Posts com a tag ‘SC’

18

jan

12

Violência policial no Maciço do Morro da Cruz

Reproduzo do Facebook do Fernando Evangelista:

Do amigo Marcelo Peregrino: “VIOLÊNCIA DA PM CONTRA AS POPULAÇÕES MARGINALIZADAS NO MACIÇO DO MORRO DA CRUZ. NO dia 12 de janeiro do presente ano a PM invadiu o terreno de um morador do Maciço do Morro da Cruz, cuja ocupação tem mais de 50 anos. Pior do que a patrola sobre dezenas de árvores nativas e frutíferas sobre a área do conhecido Juca Fazendeiro é a imposição do absoluto terror pela corporação sobre essas populações marginalizadas. Ontem a noite, fiquei estarrecido com o relato dos moradores na reunião do Conselho Comunitário do Montserrat. A população (mulheres e crianças) foi recebida a bala/palavrões e não teve qualquer explicação sobre a invasão e destruição de porção significativa de área de preservação permanente do topo do morro. Goiabeiras, gabirobas, magueiras, pitangueiras, plantadas pelo Sr. Juca nos últimos cinquenta anos foram todas colocadas abaixo pela força da PM. Fiz uma representação ao MP estadual, a 28 promotoria de justiça, cujo promotor não pode nos receber e ao Procurador-Geral de Justiça. A Procuradoria da República acionada demonstrou um esmero exemplo de quem deve por dever legal servir ao público. Após o envio da representação fui imediatamente contatado pelo servidor responsável que já está tomando as providências junto ao órgão de execução. Tenho muito medo que isso se torne uma tragédia, pois os ânimos estão bastante acirrados. Hoje Anselmo Machado e eu acompanhado das lideranças do Morro tentaremos ser ouvidos pelas autoridades competentes, mais uma vez…”

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05

jan

12

Cinema catarinense de graça

A primeira quinzena de janeiro no novo Cinema do CIC – Centro Integrado de Cultura de SC – é dedicado ao cinema catarinense. Entrada gratuita. Confira a programação. Se você ainda não viu Espírito de Porco, vai passar neste domingo.

Cinema do CIC

Programação Especial Primeira Quinzena de Janeiro 2012

– Dedicada ao Cinema Catarinense – Entrada Gratuita

Dia 06/01 – Sexta-Feira :

20:30h – Fritz – de José Alfredo Abrão

Ficção, 22min, 2010

A vida do naturalista Fritz Muller (1822-1897). O filme relembra os últimos momentos de sua vida, suas pesquisas, a colaboração e a correspondência com Charles Darwin, a vida com a esposa e as filhas na colônia de Blumenau, o contato com os índios e as impressões sobre a exuberante natureza tropical.

21:00h – Seo Chico, Um Retrato – de José Rafael Mamigonian

Documentário, 95min, 2004

A história do lavrador Francisco Thomaz dos Santos, o conhecido Seo Chico que morou por seus 64 anos no sul da Ilha de Santa Catarina. O filme revela a rotina do protagonista, um dos últimos a viver num engenho e produzir a cachaça artesanal, atividade tradicional da Ilha de Santa Catarina e Litoral do Estado, colonizado por imigrantes açorianos. Em 1996, foi assassinato em circunstâncias misteriosas.

Dia 07/01 – Sábado:

20:30h – Desilusão – de Bob Barbosa e Marco Stroisch

Ficção, 23min, 2008

Entrelaça as expectativas do menino Maninho, que quer montar um boi-de-mamão e da jovem Maria da Graça, que alimenta o sonho de ser rainha da bateria. No pequeno espaço da comunidade onde moram, suas vidas seguem, caminhos paralelos que podem se cruzar a qualquer momento.

21:00h – Aos Espanhóis Confinantes – de Angelo Sganzerla

Ficção, 85min, 2008

Em tom de documentário, o filme narra a viagem épica ao Oeste do Estado realizada em 1929 pelo governador Adolpho Konder. No lombo de burros e cavalos, de carroça, automóvel, lancha e trem, um grupo de 30 homens, formado por historiadores, chefe de polícia, agrimensores, consultor jurídico, e deputados, percorreu 3 mil quilômetros. O objetivo da empreitada era tomar posse do território catarinense, em litígio com a Argentina e combater o banditismo reinante na região.

