31
out11
Lula e o SUS
Acompanhei de longe a notícia sobre o câncer de Lula e os comentários sugerindo que ele devia se tratar pelo SUS. Nem me deu coceira nos dedos pra comentar, pois outros o fizeram com mais competência. Gravatai Merengue critica a mesquinharia e desmonta o raciocínio tosco que levou à impropriedade da sugestão: quem pensa que ataca o ex-presidente, está é lhe desejando boa sorte, pois os tratamentos oncológicos no sistema público são de alta qualidade – o que não isenta o SUS de ser, em geral, um show de horrores. Hoje esbarrei no Facebook com estas linhas do Gastão Cassel que reproduzo na íntegra, por expressarem o que penso e virem de quem tem excelentes qualificações biográficas pra dar pitaco no assunto. Gosto especialmente da última frase.
Lamentável a campanha “Lula, faça tratamento pelo SUS”. Primeiro, porque pressupõem que o atendimento do SUS é uma condenação à morte. Depois porque soa como se desejasse o mal de um paciente de câncer, e isto não se deseja a ninguém. Quando tratei um linfoma utilizei vários serviços do SUS e sempre fui atendido com presteza, qualidade e muita dignidade. Só quem não tem noção do que é enfrentar o câncer trata o tema com tal leviandade. Desejo sorte a todos que lutam contra o câncer em tratamentos particulares ou no SUS, os pacientes célebres e os anônimos. E para quem ainda não entendeu: a solidariedade faz bem aos pacientes… e aos solidários.
07
out11
A coisa mais importante do mundo
Reproduzo na íntegra o discurso de Naomi Klein aos ocupantes de Wall Street, traduzido por Idelber Avelar e publicado na Revista Fórum.
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A intelectual e ativista canadense fez um discurso histórico à Assembleia Geral do movimento Ocupar Wall Street.
Por Naomi Klein [07.10.2011 01h10]
Tradução e nota introdutória de Idelber Avelar
Naomi Klein é hoje uma das principais intelectuais e militantes anticapitalistas do planeta. Jovem (nasceu em 1970), apaixonada, corajosa, de brilhante trânsito por uma série de disciplinas e potente domínio da retórica, ela já se destacara como figura central nos protestos de 1999 contra a financeirização do mundo. Em 2000, lançou No Logo, uma crítica das multinacionais e do seu uso do trabalho escravo. Mas foi seu terceiro livro, A Doutrina do Choque: A Ascensão do Capitalismo do Desastre, que a elevou à condição de uma das principais intelectuais de esquerda do mundo. Com capítulos sobre os EUA, a Inglaterra de Thatcher, o Chile de Pinochet, o Iraque pós-invasão, a África do Sul, a Polônia, a Rússia e os tigres asiáticos, Klein demonstra como o capitalismo contemporâneo funciona à base da produção de desgraças, apropriando-se delas para o contínuo saqueio e privatização da riqueza pública. De família judia, Klein participou, em 2009, durante o massacre israelense a Gaza, da campanha “Desinvestimento, Sanções e Boicote” (BDS) contra Israel. Num discurso em Ramalá, pediu perdão aos palestinos por não ter se juntado antes à campanha BDS.
Nesta quinta-feira, 06 de outubro, Naomi Klein compareceu, convidada, à Assembleia Geral de Nova York. A amplificação foi banida pela polícia. Não havia microfones. Num inesquecível gesto, a multidão mais próxima a Klein repetia suas frases, para que os mais distantes pudessem ouvir e, por sua vez, repeti-las também. Era o “microfone humano”. O memorável discurso de Klein foi assistido por dezenas de milhares de pessoas via internet. A Fórum publica o texto em português em primeira mão. É um comovente documento da luta de nosso tempo.
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Eu amo vocês.
E eu não digo isso só para que centenas de pessoas gritem de volta “eu também te amo”, apesar de que isso é, obviamente, um bônus do microfone humano. Diga aos outros o que você gostaria que eles dissessem a você, só que bem mais alto.
Ontem, um dos oradores na manifestação dos trabalhadores disse: “Nós nos encontramos uns aos outros”. Esse sentimento captura a beleza do que está sendo criado aqui. Um espaço aberto (e uma ideia tão grande que não pode ser contida por espaço nenhum) para que todas as pessoas que querem um mundo melhor se encontrem umas às outras. Sentimos muita gratidão.
Se há uma coisa que sei, é que o 1% adora uma crise. Quando as pessoas estão desesperadas e em pânico, e ninguém parece saber o que fazer: eis aí o momento ideal para nos empurrar goela abaixo a lista de políticas pró-corporações: privatizar a educação e a seguridade social, cortar os serviços públicos, livrar-se dos últimos controles sobre o poder corporativo. Com a crise econômica, isso está acontecendo no mundo todo.
