17
mai10
Floripa na Foto
A Juliana Kroeger me deu o toque e compartilho: Floripa na Foto, um evento sobre fotografia, vai reunir um time de feras de 17 a 21 de maio no auditório do Centro de Cultura e Eventos da UFSC. Na pauta de debates, contratos para uso de obras fotográficas e de imagem, povos e tribos em expedições fotográficas, os desafios do fotografo de imprensa para o século XXI, fotografia de natureza brasileira, imagem e pensamento em antropologia, e mais. Confira a programação.
17
mai10
“Não quero tutor”
Esta mensagem que Eric Calderoni publicou na ead-l, a lista de e-mail sobre educação a distância da Unicamp, bota lenha na fogueira de um assunto polêmico: a qualidade da tutoria dos cursos, um dos pontos mais vulneráveis da modalidade de ensino a distância. Tutores (ou monitores, ou assistentes de conteúdo em algumas instituições) em geral são mal remunerados, treinados de maneira superficial, têm pouco conhecimento sobre os temas abordados nos cursos e atendem um número excessivo de estudantes. Faz sentido a proposta de Eric, mas soa quase utópica neste país em que a profissão de professor é tão pouco valorizada. Em um modelo utilitarista de EaD, que trabalha em escala visando redução máxima de custos por aluno, a figura do tutor equivale à de “office-boy” no processo de ensino e aprendizagem. Isso não vai mudar simplesmente com a criação de um novo cargo no plano de carreira das universidades. Depende de uma mudança cultural mais radical.
Não quero lutar pelas condições de trabalho do tutor. Não tem que ter tutor. Não quero tutor. Quero eliminar a figura nefasta do tutor.
É um absurdo a pessoa aprender com um mediador. Não tem que ter mediador. É uma depravação, uma desqualificação do curso o aluno ser atendido por alguém que não é professor, ter um intermediário para falar com o professor.
Tutor não! é precarização do trabalho e desqualificação dos cursos. É o fim-da-picada.
Aluno tem que ser atendido por professor, por alguém que entende profundamente da matéria.
A Universidade não deve criar cargo de tutor, mas sim delegar a função a professor de carreira (professor assistente ou equivalente).
13
mai10
06
mai10
Que desenvolvimento queremos?
Saiu do forno a edição 16 da Revista Observatório Social. Ela é editada pelo Instituto Observatório Social, organização vinculada à CUT que desenvolve pesquisas sobre globalização e direitos dos trabalhadores. Tenho a honra de participar dessa publicação desde o primeiro número, em 2002, fazendo reportagem e edição. Nesses oito anos e 16 edições, a revista conquistou seis prêmios jornalísticos importantes nas áreas de direitos humanos e meio ambiente, entre eles os prestigiados Esso e Vladimir Herzog. Tudo isso com um trabalho quase artesanal, mas ciente de que existe vida após o google.
Em suas páginas já publicamos denúncias sobre trabalho escravo no Pará, trabalho infantil em Minas Gerais, acidentes de trabalho em Santa Catarina, contaminação urbana por mineração no Amapá, desmatamento ilegal na Amazônia, exploração de imigrantes ilegais em São Paulo, discriminação de gênero e outros temas ligados a violações de direitos. Várias vezes, rastreando a cadeia de valor que envolve esses delitos até chegar a grandes corporações brasileiras e estrangeiras.
A tiragem da revista é bastante limitada – em geral, 10 mil exemplares – e a distribuição, precária, focada em formadores de opinião. Mesmo assim as repercussões das reportagens têm sido animadoras. No caso do trabalho escravo em carvoarias no Pará, por exemplo (edição publicada em 2004), a reportagem contribuiu para que o setor siderúrgico formalizasse um pacto nacional pela erradicação do crime. A denúncia de trabalho infantil na mineração em Minas Gerais levou a três conhecidas multinacionais a romper com seus fornecedores (a Basf, registre-se, ainda resistiu a quase um ano de pressões antes de admitir formalmente o problema). O mergulho nas oficinas de trabalho degradante de bolivianos em São Paulo levou a C&A a prometer mais rigor nos contratos com terceirizados.
Também há vezes em que a denúncia cai no vazio, como a reportagem sobre mutilação de trabalhadores no setor moveleiro de Santa Catarina, que publiquei em 2006. Repercussão mínima na imprensa estadual, pra não dizer nula (esta foi menção honrosa no Prêmio Herzog, e tive a honra de subir ao palco com a melhor jornalista brasileira em atividade hoje, Eliane Brum, que ganhara na categoria revista).