Dia 08/01 – Domingo:

20:00h – Black Out, A Comédia do Sinistro – de Marco Stroisch

Ficção,22min, 2008

Blackouts gira em torno do apagão ocorrido no final de 2003, que deixou a ilha às escuras por quase 60 horas. A história traz recortes bem-humorados da influência do evento no cotidiano dos moradores da ilha. Um deles trata de uma discussão de relacionamentos de um casal no elevador.

20:30h – Espírito de Porco – de Dauro Veras e Chico Faganello

Documentário, 52min, 2009

O Espírito de Porco defende os suínos narrando a sua trajetória, desde o nascimento até quando a sua carne vai para a mesa. Ele discute a alimentação e a poluição; apresenta os humanos com quem convive e os problemas do seu cotidiano; defende o seu valor e busca semelhanças com as pessoas.

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Dia 13/01 – Sexta-Feira :

20:30h – L’amar – de Sandra Alves.

Ficção,19min, 2003

Duas amigas, durante um fenômeno conhecido como “Calmaria 88”, ficam à deriva em alto mar numa prancha de windsurf. Esta situação inesperada, onde o desespero de ambas ecoa mudo na imensidão do oceano, as aproxima de forma física e emocional. Seus corpos numa situação limite se somam, como numa poesia cruel, ao mar apático e ao sol torturante.

21:00h – Doce de Coco – de Penna Filho

Drama, 104min, 2009

Narra a história de Madalena, uma sacoleira, e seu marido Santinho, artesão sacro, num momento em que a crise econômica do país também abala as finanças da família. Para sair da situação difícil em que se encontra, o casal apela para as apostas na loteria, até que a mulher tem um sonho fantástico: a existência de um tesouro enterrado no cemitério da pequena cidade em que vive, a imaginária Fartura. O problema é desenterrar o tesouro, quando o casal vive situações embaraçosas e muito hilariantes.

Dia 14/01 – Sábado:

20:30h – Cerveja Falada – de Demétrio Panaroto, Luiz Henrique Cudo e Guto Lima.

Documentário, 15min, 2010

Rupprecht Loeffler foi um senhor de 93 anos de idade. Sua profissão? Mestre cervejeiro. Ele e sua cervejaria, a “Canoinhense”, que está em atividade desde 1915, são os personagens deste documentário. Uma viagem no tempo.

21:00h – Muamba – de Chico Faganello

Ficção,78min, 2010

Lian é um jovem de uma fronteira sul americana em conflito com o pai, um contrabandista disfarçado de criador de insetos. Com uma câmera que grava o que nem todos conseguem ver, Lian viaja em busca da liberdade e de um carro ganho em um concurso de TV, e encontra um mundo desconhecido.

Dia 15/01 – Domingo:

20:00h – Nem o Céu, nem a Terra – de Isabela Hoffmann

Ficção,25min, 2005

Explora os conceitos extremos da ilusão e da realidade vividos por crianças inseridas no contexto da violência urbana.

20:30h – Celibato no Campo – de Cassemiro Vitorino e Ilka Goldschmidt

Documentário,52min, 2010

A intensa migração de filhos de agricultores, sobretudo de jovens mulheres, que saem para estudar e dificilmente retornam às propriedades rurais faz surgir um novo fenômeno social: o celibato masculino no campo.

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23

out

11

Qual queijo você quer?

Qual queijo você quer?, dirigido pela querida Cíntia Domit Bittar, ganhou o prêmio de melhor curta no Festival do Rio. Esse filme é o primeiro dos muitos sucessos que certamente virão da talentosa equipe da Novelo Filmes, que completa um ano de existência. A história aborda com humor a crise conjugal de um casal de idosos. Pelos festivais onde é exibido, Qual queijo você quer? tem arrancado aplausos de crítica e público. Tou me mordendo de curiosidade pra ver. Clique na imagem ao lado pra ampliar o cartaz-release.

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15

jul

11

Rio da Prata

Rio da Prata
Rio da Prata, Anitápolis, SC. Dezembro de 2010.

