20

Mar

18

Historinha zen

O mestre chegou no salão onde seus discípulos o aguardavam e disse:
- Eu vim trazer a boa nova. Alguém sabe o que é?
Ninguém se manifestou.
- Se ninguém sabe, então eu vou embora – e saiu.
No dia seguinte voltou.
- Eu vim trazer a boa nova. Alguém sabe o que é?
Todos levantaram a mão. – Sim, sim!
- Se todo mundo sabe, então não precisam de mim – e saiu.
No terceiro dia voltou:
- Eu vim trazer a boa nova. Alguém sabe o que é?
Metade da platéia disse que sim e metade ficou quieta.
- Então quem sabe conta pra quem não sabe.
E foi embora.

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20

Mar

18

RT @alejodorowsky

“¿Maestro, cómo hacer para vivir hasta tan viejo?”

“Nunca contradigo a alguien”

“¡No es posible!”

“¡Sí, no es posible!”.

 

 

 

 

 

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12

Mar

18

Anotações do quintal

Um passeio pelo quintal. Verde em mudança permanente. Nos quase doze anos em que convivemos, quantas faces já teve. Vida e morte cambiantes numa dança cósmica, bem aqui neste microcosmo do sul da Ilha de Nossa Senhora dos Aterros, como diz o qrido Fabio Brüggemann. Espaço de presenças, e de presença da ausência. Como a das árvores mortas. Uma se foi de velhice. Sua filha, que vi neném, hoje é frondosa e galhuda, se exibe no outono com sementes redondas que os papagaios adoram. Árvore-aquarela com trilha de algazarra. Duas foram derrubadas pelo vento, outras quatro morreram por causa de um aterro de drenagem. Entre elas um presente do inesquecível Augusto Tuyama, a fantástica nim – suas folhas servem pra mais de cem aplicações, como xampu antipulgas e chá pra ressaca.

Tantas outras nascidas ou transplantadas. A pitangueira nativa, germinada no pé de outra árvore. As bananeiras, todas filhas da muda que nos deu o Edson Campos. A amoreira que podei com amor e cresceu linda. Já podei outras com amor e morreram, coisas da vida. Hoje com copa espalhada, é sempre generosa de frutas e tem galhos baixinhos pra criança pequena pegar. Fonte de amora pra suco, vitamina, geleia, tempero, e em breve, sorvete. Ultimamente reparo que tá tendo uma “safrinha” fora da época, observação corroborada pelo Mauro Sniecikowski, também cuidador de amoreira no Sul da Ilha. À sombra dela, nenhum mato cresce, mas uma guabiroba insiste em existir. Miúda, humilde, sempre pegou pouco sol e cresce devagar, mas sólida. Dá uns poucos frutos por ano, como que dizendo “são especiais” e, entre filosófica e irônica, “espere pra ver” e “por que você me antropomorfiza?”.

O limoeiro adolescente sem espinhas, mas com muitos espinhos, produziu seus primeiros seis limões neste verão. As primas tangerinas – uma poncã, outra montenegrina – são meninas, ainda não chegou a hora de dar frutos. O abacateiro também é fiote. Tudo a seu tempo. Tem o tempo dos saguis, ou soins, como dizem lá na minha terra. Eles vêm, acampam, têm filhotes e vão embora quando a comida acaba. Tem que ficar ligado pra não entrarem na cozinha e fazerem bagunça, né Deborah Figueiredo? Tem o tempo das aracuãs, das aves de migração. Das abelhas, das vespas. E tem os moradores fixos, por assim dizer: bem-te-vis, sabiás, curiós. Uns beija-flores que gostam de beijar uma lanterna-japonesa bem do lado da minha rede.

As formigas moram na área, mas aparecem tão pouco que quando chegam a gente pensa que é visita. Às vezes elas encasquetam com uma árvore e ficam trabalhando nela direto por dias a fio, podando as folhas. Meio estressadas, as formigas. Quintal também de minhocas e bactérias, de coisas e seres enterrados, de nosso gato Branquito que aqui descansa em paz. Quintal de Bóris, o lagarto, que morava embaixo do antigo barracão de ferramentas e anda meio sumido. De Lavínia, a lagartixa que encontrei fazendo faxina do depósito. Eu fazia a faxina, no caso. Sementes brotando, maracujás se espalhando, pimenteiras fabricando ardências e temperos. A vida pulsa no quintal e a louça espera na pia da cozinha.

