Posts com a tag ‘vida’

25

Jun

11

Quando se vê, já são seis horas…

Um poema de Quintana, publicado no Diário Catarinense em crônica de Mário Pereira – tive o prazer de conhecê-lo há poucas semanas – e enviado pelo Fernando Evangelista.

“A vida são uns deveres que trouxemos para fazer em casa./ Quando se vê, já são seis horas…/ Quando se vê, já é sexta-feira…/ Quando se vê, já é Natal…/ Quando se vê, já terminou o ano…/ Quando se vê, não sabemos mais por onde andam nossos amigos…/ Quando se vê, perdemos o amor de nossa vida…/ Quando se vê, passaram-se cinquenta anos./ Agora é tarde demais para ser reprovado./ Se me fosse dada, um dia, uma oportunidade, eu nem olhava o relógio./ Seguiria sempre em frente, e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas./ Seguraria todos os meus amigos, que já não sei onde estão, e diria;/ Vocês são extremamente importantes para mim.”

Mário Quintana

Bookmark and Share


19

Jun

11

Sábias palavras, Galeano

Depoimento do escritor Eduardo Galeano durante as manifestações de jovens na praça Catalunya, em Barcelona.

Bookmark and Share


13

Jun

11

Os epitáfios são eternos

Norberto por ele próprio no blog Os epitáfios são eternos:
órfão com muito orgulho, ex-agricultor, ex-engraxate, ex-vendedor de picolés, meias, pastéis, carnets, ex-garimpeiro, ex-jornalista, pai, marido, com soberba de ser poeta, com mania de ser escritor. A correr atrás do vento, através da vaidade, como todos os humanos. O sim é o sim, o não é não; quem não ajunta espalha, ying e yang é frescura, equilíbrio só existe no amor verdadeiro. Meio termo é o mal disfarçado e o Eterno, bendito seja o seu nome, é o bem e ponto final.
Bookmark and Share


13

Jun

11

Adeus, Norberto

Meu amigo Norberto Well era da turma de 86 do jornalismo da UFSC e uma das primeiras pessoas que conheci no curso. A gente o chamava de Ronnie Von, pela semelhança. Ele morreu este domingo às 20 horas no Hospital Santa Isabel de Blumenau, de complicações de saúde – era transplantado de fígado.

Eu o reencontrei há 3 semanas na festa dos “dinossauros” do jornal O Estado. Estava de chapéu e mancava. Conversamos num canto do salão, olhando o movimento e colocando os assuntos em dia. Ele me contou que queria se mudar de volta pra Floripa e perguntou sobre casas pra comprar. Ficamos de continuar a conversa pelo gtalk, mas não deu tempo.

Norberto vai ser velado e sepultado hoje às 16 horas, no Cemitério Municipal de Araquari, informa a viúva, Mari Lúcia Hoff. Era um homem generoso, sempre em busca da evolução espiritual. Guardo boas lembranças de nosso acampamento na Lagoinha do Leste há vinte e muitos anos, de nossas conversas sobre crônicas, poesia e a vida. Descanse em paz.

Bookmark and Share


04

Apr

11

4 de abril no blog, há cinco anos

terça-feira, 4 de abril de 2006

Nasceu!

Bruno chegou ontem às 23h40, de parto normal, com 3,4 kg e 49 cm. É lindo como o pai e a mãe. Cabelos pretos, olhos puxados e pulmões fortes. O parto foi bem mais rápido que o do Miguel. Mesmo assim foi… um parto, e não vou dizer que sei o que vocês mulheres sentem nessa hora. A equipe do Hospital Universitário deu outra vez um show de profissionalismo e gentileza. Laura tá ótima. Estão no alojamento conjunto do H.U., onde 15 bebês resolveram nascer no mesmo dia. A fila do banho hoje tava uma coisa :) Ela e Bruno saem da maternidade amanhã.

Bookmark and Share


03

Apr

11

3 de abril no blog, há cinco anos

40a. semana…

…e Laura está a cada dia mais grávida.