Só existe uma coisa que pode bloquear essa tática e, felizmente, é algo bastante grande: os 99%. Esses 99% estão tomando as ruas, de Madison a Madri, para dizer: “Não. Nós não vamos pagar pela sua crise”.
Esse slogan começou na Itália em 2008. Ricocheteou para Grécia, França, Irlanda e finalmente chegou a esta milha quadrada onde a crise começou.
“Por que eles estão protestando?”, perguntam-se os confusos comentaristas da TV. Enquanto isso, o mundo pergunta: “por que vocês demoraram tanto? A gente estava querendo saber quando vocês iam aparecer.” E, acima de tudo, o mundo diz: “bem-vindos”.
Muitos já estabeleceram paralelos entre o Ocupar Wall Street e os assim chamados protestos anti-globalização que conquistaram a atenção do mundo em Seattle, em 1999. Foi a última vez que um movimento descentralizado, global e juvenil fez mira direta no poder das corporações. Tenho orgulho de ter sido parte do que chamamos “o movimento dos movimentos”.
Mas também há diferenças importantes. Por exemplo, nós escolhemos as cúpulas como alvos: a Organização Mundial do Comércio, o Fundo Monetário Internacional, o G-8. As cúpulas são transitórias por natureza, só duram uma semana. Isso fazia com que nós fôssemos transitórios também. Aparecíamos, éramos manchete no mundo todo, depois desaparecíamos. E na histeria hiper-patriótica e nacionalista que se seguiu aos ataques de 11 de setembro, foi fácil nos varrer completamente, pelo menos na América do Norte.
O Ocupar Wall Street, por outro lado, escolheu um alvo fixo. E vocês não estabeleceram nenhuma data final para sua presença aqui. Isso é sábio. Só quando permanecemos podemos assentar raízes. Isso é fundamental. É um fato da era da informação que muitos movimentos surgem como lindas flores e morrem rapidamente. E isso ocorre porque eles não têm raízes. Não têm planos de longo prazo para se sustentar. Quando vem a tempestade, eles são alagados.
Ser horizontal e democrático é maravilhoso. Mas esses princípios são compatíveis com o trabalho duro de construir e instituições que sejam sólidas o suficiente para aguentar as tempestades que virão. Tenho muita fé que isso acontecerá.
Há outra coisa que este movimento está fazendo certo. Vocês se comprometeram com a não-violência. Vocês se recusaram a entregar à mídia as imagens de vitrines quebradas e brigas de rua que ela, mídia, tão desesperadamente deseja. E essa tremenda disciplina significou, uma e outra vez, que a história foi a brutalidade desgraçada e gratuita da polícia, da qual vimos mais exemplos na noite passada. Enquanto isso, o apoio a este movimento só cresce. Mais sabedoria.
Mas a grande diferença que uma década faz é que, em 1999, encarávamos o capitalismo no cume de um boom econômico alucinado. O desemprego era baixo, as ações subiam. A mídia estava bêbada com o dinheiro fácil. Naquela época, tudo era empreendimento, não fechamento.
Nós apontávamos que a desregulamentação por trás da loucura cobraria um preço. Que ela danificava os padrões laborais. Que ela danificava os padrões ambientais. Que as corporações eram mais fortes que os governos e que isso danificava nossas democracias. Mas, para ser honesta com vocês, enquanto os bons tempos estavam rolando, a luta contra um sistema econômico baseado na ganância era algo difícil de se vender, pelo menos nos países ricos.
Dez anos depois, parece que já não há países ricos. Só há um bando de gente rica. Gente que ficou rica saqueando a riqueza pública e esgotando os recursos naturais ao redor do mundo.
A questão é que hoje todos são capazes de ver que o sistema é profundamente injusto e está cada vez mais fora de controle. A cobiça sem limites detona a economia global. E está detonando o mundo natural também. Estamos sobrepescando nos nossos oceanos, poluindo nossas águas com fraturas hidráulicas e perfuração profunda, adotando as formas mais sujas de energia do planeta, como as areias betuminosas de Alberta. A atmosfera não dá conta de absorver a quantidade de carbono que lançamos nela, o que cria um aquecimento perigoso. A nova normalidade são os desastres em série: econômicos e ecológicos.
Estes são os fatos da realidade. Eles são tão nítidos, tão óbvios, que é muito mais fácil conectar-se com o público agora do que era em 1999, e daí construir o movimento rapidamente.
Sabemos, ou pelo menos pressentimos, que o mundo está de cabeça para baixo: nós nos comportamos como se o finito – os combustíveis fósseis e o espaço atmosférico que absorve suas emissões – não tivesse fim. E nos comportamos como se existissem limites inamovíveis e estritos para o que é, na realidade, abundante – os recursos financeiros para construir o tipo de sociedade de que precisamos.