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28

jun

11

Zé Dassilva no Jô Soares

O amigo Zé Dassilva, cartunista do Diário Catarinense, roteirista da Globo e um dos melhores frasistas que conheço, foi entrevistado ontem no programa do Jô que foi ao ar esta madrugada. Dei boas gargalhadas. Se ele contasse todos os causos que a gente escuta em mesa de bar, precisava de outro programa inteirinho.

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23

jun

11

Revelando os Brasis

De 24/6 a 1/7, realiza-se a 15a. edição do Florianópolis Audiovisual Mercosul, um espaço privilegiado pra quem curte cinema e quer conhecer o que está sendo produzido no Brasil e países hermanos. Um dos pontos interessantes da programação é Revelando os Brasis, que vai ser apresentado no dia 27. O projeto, que já está no quarto ano, promove a formação e inclusão de audiovisuais produzidos por moradores de municípios com até 20 mil habitantes. Olha só que bacana:

Os autores das 40 histórias selecionadas participam de oficinas preparatórias de Roteiro, Direção, Produção, Fotografia, Som, Edição, Direção de Arte, Direitos Autorais, Mobilização e Comunicação Colaborativa com o objetivo de transformar suas histórias em vídeos digitais com duração de até 15 minutos.

Depois, eles retornam às cidades para colocar em prática o que aprenderam, a fim de realizar o filme. Lá, membros da comunidade assumem funções dentro da equipe de produção, contribuindo para execução da obra. Após a edição e a finalização, as obras integram um circuito de exibição aberto e gratuito pelos municípios participantes e pelas capitais dos estados integrantes da edição.

O circuito nacional do Revelandos teve início na semana passada, na cidade de Itambé, no Paraná, passou por três cidades paranaenses e agora está em Santa Catarina. Este ano a edição é composta por 22 documentários e 18 ficções. Desses, três produções são catarinenses: Tamanca de Madeira, de Irineópolis, Doce Amargo, de Dionísio Cerqueira e Vida em Trocos, de Treze Tílias.

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20

jun

11

Uma empresa nada sadia pra trabalhar

Leio no Globo deste sábado sobre a incerteza da anunciada fusão entre as duas maiores produtoras nacionais de aves e suínos, Perdigão e Sadia. A criação do novo gigante da agroindústria, BRF – Brasil Foods, depende de uma decisão do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Outras empresas do setor temem concorrência predatória. Até aí, notícia trivial de economia e negócios.

Mas o que chama a atenção na matéria são estes números: segundo o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Carne e Derivados de Chapecó (SC), mutilações e doenças causadas pelo frenético ritmo de produção levaram ao afastamento de 2.158 trabalhadores dos 6.900 da fábrica da Sadia nessa cidade nos últimos três anos. As péssimas condições levaram até o Ministério Público do Trabalho a intervir.

“A empresa, para manter a produção, tem buscado mão de obra em cidades distantes até 200 quilômetros da fábrica”, diz O Globo. “Ela vem recrutando até índios na região”. Trocando em miúdos de frango, a Sadia é um moedor de carne humana, e nada garante que a BRF vai se tornar boazinha do dia pra noite. Como diria o espírito de porco, tem gente fazendo festa às custas do nosso lombo.

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02

abr

11

Recordações de Ramsés

O nome dele é Ramsés Antunes da Luz. Atualmente, psicólogo e professor universitário. Foi meu contemporâneo durante o tempo que passei no jornal O Estado no fim da década de 80 – ele como diagramador, eu como revisor e, depois, repórter de polícia e de geral. Acabo de ler a bela crônica que ele publicou no Facebook, no grupo Reencontro O Estado, e republico abaixo. Me identifiquei demais com o que ele retrata nessas linhas. Também vivi a deliciosa sensação com que ele apreciava a fauna humana do jornal. E me sentia gratificado com o aprendizado diário daquele convívio. Com a palavra, Ramsés.

