16

Apr

14

As eleições e as energias renováveis

Entrevistei por telefone o físico Heitor Scalambrini Costa, professor do Departamento de Engenharia Elétrica da UFPE. Ele é especialista em energias renováveis e ativista por uma nova política energética no Brasil. Nesse trechinho da nossa longa conversa, ele compartilha suas impressões sobre a corrida presidencial:

“Do ponto de vista das energias alternativas, o cenário eleitoral é triste. A Marina fez uma aliança pragmática com um candidato que defende a energia nuclear. Nesses sete anos de governo Eduardo Campos em Pernambuco, vimos um modelo predador. Nunca se desmatou tanto. Aécio é um candidato amorfo. O governo Dilma não tem princípios nessa área, ela é movida essencialmente pelos interesses de poder. Um exemplo: ela recebeu pressão e abriu a possibilidade para leilões de usinas de carvão mineral, uma das fontes mais poluidoras que existem. O Plano Decenal de Energia 2013-2022 prevê somente 1.400 megawatts de geração fotovoltaica – isso é irrisório e inibe o mercado. O Brasil hoje corre o risco de perder a corrida do ouro pela energia solar, por falta de uma política industrial para o setor. As mudanças vão depender de pressão social”.

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26

Feb

14

Por uma vida mais off-line

Crédito da imagem: Tim Barber. Fonte: Don't Touch My MoleskineExcelente entrevista de Dani Arrais com David Baker, professor na School of Life e ex-editor da versão inglesa da Wired. Ele vive uma descoberta existencial semelhante à minha, embora em ritmos e contextos diferentes. Na pauta, o excesso de informação proporcionado pela internet, o desafio de viver a solidão (“solitude” em oposição a “loneliness”) de forma significativa e criativa, o trabalho como algo prazeroso e não escravizante, o contato face a face com as pessoas, enfim, a vida simples de quem aprendeu a valorizar as delícias do mundo analógico. ~ via Laura Tuyama e Ligia Moreiras Sena.

Trecho:

- Como você organiza sua rotina para dar conta de fazer tudo?

Acredito muito que devemos trabalhar o mínimo possível, da maneira mais esperta que der. Acho que somos capazes de coisas maravilhosas, mas, especialmente no trabalho, fazemos com que ele dure muito mais. É o sistema. Nós pagamos as pessoas por hora, dia, mês. Elas não são encorajadas a trabalhar com rapidez, mas sim devagar. Eu trabalho pra mim. Se alguém me pede pra fazer uma coisa, é uma vantagem se eu fizer rapidamente. Quanto mais espaço você tem na sua vida, mais coisas boas acontecem. Eu tomei uma decisão há alguns anos de trabalhar menos, ganhar menos e gastar menos. Vivo confortavelmente, não sou um milionário. Entre os meus amigos, provavelmente, sou o que ganha menos, mas sou o que tem mais tempo. E pra mim essa troca foi bonita. Como resultado, quando trabalho, faço isso de maneira esperta e satisfatória para mim e para as outras pessoas.

Em casa, meu ritmo. Descobri recentemente que gosto de acodar cedo. Vou para cama às 22h30, acordo às 7h. Sou inglês, preparo um chá, levo meu laptop pra cama, passo umas duas horas, faço o primeiro turno de emails. Escrevo alguma coisa. Está tudo calmo lá fora, não tem ninguém por perto. Como resultado, a maioria das coisas que preciso fazer estão acabadas às 9h. Gosto de, todo dia, estar em um lugar analógico. Gosto de nadar em água fria num lugar aberto. Pego minha bicicleta. Tem água, floresta, pássaros, é o oposto da internet, é analógico. E gosto de passar tempo nesse mundo. Quando volto, faço o segundo turno de emails e o dia chega ao fim. Em escritórios nós perdemos tempo. Não precisamos ser escravos. Especialmente pessoas que todos os dias ficam até tarde no trabalho. Eu não acredito que elas tenham tanto para fazer todos os dias.

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14

Feb

14

Arenas de criação coletiva

Uma iniciativa inovadora de planejamento urbano participativo vem sendo desenvolvida desde outubro de 2012 em 15 cidades europeias. O movimento Cidades Inteligentes e Humanas foca no protagonismo cidadão em “arenas” – espaços onde as pessoas podem compartilhar ideias e co-criar soluções comunitárias. Com projetos de baixo custo e parcerias criativas na captação de recursos, as prefeituras têm economizado até 60% na prestação de serviços. Para os gestores municipais, esse modelo traz o desafio de transformar a estrutura pública tradicional, colocando-a como parceira dos munícipes na definição do futuro das cidades.

