan Littell, narrativa em primeira pessoa das experiências de um oficial nazista na frente russa e na administração de campos de concentração.

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15

Jul

11

Rio da Prata

Rio da Prata
Rio da Prata, Anitápolis, SC. Dezembro de 2010.

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