Olá membros desta nostálgica comunidade. Se tiverem a pachorra de ler, apresento-lhes abaixo uma vívida crônica daqueles tempos.
No primeiro dia de setembro de 1985 fui apresentado a um mundo novo. Era quartanista de psicologia com parcos 21 anos de vida, um moleque em busca de um sentido para tudo. Burraldo, tímido, pobre e sem noção de medida. Justamente conseguira um emprego no Jornal “O Estado” (indicação do Ronaldo Paiva) para custear a vida de estudante, visto estar sozinho na ilha (apenas mais um irmão paupérrimo), recém desencilhado da família no Paraná. Virara, na marra, às custas de muito treino sobre paicas (e esporros do Heron adjuntos), um diagramador.
Primeiro emprego com carteira assinada. Salário indigno até mesmo para um estudante. Porém, para um imaturo (porém fascinado) observador do comportamento humano não era apenas qualquer Jornal, mas um espaço que trazia o deleite de reunir o maior número possível de profissionais cultos, eruditos, lidos e repletos de ideais, como eu jamais vira em minha interiorana vida. E olha que eu estudava na UFSC. Mas na Universidade Federal os intelectuais estavam dispersos e quase não dialogavam comigo. Meus doutos professores da UFSC ministravam suas teóricas aulas e iam embora. Porém, na redação não! Lá meus contagiantes “tutores” brigavam e xingavam-se mutuamente. Ajudavam-se e emocionavam-se. Juntos labutavam e, neste obrigatório espaço de convívio, discordavam e mantinham posições ideológicas. Viviam o que faziam. Idéias fresquinhas produzidas descortinavam-se perante mim. Eu não cabia em meu deslumbramento. Orgulhava-me em auxiliar, mesmo que modestamente, no meu canto, calculadora e régua em punho, aqueles “contistas” a registrar o acontecido em SC, Brasil e no mundo, cada um do seu jeito. Alguns apenas um pouco mais velhos que eu, mas todos para mim “senhores da palavra”. Era extremamente incitante às letras.
Dissonante da maioria não me importava em trabalhar nos finais de semana. Liturgia aliciante do cargo. Leitor voraz, aproveitava e lia e relia textos gostosos que diagramava… e aprendia. Mas uma aprendizagem do lado de dentro, perto de quem fabricava a narrativa. Vivendo com eles a sua vida. Aprendendo sobre a construção da informação vindo da realidade e a forma de contá-la. Comparava estilos, aprimorava meu gosto. Não poucas foram às vezes em que, curioso, indagava-os sobre assuntos que beiravam as entrelinhas da reportagem. Também foram diversos os momentos em que faltou-me a audácia necessária para ir ter com um colunista sobre uma opinião publicada da qual discordava, seja no segundo caderno, seja em economia, política ou esporte. What a fucking chicken!!! Tão rico o teria sido.
Verdinho, cultivei paixonites secretas inúmeras vezes vidrado por figuras femininas, repórteres e editoras, as quais desfilavam ante minha mesa. Para mim, representavam um ideal de mulher: um mix de intelectualidade, independência, maturidade, e feminilidade. Eu estava adolescendo tardiamente, porém da melhor maneira possível. Só na maturidade o soube.
E permaneci por lá diagramando até o dia 29 de dezembro de 1987 quando, fascínio encerrado, formei-me no curso de psicologia. E em 1989 comecei carreira docente (primeiro na UFSC e depois em outras instituições). No “O Estado” foram dois anos e pouco de contato com um ambiente intelectual fervilhante, energético, desafiador, cru, saudável, algumas vezes doído, extenuante e recompensador, o qual modelou-me de forma indelével (o período consta em meu Currículo Lattes). Estive ali por apenas dois anos, entretanto neste curto espaço de tempo fui cúmplice de histórias inenarráveis, a maioria como espectador ou mero ouvinte.
Mas saí de lá. Vida que segue. Formei-me psicólogo, mestrado na Federal e doutorado inconcluso na Califórnia. Baú trancado e jamais aberto. Talvez porque depois disto nunca mais tenha professado o jornalismo. Primeira e última vez. Tanto é que, vivendo no bairro João Paulo, obrigo-me a passar quase todos os dias pela SC 401 e confesso que não comovia-me em ver os escombros do que foi um dia foi o mais lido. Segui carreira como professor e consultor em psicologia organizacional. Uma vez apenas, de passagem pelo local, contei para minha filha de 18 anos que outrora eu trabalhara em um jornal que existia ali. “Sério, pai? Mas o que um professor de pós-graduação tem a ver com isto?”
Entretanto, eis que semana passada Paulinho Scarduelli, em um encontro casual em um avião, conta-me sobre esta seleta comunidade e da avidez de seus membros por um reencontro, mesmo que virtual. E assim, tragado pela curiosidade, tenho lido no feicebuque histórias aqui e visto fotos ali (uma minha inclusive todo de branco). Senti-me como se adentrasse num sótão empoeirado e este pequeno pedaço de vida totalmente esquecido por 25 longos anos aflorou, como se uma grande rolha de pedra tivesse sido removida. Penso que reminiscências ajudam a resgatar a nós mesmos, o que fomos e o que somos e o jeito como fomos construídos. Por esta razão exponho agora neste sábado de sol, nestas mal traçadas linhas, a minha perspectiva sobre “o mais lido”. E confesso que venho remoendo sobre aquele período esta semana toda tentando lembrar-me de faces, nomes e pequenos causos. Entretanto, lamento informar que minha memória do período abarca tão somente uns 15 ou 20 nomes. Talvez o tempo e o inconsciente trabalhem juntos. É isto! Perdoem se estendi-me em demasia.