Bookmark and Share


16

Feb

11

Vô e neto

Vô Camillo com Miguel na Costa da Lagoa.

Um presentão do moquirido Raul Ribeiro. Ele clicou a foto destes meus dois amores no final de 2005 na trilha da Costa da Lagoa, em Floripa. Papai tava com 80 anos e Miguel, com três.

Bookmark and Share


29

Jan

11

Carta ao pai na UTI

Pai, escrevo esta carta sem considerar a remota hipótese de que você possa compreendê-la. Há vários meses a doença de Alzheimer lhe tirou o prazer da leitura e está passando uma borracha no seu cérebro. Mas as epístolas são um recurso de estilo adequado no nosso caso, pois fluem espontâneas. Tratamo-nos por “você” (alguns filhos lhe chamam de “senhor”, mas nunca me habituei), sem perder a reverência entre filho e pai. Presto tributo às nossas décadas de troca de correspondência e ao milagre da palavra contada, que você sempre admirou. Aproveito para informar os amigos, parentes e agregados que gravitam de maneira amorosa em nosso entorno e estão ansiosos por novidades. É um texto público que fala de um assunto privado e nada agradável à maioria dos paladares: doença e risco de morte. Natural a aversão ao tema: as pessoas tendem a fugir da dor e fingir que ela só acontece com os outros. Só vão ler minhas palavras as três dúzias de pessoas que tiverem interesse genuíno no João Camillo da Silva Filho e esbarrarem neste blog por acaso ou boca-a-boca. Os amigos, os conhecidos e os desconhecidos com quem você brindou a alegria de viver.

Aliás, abre parêntesis, vou lhe fazer uma confissão tardia: quando eu era um adolescente tímido e íamos a restaurantes e botecos, eu ficava envergonhado quando você se levantava e ia puxar assunto com gente desconhecida nas mesas vizinhas; hoje tenho vergonha de ter tido vergonha. Só as pessoas de personalidade cativante conseguem fazer o que você fazia sem serem chatas. Então, que uma vergonha cancele a outra. Fecha parêntesis.

Chegamos ontem de Fortaleza, depois de dez dias difíceis. Encontrar você em uma UTI, com pneumonia e em estado grave, foi bastante penoso pra nós todos da família. Especialmente quando a gente sabe que você sempre abominou a ideia de vegetar numa cama de hospital. Cheguei num momento crítico, em que, depois de muitas horas de espera, meus irmãos tinham conseguido vaga na UTI da Uniclinic. Era o possível no momento. Mas, em pouco tempo, informando-nos com diversos profissionais de medicina e observando a rotina hospitalar, percebemos que o lugar estava muito aquém das exigências mínimas de tratamento humanitário. Somos gratos a alguns profissionais de lá, que fizeram o possível com as condições que tinham; quanto aos arrogantes e despreparados, a gente lamenta que insistam numa profissão tão nobre como a de saúde. Movemos mundos atrás de outra vaga e finalmente conseguimos duas vitórias: a sua transferência para o Hospital São Carlos – um lugar de excelência que respeita a dignidade das pessoas, como deviam ser todos os hospitais brasileiros – e a contratação de um ótimo médico pneumologista para acompanhá-lo.

Posso afirmar sem muita chance de erro que essas duas mudanças salvaram sua vida, pai. Quando você chegou lá no São Carlos, estava nas últimas, com a infecção quase tomando conta e a pressão muito baixa. O doutor Plínio e sua equipe atuaram de imediato, mudando a medicação, introduzindo alimentação venosa, pedindo exames, combatendo uma infecção nos rins… Enfim, atacaram o caso com uma abordagem holística. Nos vários boletins que ele fez oralmente para nós, pudemos perceber seu extremo profissionalismo e respeito humano. Voz pausada, olhos nos olhos, descrição honesta e sem firulas sobre o seu estado. A possibilidade de sua morte estava ali delineada, palpável. Começamos a nos preparar para a aceitação do que fosse melhor e representasse menos sofrimento, com o consolo de que, até agora, foram 85 anos muito bem vividos (no vídeo que gravei aos seus 83 anos, você me respondeu como era ficar velho: – A vantagem é que a gente morre bem sabidinho).