A metodologia foi criada pelo projeto Periphèria, consórcio liderado pela empresa portuguesa Alfamicro com 12 instituições de cinco países-membros da União Europeia. Em maio [de 2013], o Periphèria publicou um “livro de receitas” (Human Smart Cities – The Cookbook), que traz orientações para fazer uma cidade inteligente e humana. A proposta é começar com soluções simples para necessidades concretas e depois replicá-las, considerando as realidades específicas de cada lugar. Entre os ingredientes em comum das iniciativas bem sucedidas estão as alianças sociais, o uso da internet como plataforma e o trabalho colaborativo em um contexto de orçamentos públicos apertados.

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14

Feb

14

A vez das cidades inteligentes e humanas

Álvaro Oliveira, coordenador da Rede de Cidades Inteligentes e Humanas

O engenheiro português Álvaro de Oliveira, professor da Universidade de Aalto, em Helsinque (Finlândia), conta nesta entrevista como a metodologia de criação de Cidades Inteligentes e Humanas pode ser um instrumento valioso para promoção do desenvolvimento sustentável, ao incluir as comunidades no processo de co-design e co-criação de soluções. O experimento está ocorrendo em várias cidades europeias. Conversamos em junho de 2013 e o texto era destinado a um suplemento especial do Valor Econômico, mas não foi publicado por falta de espaço. De qualquer forma, o assunto continua na ordem do dia.

Como surgiu a Rede de Cidades Inteligentes?

Álvaro de Oliveira – A Europa tem feito um grande investimento na pesquisa das tecnologias que são a base da infraestrutura inteligente das cidades do futuro. Essa Rede engloba atualmente cerca de 70 cidades. Minha empresa, Alfamicro, e a Universidade de Helsinque estão ou estiveram envolvidas em 27 destas cidades, em 17 países. Trata-se de infraestruturas abertas de comunicação e sensorização que podem crescer organicamente num ambiente inovador. Desenvolvi um modelo de Urban Living Lab (Laboratório Vivo Urbano) com base na experiência adquirida na Rede Europeia de Living Labs (EnoLL na sigla em inglês), na qual tenho estado fortemente envolvido desde  sua fundação em 2006. Ao todo são 320 Living Labs com 25 mil organizações participantes. Eles permitem que a cidade se afirme como um ecossistema de inovação onde se identificam as necessidades, desejos e interesses dos cidadãos, empresas, centros de pesquisa e autoridades públicas. Em 2010 lancei a Rede de Cidades Inteligentes Conectadas, cujo núcleo inicial incluía Amsterdã, Manchester, Lisboa, Barcelona e Helsinque. A rede estabelece um mecanismo de colaboração e troca experiências sobre mobilidade sustentável, mudanças climáticas, segurança energética, envelhecimento da população, vida saudável… (…)

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01

Jan

14

DVeras Awards 2013: séries de TV

Dezembro passou voando e já chegamos a 2014, mas ainda temos DVeras Awards. Não sou muito de ver séries de TV, mas em 2013 tive a oportunidade de acompanhar algumas de alto nível. Seus roteiros, casting e fotografia nada deixam a dever às boas produções cinematográficas. Gostei destas em especial:

4) Lilyhammer é uma divertida produção ficcional norueguesa sobre um mafioso de Nova York – interpretado pelo ator e músico Steven Van Zandt – que delata um chefão e se refugia nessa pequena cidade nórdica. A primeira temporada da série estreou em 2012 e foi vista por quase um milhão de pessoas na Noruega, um quinto da população do país. Depois de uma pausa para Van Zandt participar da turnê de Bruce Springsteen, foi gravada a segunda temporada e a terceira deve começar a ser produzida este mês. Lylehammer é a primeira série original da Nefflix, empresa americana de TV por internet. Ponto alto: as estranhezas do choque entre culturas bem distintas.

3) The Newsroom é uma série da HBO que mostra os bastidores de uma emissora noticiosa de TV a cabo. Gostei do ritmo rápido, com diálogos mordazes e inteligentes, e da representação mais ou menos fiel do estresse do jornalismo diário, com dilemas que precisam ser resolvidos de imediato e quase sempre são esquecidos no dia seguinte (a “cachaça” do jornalismo). Os episódios enfocam temas de relevância nacional (deles, americanos) e internacional, além das questões profissionais e pessoais dos jornalistas e empresários da comunicação – namoros, puxadas de tapete, alianças, chantagens, traições. Jane Fonda faz uma ponta como dona do canal.