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20

mar

11

Reencontro do “mais antigo”

A Lena Obst criou no Facebook um grupo para reunir os colegas jornalistas que passaram pelo jornal O Estado. “O mais antigo”, como era conhecido o finado periódico, marcou história no jornalismo de Santa Catarina. Foi também espaço para muitas histórias que até hoje rendem risadas. Naquela redação, onde hoje está o prédio da Casa Cor, foram geradas reportagens inovadoras, fotos belíssimas, diagramações criativas, linguagens experimentais, crianças, casamentos…

Passei pelo “mais antigo” entre 1987 e 1989, levado pelo amigo Frank Maia para a revisão. Aquele universo era cintilante aos olhos de menino de 21 anos. Numa salinha minúscula, nos revezávamos passando olhos de lince sobre os textos dos colegas. O dicionário era nosso vício e nos divertíamos apostando cervejas com a grafia correta das palavras. Guardo com carinho os bons momentos com Frank, Joca Wolff, Giane Severo, Edson, Chica, Mara, o saudoso filósofo anarquista Ricardo Carle (que morreu em 2006 em Porto Alegre, em consequência de sequelas de um atropelamento sofrido em 2000), todos capitaneados pelo grande poeta Ademir Demarqui.

Depois fui ser repórter na editoria de Polícia, com o Ricardo Carle como subeditor e o Carlão Paniz editando. Às vezes fazíamos reunião de pauta na lanchonete/boteco que ficava nos fundos do prédio, onde se conversava de futilidades a profundidades entre um gole e outro. Em seguida passei à reportagem de geral, editada pela Lena durante um tempo. Ainda lembro como se fosse hoje da primeira lauda que escrevi como repórter, copidescada pelo gentil, mas rigoroso Ademar. Ele sentava ao meu lado e ia comentando as bobagens que eu redigia, assinaladas em caneta vermelha. Será que ainda se faz isso nas redações – veteranos ajudarem os colegas “focas”?

O barulho dos teclados das Olivettis e das Remingtons soava como música, em meio às conversas em voz alta, ao som do telex cuspindo despachos das agências de notícias, às tiradas engraçadíssimas do chargista Bonson, à entrada e saída dos fotógrafos com suas bolsas de equipamentos pesados, aos fragmentos de entrevistas por telefone (era ainda o tempo em que se discava). Num canto, Fábio Brüggemann acompanhava a diagramação do suplemento infantil Estadinho. Noutro, Bento Silvério apurava as notícias políticas (falecido precocemente, hoje é nome do casarão da Lagoa). A risada do brilhante colunista Beto Stodieck enchia o ar.

Fauna riquíssima, inclusive com mascotes. Tinha uma cachorra (alguém lembra o nome?) que costumava ficar na casinha do vigilante e era querida por todos. Certa vez, uma circular da direção estabeleceu, sisuda, que a cachorra fulana estava proibida de permanecer naquele local no horário de expediente.

