28
Nov09
Fosfateira de SC na mídia norueguesa
Santa Catarina foi objeto de reportagem do jornalista Erik Hagen, da ong Norwatch – organização que monitora as atividades das corporações norueguesas pelo mundo -, exibida ontem na tevê nacional da Noruega. A Bunge (americana) e Yara (norueguesa), com apoio do governo do estado de SC, planejam construir uma mina de fosfato que pode detonar a Mata Atlântica em Anitápolis, a 100km de Floripa. O projeto ameaça animais em risco de extinção, mananciais e a segurança da população da região. É tão temerário que foi congelado em liminar concedida pela Justiça Federal e confirmada pelo Tribunal Regional Federal da 4a. Região. As empresas recorreram.
Uma versão escrita da reportagem está no site da Norwatch. O bicho vai pegar no país escandinavo, pois a Yara, por ser parcialmente estatal, é de grande interesse público. E o governo norueguês fica de saia justa, pois no ano passado anunciou a doação de um bilhão de dólares até 2015 para um fundo de conservação da Amazônia. Imagino – talvez esteja sendo otimista em excesso? – que a pressão dos contribuintes vai terminar levando a Yara a rever seu projeto predatório. Quanto à Bunge, até agora, repercussão zero nos Estados Unidos. Alguém aí chama o Michael Moore?
p.s.: Dica pra ler reportagem em norueguês, em tradução automática imperfeita, mas aceitável: abrir o http://translate.google.com e colar no formulário o endereço do site. O resultado está aqui. Dá pra fazer o mesmo com as duas outras partes do texto (1 e 2).
21
Oct09
Paisagem Especulada
Domingo estarei lá.
Convite para evento cultural Paisagem Especulada, Pântano do SulCHAMADA GERAL PARA UM DIA INESQUECÍVEL NA BEIRA DO MAR, NA PRAIA DO PÂNTANO DO SULFlorianópolis, 20 de outubro de 2009.Caros amigos e interessados!Convido-os a participar do evento Paisagem Especulada que acontecerá no dia 25 de outubro de 2009, às 10h, na praia do Pântano do Sul, sul da Ilha de Santa Catarina.Vamos nos reunir para escrever na areia as palavras “PAISAGEM ESPECULADA”, num esforço conjunto para uma bela vista aérea de nossa obra. Para isso vamos precisar de muitas pessoas bem dispostas, equipadas com pás de todos os tamanhos e formas, enxadas, ancinhos, baldes e latas, enfim qualquer ferramenta boa para cavar os traços das letras na areia.A escolha deste local foi baseada na tensão entre a especulação imobiliária e os anseios de boa parte da comunidade desta região para se preservar a Planície do Pântano do Sul, transformando-a em um parque natural protegido.Ficará visualmente ainda mais interessante se as pessoas puderem vestir roupas amarelas (calça, ou camiseta, vestido, boné, etc).Esperamos contar com suas presenças!!!PROMOTORES:Grupo Rosa dos Ventos, http://grupo-rosadosventos.blogspot.com/ Núcleo Gestor Distrital do Pântano do Sul do PDPCine-clube Armação.INMMAR- Instituto para o Desenvolvimento de Mentalidade MarítimaABA Associação do Bairro dos AçoresRádio CampecheApoio: Restaurante Pedacinho do Céu (fará a “sopa de letrinhas” para todos os participantes)Fones para contato: Silvana Macedo (48) 3233 0083Gert Schinke: 8424-3060, Raquel Macruz: 84555932O quê? Evento Cultural Paisagem Especulada, Pântano do SulComo? De ônibus até praia do Pântano do Sul, ponto de encontro em frente ao Restaurante Pedacinho do CéuQuando? Dia 25/10/09 (domingo)Horário: 10:00 da manhã
~
p.s.: Tempo ruim. Não fui.
