22

Mar

15

O valor estratégico da pegada hídrica

Reportagem que publiquei no Valor Econômico em 20 de março:

Arjen Hoekstra. Foto de Danielle Spoelman

Arjen Hoekstra. Foto de Danielle Spoelman

O total de água incorporada aos produtos que saem pelos portos brasileiros chega a 112 trilhões de litros anuais, equivalentes a 45 milhões de piscinas olímpicas, segundo estudo da Unesco. Esse volume coloca o Brasil em quarto lugar no ranking de exportadores brutos do recurso, atrás dos Estados Unidos, China e Índia.

Embora ainda não seja contabilizada nas trocas comerciais, a água virtual tende a ganhar valor estratégico em um cenário mundial de escassez hídrica. Isso abre oportunidades para o protagonismo do Brasil, que dispõe do recurso em abundância, mas precisa avançar na sua conservação.

Um instrumento de pesquisa relevante na área é a “pegada hídrica” (“water footprint”, em inglês), criada em 2002 pelo pesquisador Arjen Hoekstra, da Universidade de Twente, Holanda, para calcular o uso direto e indireto da água, tanto por produtores quanto por consumidores na cadeia produtiva. A pegada hídrica média do consumidor brasileiro é de 5.550 litros por dia, uma vez e meia superior à média global, principalmente por causa do grande consumo de carne. (…)

Leia mais: reportagem | entrevista com Arjen Hoekstra

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15

Mar

15

Marcelo Rubens Paiva, no sábado…

…sobre as manifestações do dia 13 e do dia 15:

 

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15

Mar

15

Anotações de leitura: cuspe bom

“Comida gostosa, apimentada, temperos fortes. Para a saúde, vai ver não fosse bom, era reimoso; mas a mulher se ria, perto dela não se podia pensar em coisas mofinas. Achava fio de cabelo dela, não tinha repugnância, não se importava. – ‘Bem: eu cuspisse dentro da sopa, você tinha escrúpulo de tomar? Você gosta de mim de todo jeito?’ Asco nenhum. O cuspe dela, no beijar, tinha pepego, regosto bom, meio salobro, cheiro de focinho de bezerro, de horta, cheiro como cresce redonda a erva-cidreira”.

~ Guimarães Rosa. Dão-Lalalão (O Devente), em Noites do Sertão.

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03

Mar

15

Cooperação Brasil-Cuba-Haiti

Bruna Canever (da UFSC, ao centro) com estudantes haitianos. Acervo do projeto

Bruna Canever (da UFSC, ao centro) com estudantes haitianos. Acervo do projeto

Um acordo de cooperação técnica entre Brasil, Cuba e Haiti está possibilitando a formação de profissionais haitianos para atuar na atenção primária à saúde neste país caribenho, o mais pobre das Américas, que foi devastado por um forte terremoto em 12 de janeiro de 2010. Em quatro anos de atividades, já foram titulados mais de 1.300 agentes de saúde comunitários, auxiliares de enfermagem, inspetores sanitários e agentes de saúde ambiental.

Da parte brasileira, a gestão é realizada pelo Ministério da Saúde, em parceria o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e com três instituições de ensino e pesquisa: a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). O acordo tripartite deu continuidade à atuação solidária do Brasil com o Haiti nas áreas de segurança e reconstrução da infraestrutura, iniciada logo após o desastre sísmico.

Coube à UFSC, com apoio administrativo da Fapeu, assumir a qualificação dos recursos humanos de nível médio na área da saúde. O Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da instituição já tem um histórico de parcerias bem sucedidas com o governo federal nessa área. A UFRGS contribuiu com a organização da rede de serviços e a Fiocruz, com a atuação nos campos de epidemiologia, imunização, comunicação e informação. Em torno de R$ 5 milhões foram investidos na formação desses profissionais.

SUS é referência

Visita de delegação haitiana ao Hospital Universitário da UFSC. À direita, a coordenadora do projeto, Flávia Ramos.

Visita de delegação haitiana ao Hospital Universitário da UFSC. À dir., gestora do projeto, Flávia Ramos. Foto: Soninha Vill.

“Estamos implantando um modelo inspirado na estratégia de saúde da família no Brasil”, diz a gestora operacional do projeto e coordenadora do Departamento de Pós-Graduação em Enfermagem da UFSC, Flávia Regina Ramos. Essa estratégia, adotada pelo Sistema Único de Saúde (SUS), enfatiza a atenção à família no local onde ela vive, valorizando as ações de promoção e proteção da saúde, a prevenção de doenças e a atenção integral às pessoas. Ela se contrapõe ao modelo tradicional e ineficiente, focado na supervalorização da assistência curativa, especializada e hospitalar.