Os dias se passaram e seu estado, que era “gravíssimo”, passou para “grave”. E, no momento em que escrevo, é inspirador de cuidados. A infecção nos pulmões e nos rins está cedendo. Nas palavras do médico, houve “importante melhora” (opinião de leigo: atribuo isso não só aos cuidados profissionais, como também ao seu proverbial vigor físico de ex-paraquedista e à vontade de viver). Mas ele lembra que a falência total dos órgãos ainda é uma possibilidade a rondar, pois a pressão arterial está instável e a pré-existência da doença de Alzheimer (degenerativa e irreversível) não pode ser esquecida. É importante a gente ter isso em mente pra evitar o auto-engano. Lembro que você brincava com as mentiras piedosas que as visitas costumam contar às pessoas desenganadas pela medicina: “Você está com uma ótima aparência! Vai logo ficar bom!”, enquanto o sujeito estrebuchava. Fique tranquilo. O que eu lhe disse na visita de ontem é a verdade do momento. A batalha está sendo ganha, por ora. O futuro? Quem sabe?

Miguel e Bruno passaram esses dez dias em Fortaleza sem poder lhe visitar, pois não é permitida a entrada de crianças na UTI. Fizemos o possível para entretê-los nos intervalos das duas visitas diárias e em meio à chuva que castigou a cidade por vários dias. Eles adoraram a Sorveteria 50 Sabores. Encontramos também um restaurante legal perto do apartamento da prima Abélia: tem uma área pra crianças com labirinto e cama elástica. Nos poucos dias em que o sol deu as caras, fomos duas vezes à Praia do Futuro (na segunda vez, Miguel comentou que estávamos indo “de volta para o futuro”, referência a um filme dos anos 80 que você nunca viu, pois detesta cinema). Bruno se divertiu com objetos de papelão que ele pedia pra gente recortar e depois desenhava: celular, pen-drive, cartão de memória, carteira de cédulas, carteira de identidade, volante de carro. Perguntei se ele não era muito novo pra dirigir com quatro anos. Ele respondeu: “Eu tenho 19 anos, é que sou anão”.

Pai querido, meu grande abraço.

Florianópolis, 29 de janeiro de 2010 (aniversário de Lubélia)

Outra carta ao pai, em julho de 2010

Bookmark and Share


01

Sep

10

Contar o que importa na vida

O que você pode começar a contar hoje que seja significativo para sua vida – pessoal ou profissional? Nesta palestra rápida (17’21″), Chip Conley, dono da rede hoteleira californiana Joie de Vivre, fala sobre o conceito de Felicidade Interna Bruta, criado em 1972 pelo rei do Butão, Jigme Singye Wangchuck, em resposta a críticas que afirmavam que a economia do seu país crescia miseravelmente. O empresário diz o que aprendeu com sua faxineira vietnamita e como aplicou com sucesso no próprio negócio a ideia de medir as coisas que fazem a vida valer a pena.

Bookmark and Share


01

Aug

10

Chegadas: Clara

Nasceu no dia 30/7, de cesariana porque foi o jeito, uma menina sortuda porque muito amada e desejada pelo seu papai Frank Maia e pela mamãe Lígia Sena: Clara! Teu papi me enviou uma fotinho sua pelo celular (até chorei um pouco, no meio do calçadão da Felipe Schmidt; sou manteiga derretida pra essas coisas), mas não mostro pra ninguém porque essa honra cabe aos que te colocaram no mundo. Como você é grande! Juro que, nos últimos meses, pensei que vinham gêmeos. Vai ser bonito te ver crescer mais ainda e te apresentar aos meus meninos. Vai, Clara, mama e dorme bastante, que o mundo é teu. Que o caminho seja iluminado e cheio de descobertas maravilhosas, garota. Conte comigo pro que precisar, sempre.

Bookmark and Share