Posts com a tag ‘amigos’

01

Feb

15

49 verões

Sintam-se abraçados todos os dois milhões de amigos que me enviaram mensagens, telefonaram, tuitaram, whatsapparam e beijaram no dia do meu aniversário. Me sinto um “quirido”. Se você não lembrou, não tem importância, isso acontece comigo e com metade da torcida do Sport.

Meu natalício começou com uma restauração quebrada e uma visita ao dentista. Dente consertado, fiquei apto a fazer selfies e ser fotografado pelas ruas – nada disso aconteceu, mas é bom estar preparado. Almoçamos no bar do seu Vadinho, no Pântano do Sul, o de sempre que é a cara da Ilha de Santa Catarina: peixe frito mais peixe à doré mais cação desfiado, pirão, feijão, arroz, batatas fritas e salada. Depois um banho gostoso na Lagoa do Peri – caras, fiquei preocupado com a Lagoa do Peri, o nível da água tá baixando muito.

Já são 49 verões bem vividos. A expectativa é ter saúde e sorte pra ficar velhinho e morrer bem sabidinho, como dizia papai, um sortudo que chegou aos 85. Pelo sim, pelo não, viver com intensidade um dia de cada vez. Feliz ano novo pra vocês também.

Bookmark and Share


29

Jan

15

Sobre reescrever: um bate-papo no Facebook

Já são 28 anos de profissão e alguns ensinamentos básicos não mudam. Na vasta maioria das situações, reescrever melhora o texto. As exceções são reservadas aos gênios.
*
Confissão: quando reescrevo, às vezes mudo a fonte e o corpo do texto, pra dar a mim mesmo a impressão que é um outro. Truque bobo, mas legal. ”O outro” pode ser um outro texto ou um outro cara escrevendo. O que, no fundo, é o que ocorre. Depois que reescrevo um texto ruim, já não sou o mesmo. Ou, pra citar o Zé Dassilva, já não estou como cheguei.
*
“Otto Lara Resende dizia que publicava livros pra se livrar deles”, lembra o Zé. A Fernanda Zacchi conta que Hemingway nunca amassava as folhas de rascunho, deixava que caíssem suavemente na lixeira, pois se ele mesmo não tivesse um mínimo de respeito pelo que escrevia, ninguém teria.
*
Bukowski, entrevistado sobre o ato de escrever:
- Por que você escreve?
- Escrevo para ter uma função. Sem isso cairei doente e morrerei. É tanto parte de alguém como o fígado ou o intestino, e quase tão glamoroso quanto.
- A dor cria um escritor?
- A dor não cria nada, assim como a pobreza. O artista está lá primeiro. O que será dele está diretamente ligado à sorte. Se sua sorte é boa (falando literalmente), ele se torna um mau artista. Se sua sorte é ruim, ele se torna um dos bons. Em relação à substância envolvida.
*
“Neruda simplifica”, cita o mano Camillo Veras: “Escrever é fácil. Você começa com letra maiúscula e termina com um ponto No meio você põe as ideias”. Provavelmente Bukoswki tinha tomado váaarias quando deu o depoimento, comenta a Nilva Bianco. Imagino que o Neruda falou essa tomando várias também. No barco-bar do jardim da casa dele em Isla Negra. Camillo completa: “Pra ser poeta e frasista e preciso tomar umas. Se não um bom vinho chileno, pelo menos uma boa cachaça cearense”.
*
Reescrever demanda desapego pra render bem. Não me refiro só ao desafio de cortar. Também é duro se livrar das estruturas mentais que moldaram o texto original, testar outras aberturas, outros finais, mover blocos de frases ou parágrafos. O computador é uma mão na roda pra isso. Nenhuma saudade da máquina de catar milho.
*
“E quem foi que falou que não existe texto pronto, existem textos abandonados? Lembro como de Gabriel Garcia Marquez”, diz o Rogério Mosimann.

