Posts com a tag ‘reportagem’

25

Oct

10

Biodiversidade

O Valor Econômico publicou uma revista especial sobre biodiversidade, em edição bilíngue para ser distribuída na Conferência de Nagoya (18 a 29 de outubro). Participei com duas matérias, sobre Mata Atlântica e Pampa. Gostei bastante de fazê-las, pois elas apontam bons exemplos de como o mundo corporativo pode ajudar na preservação desses biomas em parceria com ongs ambientalistas. Clique no link para folhear a edição digital da revista.

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17

Sep

10

Novas oportunidades para os oceanógrafos

Diretor do CTTMar/Univali, João Luiz de Carvalho. Foto: Eugênio Andreola/Coletivo Catarina

Diretor do CTTMar/Univali, João Luiz de Carvalho. Foto: Eugênio Andreola/Coletivo Catarina

Saiu hoje no Valor uma matéria que fiz sobre a carreira de oceanógrafo. O primeiro curso do país, da Universidade Federal de Rio Grande, (Furg, no RS), completou 40 anos de criação em agosto. O curso da Univali, em Itajaí, foi o terceiro a ser criado e é forte referência no meio acadêmico. Gostei da pauta. Não só pelo assunto, que envolve uma profissão fascinante. Também pela oportunidade de entrevistar pessoas que amam o que fazem. E ao ar livre, pertinho do mar. Não é todo dia.

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06

Sep

10

Indústrias moveleiras voltam a crescer

No dia 30/8 saiu no Valor Econômico uma matéria minha sobre a indústria de móveis de Santa Catarina, que voltou a crescer em 2010. O bom desempenho é focado no mercado interno e se beneficia do crescimento da construção civil: 12,5% entre julho de 2009 e de julho deste ano, o maior entre os segmentos da economia, segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Também pode ser atribuído aos investimentos empresariais em tecnologia e design. Santa Catarina é o estado que mais exporta móveis no país.

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05

Sep

10

Impasse: entrevista com os diretores

Impasse. Foto: Denis Schneider.

Impasse. Foto: Denis Schneider

Entrevistei Juliana Kroeger e Fernando Evangelista sobre o documentário Impasse, que eles vão lançar no dia 16 às 19h30 na Reitoria da UFSC. O filme mostra as manifestações estudantis contra o aumento nas tarifas de ônibus de Florianópolis e aborda a questão da mobilidade urbana. Ju enfatiza a importância de se fazer um jornalismo honesto, buscando sempre “a melhor versão da verdade”. Fernando conta como se surpreendeu com o tom das manifestações, cheias de arte e riso. Outro fato marcante pra eles foi o assustador despreparo do poder público. Durante a cobertura, alguns integrantes da equipe de filmagem foram atingidos por disparos de taser, armas de choque que a PM parece usar como brinquedinhos e que, em certas circunstâncias, podem ser fatais.

O que motivou vocês a fazer o filme?

Juliana: A importância, a urgência e a proximidade do tema.

De que forma a experiência de vocês em coberturas de zonas de conflito foi útil na realização deste documentário?

Impasse. Foto: Juliana Kroeger.

Impasse. foto: Juliana Kroeger.

Juliana: Uma coisa importante em qualquer conflito, eu acredito, é mostrar que você é jornalista. Você não é policial, não é militante, não é estudante, você está ali para ouvir todos os lados e reproduzir o que você está vendo, ouvindo e sentindo da maneira mais honesta possível. Você está ali para relatar, como disse Carl Bernstein, um dos repórteres do Caso Watergate, “a melhor versão possível da verdade”. Ser jornalista, na hora da confusão braba, às vezes serve de proteção, outras vezes não. Nesse caso específico, serviu. Conseguimos fazer nosso trabalho sem restrições. O único problema é que, principalmente nos primeiros dias, a manifestação estava infestada de policiais se passando por jornalista e alguns estudantes ficavam desconfiados com a gente. Tomamos o cuidado de usar sempre o crachá da Doc Dois e levar nossa carteira de jornalista. Dessa vez, pela experiência, íamos acompanhando as manifestações já prevendo para onde correr em caso de conflito, mas tendo sempre em mente que só podemos fazer boas imagens se estamos muito próximos. Em 2004, na chamada “Revolta da Catraca”, fui atingida por uma bala de borracha. Neste ano, saímos ilesos, mas alguns integrantes da nossa equipe foram atingidos com tasers, as armas de choque. O fotógrafo Hans Denis recebeu um choque no estômago e o cinegrafista Carlos Cazé recebeu um choque nas costas.
Não é raro que documentaristas comecem um projeto com uma idealização da realidade e essa imagem se transforme durante a apuração. Isso aconteceu com Impasse ou vocês confirmaram a hipótese inicial? Quais foram as surpresas do caminho?