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17

Jan

18

A borra do café

Ainda impactado com A Borra do Café, de Mario Benedetti, que terminei de ler esta madrugada. É uma abordagem ficcional da sua infância, adolescência e entrada na idade adulta em Montevidéu. Mudanças de casa, amigos, parentes e cotidiano do bairro, a morte da mãe, descoberta do sexo e do amor… e as misteriosas coincidências de um momento exato no relógio, 3 e 10 da tarde. Texto límpido, coloquial, bem humorado e poético. A narrativa teria tudo pra ser banal se escrita por outras mãos, mas ganha uma dimensão emocional profunda e única na voz do grande escritor uruguaio. Amei ler este livro.

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01

Jan

18

DVeras Awards 2017: livros

Minhas leituras no ano passado renderam bons momentos, a maior parte do tempo na rede do alpendre, mas também no ônibus, na cama, na fila do mercado e em outras salas de espera da vida. Foram poucos os desapontamentos e várias surpresas deliciosas. Os temas variaram do romance histórico às narrativas de viagem, espionagem e gângsters, passando pela ficção científica, autobiografia e contos. As origens dos autores também são bem diversas: Suíça, Islândia, Estados Unidos, Brasil, Noruega, Chile, Japão, Reino Unido, Cuba, Peru, Argentina e Israel. Como ponto em comum, todos conseguiram me conduzir da primeira a última página, o que não é pouca coisa pra um leitor volúvel. Segue uma lista de 27 obras, com os títulos no idioma do exemplar lido. Não incluí reportagens, contos isolados, livros de referência, leituras parciais nem obras técnicas de interesse restrito. Revendo a lista, percebo que há várias lacunas a preencher daqui pra frente: incluir mais mulheres, mais autores africanos e latino-americanos, mais variedade de temas, alguns clássicos. Bom, foi o que deu pra fazer no conturbado ano da graça de 2017. Espero que essas sugestões possam inspirar suas leituras. Ao final, conheça os contemplados com as medalhas de bronze, prata e ouro no DVeras Awards.

  • The course of love, Alain de Botton
  • Invierno ártico, Arnaldur Indridason
  • 10% mais feliz, Dan Harris
  • Meia-noite e vinte, Daniel Galera
  • Getting things done, David Allen
  • O homem que buscava sua sombra, David Lagercrantz
  • World gone by, Dennis Lehane
  • Pssica, Edyr Augusto
  • Tierra del fuego, Francisco Coloane
  • Pinball, Haruki Murakami
  • A legacy of spies, John Le Carré
  • Liberdade, Jonathan Franzen
  • 14 contos de Kenzaburo Oe
  • O homem que amava os cachorros, Leonardo Padura
  • Passado perfeito, Leonardo Padura
  • Vento sudoeste, Luiz Alfredo Garcia-Roza
  • Cinco Esquinas, Mario Vargas Llosa
  • Los cuadernos de Don Rigoberto, Mario Vargas Llosa
  • A Segunda Guerra Mundial: os 2.174 dias que mudaram o mundo, Martin Gilbert
  • Um solitário à espreita, Milton Hatoum
  • Diário de inverno, Paul Auster
  • Androides sonham com ovelhas elétricas?, Philip K. Dick
  • Alvo Noturno, Ricardo Piglia
  • Calibre 22, Rubem Fonseca
  • O seminarista, Rubem Fonseca
  • Homo Deus, Yuval Noah Harari
  • Sapiens: A Brief History of Humankind, Yuval Noah Harari

A escolha dos três melhores no DVeras Awards foi bem difícil, dada a qualidade dos “concorrentes”. Por isso, nesta edição aponto também três menções honrosas: The course of love, de Alain de Botton, é um mergulho filosófico criativo sobre o amor entre um homem e uma mulher, ao mesmo tempo sensível às sutilezas do relacionamento a dois e demolidor do mito do amor romântico. Liberdade, de Jonathan Franzen, disseca as contradições da classe média americana ao acompanhar a história de uma família e um triângulo amoroso. Pssica, de Edyr Augusto, é uma história vertiginosa sobre o tráfico de mulheres na Amazônia. Sua linguagem crua, concisa, e a narrativa cinematográfica nada deixam a dever aos textos de Rubem Fonseca.