De qualquer maneira, com recursos escassos e estrutura mínima, vamos fazendo marola. Às vezes até traduzimos alguns textos pro inglês (thanks, Jeffrey Hoff) pra repercutir lá fora e, por tabela, ressoar no Brasil. Nestes tempos em que o jornalismo se repensa em crise existencial, a vitalidade de uma publicação do terceiro setor anima a gente. Há caminhos. No caso da revista do IOS, um deles, a meu ver, é a ampla liberdade que os profissionais de comunicação têm para desenvolver seu trabalho, sem grandes interferências de quem os financia. O outro tem a ver com o que a já citada Eliane Brum disse quando recebeu o Prêmio Rei da Espanha, ao classificá-lo como um reconhecimento ao jornalismo que vai para a rua.
Nesta edição 16, infelizmente, não pude ir “à rua”. Escrevi uma reportagem sobre a China sem sair de meu canto no Campeche, onde, entre a rede e o computador, devorei alguns livros, dezenas de sites, fiz algumas entrevistas pelo skype e reativei a memória de minha visita a Hong-Kong e Taiwan no século passado. Mas creio que atingi o objetivo, que não era fazer um tratado, e sim dar algumas pinceladas sobre as mudanças que estão acontecendo por lá e resumir um estudo inédito que vai ser publicado em breve sobre os impactos nos trabalhadores latino-americanos. Ah, as fotos foram feitas in loco. Belas imagens clicadas pela amiga Tatiana Cardeal, que foi à China receber um prêmio de fotografia e aproveitou bem a viagem. Também nesta edição apresentamos uma série de artigos com visões sobre o desenvolvimento que queremos para o Brasil; uma reportagem sobre diálogo social; e a repercussão de Devastação S/A, que saiu na edição 15, sobre o “esquentamento” de madeira ilegal na Amazônia.
Inauguramos também o novo projeto gráfico, de autoria da mesma Tatiana Cardeal. A revista está mais analítica e não traz nada de espetacular desta vez quanto a denúncias (há um artigo polêmico do presidente da Eletrobrás sobre Belo Monte), mas aguarde… Para baixar em pdf ou solicitar um exemplar impresso pelo correio, clique aqui.
06
mai10
O que o Brasil não pode?
Com o consentimento do autor, compartilho na íntegra este texto sobre direitos humanos.
O que o Brasil não pode?
Celso Vicenzi – jornalista, assessor de imprensa do Sintrafesc e colunista do portal www.acontecendoaqui.com.br
Florianópolis-SC
Há algo de errado com um país que não consegue olhar para o seu passado.
Há algo muito errado com um país quando a sua mais alta Corte de Justiça decide não condenar aqueles que cometeram o mais hediondo de todos os crimes: a tortura de seres humanos.
Deve haver alguma coisa muito errada com um país quando é o último, no planeta, a extinguir a escravidão, um país que queimou documentos sobre este período e nunca adotou políticas públicas que pudessem redimir a injustiça praticada contra a população negra.
Há algo de feroz num país que, embora viva o mais longo período democrático ininterrupto da sua história, mostra suas garras cada vez que aqueles que sofreram e foram espezinhados clamam por algum tipo de justiça.
Há algo que não se explica num país que, teoricamente livre e democrático, considera que há assuntos que não podem ser investigados.
Há algo de profundamente desconfortável em nossa crença de cidadãos civilizados, com bons modos à mesa, quando sabemos que todos os dias, em muitas delegacias do país, seres humanos são torturados impunemente sem que a sociedade, que se uniu e se insurgiu contra a tortura aos presos políticos, agora demonstre a mesma vontade de lutar contra a tortura de presos comuns, notadamente negros e pobres.
Argentina, Chile, Bolívia, Peru e Uruguai investigaram e puniram, de alguma forma, aqueles que praticaram atrocidades durante períodos de ditadura. Trouxeram à tona acontecimentos que não devem ser esquecidos.
O Chile inaugurou no dia 11 de janeiro deste ano, o Museu da Memória e dos Direitos Humanos. “No local há fotografias das vítimas, depoimentos de homens e mulheres que foram torturados, cartas de crianças a seus pais desaparecidos e até a reprodução de uma sala de tortura com uma cama elétrica”, informa a Agência Brasil.
O que o Chile pode que o Brasil não pode?
Todos os anos, a Alemanha expia os pecados do nazismo, quase como um mantra de condenação perpétua. Ou como escreveu o New York Times, “a maioria dos países comemora os melhores momentos de sua história. A Alemanha, porém, não cansa de promover o que houve de pior na sua”.
O que pode a Alemanha, que o Brasil não pode?
Há milhões de documentos sobre as monstruosidades cometidas por Hitler e boa parte de seus seguidores, abertos a quem queira conhecer o passado. Há um gigantesco memorial do Holocausto no centro de Berlim. Campos de concentração onde judeus, ciganos, gays, crianças, mulheres e adultos foram exterminados, são preservados e mantidos abertos à visitação pública. A Alemanha trabalha agora na construção de um novo museu, onde foi a sede do partido nazista. O futuro Centro de Documentação da História do Nacional-Socialismo deve ser inaugurado em 2011, informa o jornal O Globo. Não há revanchismo nem sadismo em tudo isso. O objetivo declarado, de acordo com o site do museu, “é criar um local de aprendizagem que sirva para o futuro”.