Impasse. Foto: Juliana Kroeger.

Impasse. Foto: Juliana Kroeger.

Fernando: Uma das coisas mais fascinantes do trabalho jornalístico, pra mim, é essa surpresa diante da realidade. É esbarrar com alguma coisa que não estava prevista, é sair do roteiro, é encontrar pessoas ou fatos que nos façam perceber determinada realidade de forma diferente. Eliane Brum tem um texto lindo sobre isso. Ela diz que o grande barato de ser repórter é a surpresa diante do mundo. Minha primeira surpresa foi ver um pessoal muito jovem, boa parte secundarista, fazendo política com bom humor e com criatividade. Aquela coisa das caras amarradas, punhos cerrados, nesse movimento daqui, pelo menos nas cinco semanas de manifestações, foi substituída pela leveza, pela arte e pelo riso. É um movimento sem líderes fixos, totalmente horizontal, sem ligação com partidos políticos. Isso me surpreendeu de verdade. Eles viraram de cabeça para baixo aquela forma de luta que eu conhecia. Quando começamos a gravar, pensei que os atos estavam sendo organizados pelo Movimento Passe Livre. Não estavam. Também não sabia que o Movimento Passe Livre não luta mais pelo Passe Livre, mas pela Tarifa Zero. Não sabia nada sobre a política da Tarifa Zero. Não sabia que 38 milhões de brasileiros não podem pegar ônibus por causa das tarifas e nunca tinha pensado que o transporte público, na verdade, não é público. Se você não tem dinheiro para pagar a educação do seu filho, você tem a possibilidade de colocá-lo numa escola pública. Você tem a saúde pública, através do SUS, você tem a segurança pública, mas o transporte, não. O transporte tem que ser pago. Nunca tinha pensado nisso. E me surpreendeu ainda a incapacidade desses jovens, tão criativos, de unir forças com os trabalhadores do transporte, com os motoristas e cobradores. Existe um oceano separando essas duas forças. Além disso, muitos deles continuam vendo a polícia como o principal oponente, mas isso não me surpreendeu.
O que mais lhes chamou a atenção na postura do poder público e na cobertura da mídia sobre os conflitos? O que o filme agrega de diferencial?

Impasse. Foto: Pedro Machado.

Impasse. Foto: Pedro Machado.

Fernando: Sobre a postura do poder público, me surpreendeu a incrível falta de tato, de jogo de cintura e de inteligência mesmo. Um despreparo assustador e explícito. Sobre a cobertura da mídia, apesar de não ter acompanhado atentamente, acho que foi melhor do que a cobertura de 2005. Nosso documentário faz a cobertura das manifestações, da ação da polícia, com um pouco mais de profundidade do que tem passado nas tevês, até porque na televisão temos matérias e nossa história é documentário, então a diferença começa pelo tempo. E, segundo, acho que tem uma diferença de abordagem. Um exemplo: temos bem claro que uma das funções do jornalismo é fiscalizar o poder, seja ele qual for. Isso poder parecer arrogante e pretensioso, mas não vejo isso na grande mídia hoje em dia. Não vejo nem na grande mídia, marcadamente de direita, nem vejo no que se convencionou chamar de imprensa alternativa ou independente, tradicionalmente de esquerda. Pra mim, tanto um lado quanto outro, com honrosas exceções, têm usado seus espaços para fazer propaganda ideológica e não jornalismo. E, agora, em época de eleição, isso está cada vez mais evidente. É Fla-Flu midiático, muito apaixonado e pouco objetivo.
Na avaliação de vocês, por onde passam as soluções para o impasse na crise de mobilidade urbana de Florianópolis? Que ensinamentos esse conflito pode dar para outras cidades que enfrentam o problema?

Impasse. Foto: Daisy Schio.

Impasse. Foto: Daisy Schio.

Fernando: Fazer viadutos, faixas especiais para os ônibus etc. etc. são medidas importantes, mas insuficientes, paliativas. Tem que se investir, de fato, no transporte coletivo. Um dos nossos entrevistados, Lúcio Gregori, engenheiro e criador do projeto Tarifa Zero, afirma que o transporte coletivo só poderá “concorrer” com o carro, quando ele for muito bom e muito barato. Aí a gente tem o exemplo da cidade de Hasselt, na Bélgica, que adotou o Tarifa Zero. Em dez anos, o uso transporte público aumento mais de 1.000%. As pessoas deixaram de andar de carro para andar de ônibus e, lógico, a mobilidade urbana melhorou consideravelmente. Para que isso aconteça, acho que o primeiro passo é o Estado assumir essa atividade. Mas quem pagaria esse transporte gratuito? Como seria feito? A gente toca nessas questões no documentário, mas o foco mesmo do nosso trabalho acabou sendo as manifestações.