2) House of Cards conta a história de um ambicioso congressista americano que, junto com sua mulher, faz manobras políticas escusas para passar a perna nos desafetos e conquistar o poder. Kevin Spacey está em excelente forma, destilando cinismo por todos os poros. Há uma personagem coadjuvante que vale a menção: uma jornalista que dá tudo de si pra conquistar a fonte privilegiada no Congresso e ascender na carreira. Produzida pela Netflix, House of Cards é uma adaptação de um romance homônimo e de uma série britânica.

E o campeão incontestável do ano nesta categoria é…

1) Breaking Bad. Essa história sobre um professor de química que se descobre com câncer e decide fabricar metanfetamina tem sido referida como a melhor série de TV de todos os tempos. E não sou eu quem vai dizer o contrário. Assisti do início ao fim e tiro o chapéu pro argumento, pro roteiro, pra “química” entre os atores, pra trilha sonora e pra fotografia de alta qualidade. Breaking Bad foi criada e produzida por Vince Gilligan para o canal americano AMC. Cada episódio é uma pequena obra-prima bem encadeada nos demais. Aqui e ali há algumas forçadas de barra na verossimilhança, mas a competência com que o público vai sendo conquistado ao longo da narrativa faz esses escorregões se tornarem irrelevantes. A trajetória do pacato Walter White até se transformar no temível Heisenberg fisga o espectador como os melhores folhetins vêm fazendo ao longo dos séculos (curiosidade: em Portugal a série foi traduzida como Ruptura Total). Bryan Cranston, que interpreta o protagonista, já amealhou vários prêmios. Talvez o mais expressivo tenha sido informal: uma carta enviada por Anthony Hopkins, elogiando seu trabalho e dizendo que Cranston é o melhor ator que já conheceu. Desde já, um clássico que trouxe vida inteligente às telas.

Em tempo: se você ainda não viu ou está começando a ver Breaking Bad, uma dica é acompanhar também o podcast That is Veggie Bacon, gravado por um grupo de amigos brasileiros ao longo da série pra comentar os episódios que acabaram de assistir. Muito bom.

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08

Dec

13

DVeras Awards 2013: filmes

Em 2013, vi poucos e bons filmes. Ranqueá-los é sempre um desafio. O Grande Gatsby faz justiça ao romance de Fitzgerald – e espero que leve muitos espectadores a ler o livro. Django Livre trouxe Tarantino em boa forma, mesmo que suas reiteradas homenagens e autorreferências tenham me dado a sensação de déjà vu. Gostei de A hora mais escura. Os clichês de uma história que supervaloriza o papel herói (no caso, heroína) não conseguiram estragar as partes boas, como a abordagem das torturas de prisioneiros pela CIA. O voo é bem contado e visualmente bem feito, mas escorrega pra fórmula “julgamento” e “redenção”. Bom, vamos aos finalistas. Eu veria os três novamente com o maior prazer.

3. Gravidade. História tecnicamente bem realizada sobre superação e desapego. E mais, uma aventura envolvente, de tirar o fôlego. De todos os filmes em 3D que vi até hoje, é o que melhor emprega essa tecnologia a serviço da narrativa. Conquistou seu lugar entre os clássicos sci-fi.

2. O som ao redor. Cinema de primeira qualidade, vai representar o Brasil muito bem por onde passar. Os ecos de Casa Grande e Senzala no cenário urbano recifense do século 21 fazem da obra de Kleber Mendonça Filho uma fruição preciosa. Filme fundamental pra quem quer compreender melhor o nosso país.

E o escolhido do ano é…

1. As vantagens de ser invisível. Vi numa tarde qualquer de domingo, sem grandes expectativas. E à medida que a história avançava, fiquei encantado com esse filme, que é muito mais que uma “história de adolescente americano de classe média e seus ritos de passagem para a idade adulta”. Emma Watson está soberba e o restante do elenco não deixa nada a dever. A trilha sonora é uma viagem no tempo e o roteiro foi lapidado com sensibilidade. Mais não digo, pra não estragar o prazer da sua descoberta.

