Posts com a categoria ‘jornalismo’

26

Oct

19

Mulher folgada

Compartilho este texto de Leandro Demori, editor executivo do Intercept Brasil, na newsletter da publicação.

Mulher folgada

Juliana Gonçalves e a Bruna de Lara publicaram uma entrevista com a Patricia Hill Collins, lenda do feminismo negro. O título me chamou atenção: Collins considera abandonar o termo ‘feminismo’, pelo bem da própria luta feminista. Lembra alguma coisa? A mim, lembra o uso da palavra ‘golpe’ para o impeachment de Dilma Rousseff, e muitas outras coisas. Palavras importam, e pode-se defender o uso delas – e a disposição para a briga por seus significados – ou o abandono, em nome do recrutamento de mais e mais pessoas em torno de uma ideia.

Patricia Hill Collins, durante o papo com o TIB: “Eu pergunto: ‘por que você tem medo de uma palavra?’. [Risos] ‘O que numa palavra te assusta, a quais interesses você está servindo ao não usá-la e a quais está servindo com o uso da palavra, em termos de como você a entende?’ Se a palavra atrapalha ao ponto de você não conseguir chegar nas questões que ela deveria invocar, significa que o ataque da mídia ao termo feminismo foi bem-sucedido, e é hora de usar outra palavra que descreva aquilo sobre o que você quer conversar.”

Eu perdi algum tempo no Twitter essa semana (na verdade eu perco muito tempo no Twitter todas as semanas), mas também acabei topando com uma sequência do jornalista Igor Natusch. Ele publicou em sua conta (@igornatusch) algumas mensagens com poder para inspirar o Brasil de hoje – o Igor fala da Islândia dos anos 1970 – e que têm muito a ver com o que a Collins disse. Você conhece a história das mulheres que decidiram tirar uma folga em vez de fazer uma greve? Leia, e bom final de semana.

“Há exatos 44 anos, no dia 24 de outubro de 1975, as mulheres da Islândia resolveram tirar um dia de folga – e promoveram mudanças enormes na questão de gênero em seu país.

A desigualdade entre homens e mulheres era grande na Islândia em 1975. Trabalhadoras recebiam, em média, menos de 60% do salário dos homens. No pequeno e gelado país, o senso comum era de que mulheres deveriam cuidar da casa e dos filhos, e só.

Os movimentos feministas da Islândia decidiram, então, promover um “dia de folga”. No dia 24 de outubro, mulheres não iriam ao trabalho, e não fariam nenhuma tarefa doméstica. A ideia, óbvio, era demonstrar a importância delas para o país.

Percebam a astúcia em chamar de “folga”, e não de “greve”. A ideia de um “descanso” angariou simpatia, e ficou bem mais fácil convencer outras mulheres a aderir, em especial as mais velhas – que talvez não topassem a ousadia se fosse associada com a “balbúrdia” de uma greve.

Na véspera do grande dia, o clima era de ansiedade coletiva. Nas repartições, os chefes estocavam papel, lápis e guloseimas. O objetivo: distrair as inúmeras crianças que os pais homens, sem o trabalho doméstico das mães, teriam que levar consigo pro serviço.

Trivia: um dia antes da folga feminina, esgotou-se completamente o estoque de salsichas de porco no país. Motivo: o embutido sempre foi a comida pronta favorita no país, e como não havia qualquer perspectiva da mulherada cozinhar no dia seguinte…

O dia 24 de outubro 1975 foi inesquecível na Islândia, e os relatos das participantes são muito legais. As escolas não abriram, porque as professoras não foram dar aula. As lojas não conseguiram atender, porque não tinha quem ficasse no balcão ou nos caixas.

Os jornais da Islândia tiveram enormes dificuldades para rodar naquele dia, porque as tipógrafas eram quase todas mulheres no país. E os telefones não funcionaram, porque as telefonistas… Bom, vocês já entenderam.

No centro da capital Reikjavik, uma manifestação (hoje lendária no país) reuniu 25 mil pessoas. Talvez não pareça tanto, mas é importante dizer que isso dá MAIS DE 10% DA POPULAÇÃO TOTAL do país à época.