Entrevista ilustrada com fotos de Denis Schneider, Juliana Kroeger, Pedro Machado e Daisy Schio.

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02

Sep

10

Impasse

JuImpasse. Doc de Juliana Kroeger e Fernando Evangelistaliana Kroeger e Fernando Evangelista lançam no dia 16 às 19h30, no auditório da Reitoria da UFSC, o documentário Impasse, sobre as manifestações dos estudantes contra o aumento da tarifa do transporte coletivo em Floripa. Eles acompanham o tema há bastante tempo e captaram os desdobramentos dessa história “em cima do lance”, com o faro e a sensibilidade de jornalistas investigativos que já cobriram situações de conflito em outros cantos do mundo, como o Líbano, a Palestina e a Turquia. Se você até agora só tomou conhecimento desse assunto por meio dos jornalis e tevês locais, vale conferir por um ângulo inusitado. A questão da (i)mobilidade urbana é um dos problemas mais sérios da nossa “Ilha da Magia” e vem sendo tratada há décadas com descaso, quando não com irresponsabilidade e coisas piores, pelo poder público. Tema da hora.

Além de cenas que não foram exibidas em nenhuma tevê, incluindo flagrantes de violência durante os atos públicos ocorridos em maio e junho de 2010, o documentário revela o que pensam usuários, trabalhadores, especialistas e empresários do transporte. Expõe as contradições e as diferenças de posição dos estudantes e dos representantes dos governos municipal e estadual.

Impasse discute ainda questões que se entrelaçam e se completam: por que a cidade se tornou um símbolo na luta pelo transporte público? O que aconteceu durante a ação da Polícia Militar na Universidade do Estado de Santa Catarina, no dia 31 de maio de 2010? Qual são os limites e os direitos dos movimentos sociais na democracia? Quais são os prós e os contras do atual modelo de transporte? Por que a mobilidade urbana é um dos grandes temas do século XXI? Existe, afinal de contas, saída para este impasse?

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14

Jul

10

Previdência e metáforas do futebol

Bolas. Foto de Sonia Vill/Quorum Comunicação.Há dois meses, fiz uma série de entrevistas com cinco ex-jogadores de futebol: Rubão, Balduíno, Albeneir, Lico e Hamilton. Eles recordam erros e acertos de suas carreiras e dão dicas às novas gerações. A reportagem As lições da bola fez parte do Relatório 2009 da Fundação Celesc – Celos, realizado pela Quorum Comunicação e publicado agora em julho.

Gostei demais de fazer esse trabalho, não só pelo aprendizado com os professores de bola, como pela oportunidade de contribuir para o projeto dos amigos da Quorum, um time de gente talentosa, goleadora e de bem com a vida. A publicação relaciona previdência com metáforas do futebol. É um belo exemplo de como se pode usar comunicação criativa pra fugir da chatice dos relatórios corporativos. Valeu, Gastão, Claudio Lucio, Soninha, Frank e Audrey!

Fotos: Sonia Vill

Veja o making-of da publicação.

Clique na imagem para ver o Balanço.

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30

Jun

10

Paredes pintadas

Este videodocumentário é o trabalho de conclusão de curso que Pedro Santos (conhecido como Mi) apresentou nesta terça-feira à banca examinadora do curso de jornalismo da UFSC. Ainda não assisti, mas quem já viu garante que é forte candidato a ganhar muitos prêmios sobre direitos humanos.