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01

Dec

13

DVeras Awards 2013: livros

Chegou mais um dezembro. O blog mantém a tradição e apresenta a lista de queridinhos do ano em várias categorias. Pra quem toma contato com o DVeras Awards pela primeira vez, segue um resumo dos critérios, pelo que me lembro:

  • O único responsável pelas escolhas sou eu mesmo, ditador benevolente deste blog.
  • Em caso de empate, é utilizado o método científico do arremesso de moeda para o alto.
  • O prêmio aos contemplados é a visibilidade entre meus 17 leitores, todos formadores de opinião.
Vamos à primeira categoria: livros. Em 2013, encarei 22 livros e estou avançando em outros sete – mais que no ano anterior, menos do que eu gostaria. Nesta conta, não incluo dezenas de leituras transversais relacionadas a pesquisas de trabalho. A grande novidade do ano é o suporte tecnológico. Rendi-me ao e-book e tenho convivido com muitos livros no tablet Samsung Galaxy de sete polegadas – um formato confortável pra ler na rede, no ônibus ou numa casinha de sapê. Sem mais delongas, a lista dos contemplados é esta:
3. Vida de escritor (Gay Talese). É uma combinação de autobiografia com algumas histórias levantadas por ele que terminaram não sendo publicadas. Ou por rejeição do editor, ou porque Talese não sabia o caminho a tomar e decidiu abandonar o projeto. Ele tem fascínio por personagens anônimos e pelos que fracassam. Um resumo do posfácio de Mário Sérgio Conti: “Vida de escritor traz precisamente o que o título enuncia: um relato do calvário. … O livro não tem nada de condescendente nem conformista. Os seus assuntos são o trabalho e o fracasso. … Ao mostrar as frustrações do relato de apurar e relatar, Talese desmistifica o jornalismo”.
2. Norwegian Wood (Haruki Murakami). Uma das minhas melhores descobertas de 2013. Murakami consegue fazer uma ponte entre a cultura japonesa e a ocidental em um romance que flui como água, sem truques rebuscados de estilo. Depois do livro, vi o filme (de Tran Anh Hung) e também curti muito. Em seguida devorei a distopia 1Q84, em três volumes, e comecei Minha querida Sputnik. Uma boa síntese da narrativa de Norwegian Wood, na Wikipedia:
“No agitado Japão dos anos 60 o jovem Toru Watanabe mistura uma existência sem perspectivas às primeiras questões filosóficas e afetivas ao se envolver com a namorada de seu melhor amigo recém falecido, [com] uma estudante de ideias libertárias e [com] uma mulher mais velha. Repleto de referências pop com citações aos Beatles, Bill Evans, Miles Davis, literatura norte-americana, cinema e cultura europeia, o romance de Murakami cria um delicado – e por vezes cruel – retrato da geração que passou quebrando tabus nos anos 60 e 70 e viu todo um sonho ruim [sic; ruir, né?] nas décadas seguintes.”
E o vencedor do DVeras Awards 2013 é…
1. O sentido de um fim, de Julian Barnes. Ainda estou sob impacto desse livrinho de 160 páginas, vencedor do Man Booker Prize de 2011. As armadilhas da memória são o pano de fundo do romance. Tony Webster, um pacato sexagenário inglês, recorda os tempos de adolescência e juventude, tentando reconstituir retalhos da passagem pela escola, do relacionamento com os três amigos mais chegados, das suas primeiras experiências com mulheres. Um desencanto afetivo o acompanha e ele tenta compreender o que ocorreu, pra seguir em frente. “O que você acaba lembrando nem sempre é a mesma coisa que viu”, é uma de suas frases, mencionada na resenha da editora Rocco, que o publica no Brasil.
Este é o segundo livro de Barnes que leio – em 2001, li Do outro lado da Mancha, uma deliciosa coletânea de histórias sobre britânicos que foram viver na França. Assim como o texto do japa Murakami, o de Barnes flui sem pirotecnias, conduzindo o leitor como se cada frase fosse ligada à outra por fios invisíveis. Ao longo da leitura de O sentido de um fim, anotei trechos como estes:
“Mas o tempo… como o tempo primeiro nos prende e depois nos confunde. Nós achamos que estávamos sendo maduros quando só estávamos sendo prudentes. Nós imaginamos que estávamos sendo responsáveis, mas estávamos sendo apenas covardes. O que chamamos de realismo era apenas uma forma de evitar as coisas em vez de encará-las. O tempo… nos dá tempo suficiente para que nossas decisões mais fundamentadas pareçam hesitações, nossas certezas, meros caprichos.”
~
“Eu sem dúvida acredito que todos nós sofremos traumas, de um jeito ou de outro. Como não sofreríamos, a não ser num mundo com pais, irmãos, vizinhos e amigos perfeitos? E há também a questão, da qual tanta coisa depende, de como nós reagimos ao trauma: se o admitimos ou reprimimos, e como ele afeta a nossa forma de lidar com os outros. Alguns admitem o trauma e tentam atenuá-lo; alguns passam a vida tentando ajudar outras pessoas que foram traumatizadas; e há aqueles cuja principal preocupação é evitar sofrer mais traumas, a qualquer custo. E estes é que são cruéis, é deles que temos que nos precaver”.
~
“Naquela época, nos imaginávamos presos numa espécie de gaiola, esperando para sermos soltos na vida. E quando esse momento chegasse, as nossas vidas – e o próprio tempo – iriam se acelerar. Como poderíamos saber que nossas vidas já tinham começado, que algum benefício já havia sido obtido, algum dano já havia sido causado? E, também, que seríamos soltos numa gaiola apenas maior, cujas fronteiras a princípio seriam imperceptíveis.”