A tarefa de nosso tempo é dar a volta nesse parafuso: apresentar o desafio à falsa tese da escassez. Insistir que temos como construir uma sociedade decente, inclusiva – e ao mesmo tempo respeitar os limites do que a Terra consegue aguentar.
A mudança climática significa que temos um prazo para fazer isso. Desta vez nosso movimento não pode se distrair, se dividir, se queimar ou ser levado pelos acontecimentos. Desta vez temos que dar certo. E não estou falando de regular os bancos e taxar os ricos, embora isso seja importante.
Estou falando de mudar os valores que governam nossa sociedade. Essa mudança é difícil de encaixar numa única reivindicação digerível para a mídia, e é difícil descobrir como realizá-la. Mas ela não é menos urgente por ser difícil.
É isso o que vejo acontecendo nesta praça. Na forma em que vocês se alimentam uns aos outros, se aquecem uns aos outros, compartilham informação livremente e fornecem assistência médica, aulas de meditação e treinamento na militância. O meu cartaz favorito aqui é o que diz “eu me importo com você”. Numa cultura que treina as pessoas para que evitem o olhar das outras, para dizer “deixe que morram”, esse cartaz é uma afirmação profundamente radical.
Algumas ideias finais. Nesta grande luta, eis aqui algumas coisas que não importam:
Nossas roupas.
Se apertamos as mãos ou fazemos sinais de paz.
Se podemos encaixar nossos sonhos de um mundo melhor numa manchete da mídia.
E eis aqui algumas coisas que, sim, importam:
Nossa coragem.
Nossa bússola moral.
Como tratamos uns aos outros.
Estamos encarando uma luta contra as forças econômicas e políticas mais poderosas do planeta. Isso é assustador. E na medida em que este movimento crescer, de força em força, ficará mais assustador. Estejam sempre conscientes de que haverá a tentação de adotar alvos menores – como, digamos, a pessoa sentada ao seu lado nesta reunião. Afinal de contas, essa será uma batalha mais fácil de ser vencida.
Não cedam a essa tentação. Não estou dizendo que vocês não devam apontar quando o outro fizer algo errado. Mas, desta vez, vamos nos tratar uns aos outros como pessoas que planejam trabalhar lado a lado durante muitos anos. Porque a tarefa que se apresenta para nós exige nada menos que isso.
Tratemos este momento lindo como a coisa mais importante do mundo. Porque ela é. De verdade, ela é. Mesmo.
13
jul11
Gay Talese: “O jornalismo está se tornando preguiçoso”

Gay Talese. Reprodução NY Times
Interessante entrevista do jornalista Gay Talese aos jornalistas Fernando de Oliveira e Thiago Maurique, do Diário Regional (Santa Cruz do Sul-RS) sobre seu livro Honra teu pai. Publicado em 1971 e recém-lançado no Brasil, o livro conta a história de Joseph Bonanno, chefe mafioso de Nova York, e de seu filho Salvatore “Bill” Bonanno. Para escrevê-lo, o então repórter do New York Times precisou se tornar amigo de Bill Bonanno e esperar cinco anos para convencer o mafioso a lhe contar sua história. Trechos:
P. — O senhor acha que seria possível, hoje, escrever um livro como este?
Talese – Sim, claro que seria possível, do mesmo jeito que eu fiz. No entanto, tem que ser gasto um bom tempo e conservar um relacionamento. Tanto nos EUA quanto no Brasil, ou em qualquer lugar do mundo, existem histórias que você pode contar se você realmente se dedicar a isso. Nunca é fácil fazer alguma coisa boa, sempre é difícil. Mas você não vai conseguir isso utilizando o Google. Nunca vai conseguir fazer isso usando um telefone celular, ou um gravador. Você tem que sair na rua e cultivar uma relação, e gastar tempo com ela. É o que eu chamo, em minhas próprias palavras de ‘The art of hanging out’ (a arte de sair por aí).…
P. — A propósito, o senhor sempre defendeu que lugar de jornalista é na rua. O que o senhor pensa sobre o jornalismo que é praticado hoje, com a internet e as facilidades que esta tecnologia proporciona?