Sinopse
Em 1964, um golpe civil-militar inaugurou um período em que o Brasil seria governado pelas Forças Armadas. O documentário “Paredes Pintadas” traz as lembranças de quatro mulheres que lutaram contra o regime. Dulce Maia, Sonia Lafoz, Renata Guerra Andrade e Damáris Lucena foram militantes da organização clandestina Vanguarda Popular Revolucionária (VPR). Hoje, mais de quarenta anos do dia do golpe, elas se lembram do tempo em que o país estava sob o comando dos militares. Mas quando as próprias memórias vêm à tona, existe um passado que insiste em não passar…

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17

Jun

10

Arranjos Produtivos Locais na Região Sul

Mais uma materinha de economia. Coloquei no blog a íntegra da reportagem Sul é pioneiro em políticas de apoio a APLs, que saiu (condensada) no Valor Econômico de 24 de maio, num suplemento especial sobre Arranjos Produtivos Locais. O texto aborda um estudo realizado para o BNDES por pesquisadores de três universidades (UFSC, Unisinos e UFPR). Uma das conclusões é que, nos últimos anos, houve certa “perda de fôlego” dos governos estaduais no apoio aos APLs, e que esse vácuo vem sendo preenchido por outras instituições, como sindicatos e entidades de apoio a micro e pequenas empresas. Um dos exemplos de sucesso que apresento é o Platic, Arranjo Produtivo Local das empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação de SC. Vale lembrar que minha reportagem faz parte de um conjunto de textos que traçam um panorama nacional. Infelizmente o acesso ao suplemento está disponível só para assinantes do Valor.

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10

Jun

10

Futebol

Lindo ensaio fotográfico de Soninha Vill sobre futebol. Tive a honra de acompanhá-la como repórter em algumas das ocasiões que renderam cliques – por exemplo, na do ex-jogador Albeneir sentado no meio da arquibancada do estádio do Figueirense.

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24

May

10

3 perguntas a Cláudio Farias: vitivinicultura

Fiz estas perguntas por e-mail para uma reportagem sobre Arranjos Produtivos Locais (APL), publicada pelo Valor Econômico. O professor Cláudio Farias é diretor de Desenvolvimento Institucional do Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS) no campus Porto Alegre. Conversamos sobre o APL da vitivinicultura da Serra Gaúcha, objeto de suas pesquisas. Tive que condensar a entrevista – perguntas escritas + conversa por telefone + infos que ele me enviou por e-mail – por causa da limitação de espaço na matéria.

Por que os vitivinicultores se beneficiam com a organização em APL? Pode dar exemplos?

Cláudio Farias: Esse tipo de organização em APL é o grande diferencial para as vinícolas da região da Serra gaúcha, uma vez que a proximidade das firmas, unido com a proximidade de fornecedores, viticultores, além de centros de pesquisa e institutos de formação de recursos humanos capacitados, é o que garante a posição de destaque do APL. Minhas pesquisas recentes têm apontado para os ganhos que as vinícolas que se relacionam com os fornecedores de máquinas e equipamentos tem conquistado em trabalhar próximo, não apenas geograficamente, mas desenvolvendo produtos e tecnologias conjuntamente. Outro exemplo pode ser os investimentos que muitas vinícolas têm realizado na reconversão de vinhedos de viticultores parceiros. Esse investimento vai muito além do fornecimento das mudas de uvas viníferas, mas com a contratação de agrônomos e enólogos que auxiliam os produtores rurais na produção de uvas de qualidade.

Quais eram os principais gargalos do setor e como foram e estão sendo superados por meio do associativismo?

Cláudio Farias: Ao responder essa questão, não pretendo que entendas que todos os gargalos foram superados. Muito pelo contrário. Existem dificuldades enormes a serem suplantadas, a maior de todas, a meu ver, dizem respeito a logística e relacionamento com os compradores atacadistas e varejistas localizados por todo o país. No entanto, acredito que a maior barreira que foi superada foi no sentido de acessar os mercados internacionais, principalmente por meio do consórcio de exportação “wines from brazil”, organizados pela APEX BRASIL e o IBRAVIN. Tal estratégia de associação é totalmente deliberada, pois as 38 empresas participantes (34 delas da Serra gaúcha) tem buscado os mercados internacionais com a finalidade de valorizar os seus produtos no mercado nacional, uma vez que o consumidor brasileiro valoriza os produtos que possuem experiência e participação no exterior.

De que forma as empresas do setor foram e são beneficiadas por políticas públicas e privadas?

Cláudio Farias: Acredito que é justamente através do “wines from Brazil” que se consegue perceber alguns dos principais benefícios advindos de políticas públicas e privadas. Não apenas a exportação,mas principalmente a experiencia internacional tem intensificado os processos de inovação entre as firmas do APL. Também, devemos considerar a presença de duas instituições públicas federais na região, que fornecem suporte em pesquisa (EMBRAPA CNPUV) e ensino (Campus Bento Gonçalves do Instituto Federal do RS) às empresas do APL. Porém, ainda há um grande espaço de progresso nesse sentido, principalmente através do trabalho conjunto das associações empresariais, as instituições de ensino e pesquisa e o Estado, em suas diversas esferas.

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