01

Mar

15

Impressões sobre Birdman

birdman

Vi Birdman ontem. Tecnicamente bem realizado, repleto de metalinguagem, referências e homenagens, roteiro bem escrito, excelentes atuações, Edward Norton e a diva Naomi Watts roubando a cena. Com tudo isso, não conquistou meu coração cinéfilo. A impressão que me deu foi a de uma overdose de recursos pra impressionar, como aqueles gifs animados dos primeiros tempos da web. O plano-sequência, interessante até os 15 minutos, começou a me cansar depois de meia hora e já tava insuportável perto do final.

Birdman não é propriamente um filme “ruim”. Tem cenas excelentes (como a do baterista, p.ex., uma autorreferência à trilha que constrói o clima, e a da briga-diálogo entre os personagens de Keaton e Norton). Mas tá mais pra lição de anatomia cinematográfica que espetáculo encantador. Bom filme pra estudar repertórios de possibilidades narrativas, mas também pra ensinar sobre os riscos de carregar nas tintas.

Peguei emprestada a foto desta ótima resenha do Zé Geraldo Couto no blog do IMS.

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25

Feb

15

Algumas impressões sobre Boyhood

Demorei um pouco pra comentar Boyhood porque estava esperando o filme “assentar” na cabeça. Vi faz uma semana e os flashes da história estão voltando de mansinho. Identificações, empatias, reconhecimento de sutilezas.

Boyhood foge dos cânones hollywoodianos de roteiro clássico. Coisas como clímax e anticlímax não têm importância alguma na história. Alguns acharam chato, eu gostei muito da sensação um tanto voyeurística de seguir a evolução dos personagens – não só o menino – numa trajetória cotidiana sem pirotecnias dramatúrgicas.

Momentos se somando ao longo dos dias e anos, fazendo sentido pelo seu conjunto de banalidades e solavancos da vida sem sentido – mas repleta de reflexões sobre isso mesmo, ao contrário de banalidades rasas e solavancos grosseiros do Big Brother.

A sensação de ser um outsider, de não se encaixar no esquema, é um tema recorrente nos filmes de Richard Linklater que acompanha o protagonista ao longo da história. Mas o menino-adolescente consegue, de um jeito ou outro, viver com isso. Me enxerguei nele.

A produção com os mesmos atores ao longo de 12 anos é muito adequada à história que o diretor contou. Carpintaria narrativa sofisticadíssima em um filme aparentemente despretensioso. Boyhood vai ser lembrado por muito tempo. Por mim, pelo menos.

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24

Feb

15

Brunitezas: perguntas e respostas

Bruno fazendo o dever de casa, doido pra ir brincar:
- Por que eles me fazem a pergunta se já sabem a resposta?
‪#‎brunitezas‬ ‪#‎aos8‬

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20

Feb

15

The City of Your Final Destination

Vi ontem The City of Your Final Destination (James Ivory, 2009). Quase passei batido por ele no Netflix, por causa do título bobo em português (Em busca do amor, ou algo parecido). Mas a presença de Anthony Hopkins e Charlotte Gainsbourg no elenco, a trilha de Jorge Drexler e a ambientação no interior do Uruguai me chamaram a atenção. Muito bom! A história acompanha Omar, um tímido estudante americano de pós-graduação que quer escrever a biografia de um escritor já falecido. Seu desafio é convencer os herdeiros – a viúva, a amante e o irmão, que vivem na mesma propriedade rural – a autorizar a obra. Não chega a ser daqueles filmes inesquecíveis, mas é muito bem construído, com personagens marcantes – incluindo a namorada controladora de Omar e a lembrança do escritor Jules Gund, idolatrado pelas mulheres. Recomendo.

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10

Feb

15

DVeras Awards 2014: livros

No fim do ano passado, por causa das correrias de trabalho e viagens, deixei de publicar o DVeras Awards como de costume. Aí vai a categoria Livros, com algumas considerações preliminares.

  • DVeras Awards é uma brincadeira com listas, baseada nas minhas preferências e simpatias.
  • Os “concorrentes” na categoria Livros estão na lista dos lidos em 2014, incompleta por lapsos de memória, omissões de releituras e razões profissionais.
  • O prêmio aos vencedores do ano é a eterna gratidão deste leitor.
  • O resultado é irrecorrível, a menos que a comissão julgadora – eu mesmo – mude de ideia.
  • Milton Santos é hors concours, porque o DVeras Awards se limita à ficção e ao jornalismo.
  • Rubem Fonseca também é hors concours, pelo conjunto da obra. Amálgama, ganhador do Jabuti 2014, é um dos destaques do ano.
  • Sua própria lista comentada dos 3+, ou quantos quiser, é muito bem-vinda.

Dito isto, vamos aos selecionados.

Em dezembro, li duas obras com qualidade acima da média, saídas das entranhas de seus autores: Zero zero zero, do jornalista italiano Roberto Saviano, corajosa radiografia dos cartéis internacionais da cocaína; e O irmão alemão, de Chico Buarque, viagem ficcional a uma curiosa história familiar, a partir de revelações da biblioteca do pai dele. O primeiro se destaca pelo excelente trabalho investigativo, nada fácil na sua condição de jurado de morte por causa de Gomorra. O segundo, pela inventividade e humor refinado. Empataram em terceiro lugar.