O dia de folga das mulheres islandesas tornou-se um símbolo mundial, e teve consequências muito positivas. Leis garantindo salários iguais para homens e mulheres foram aprovadas e, em 1980, o país teve sua primeira presidente mulher, Vigdís Finnbogadóttir.

NA VERDADE, Vigdís Finnbogadóttir foi a primeira mulher eleita presidente NO MUNDO. “Se me permitem dizer, já que muitos dizem isso para mim: isso mudou tudo”, diz a própria em entrevista posterior, sem falsa modéstia. E tem razão.

Em 2009, a Islândia indicou Jóhanna Sigurðardóttir como primeira-ministra. Ela também foi uma das primeiras mulheres a casar legalmente com outra mulher no país (a novelista e autora de peças teatrais Jónína Leósdóttir).

Até hoje, as feministas da Islândia lembram periodicamente do Kvennafrídagurinn (“dia da folga das mulheres”, em islandês). No aniversário da greve, elas saem mais cedo do trabalho – sempre um pouco mais tarde, simbolizando o quanto se avançou em igualdade até ali.

Em 24 de outubro de 2016, as trabalhadoras islandesas saíram do serviço às 14h38 – três minutos mais tarde do que em 2010. E, ao se reunirem em Reikvajik, fizeram as mesmas palmas que ficaram famosas na torcida da Eurocopa daquele ano.

Enfim, fica aí essa bela história de como uma mobilização bem sucedida produz maravilhas. Obrigado <3.”

Editor Executivo
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30

Aug

19

Cidades mais populosas do Brasil

Exercício de criação de infográfico usando a ferramenta online Datawrapper.

 

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15

Jun

18

Digital News Reporting 2018

Saiu o Digital News Reporting 2018, estudo anual do Instituto Reuters de Estudos sobre Jornalismo da Universidade de Oxford, que envolveu 74 mil entrevistas em 37 países. Alguns destaques sobre o Brasil:
- Um terço dos entrevistados acessam notícias pelas mídias sociais, mas o uso do FB com essa finalidade caiu de 69% pra 52% em dois anos;
- 61% dos entrevistados compartilham as notícias por redes sociais ou e-mail e 38% comentam nas redes ou sites;
- o Whatsapp é fonte de acesso a notícias para 48% dos pesquisados;
- 22% pagam por notícias online, percentual estabilizado e em quarto lugar entre os 37 países pesquisados;
- o uso de adblocks aumentou em um terço, indicando preocupação maior com segurança e privacidade;
- 85% estão preocupados com o que é real e falso na internet:
- nos últimos três anos, a circulação dos 11 maiores jornais impressos pagos caiu 41,4%, enquanto a circulação digital aumentou 5,8%.
~ Dica de Breno Costa, do Brio.

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08

Mar

17

Chineses interessados no vinho de SC

Parreiral com uvas maduras. Foto de Dauro Veras

Parreiral com uvas maduras. Foto de Dauro Veras

A edição 2017 da Vindima de Altitude de Santa Catarina, aberta no dia 3, já trouxe a primeira repercussão internacional. O cônsul-geral da China em São Paulo, Song Yang, confirmou visita ao estado. Embora o roteiro ainda não esteja definido, deve incluir as vinícolas da região serrana. Ele virá em abril, acompanhado por um grupo de empresários.

A indústria do vinho interessa muito aos chineses. Hoje a China é o quarto maior mercado vinícola do mundo, atrás de EUA, Reino Unido e França, e deve chegar à segunda posição até 2020, com US$ 21 bilhões em vendas.

Iniciada há menos de duas décadas, a vitivinicultura de altitude em SC – entre 900 e 1,3 mil metros – está se consolidando com excelentes resultados. Suas 30 vinícolas têm diversos rótulos premiados, com destaque para os espumantes. Também geram empreendimentos no turismo e na gastronomia. Esta semana foram anunciados novos negócios nos segmentos de sorvetes e cosméticos.

O roteiro dos vinhos de altitude foi visitado por uma equipe da agência de notícias Xinhua, maior centro de distribuição de notícias do país asiático, com 300 milhões de acessos/dia no portal em sete idiomas. Seu diretor no Brasil, Chen Weihua, ficou impressionado com a qualidade das vinícolas e acredita que essa cadeia de valor pode gerar boas oportunidades de investimentos. A Vindima de Altitude prossegue até o dia 26 em São Joaquim e municípios vizinhos.