Sem mais delongas, vamos aos premiados de 2017:

  • Bronze: Sapiens. Com simplicidade e humor, o professor de História Yuval Harari dá uma aula magistral sobre nossas origens, da idade da pedra ao presente. Um convite à reflexão sobre coisas cotidianas que fazemos sem pensar. Se gostar, emende no excelente Homo Deus, que aponta pro futuro dominado pela inteligência artificial e pela ambição humana da imortalidade.
  • Prata: Diário de inverno. Paul Auster, um dos meus autores favoritos, chega à maturidade revisitando a própria vida a partir da perspectiva agridoce do corpo e suas cicatrizes (sabia que ele sobreviveu a um raio aos 14 anos de idade?). Um livro especial, agora que tenho uma cicatriz no pescoço a me lembrar todos os dias que sobrevivi ao câncer de tireoide.
  • Ouro: O homem que amava os cachorros, de Leonardo Padura, foi o melhor livro que li no ano passado. Talvez não seja novidade pra você, pois foi lançado em 2013 e já conquistou vários prêmios. Mas se ainda não teve a oportunidade de ler, recomendo muito. Neste romance histórico, o escritor cubano reconstrói as trajetórias de duas personagens marcantes do século 20: o revolucionário russo Leon Trótski e seu assassino Ramón Mercader. É daqueles que, mesmo já conhecendo o final, a gente não consegue largar antes do fim.
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13

Nov

17

Leituras: Meia-noite e vinte

galera_meia-noite-e-vinteLeitura encerrada: Meia-noite e vinte, de Daniel Galera. A história, ambientada em Porto Alegre e São Paulo, é narrada por três personagens – uma doutoranda em biologia, um jornalista freelancer e um publicitário. Eles retomam o contato ao reviver as lembranças da convivência com um amigo em comum, escritor assassinado num assalto, com quem fizeram um fanzine nos tempos de faculdade. Os fragmentos dessas memórias e os rastros digitais deixados por eles traçam o quadro vívido de toda uma geração, das ilusões pré-virada do milênio aos desencantos depois das manifestações de 2013. Gostei. Galera se firma como um dos principais nomes da literatura brasileira contemporânea.

Uma boa resenha do livro por Matheus Pichonelli, na Carta Capital.

 

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25

Jun

17

Oscuro animal: as entranhas da Colômbia

Mais um ponto alto do Florianópolis Audiovisual Mercosul (FAM), Oscuro animal, de Felipe Guerrero, foi exibido neste sábado. O filme conta a trajetória de três mulheres que são forçadas a abandonar suas casas na Colômbia devastada pelos conflitos armados e vão para Bogotá. Não é fácil de assistir – várias pessoas saíram da sala antes do final -, por causa da narrativa pouco convencional, sem diálogos, exceto em algumas situações incidentais em que as palavras não importam. Achei um pouco cansativo e me remexi na cadeira nas cenas mais demoradas que às vezes pareciam pinturas. Mas a história é bem contada e capturou meu interesse até o final. Se o que você procura é entretenimento fácil de digerir, evite. Se o seu interesse por cinema inclui diferentes formas de narrativa, o ponto de vista de personagens mulheres e temas latino-americanos, não perca.
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25

Jun

17

Corralón: cinema argentino de primeira

Recém-saído do forno, este filme teve só duas exibições em seu país de origem, a Argentina. A terceira foi nesta quinta à noite no FAM, com a presença do diretor Eduardo Pinto. Tive o prazer de confirmar a precisão do comentário do Dorva Rezende sobre a qualidade do “Jarmusch argentino”. Corralón tem ecos do já clássico Down By Law (1986), da opção pelo preto e branco à estética de paredes descascadas e ruelas escuras da periferia. Mas sua pegada é mais contundente ao expor nossos contrastes latino-americanos (não há espaço para respiradas de humor à la Roberto Benigni). O filme acompanha a história de dois amigos, trabalhadores de uma empresa de materiais de construção, que entram em conflito com um casal de burgueses arrogantes. Destaque pra trilha sonora de Axel Krygier, perfeitamente integrada à trama vertiginosa. Mais não digo, a não ser que envolve cachorros e é de tirar o fôlego. 5/5

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26

Apr

17

No bar Savoy

Meu pai costumava citar o refrão desse poema do pernambucano Pena Filho.

CHOPP
Carlos Pena Filho (1929-1960)

Na avenida Guararapes,
o Recife vai marchando.
O bairro de Santo Antonio,
tanto se foi transformando
que, agora, às cinco da tarde,
mais se assemelha a um festim,
nas mesas do Bar Savoy,
o refrão tem sido assim:
São trinta copos de chopp,
são trinta homens sentados,
trezentos desejos presos,
trinta mil sonhos frustrados.