Em abril, tive o prazer de descobrir a talentosa contista canadense Alice Munro, ganhadora do Nobel de Literatura. O amor de uma boa mulher contém carpintaria literária de primeira, com histórias cotidianas que mergulham na alma das protagonistas. Quero mais Alice. Segundo lugar, e teria atributos para, tranquilamente, ser o primeiro, mas concedo o título a uma pequena joia na qual esbarrei em agosto. O DVeras Awards 2014 na categoria Livros vai para…

Vinte contos de Truman Capote. O autor de A sangue frio, clássico do new journalism, tinha domínio vigoroso da técnica e da arte de contar histórias ficcionais – dizem que foi perdendo a mão no fim da carreira, mas deixo esse debate pros especialistas. São narrativas também situadas no contexto de banalidades do dia a dia, em que as emoções e contradições humanas afloram sem pieguismo, com timing preciso. Gostei demais de Um Natal, conto inspirado na infância do escritor e belíssima declaração de amor.

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09

Feb

15

Céu

Dia 3, mais 3 fotos.

Rayuela

Rayuela

 

Fauna do Verão

Fauna do Verão

 

Morro da Antena, Jaraguá do Sul, SC

Morro da Antena, Jaraguá do Sul, SC

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08

Feb

15

Lendo: Meus desacontecimentos

“Desde pequena eu tenho muita raiva – e quase nenhuma resignação. A reportagem me deu a chance de causar incêndios sem fogo e espernear contra as injustiças do mundo sem ir para a cadeia. Escrevo para não morrer, mas escrevo também para não matar.

Ouvi de alguns chefes que a indignação faz mal para o exercício do jornalismo, que bom jornalista não tem causa. Discordo. Indignação só não faz bem para quem tem como única causa a do patrão.”
(…)
“Meu pai pouco falava comigo pela boca, mas dizia muito com os olhos. Nas andanças pelo Brasil que, muito mais tarde, eu faria como repórter, escutei de homens e mulheres das mais variadas geografias uma expressão que revela a finura da linguagem do povo brasileiro: “Sou cego das letras”. Era como expressavam, em voz sentida, sua condição de analfabeto. Luzia, com esse nome tão profético, arrancou meu pai da cegueira das letras. E, com ele, todas as gerações que vieram depois. E as que ainda virão. Era isso que,ano após ano, ele agradecia à beira do túmulo de Luzia. E eu escutava, com os olhos”.

~

Eliane Brum, uma das melhores repórteres do Brasil e escritora talentosa, em “Meus desacontecimentos – a história da minha vida com as palavras”

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06

Feb

15

“A vida é muito curta pra beber cerveja ruim”

Emerson Bernardes - Das Bier

Emerson Bernardes da Das Bier.

Reportagem que publiquei no Valor Econômico em 30 de janeiro.
~
“A vida é muito curta para beber cerveja ruim”, filosofa o cartaz na Cervejaria Sambaqui, localizada no centrinho histórico do bairro Santo Antônio de Lisboa, na capital catarinense. A frase bem-humorada resume uma motivação que tem levado milhares de brasileiros a fabricar a bebida em escala artesanal – em casa, para consumo próprio e dos amigos, ou em microcervejarias, para abastecer o mercado com variedades especiais da bebida alcoólica mais popular do mundo. São Paulo, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Santa Catarina, Paraná e Rio de Janeiro lideram o número de empreendimentos. Nos últimos dez anos, as microcervejarias e a cultura da homebrewing ganharam força no Brasil, graças à internet e à importação de tecnologia dos Estados Unidos, país de longa tradição na área, onde existem 3,2 mil microcervejarias. As brasileiras já são cerca de 200 conforme o governo, 300 segundo o mercado, e estima-se que cheguem a 700 até 2024. Em Santa Catarina, esse renascimento é reforçado pelas tradições dos descendentes de imigrantes alemães. A sinergia com o turismo das festas típicas tem estimulado a atividade. (…)

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03

Feb

15

Três fotos p&b

No segundo dia da corrente fotográfica, três fotos em preto e branco.

Ilha do Campeche vista da restinga da praia do Campeche. Florianópolis, 2012.

Ilha do Campeche vista da restinga da praia do Campeche. Florianópolis, 2012.

 

Crianças brincando na foz de um rio no Lago Corrrentoso. Villa la Angostura, Argentina, , dezembro de 2012.

Crianças brincando na foz de um rio no Lago Corrrentoso. Villa la Angostura, Argentina, dezembro de 2012.

Amanda nas dunas.  Campeche, Floripa, dezembro de 2008.

Amanda nas dunas. Campeche, Floripa, dezembro de 2008.

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01

Feb

15

Cores e rostos peruanos

A corrente no Facebook é assim: publicar três fotos por dia, durante cinco dias. A convite da Fabiana Shizue, vou publicar as minhas lá e aqui. Começo com estas de cores e rostos peruanos, clicados em dezembro de 2014 em Cusco e arredores.

Estudantes em Cusco

Estudantes em Cusco

Dança típica em procissão de Natal - Pisac

Dança em procissão de Natal – Pisac

Mulheres comendo em manifestação de protesto

Mulheres comendo em manifestação política

 

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