03
dez11
27
nov11
Proposta pros fins de semana
Ontem Miguel veio com uma reivindicação infantil pros fins de semana:
- Vamos combinar? No sábado vocês escolhem o programa e a gente vai junto. No domingo a gente escolhe.
- Essa proposta tá me parecendo uma miguelice.
- Se eu fosse o presidente, ia ser lei.
20
nov11
Presentinho
Miguel fez 9 anos há uma semana. Quando perguntei o que queria de presente de aniversário, ele disse: “Uma viagem. Pela Transiberiana”.
Falei que vou pensar no caso, quando ele tiver 21. Mas tem que me levar junto.
29
set11
A vitória dos cadarços
Bruno conseguiu amarrar os cadarços dos sapatos pela primeira vez. Ficou eufórico, uma conquista pros cinco anos. Ganhou até beijos do pai e da mãe. Aí chegou o Miguel: “Agora vem o irmão mau: Faz de novo!”
04
set11
Miguelice da meditação
- Mãe, você esvazia a cabeça dos pensamentos quando tá meditando?
- Sim.
- Então você deixa de pensar na gente?!
04
set11
Bruniteza da meditação
Bruno me pergunta: – Pai, o que é meditar?
Respondo meio toscamente: – É prestar atenção na respiração, esvaziar os pensamentos da cabeça…
- Vou ali meditar – diz. Vai pro quarto dele e volta um minuto depois.
- Já meditou?
- Já. Foi rápido, eu só tinha um pensamento.
- Qual?
- Uma luva de goleiro.
- Você não quer mais a luva?
- Quero. Vou botar de novo o pensamento na cabeça, pra lembrar do que vou pedir no dia das crianças.
28
jul11
Miguelices: o futebol e eu
Minha atuação no futebol se resume a duas palavras, disse o Miguel: fominha e cavalo.
26
jul11
Miguelices: origami
Meninos foram brincar de origami na casa do amigo. Comentário do Miguel:
- Eu ia fazer um canguru e saiu um pinguim.
24
jun11
Camarão com gengibre ao vinho e limão
Hoje no almoço o Bruno fez o melhor elogio que já recebi na cozinha:
- Quero provar todas as comidas do mundo e ver qual é a melhor. Por enquanto é esse camarão.
A receita (pra três porções razoáveis ou duas generosas): descascar meio quilo de camarão grado. Espremer um limão rosa num copo e misturar com uma talagada de vinho tinto, gengibre picado em pedacinhos, pimenta do reino, um pouco de molho shoyu e sal (sem exagero, pois o shoyu já é salgado). Despejar o conteúdo do copo na vasilha do camarão e deixar marinando, enquanto prepara arroz (fiz branco, mas prefiro integral), descongela o feijão, frita alho pra temperar os dois e adianta a louça suja na pia. Numa panela com pouca água e uma pitada de sal, cozinhar cenoura e batatinhas, o suficiente pra ficarem al dente (cozinhar no vapor é ainda melhor). Numa outra panela, esquentar azeite de oliva e fritar a cebola até deixar dourada. Adicionar a cenoura e as batatinhas. Escorrer o molho do camarão numa vasilha à parte e reservar. Fritar o camarão no azeite por uns três minutos. Em seguida, adicionar o molho e deixar refogar mais uns dois ou três minutos. Voilà.
25
fev11
E as sereias
Ontem foi o primeiro dia do Miguel na escola de inglês. Um pequeno passo pra um menino de oito anos, um grande passo pra humanidade. Ele gostou bastante. Vários colegas da escola estão na mesma turma. “Brincamos de desenhar monstros e de jogar videogame, mas não podia escolher o jogo”, contou. O estudo sistemático começa num bom momento, em que ele ainda tá com a cuca fresca, já se alfabetizou na língua mãe (e pai), tá motivado e consciente da importância de aprender a língua internacional.
Quando Eirik e Hélène, nossos amigos da Noruega, nos visitaram em dezembro, conversamos muito sobre o aprendizado de idiomas. Seus três filhos são bilíngues “de berço”, pois o pai é norueguês e a mãe, francesa. Eles pesquisaram bastante o assunto, pra ver como educavam melhor as crianças. E adotaram o método de cada um falar com os filhos em sua língua materna. Assim, os pequenos cresceram falando naturalmente as duas línguas sem esforço.
Eirik comentou uma coisa interessante que eu já tinha ouvido falar: até 10 ou 11 anos de idade, a gente aprende línguas estrangeiras que é uma beleza, a coisa flui naturalmente. Depois, alguma coisa acontece no nosso cérebro e as coisas vão se tornando cada vez mais difíceis. Quanto mais cedo, melhor. No caso do Miguel, o contato com o inglês vinha desde a pré-escola (sem falar nos videogames, youtube etc.), mas pra colocá-lo num curso a gente esperou a alfabetização em português estar consolidada. Os especialistas recomendam essa espera pra não bagunçar o processo de letramento, embora o Eirik discorde (alguém aí com conhecimento de causa quer comentar?).
Enfim, tou bem feliz. Estudar inglês me abriu as porteiras do mundo: viagens, amigos, livros, cinema, trabalho. Comecei “tarde”, aos 12 anos. Is this a book? perguntava o teacher. O pessoal respondia, Yes, it is – e eu entendia “E as sereias”. Hoje me dou conta do sacrifício enorme que meus pais fizeram pra pagar por essas aulas. Valeu cada minuto. Cedo ou tarde, sempre é tempo pra começar, né? Nelson Rodrigues dizia que o adulto leva a criança enterrada em si como um sapo de macumba. Então, em algum lugar deve tar também a capacidade de aprender até maravisto e lagoaen, as duas línguas que o Bruno inventou.