Bookmark and Share


30

May

14

No caixa eletrônico

Crônica da amiga Adriane Canan, uma mestra na arte da observação do cotidiano.

no caixa eletrônico, bem ao lado do meu:

- ai, errei de novo!
- eu disse pra ti, tu és um tanso. tásh com oitenta anos na cara e não acerta a senha uma vez. deixa pra mim que eu sou mais nova.
ela, uns 70, talvez, toma o lugar dele e começa a tocar a tela do caixa eletrônico.
- como é mesmo a senha?
ele fala baixinho no ouvido dela. ela toca a tela.
- ai, não deu outra vez. culpa tua, não me dissessi direito!
- claro que eu disse -, ele revida e dá uma tossida forte.
- agora tu vásh entrar e pagar lá dentro. três erros a máquina devolve o cartão, já sabesh. vou te esperar ali fora, naquele banquinho, no sol.
ele vai, paciente, até a porta giratória.
- João Carlos -, ela grita.
me assusto, ele também.
- já sabesh que não podes entrar por aí, né? e o marca-passo? o guarda abre pra ti, vai ali, ó.
ele vai, devagar, pra outra porta. ela olha pra mim:
- tenho que cuidar bem, tadinho.

Bookmark and Share


26

Nov

12

O jornalista em bodas, o usineiro e o crime organizado

Acordo hoje com um texto visceral do amigo Marques Casara, repórter raro, que me emocionou. Compartilho:

Hoje me dei conta que sou jornalista há 25 anos, mais da metade da minha vida.

Sempre achei que um dia alcançaria aquele estado de distanciamento profissional, tipo um médico acostumado a lidar com o sofrimento e que constrói um muro diante da morte, da dor, da miséria.

Um bloqueio emocional que me permitisse seguir em frente e dar o melhor de mim.

Até agora não pintou o lance, a hora em que eu finalmente assumiria aquele ar do cara que não se deixa afetar pelas tragédias do mundo, que faz o seu trabalho, que constrói o próprio futuro.

Um ser produtivo e inserido no mercado.

Um cara com casa na praia, com amigos de final de semana, uma mesa grande e um computador atualizado.

Com uma biblioteca e as obras primas universais.

A merda é que carrego a dor de gente que não conheço. (…)

Leia o texto completo aqui

Bookmark and Share


04

Jul

12

Cartografia da memória: Preikestolen

preikestolen8

Preikestolen

Do fundo do baú, esta foto de maio de 1997: Laura Tuyama e nosso amigo Eirik Chambe-Eng na Preikestolen, a Rocha do Púlpito, um paredão vertical de granito com 604 metros na borda do fiorde de Lyse, próximo a Stavanger, Noruega. Nunca fui dado a vertigens por causa de altura, mas na Preikestolen, fiquei uns bons cinco minutos de olhos fechados até voltar ao meu estado normal. O lugar, acessível depois de uma trilha de duas horas e meia, é literalmente de uma beleza estonteante. Mas o que mais me impactou não foi propriamente o medo de cair, e sim a epifania sobre o livre arbítrio – a consciência sobre a como seria fácil me jogar lá do alto por vontade própria e abraçar o espaço. Depois de um tempinho, consegui pacificar a tempestade interior. Aí me arrastei até a borda, olhei pro abismo e falei pros outros: “Pronto, agora podemos ir embora, né?”

Bookmark and Share


03

Jul

12

The Beatles on the toilet

Meu amigo Henio Bezerra, engenheiro, pintor e fã dos Beatles, entre outras coisas, gravou esta stop-motion de homenagem aos Fab Four no banheiro da casa dele. Foram dois meses de trabalho e aproximadamente 9 mil fotos. Os acordes iniciais de piano são dele próprio. Veja como ficou legal.

Bookmark and Share


15

Jun

12

The Date – Anita Damas

Exposição da artista polonesa Anita Damas, há dois anos moradora da Ilha de Santa Catarina. Na Cor Galeria de Arte – Rodovia SC-401, 7135, Santo Antônio de Lisboa.