 

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24

Sep

13

O som ao redor

Vi e gostei demais de “O som ao redor”. Uma crônica urbana sutil sobre o Brasil “Casa Grande e Senzala” do século 21, que se passa num bairro de classe média do Recife. Nasci e passei parte da infância na capital pernambucana, então o filme me despertou vários flashbacks e identificações (mas não é preciso ser nordestino pra ter a mesma impressão, acho). Longe de ser um panfleto, é um retrato do encontro do velho com o novo. Das relações sociais que parecem mudar, mas continuam as mesmas, e das que tinham tudo pra não mudar, mas evoluem. Pra quem ainda não viu, esta observação do José Geraldo Couto pode evitar frustração de expectativas: “Depois de tanto aplauso e elogio, muitos espectadores talvez entrem no cinema esperando ver algo espetaculoso (como foram Cidade de Deus e Tropa de elite, por exemplo). E a qualidade maior de O som ao redor é, justamente, a sutileza, o subtom, a entrelinha”.

 

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06

Aug

13

Elas estão chegando

Quase três meses sem publicar no blog. Então, pros historiadores do futuro, um resumo dos acontecimentos vistos daqui:

Revolta do Vinagre se espalha pelo país e pelo mundo. Não é só pelos vinte centavos. Alguma coisa diferente aconteceu. E todos ainda estão tentando entender o que é.

De baderneiros a heróis nacionais, os manifestantes ganharam cobertura esquizofrênica da grande mídia.

As redes sociais bombaram.

Caco Barcellos foi hostilizado pela multidão ignara.

Brasil ganhou da Espanha na Copa das Confederações, evento em que a polícia militar ensaiou o seu modus operandi para a Copa 2014. A seleção canarinha se apresentou com arte que não se via há tempo. Mas é bom nem elogiar demais.

Neve assim não caía há décadas. Em Santa Catarina, cem cidades. Nevou até no Cambirela, em Palhoça, a 20 km de Florianópolis. Há quem queira rebatizar o município para Barilhoça. E incluir o Abominável Homem das Neves no folclórico Boi-de-Mamão.
A tainha foi fraca.
As baleias estão chegando.
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16

May

13

Carreiras que vão de vento em popa

Ronaldo Custódio, da Eletrosul, é autodidata e referência em energia eólica. Foto de Eduardo Marques/Tempo Editorial/Valor
Ronaldo Custódio, da Eletrosul

Os ventos favoráveis à energia eólica no Brasil estão criando uma forte demanda por executivos e abrindo novas oportunidades. Essa fonte de energia renovável já é a segunda mais competitiva no país, atrás apenas da hidrelétrica. Em 2012, a capacidade instalada nacional alcançou 2,5 gigawatts (GW), um crescimento de 73% em relação a 2011. Hoje existem 115 parques geradores operando e 231 em processo de construção, que, somados, representarão 8,8 GW em 2017. As regiões Nordeste e Sul concentram o maior volume de negócios. Atualmente, a energia eólica representa apenas 2% da nossa matriz elétrica, mas essa participação está crescendo com rapidez e deve chegar a 5,5% em 2017, segundo a Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica). Isso fará o Brasil saltar da 16ª para a 7ª ou 8ª posição no ranking internacional, com reflexos positivos no mercado de trabalho para profissionais especializados.

Leia a reportagem que publiquei sobre o assunto no jornal Valor Econômico.

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