Flávia destaca que a tônica da ação brasileira sempre foi desenvolver um projeto estruturante, isto é, evitar ações paliativas como as que foram realizadas pontualmente por diversos países após o terremoto de 2010. O objetivo é trabalhar junto com as autoridades haitianas e os médicos cubanos para desenvolver competências locais que ajudem a restaurar o sistema de saúde do país caribenho. “Isso significa fazer junto”, afirma. Cuba tem participação fundamental na parceria, pois atua há muitos anos no Haiti, onde mantém hospitais e profissionais de saúde experientes.

Em maio de 2014, o Brasil inaugurou uma rede hospitalar no entorno de Porto Príncipe, a capital do país. Com investimento de R$ 25 milhões, ela é composta pelo Hospital Comunitário de Bon Repos, pelo Instituto Haitiano de Reabilitação e pelo Laboratório de Órteses e Próteses. Outros dois hospitais comunitários de referência estão em construção. Somados, eles podem atender 300 mil pacientes, um apoio significativo para o país de 10 milhões de habitantes, que tem o pior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do continente.

Bolsa de estudos

Durante o curso, os alunos recebem do governo brasileiro uma bolsa de estudos para que tenham condições de alimentação e transporte e possam se dedicar integralmente à formação. Quando eles se titulam, continuam recebendo a bolsa por seis a 12 meses, para que tenham tempo de ser inseridos profissionalmente na rede pública. “A formação é feita por haitianos, que são capacitados, supervisionados e acompanhados por brasileiros”, explica Flávia.

“A ajuda técnica e financeira do Brasil tem sido fundamental”, disse a enfermeira Guerline Bayas, especializada em saúde comunitária e diretora de uma escola técnica em Porto Príncipe. Em outubro de 2014, ela esteve em Brasília com outros dois profissionais de saúde haitianos para participar de um seminário internacional de avaliação dos quatro anos de atividades do projeto. Os resultados superam as expectativas. Em seguida, o grupo visitou uma escola técnica em Blumenau e o Hospital Universitário da UFSC em Florianópolis.

“Esperamos renovar o convênio, pois o Haiti sozinho não tem condições de construir a estrutura necessária”, afirmou, acrescentando que a meta é formar pelo menos 10 mil profissionais de saúde para oferecer cobertura em todo o país. (…)

Publiquei esta reportagem na Revista da Fapeu 2014. Leia aqui a íntegra em pdf.

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01

Mar

15

Impressões sobre Birdman

birdman

Vi Birdman ontem. Tecnicamente bem realizado, repleto de metalinguagem, referências e homenagens, roteiro bem escrito, excelentes atuações, Edward Norton e a diva Naomi Watts roubando a cena. Com tudo isso, não conquistou meu coração cinéfilo. A impressão que me deu foi a de uma overdose de recursos pra impressionar, como aqueles gifs animados dos primeiros tempos da web. O plano-sequência, interessante até os 15 minutos, começou a me cansar depois de meia hora e já tava insuportável perto do final.

Birdman não é propriamente um filme “ruim”. Tem cenas excelentes (como a do baterista, p.ex., uma autorreferência à trilha que constrói o clima, e a da briga-diálogo entre os personagens de Keaton e Norton). Mas tá mais pra lição de anatomia cinematográfica que espetáculo encantador. Bom filme pra estudar repertórios de possibilidades narrativas, mas também pra ensinar sobre os riscos de carregar nas tintas.

Peguei emprestada a foto desta ótima resenha do Zé Geraldo Couto no blog do IMS.

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25

Feb

15

Algumas impressões sobre Boyhood

Demorei um pouco pra comentar Boyhood porque estava esperando o filme “assentar” na cabeça. Vi faz uma semana e os flashes da história estão voltando de mansinho. Identificações, empatias, reconhecimento de sutilezas.

Boyhood foge dos cânones hollywoodianos de roteiro clássico. Coisas como clímax e anticlímax não têm importância alguma na história. Alguns acharam chato, eu gostei muito da sensação um tanto voyeurística de seguir a evolução dos personagens – não só o menino – numa trajetória cotidiana sem pirotecnias dramatúrgicas.

Momentos se somando ao longo dos dias e anos, fazendo sentido pelo seu conjunto de banalidades e solavancos da vida sem sentido – mas repleta de reflexões sobre isso mesmo, ao contrário de banalidades rasas e solavancos grosseiros do Big Brother.