Bookmark and Share


13

Feb

12

Cozinha a Dois na tevê

O programa Missão Casa, apresentado pela Simone Bobsin, foi ao apartamento do Gastão e da Soninha apresentar a cozinha deles e o blog Cozinha a Dois, um espaço especial dedicado às delícias da culinária e da convivência. Bem legal!

Bookmark and Share


01

Oct

11

No tempo em que não havia ultrassom

Meu amigo João Augusto Dantas, de Natal, que faz aniversário hoje (“pedalei 98 km de manhã, fui a Nísia Floresta e voltei”), me contou uma história que meu pai contava e eu nem lembrava mais:

No tempo em que não havia ultrassom, um médico de Recife ficou famoso por adivinhar o sexo do bebê ainda na barriga das mães, só de tocar no umbigo delas. Todas as grávidas queriam fazer pré-natal com ele. Até que um dia o médico brigou com a enfermeira e o segredo de seu dom veio a público.

No exame, ele previa: “É um menino”. Mas depois falava pra enfermeira anotar “menina” na ficha, e acertava 50% das vezes. Quando o bebê nascia, algumas mãe reclamavam: “Mas doutor, o senhor disse que era menino, fiz todo o enxoval azul e veio menina!”. Ele, rápido: “Vamos consultar a ficha. Viu aqui? Menina. Foi o que eu tinha dito, mas a senhora, emocionada, se confundiu”.

Bookmark and Share


28

Sep

11

Drops de primavera

Tempinho sem postar aqui. Dias corridos, mas também de bons momentos offline.

Depois de anos sem fazer a trilha da praia de Naufragados, voltei lá há duas semanas com Laura e os meninos, Sônia, Neto e a meninada deles. Passeio maneiro, com direito a riachinhos pelo caminho, cerveja na praia e retorno de barco. A volta foi meio mexida porque pegamos vento Nordeste pela frente – tava quase um Cabo Horn manezinho. Acho que agora já tenho direito a uma argola na orelha esquerda.

~

Domingão diliça na casa da Claudinha e do João na Costa da Lagoa, com os amigos queridos Magrão, Elô, Kátia e Maurício. Criançada (7 meninos e uma menina) passou o dia inteiro jogando bola e o tempo voou ligeiro pra todos.

˜

Nova parceria com Fernando Evangelista, Ju Kroeger e Chico Faganello, desta vez num projeto rápido de vídeo institucional, bem gostoso de fazer.

~

No Rio, nasceu a Malu, filha da Renata e do Victor. Bonequinha linda, fofa, um encanto. E isso porque só conheço de foto, imagina quando eu puder pegar no colo e dar um cheiro.

˜

Dois amigos estiveram em Praga com poucos dias de diferença um do outro: Zé Dassilva e Anita Dutra. Antes de viajarem, dei algumas dicas e nisso terminei “viajando” junto. A capital tcheca é uma das cidades mais bonitas que já conheci e tenho belas lembranças de lá.

~

Durante a Semana do Jornalismo da UFSC, tive o privilégio de conhecer umas figuras especiais: Natalia Viana, da recém-criada agência Pública de jornalismo; Ricardo Viel, ex-repórter da Folha de SP que se despedia pra uma temporada de estudo na Espanha, e Marino Mondek, estudante de Pedagogia e membro do DCE da UFSC. Todos juntos comendo pizza e dando risada na casa do Fernando e da Ju, com outras gentes boas.

~

Feliz com a vitória da Chapa 2 na eleição pro Sindicato dos Jornalistas de SC. Mudança importante, depois de duas gestões que deixaram muito a desejar. No próximo sábado vai ser a festa da posse.

~

Estou fazendo assessoria na campanha pra Reitoria da UFSC, junto com a moçada da Quorum Comunicação. Nosso candidato é o professor Dilvo Ristoff, homem de letras e de ação, bom administrador e aberto ao diálogo. É o tipo de trabalho que faço com prazer, pois vai além da dedicação profissional. Tenho convicção de que, se eleito, ele vai ser um excelente reitor, amigo da cultura e do resgate da autoestima da Universidade.

~

Já temos amoras no quintal.

Bookmark and Share