Ah, mas se a gente pudesse
fazer o que tem vontade:
espiar o banho de uma,
a outra amar pela metade
e daquela que é mais linda
quebrar a rija vaidade.

Mas como a gente não pode
fazer o que tem vontade,
o jeito é mudar a vida
num diabólico festim.

Por isso no Bar Savoy,
o refrão é sempre assim:
São trinta copos de chopp,
são trinta homens sentados,
trezentos desejos presos,
trinta mil sonhos frustrados.

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25

Apr

17

Sugestões de livros

livros
No Dia do Livro, perguntei aos meus amigos e contatos nas redes sociais que livro eles me indicariam e por quê. Alguns sugeriram mais de um, outros não disseram o motivo. O resultado foi esta lista com mais de 50 sugestões de leitura que compartilho para sua inspiração.
  1. Agripa Alexandre – A lista dos prêmios de nobel de literatura desde 1950.
  2. Raul Ribeiro – “Estranhas Catedrais”. Ótimo para entender a histórias das empreiteiras e a participação nos governos desde a ditadura. Ou antes.
  3. Paulo Evangelista – Eu sempre recomendo dois livros: Memórias do Subsolo, do Dostoievski e O Livro dos Abraços, do Galeano. O motivo é simples: os dois, em épocas diferentes, marcaram a minha vida.
  4. Dorva Rezende – Tiger! Tiger!, do Alfred Bester, porque a ficção científica e a poesia podem te levar a grandes saltos pelo universo.
  5. Tatiana Kinoshita – Recomendo O que Jamais Dizer a uma Mulher Grávida, da Chiado Editora. Porque sou a autora. :)
  6. Janine Motta – Haiti depois do inferno, de Rodrigo Alvarez, correspondente da Globo. A união da imprensa mundial em prol da notícia me surpreendeu, mas chorei em várias páginas também.
  7. Ana Paula Lückman – “Você vai voltar pra mim”, do Bernardo Kucinski. O título não é o que parece.
  8. Nei Duclós – Terra do Fogo, de Francisco Coloane.
  9. Carlos Moura – Sangre de Mestizos. Augusto Céspedes. Lê – se achares – e depois me diz… Ou vai no Obras Completas do Murilo Rubião… Pq realidade e história são conceitos flexíveis…
  10. Gastão Cassel – O Quinteto de Buenos Aires. Manuel Vázquez Montalbán. Porque é literatura no seu modo mais essencial. Ele é um contador de histórias, precursor de vários seguidores pelo mundo no seu estilo de narração policial – Andrea Camilleri, Luiz Alfredo Garcia-Roza (para citar um brasileiro). O personagem Pepe Carvalho é impagável.
  11. Jean Mafra – “Ninguém” de Ieda Magri. Pois ela é uma autora contemporânea dona de uma ironia necessária, que nos apresenta um livro potente. Pois ela é mulher, é do interior de SC, mas também por isso não fazer a menor diferença diante do que apresenta.
  12. Ana Cadengue – Amo Saramago, mas já que é só um, lá vai: O Conto da Ilha Desconhecida. Ah, pura identificação mesmo. Me sinto sempre naquele barco. Ou naquela porta…
  13. Fábio Brüggemann – ‘não contem com o fim do livro”, uma conversa muito legal do umberto eco com o jean-claude carrière.
  14. Paulo Arenhart – Cem sonetos de amor, Pablo Neruda. Fábulas completas, Esopo. Fábulas nos fazem pensar fora da casinha! Número zero, Umberto Eco. De Umberto Eco recomendo todos! E este foi o último!
  15. Svetlana Lana – O mestre e a margarida, Mikhail Bulgakov. é misterioso, não só por coisas que acontecem lá. Já li várias vezes em russo e cada vez é diferente, você vai descobrindo algo de novo. Cada vez que tentavam gravar um filme baseado no livro aconteciam coisas misteriosas e até mesmo trágicas. É difícil para ler mesmo em russo. Então se não o conseguires, temos que parar e voltar mais tarde, até que o livro te “aceite”. já me contarás…
  16. Tadeu Meyer – O círculo, Dave Eggers. Distopia do presente, sobre a onipresença da tecnologia e a indução à exposição total. Na pior em paris e londres. Eric Blair vivendo como mendigo na década de 20, antes de virar George Orwell.
  17. Clóvis Scherer – Estou lendo e gostando de “Os versos satânicos”. Pelo tipo de literatura fantástica no contexto do islamismo.