29
Sep09
Liminar impede construção da fosfateira de Anitápolis
Uma liminar concedida ontem pela juíza federal substituta Marjôrie Cristina Freiberger Ribeiro da Silva suspende os efeitos da Licença Ambiental concecida pela Fatma (Fundação do Meio Ambiente) e impede a construção da fosfateira das transnacionais Bunge e Yara no município de Anitápolis. A juíza determina que a Fatma “se abstenha de expedir a Autorização de Corte e às empresas rés de qualquer ato tendente à supressão de vegetação ou início das obras, até decisão final nesta ação”. Importante conquista para os moradores dessa linda região de Mata Atlântica na encosta da serra catarinense, rica em nascentes, flora e fauna ameaçadas de extinção. Recomendo a leitura da íntegra da decisão judicial, sábia e bem fundamentada. Ainda há muita água pra correr neste caso, mas é uma vitória inicial a comemorar.
20
Sep09
Mina vira alvo de protestos em SC
Matéria de alta relevância no Estadão de hoje. Um paraíso de mata atlântica e nascentes está ameaçado pela estupidez corporativa. O Fernando e a Regina, citados no texto, foram nossos anfitriões no sítio Pasárgada, em Anitápolis.
Mina vira alvo de protestos em SC
Empreendimento para explorar fosfato obteve aval de órgão de licenciamento, mas moradores são contra atividade
Eduardo Nunomura
Há sete anos, Fernando Monteiro decidiu ir embora para sua Pasárgada, e assim batizou o sítio que escolheu, no meio da mata atlântica de Santa Catarina. Hoje, ele está triste, triste de não ter jeito, com a história da construção de uma mineradora perto de seu quintal. Mas, ao contrário do que imaginava o poeta Manuel Bandeira, Monteiro não é amigo do rei nem da Indústria de Fosfatos Catarinense (IFC), dona do projeto Anitápolis. A IFC quer explorar a maior jazida ainda intacta no País em uma área de 300 hectares, cercada de florestas, rios e pequenas comunidades. Monteiro e outros tantos lutam para barrar a obra.
Duas multinacionais, a Bunge e a Yara Brasil Fertilizantes, formaram a IFC e compraram 1,8 mil hectares na pacata cidade de Anitápolis. Há décadas sabe-se que naquele chão há o minério vital para o agronegócio. É o fósforo, identificado pela letra química P. Com o nitrogênio (N) e o potássio (K), forma o fertilizante NPK. O Brasil importa a maior parte do fósforo, porque é mais barato. Explorar jazidas como a de Anitápolis reduziria a dependência externa.
Monteiro é um paulistano que se refugiou na montanha. Casou-se com Regina Capistrano, mãe de Miguel, de 11 anos, e com ela teve duas filhas, as pequenas Mariana e Ana Clara. Eles compraram 5,5 hectares cortados por dois rios e nove nascentes d”água. Plantaram uma horta e construíram três cabanas para receber hóspedes. A pousada Sítio Pasárgada faz parte de um programa de inspiração francesa, a Acolhida na Colônia, onde turistas experimentam a vida no campo sem televisão, telefone ou internet. “Falo de rios limpos, rãs e matas intactas. As multinacionais dizem que vão preservar, mas a lógica delas é de quem só pensa em produzir”, diz ele. (…)
04
Aug09
Repórter Brasil resenha ‘Espírito de Porco’
A ong Repórter Brasil, coordenada por Leonardo Sakamoto, publicou ontem uma boa resenha sobre o documentário que codirigi com o Chico Faganello.