A iniciativa da Lena destapou em mim uma avalanche de lembranças, e olha que só fiquei lá por dois anos. Imagina o que os colegas têm pra contar. Quem sabe um dia tudo isso vira livro – não conheço ninguém mais capacitado pra organizar isso que o grande colega jornalista e historiador Celso Martins, que, aliás, acompanhou em seu blog o descaso com que esse patrimônio histórico de Santa Catarina foi abandonado pelo proprietário do jornal. O Estado fez a crônica de um período riquíssimo na história de Santa Catarina e de Florianópolis. Foi uma grande escola de experimentações para muitos jornalistas e escritores. Acompanhei de longe sua lenta decadência, contemporânea da chegada da rede RBS a SC. Espero ler este livro um dia. Enquanto ele não sai, com certeza o grupo vai render muitos bons papos de boteco.

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01

mar

11

Abraço ao Rio da Madre

Recebi da Larissa Linhares:

Centenas de pessoas participaram do Dia do Abraço na Guarda do Embaú

Canoeiros, artistas, surfistas, turistas, moradores, comerciantes e políticos participaram neste sábado, 26, do Dia do Abraço no Rio da Madre, na praia da Guarda do Embaú, em Palhoça, na Grande Florianópolis. Uma iniciativa do Movimento SOS Rio da Madre, criado para sensibilizar e acionar o poder público para a resolução dos problemas ambientais e de infraestrutura do local, considerado por diversas vezes como um dos mais lindos e melhores para a prática do surf do mundo.

“As ações da semana nas esferas públicas surtiram efeitos positivos que irão nos auxiliar na continuidade do Movimento e o evento superou todas as expectativas, tanto nas atividades que foram programadas quanto na presença do público e de diversas autoridades”, resume o presidente do movimento, Plínio Bordin.

Cerca de 600 pessoas participaram do ato simbólico, que foi transmitido ao vivo pelo site embausurf.com.br em parceira com a strembrasil.com, de um grande abraço no Rio da Madre e mais de mil pessoas participaram das atividades do evento que teve o propósito de conscientizar as pessoas e orgãos públicos para a necessidade de saneamento básico urgente no estuário do Rio da Madre. O Rio está impróprio para o banho e recebendo em suas águas esgotos à céu aberto, que desembocam diretamente no Oceano Atlântico.

A banda Sociedade Soul e diversos músicos da região comandaram os shows enquanto práticas de yoga, pilates, musicoterapia e apresentações de teatro aconteciam na beira do Rio. Futebol entre artistas, surfistas e comunidade sob o comando do irreverente Margarida, que também aderiu ao Movimento, corridas de canoa, passeios de caiaque, aulas de natação e surf com as crianças, confecção e lance de tarrafas com os pescadores e barqueiros também pautaram a intensa agenda de ações do dia.

Um painel indicador dos dias para o início das ações pelo poder público também foi inaugurado na beira do Rio da Madre e o início da análise do rio em vários pontos começou a partir de ontem por Djan Porrua Freitas, da QMC Saneamento. Na oportunidade cerca de 750 assinaturas foram registradas no abaixo-assinado que será usado como material de apoio para as ações seguintes.

Segundo o morador e comerciante do local, Vilson Pereira, o turismo decaiu muito como também o perfil do turista mudou, em consequência dos problemas de infraestrutura e das condições de balneabilidade do local. “Além de ser um cartão-postal, milhares de pessoas transitam pelo Rio da Madre para ter acesso à praia, e também é o meio de sobrivência para sustento dos pescadores”, cita o morador.

Considerado o grande encanto da região, a sobrevivência da praia da Guarda do Embaú depende da recuperação do Rio da Madre. O Rio, que integra a Reserva Estadual da Serra do Tabuleiro, vem sofrendo sérias agressões ambientais, como a retirada da mata ciliar de suas margens, a contaminação por agrotóxicos consequentes do cultivo de arroz em Paulo Lopes – e o lançamento de esgotos, considerado um dos principais problemas atuais, que afeta negativamente a economia, o turismo e a qualidade de vida na região.

Créditos: Plínio Bordin e Bianca Bordin
Foto ‘aérea’: Betina D’Ávila


Larissa Linhares Comunicação

Assessoria de Imprensa e Comunicação
Produção de Eventos e Cerimonial

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