  18. Sandra Werle – Teoria Geral do Esquecimento, de José Eduardo Agualusa. É um romance histórico, gênero que eu gosto. Fala sobre Angola e a guerra pela independência de Angola o que, para mim, é novo – não tenho muitas leituras a respeito dos outros colonizados portugueses como nós, brasileiros. Mas principalmente por Ludo. A personagem principal, sua solidão, sua condição de mulher, sua imaginação e paixão pelos livros… ela me trouxe várias identificações, sofri profundamente com ela e refleti demais sobre os “esquecimentos” aos quais somos submetidos ou impomos a nós mesmos. Já gostava de Agualusa, mas fiquei impactada com esse romance.
  19. Luiz Fernando Pereira – Reality Hunger: a manifesto, David Shields. O livro é uma coleção de tópicos do David Shields a respeito da nossa tendência cultural e comportamental recente de buscar realidade por causa do “excesso de não-realidade”, observando o que vem acontecendo na cultura geral, entretenimento, literatura, mídia e psiquismo. Mas a busca por realidade também é algo esquisito, por vezes fake e ambíguo, pois também passa a ser fabricado e encenado. O que está em jogo é sempre uma espécie de sede de realidade (daí o título). Leitura muito interessante que sinto ter a ver contigo, com o fato de você ser um jornalista aberto e investigativo, e com tua busca por visão ampla multidisciplinar sobre as coisas. David Shields é uma espécie de pensador da literatura, mas que nesse livro extrapola totalmente para a filosofia da realidade (apesar dele partir de e falar muito de arte e literatura).
  20. Rodrigo Leite – Sidarta, Hermann Hesse. É uma linda jornada de iluminação. Uma narrativa que transborda a beleza simples das coisas sábias.
  21. Delana Macedo Veras – Pollyanna menina [Eleanor Porter]. Por causa do jogo do contente.
  22. Paulo Brito Canção do Mar [Amanda Hocking], porque gostei.
  23. Sergio Giron – A guerra não tem rosto de mulher. Svetlana Alekiévitch…. depoimentos de emocionar sobre as mulheres russas na 2 grande guerra/guerra da vitória. Nobel 2015. imperdível no meu humilde conceito.
  24. Roseméri Laurindo – Analectos (Confúcio). Porque ainda há tempo e o tempo é curto.
  25. Angélica Elisa Sonaglio – A amiga genial, o primeiro da trilogia de Helena Ferrante. Porque te envolvem demais!!!
  26. Cândido Rodrigo Gomes da Silva – Viagem ao fim da noite. Pq é um livro do Céline.
  27. Camillo Veras – Getúlio, de Lira Neto. Pra quem quer conhecer a história do Brasil.
  28. Patricia Pratts – O Casamento – Nicholas Spark. Fala de um regaste da paixão/conquista, depois de mais de 20 anos de casados… Um romance maduro e muito próximo da realidade atual, em que os amores são rasos e descartáveis.
  29. Ana Paula Barreto – O Homem que amava os cachorros, do cubano Leonardo Padura. A história nos faz refletir sobre muitas das nossas “crenças” ideológicas. E nos faz ter certeza que o melhor caminho possível ainda é a democracia. :)
  30. Daniel Eduardo Guilhamet – Nunca Mas (Informe de la Comisión Nacional sobre la Desaparición de Personas).
  31. Celso Vicenzi – A Tolice da Inteligência Brasileira, de Jessé Souza. São 20 anos de pesquisas e nunca ninguém mostrou, de maneira tão clara, documentada e convincente o papel dos intelectuais brasileiros para construir uma imagem distorcida do Brasil e fazer com que o povo aceite, submisso, privilégios injustos eternizados entre nós. Depois, pra curar a “ressaca”, Poemas Escolhidos, de Mia Couto e uma poeta polonesa magnífica: Wislawa Szymborska. Livro: Poemas.
  32. Mauro Sniecikowski A montanha mágica de Thomas Mann – pq está em meu top 3.
  33. João Carlos Dalmagro Júnior “Desonra”, do J. M. Coetzee, porque soube, como poucos e com uma linguagem envolvente, explorar a descrença na humanidade de forma absolutamente contemporânea.