“Espírito de Porco” disseca
suinocultura industrial catarinenseDocumentário busca mostrar a “cadeia de responsabilidade” que molda o setor de criação de porcos, que envolve produtores, governos e consumidores, nem sempre conscientes do papel que desempenham neste processo
Por Maurício Reimberg
Apontada como responsável por diversos danos ambientais, a suinocultura industrial no Oeste de Santa Catarina reúne uma das maiores concentrações de porcos do mundo. Confinados em pequenos espaços, eles já somam 50 milhões – numa proporção de 10 suínos para cada humano. O controle da atividade econômica é restrito: sete em cada dez porcos da região pertencem a cinco grandes agroindústrias. Enquanto impulsionam seus lucros, as empresas assumem um discurso vagamente humanitário.Essas contradições, bem como os impactos ambientais, sociais e econômicos desse modelo, são os temas analisados pelo documentário “Espírito de Porco” (Brasil, 2009), dos jornalistas Chico Faganello e Dauro Veras. Em tom didático e irônico, a obra busca mostrar a “cadeia de responsabilidade” que molda o setor, envolvendo produtores, governos e consumidores, nem sempre conscientes do papel que desempenham neste processo. Santa Catarina possui o maior rebanho do país, com cerca de 17,5% da produção nacional. Boa parte desses estabelecimentos desrespeita normas ambientais básicas. (…)
20
Jul09
S.O.S. Ilhabela
Trailer do documentário S.O.S. Ilhabela, que estreia em agosto em São Paulo. A produção é da Papel Social Comunicação.
02
Jun09
Devastação S/A
Estou em “semiférias” de uma semana no Ceará, onde vim pro casamento da minha irmã. Antes de viajar, deixei uns posts pré-agendados pra distrair vocês e pretendia sumir do blog por uns dias, mas volto em edição extraordinária com este press-release:
Observatório Social revela esquema de exportação de madeira do desmatamentoReportagem publicada pela revista do Observatório Social mostra como funciona a exportação de madeira oriunda de áreas desmatadas. Funcionários públicos corruptos e grandes empresas de exportação estão envolvidas no esquema. Gigantes do setor, sediadas nos Estados Unidos, Ásia e Europa, compram a madeira da devastação.
Gigantes internacionais dos ramos de beneficiamento e de comercialização de madeira estão ligados a um esquema milionário que transforma madeira retirada ilegalmente da Floresta Amazônica em produtos legalizados. Entre os envolvidos estão órgãos ambientais e grandes exportadoras. A madeira é vendida para as maiores cadeias de vendas de pisos e móveis nos Estados Unidos, Europa e Ásia, muitas delas detentoras de selos de certificação de madeira. A reportagem completa está na próxima edição da revista do Observatório Social, que será lançada no próximo dia 10, em São Paulo. A revista vai revelar quais são as empresas envolvidas, tanto no Brasil quanto no exterior.
Segundo a revista, de 70% de toda a madeira comercializada no estado do Pará, maior vendedor de madeira amazônica no Brasil, tem origem ilegal. Essa madeira passa por um processo de “esquentamento” que funciona dentro de órgãos do governo. Autoridades do Ministério Público Federal e do Ibama confirmam o esquema e apontam o envolvimento da Secretaria Estadual do Meio Ambiente.
Ao lado de empresas fantasmas, de empresas que devem milhões em multas ambientais e de empresários que respondem por falsidade ideológica e escravidão de trabalhadores, grupos internacionais se beneficiam com o esquema. Entre os maiores, a dinamarquesa DLH Nordisk, o grupo europeu Kingfisher, das marcas Castorama e Brico Dépôt, e a norte-americana Lumber Liquidators, do milionário Tom Sullivan, patrocinador de programas como Dream Home, do canal Home and Garden Television, e Extreme Makeover: Home Edition, do canal People+Arts.
Serviço
Lançamento de Observatório Social em Revista, edição 15
Data: 10 de junho de 2009
Horário: 10h
Local: Auditório da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf). Rua Libero Badaró, 158. Centro. São PauloMais informações
Paola Bello
Editora-assistente
paola [arroba] os.org.br
(11) 8559 6758Marques Casara
Editor
marques [arroba] os.org.br
(11) 9353 2311
07
May09
Espírito de Porco selecionado pro XI FICA
Espírito de Porco, documentário dirigido por mim e pelo Chico Faganello, acaba de ser selecionado pro XI Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental, entre 556 obras de 51 países. Vamos lançar o filme em junho no Alto Uruguai, região do Oeste de Santa Catarina onde está uma das maiores concentrações de suínos do planeta. A ideia é fomentar um debate sobre meio ambiente que leve em conta o ponto de vista do porco.