Talese - … Os jornalistas, hoje, não estão descobrindo nada por tentativa, ou por acidente. O que estão fazendo é muito imediatista. O jornalismo tem se tornado muito previsível. Nada é profundo, pensado ou divagado. Então o jornalismo está se tornando preguiçoso, porque os jornalistas não querem se mexer. A primeira coisa que fazem quando acordam é abrir um pequeno laptop e começar a apertar botões. Então eles leem jornais, olham fotografias, jogam games ou qualquer outra coisa e, talvez, até façam entrevistas com outras pessoas, mas são pessoas que são educadas, que sabem como usar um laptop, um smartphone ou o que quer que estejam usando. E estão perdendo todo o contexto da vida. É tudo baseado em cumprir o objetivo. Eles querem ir do ponto a para o ponto b, e querem fazer isso rápido, de maneira eficiente sem perder nenhum tempo. Bom, perder tempo é muito bom. O tempo é maravilhoso quando você o perde. Quando você perde tempo você pode pensar que é um desperdício, mas não é. Às vezes você aprende com o silêncio, ou com os momentos de indecisão. Você aprende coisas que você jamais pensou que saberia, e aprende coisas sobre as quais você nunca pensou, e que nunca iria perguntar sobre. São coisas muito valiosas para a mente intelectual, e para a curiosidade intelectual que algumas pessoas têm. A internet joga contra esta curiosidade. Ela proporciona todas as respostas de maneira fácil. Você coloca o nome de alguém no google e descobre muito sobre ela. Se é verdade ou não, você não vai saber a diferença.
25
jun11
Quando se vê, já são seis horas…
Um poema de Quintana, publicado no Diário Catarinense em crônica de Mário Pereira – tive o prazer de conhecê-lo há poucas semanas – e enviado pelo Fernando Evangelista.
“A vida são uns deveres que trouxemos para fazer em casa./ Quando se vê, já são seis horas…/ Quando se vê, já é sexta-feira…/ Quando se vê, já é Natal…/ Quando se vê, já terminou o ano…/ Quando se vê, não sabemos mais por onde andam nossos amigos…/ Quando se vê, perdemos o amor de nossa vida…/ Quando se vê, passaram-se cinquenta anos./ Agora é tarde demais para ser reprovado./ Se me fosse dada, um dia, uma oportunidade, eu nem olhava o relógio./ Seguiria sempre em frente, e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas./ Seguraria todos os meus amigos, que já não sei onde estão, e diria;/ Vocês são extremamente importantes para mim.”
Mário Quintana
19
jun11
Sábias palavras, Galeano
Depoimento do escritor Eduardo Galeano durante as manifestações de jovens na praça Catalunya, em Barcelona.
13
jun11
Os epitáfios são eternos
Órfão com muito orgulho, ex-agricultor, ex-engraxate, ex-vendedor de picolés, meias, pastéis, carnets, ex-garimpeiro, ex-jornalista, pai, marido, com soberba de ser poeta, com mania de ser escritor. A correr atrás do vento, através da vaidade, como todos os humanos. O sim é o sim, o não é não; quem não ajunta espalha, ying e yang é frescura, equilíbrio só existe no amor verdadeiro. Meio termo é o mal disfarçado e o Eterno, bendito seja o seu nome, é o bem e ponto final.
13
jun11
Adeus, Norberto
Meu amigo Norberto Well era da turma de 86 do jornalismo da UFSC e uma das primeiras pessoas que conheci no curso. A gente o chamava de Ronnie Von, pela semelhança. Ele morreu este domingo às 20 horas no Hospital Santa Isabel de Blumenau, de complicações de saúde – era transplantado de fígado.
Eu o reencontrei há 3 semanas na festa dos “dinossauros” do jornal O Estado. Estava de chapéu e mancava. Conversamos num canto do salão, olhando o movimento e colocando os assuntos em dia. Ele me contou que queria se mudar de volta pra Floripa e perguntou sobre casas pra comprar. Ficamos de continuar a conversa pelo gtalk, mas não deu tempo.
Norberto vai ser velado e sepultado hoje às 16 horas, no Cemitério Municipal de Araquari, informa a viúva, Mari Lúcia Hoff. Era um homem generoso, sempre em busca da evolução espiritual. Guardo boas lembranças de nosso acampamento na Lagoinha do Leste há vinte e muitos anos, de nossas conversas sobre crônicas, poesia e a vida. Descanse em paz.
04
abr11
4 de abril no blog, há cinco anos
terça-feira, 4 de abril de 2006
Nasceu!
Bruno chegou ontem às 23h40, de parto normal, com 3,4 kg e 49 cm. É lindo como o pai e a mãe. Cabelos pretos, olhos puxados e pulmões fortes. O parto foi bem mais rápido que o do Miguel. Mesmo assim foi… um parto, e não vou dizer que sei o que vocês mulheres sentem nessa hora. A equipe do Hospital Universitário deu outra vez um show de profissionalismo e gentileza. Laura tá ótima. Estão no alojamento conjunto do H.U., onde 15 bebês resolveram nascer no mesmo dia. A fila do banho hoje tava uma coisa
Ela e Bruno saem da maternidade amanhã.
03
abr11
16
fev11
Vô e neto
Um presentão do moquirido Raul Ribeiro. Ele clicou a foto destes meus dois amores no final de 2005 na trilha da Costa da Lagoa, em Floripa. Papai tava com 80 anos e Miguel, com três.