Que lição o Brasil quer deixar para o futuro, sobre tantos episódios sangrentos e tão pouco edificantes da nossa história?
O que a Alemanha e o Chile podem, que o Brasil não pode?
Com a palavra, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), que no dia 29 de abril de 2010, por 7 votos a 2, permitiram que fosse arquivada a ação da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que contestava a Lei de Anistia e reivindicava o direito de processar torturadores. O direito internacional condena a tortura como “crime inafiançável”. Não é o que pensa a Justiça brasileira. O direito internacional quer banir anistias que regimes ditatoriais se autoconcedem para fugir à responsabilidade de crimes bárbaros. Representantes da Anistia Internacional, da ONU, da OEA foram unânimes em lamentar a decisão.
A nossa mais alta Corte de Justiça – num país que é um dos mais injustos e campeão da impunidade – considera que estupros, torturas, assassinatos em interrogatórios e outras violências praticadas contra pessoas indefesas são delitos políticos ou “conexos”, ou seja, vinculados a eles. Em resumo, deram uma “dimensão política” à prática da tortura. Seus nomes serão lembrados, no futuro, muito mais do que desejariam, por produzirem decisão tão lamentável.
Tim Cahil, da Anistia Internacional, resumiu a gravidade do que aconteceu: “Em um país onde não são julgados assassinatos desencadeados pela força policial e onde muitos são torturados em delegacias e prisões, essa posição é um claro sinal de que no Brasil ninguém é responsabilizado quando o Estado mata seus próprios cidadãos”.
28
abr10
Mais um prêmio
Ontem, em Bento Gonçalves, RS, a Revista do Observatório Social ganhou o Prêmio Fiema de Jornalismo Ambiental na categoria revista, ao qual concorria com a reportagem Devastação S/A, sobre corporações que se beneficiam com o desmatamento ilegal da Amazônia.
Com este são 6 prêmios para reportagens investigativas sobre direitos humanos e meio ambiente em apenas 16 edições, desempenho excelente pra uma publicação do terceiro setor. Fico muito honrado em compartilhar a autoria da matéria com André Campos, Carlos Juliano Barros, Leonardo Sakamoto (esses três, da ong Repórter Brasil), Marques Casara, Paola Bello e Sérgio Vignes.
Para fazer o download da versão completa da revista, clique aqui. [pdf, 1,67 MB]. Se quiser imprimir em resolução melhor, baixe aqui [pdf, 4,84 MB].
p.s.: Na mesma categoria Revista, ficou entre os três finalistas do prêmio o amigo, colega freelancer e vizinho Mauricio Oliveira. Parabéns, meu caro!
22
abr10
Brasília, rica e desigual
O Valor Econômico de hoje publica uma matéria minha num suplemento especial sobre os 50 anos de Brasília. O texto mostra que a capital federal tem alto poder aquisitivo e indicadores sociais superiores à média brasileira, mas também uma profunda desigualdade social entre o centro e a periferia (íntegra aqui no blog; a versão do jornal é resumida e restrita a assinantes). Tive grande prazer em fazer esta reportagem, pois gosto de Brasília e aprendi muito com os entrevistados. Hora dessas quero voltar a alguns aspectos que não tive tempo de ir mais a fundo, como, por exemplo, uma interessantíssima tese de doutorado sobre a “solidão social” na cidade, à qual me referi só de passagem.
27
mar10
Trabalho escravo e impunidade
Uma reportagem do meu amigo Lúcio Lambranho e do colega Edson Sardinha no site Congresso em Foco (aquele da farra das passagens) mostra que quase a metade dos 645 empregadores incluídos na chamada “lista suja” do trabalho escravo, do Ministério do Trabalho e Emprego, entre 2003 e 2007, ainda não responde pelo crime na Justiça. Também revela que, mesmo quando o julgamento resulta em condenação, há sempre uma maneira de evitar a prisão. Resultado: ninguém cumpre pena por esse tipo de crime no país.
O Supremo Tribunal Federal continua a discutir se a competência para julgá-los é estadual ou federal. “A demora de até sete anos para o início da tramitação das ações criminais impede qualquer chance de punição desse tipo de crime em muitos casos”, diz o texto de Lambranho e Sardinha. “A pena máxima por trabalho escravo, previsto no artigo 149 do Código Penal, é de oito anos de prisão. Mas, para os maiores de 70 anos, esse prazo cai pela metade: seis anos. Como a maioria dos empregadores, por poder pagar bons advogados, consegue levar suas ações até a última instância no Superior Tribunal de Justiça (STJ), as chances de prescrição sãos altas”.
18
mar10
17
mar10