  34. Cassiano Fagundes – Cidade em Chamas, Garth Risk Hallberg.
  35. Cecilia Revisartese – “Se questo è un uomo” (Primo Levi), porque vivi no campo de concentração com ele, levada pelos detalhes, de um modo que foi muito especial, para mim. “Tempo entre costuras” (María Dueñas), pela ideia de como fazer a costureira virar espiã. “Um homem chamado Ove” (Fredrik Backman), porque me diverti. “O 11o mandamento” (Abraham Verghese), porque não queria que o livro terminasse.
  36. Antonio Rocha – The book of Joy with Dalai Lama and Desmond Tutu. It makes you and the world feel good.
  37. Mario Rocha – Deserto dos Tártaros, do Dino Buzzati. Li há muitos anos e considero um livro obrigatório, entre muitos, tantos outros.
  38. Sergio Farias Homens imprudentemente poéticos de Valter Hugo Mãe. Uma ode à língua portuguesa.
  39. Raquel Eltermann Cinco grandes reportagens que têm em comum o fato de retratarem fatos históricos e locais altamente estigmatizados da Europa no século XX. Guernica, Chernobil, Transilvânia, Lourdes e Auschwitz são os cenários; e a proposta do jornalista catalão Álvaro Colomer é refletir como se vive atualmente nessas paragens do Velho Continente marcadas por feridas que chocaram e refletem ainda hoje no mundo (não só) Ocidental . “Guardianes de la memória – Recorriendo las cicatrizes de la Vieja Europa” (Ed. Martínez Roca, Madrid, 2008; 255 págs). :)
  40. Carlos Tonet – 100 Anos de Solidão. Porque foi a melhor coisa que já li.
  41. Henrique Finco – Arrisco indicar o “É isto um homem?”, do Primo Levi – e também o “A Trégua”, do mesmo autor. Para completar, o “A guerra não tem rosto de mulher”, da Svetlana Aleksievitcht. No primeiro, Primo Levi descreve sua sensação de não mais pertencer à Humanidade quando estava preso em Auschwitz; no segundo, seu retorno para casa após ser libertado pelo Exército Vermelho. O Svetlana tem os depoimentos de algumas das mais de um milhão de mulheres que serviram no Exército Vermelho durante a segunda guerra mundial. O que os três têm em comum é a denúncia do fascismo, o que me parece fundamental nos dias que correm. Abraço.
  42. Dagomir Marquezi – 50 Pilotos: A Arte de se Iniciar uma Série.
  43. Ivi Brasil – Ensaio sobre a lucidez, José Saramago. A população que foi acometida anos antes pela cegueira branca decide nao votar naa eleições, levando a democracia ocidental à bancarrota. O estado cerca a cidade mas nem assim os eleitores votam…
  44. Ivana Medeiros Zoccoli – Pais Inteligentes Formam Sucessores, Não Herdeiros. Autor: Augusto Cury. Porque nos faz refletir sobre a maneira como estamos criando nossos filhos e escrito com muito clareza e envolve muito amor.
  45. Marcello Castro – O tabuleiro de damas – Trajetória do menino ao homem feito, de Fernando Sabino. Memórias. Se ainda não leu, corra! “Morrer tem pelo menos três vantagens: não precisa mais ir ao dentista, declarar imposto de renda e cortar unha do pé.” (Hélio Pelegrino, citado por Fernando Sabino em “O tabuleiro de damas, p. 53)
  46. Shirley Bilro – Uma nova tradução de Satyricom que nos leva ao inusitado banquete de Trimalquião…
  47. Roberto Solino – recomendo “obras completas (y otros cuentos)”, de augusto monterroso, infelizmente sem tradução para o português. é um livro curto mas com verdadeiras obras primas, inclusive o seu conto mais famoso, o micro “el dinosaurio”. um dos contos que gosto mais (literatura sobre literatura) é “leopoldo (sus obras)”.
  48. GR – O livro que me mudou para sempre: O IDIOTA, Fiódor Dostoiévski.
  49. Joenilson – O Estrangeiro Albert Camus. Esse é fantástico.
  50. Josimey Costa – Quase conto.
  51. Laura Tuyama – O Amor de uma Boa Mulher (2013), Alice Munro. Indico pela força da narrativa curta. Em poucas palavras ela consegue te apresentar personagens complexos e situações perturbadoras.
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