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28

Aug

16

Lembranças de um ex-repórter de polícia

Entrei na reportagem pela editoria de polícia, como tantos focas. Melhor lugar pra aprender a escrever sem firulas, direto ao ponto, com verbos de ação. Cavalo invade delegacia. Acusado de furto faz declaração de amor. Eram tempos mais tranquilos, em que homicídio sempre dava capa – só uns 20 por ano na província, na década de 80.

De vez em quando a calmaria era quebrada. Durante o sequestro dos filhos dos Brandalise em Videira, participei de uma megacobertura de O Estado, acompanhando a parte final: o tiroteio em um prédio de Balneário Camboriú. Baita equipe. Entrei no hospital e entrevistei o sequestrador, ferido e algemado a uma maca.

Meus editores foram o Carlão Paniz e o Paulo Goeth. A eles, e ao então secretário de redação (ou algo assim) Ademar Vargas de Freitas, devo muitas canetadas pedagógicas no meu texto, naquelas laudas de 20 linhas de 70 toques, hoje artigos de museu. Assim como o moderníssimo telex, com aquela fitinha perfurada que trazia os despachos das agências de notícias.

A redação era enfumaçada e barulhenta, com todas as Remington matraqueando na hora do fechamento, as entrevistas por telefone, a rádio-escuta, fotógrafos escolhendo material, editores conversando com diagramadores, piadas e risadas. Dava pra sentir a pulsão no ar: aquelas pessoas encarnavam a confissão de García Márquez de que o “jornalismo é a melhor profissão do mundo”. Fiquei dois anos cobrindo polícia, depois passei pra geral.
#jornalismo30anos

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26

Aug

16

Flashbacks sonoros

A gargalhada solta do Bonson na redação. O vozeirão do Renan com um cartaz na porta do DC, “Quero meu salário!” O som agudo da máquina de telefoto, que baixava uma imagem completa em minutos.
#jornalismo30anos

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24

Aug

16

Sugestão de uso para dicionários

Na revisão de O Estado a gente jogava o significado das palavras apostando cerveja. Que era paga no mesmo dia, no boteco dos fundos da redação. #jornalismo30anos

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24

Aug

16

Barquinho

Meu primeiro texto publicado em jornal, que eu me lembre, foi no Estadinho, suplemento infantil de O Estado que era editado pelo talentoso Fabinho Brüggemann. História sobre um menino que gostava de tomar banho de chuva e soltava barquinhos de papel com meleca na correnteza da rua. Meio autobiográfica, tirando a meleca. O Estadinho foi o melhor suplemento infantil que já li. Imaginativo, engraçado, poético, nunca subestimava a inteligência das crianças. E saía em cores, com belas ilustrações.
#jornalismo30anos

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24

Aug

16

30 anos de jornalismo

No dia 22 de agosto completei 30 anos de exercício do jornalismo. Começo a contar da minha contratação com carteira assinada como revisor de O Estado, em Floripa. Muitas histórias, pessoas, viagens e aprendizados.

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25

Aug

15

Turismo de aventura em Santa Catarina

Criança pratica rapel em Santo Amaro da Imperatriz (SC). Foto de Caio Cezar.

Criança pratica rapel em Santo Amaro da Imperatriz (SC). Foto de Caio Cezar.

Com as pernas flexionadas, Enzo Dutra Pasetti desce nas pedras do riacho, sustentado pelo equipamento de segurança. Os respingos de água fria e a dança dos raios de sol na floresta dão sabor especial à sua primeira experiência de rapel de cachoeira. Enzo é orientado de perto pelo instrutor Juliano Martins. A descida termina em uma piscina natural e ele logo está pronto para outra atividade: o arvorismo, um passeio pela copa das árvores a 15 metros de altura. Estamos no hotel Plaza Caldas da Imperatriz, uma estância de águas termais a 48 km de Florianópolis, entre montanhas e Mata Atlântica. Enzo, sete anos de idade, está maravilhado com a experiência. Este é um dos muitos lugares de beleza natural extraordinária que fazem de Santa Catarina um dos melhores destinos brasileiros de turismo de aventura para todas as idades.
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