O título do filme se refere a um “espírito” suíno que volta ao mundo dos vivos pra defender sua espécie das calúnias que sofre há milênios. O porco se irrita porque o acusam da poluição de rios, solo e ar. Com a participação de produtores, consumidores, pesquisadores e trabalhadores ligados à suinocultura industrial, o documentário mostra, nestes tempos de gripe suína, que a relação entre os humanos e os animais da criação industrial tem que mudar, para o bem da saúde do planeta.
Mais informações sobre o projeto, em português e inglês.
p.s.: A exibição do filme no XI FICA está marcada pro dia 18 de junho.
02
May09
Wired conta de onde veio o ancestral da gripe suína
Reportagem publicada ontem pela Wired Science aponta que o “ancestral” do vírus da gripe H1N1 surgiu em 1998 em fazendas industriais nos Estados Unidos.
Swine Flu Ancestor Born on U.S. Factory FarmsScientists have traced the genetic lineage of the new H1N1 swine flu to a strain that emerged in 1998 in U.S. factory farms, where it spread and mutated at an alarming rate. Experts warned then that a pocket of the virus would someday evolve to infect humans, perhaps setting off a global pandemic.
The new findings challenge recent protests by pork industry leaders and U.S., Mexican and United Nations agriculture officials that industrial farms shouldn’t be implicated in the new swine flu, which has killed up to 176 people and on Thursday was declared an imminent pandemic by the World Health Organization. (…)
Wired Science – News for Your Neurons
30
Apr09
A gripe suína e o poder da indústria pecuária
Pra quem tem interesse em saber o que está por trás da origem da gripe suína, recomendo a leitura de um artigo de Mike Davis, professor no departamento de História da Universidade da Califórnia e especialista nas relações entre urbanismo e meio ambiente. O texto foi publicado dia 27 no Guardian e sua tradução em português, por Katarina Peixoto, está no Carta Maior. Davis alerta para os riscos da industrialização empresarial da pecuária:
Em 1965, havia nos EUA 53 milhões de porcos espalhados entre mais de um milhão de granjas. Hoje, 65 milhões de porcos concentram-se em 65 mil instalações. Isso significou passar das antiquadas pocilgas a gigantescos infernos fecais nos quais, entre esterco e sob um calor sufocante, prontos a intercambiar agentes patógenos à velocidade de um raio, amontoam-se dezenas de milhares de animais com sistemas imunológicos debilitados. Cientistas advertem sobre o perigo das granjas industriais: a contínua circulação de vírus nestes ambientes aumenta as oportunidades de aparição de novos vírus mais eficientes na transmissão entre humanos. (…)
Coincidentemente, esta semana o videodocumentário Espírito de Porco, que Chico Faganello e eu dirigimos (com recursos do Prêmio Cinemateca Catarinense), foi finalizado e entregue à Fundação Catarinense de Cultura. Entre as questões levantadas pelo filme está o confinamento na criação industrial, que tem reflexos no bem-estar dos suínos e, por tabela, dos humanos, na água, no solo e no ar (“é o cheiro do dinheiro”, brincam alguns moradores do Oeste do estado, naqueles dias quentes em que a merda de porco é captada pelo olfato a quilômetros de distância).
Santa Catarina tem uma das maiores concentrações de suínos do mundo – o rebanho supera as 50 milhões de cabeças, ou dez porcos para cada habitante. Por motivos econômicos, governo e indústria têm se esforçado em disseminar a ideia de que o problema não tem nada a ver conosco. Mas os alertas vindos de todo o planeta indicam que seria sensato pensar grande e com visão de longo prazo, isto é, fazer uma reflexão profunda sobre a validade do atual modelo de produção de carne. Nosso documentário não tem respostas prontas, quer mesmo é estimular o debate. Em breve vamos exibi-lo ao público, primeiro no oeste de Santa Catarina e depois em Florianópolis e festivais.