A sensação de ser um outsider, de não se encaixar no esquema, é um tema recorrente nos filmes de Richard Linklater que acompanha o protagonista ao longo da história. Mas o menino-adolescente consegue, de um jeito ou outro, viver com isso. Me enxerguei nele.

A produção com os mesmos atores ao longo de 12 anos é muito adequada à história que o diretor contou. Carpintaria narrativa sofisticadíssima em um filme aparentemente despretensioso. Boyhood vai ser lembrado por muito tempo. Por mim, pelo menos.

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24

Feb

15

Brunitezas: perguntas e respostas

Bruno fazendo o dever de casa, doido pra ir brincar:
- Por que eles me fazem a pergunta se já sabem a resposta?
‪#‎brunitezas‬ ‪#‎aos8‬

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20

Feb

15

The City of Your Final Destination

Vi ontem The City of Your Final Destination (James Ivory, 2009). Quase passei batido por ele no Netflix, por causa do título bobo em português (Em busca do amor, ou algo parecido). Mas a presença de Anthony Hopkins e Charlotte Gainsbourg no elenco, a trilha de Jorge Drexler e a ambientação no interior do Uruguai me chamaram a atenção. Muito bom! A história acompanha Omar, um tímido estudante americano de pós-graduação que quer escrever a biografia de um escritor já falecido. Seu desafio é convencer os herdeiros – a viúva, a amante e o irmão, que vivem na mesma propriedade rural – a autorizar a obra. Não chega a ser daqueles filmes inesquecíveis, mas é muito bem construído, com personagens marcantes – incluindo a namorada controladora de Omar e a lembrança do escritor Jules Gund, idolatrado pelas mulheres. Recomendo.

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10

Feb

15

DVeras Awards 2014: livros

No fim do ano passado, por causa das correrias de trabalho e viagens, deixei de publicar o DVeras Awards como de costume. Aí vai a categoria Livros, com algumas considerações preliminares.

  • DVeras Awards é uma brincadeira com listas, baseada nas minhas preferências e simpatias.
  • Os “concorrentes” na categoria Livros estão na lista dos lidos em 2014, incompleta por lapsos de memória, omissões de releituras e razões profissionais.
  • O prêmio aos vencedores do ano é a eterna gratidão deste leitor.
  • O resultado é irrecorrível, a menos que a comissão julgadora – eu mesmo – mude de ideia.
  • Milton Santos é hors concours, porque o DVeras Awards se limita à ficção e ao jornalismo.
  • Rubem Fonseca também é hors concours, pelo conjunto da obra. Amálgama, ganhador do Jabuti 2014, é um dos destaques do ano.
  • Sua própria lista comentada dos 3+, ou quantos quiser, é muito bem-vinda.

Dito isto, vamos aos selecionados.

Em dezembro, li duas obras com qualidade acima da média, saídas das entranhas de seus autores: Zero zero zero, do jornalista italiano Roberto Saviano, corajosa radiografia dos cartéis internacionais da cocaína; e O irmão alemão, de Chico Buarque, viagem ficcional a uma curiosa história familiar, a partir de revelações da biblioteca do pai dele. O primeiro se destaca pelo excelente trabalho investigativo, nada fácil na sua condição de jurado de morte por causa de Gomorra. O segundo, pela inventividade e humor refinado. Empataram em terceiro lugar.

Em abril, tive o prazer de descobrir a talentosa contista canadense Alice Munro, ganhadora do Nobel de Literatura. O amor de uma boa mulher contém carpintaria literária de primeira, com histórias cotidianas que mergulham na alma das protagonistas. Quero mais Alice. Segundo lugar, e teria atributos para, tranquilamente, ser o primeiro, mas concedo o título a uma pequena joia na qual esbarrei em agosto. O DVeras Awards 2014 na categoria Livros vai para…

Vinte contos de Truman Capote. O autor de A sangue frio, clássico do new journalism, tinha domínio vigoroso da técnica e da arte de contar histórias ficcionais – dizem que foi perdendo a mão no fim da carreira, mas deixo esse debate pros especialistas. São narrativas também situadas no contexto de banalidades do dia a dia, em que as emoções e contradições humanas afloram sem pieguismo, com timing preciso. Gostei demais de Um Natal, conto inspirado na infância do escritor e belíssima declaração de amor.

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09

Feb

15

Céu

Dia 3, mais 3 fotos.

Rayuela

Rayuela

 

Fauna do Verão

Fauna do Verão

 

Morro da Antena, Jaraguá do Sul, SC

Morro da Antena, Jaraguá do Sul, SC

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