Posts de 2012

10

Feb

12

Cleto

Cleto no lago

Cleto, o cachorro da família Güenul, no lago Nahuel Huapi, em Villa La Angostura, Argentina.

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09

Feb

12

Um homem extraordinário

Excelente biografia sobre um dos homens mais extraordinários do século 19: Sir Richard Francis Burton. Escritor, tradutor, poeta, militar, diplomata, explorador, agente secreto, linguista (conhecia 29 idiomas e vários dialetos), etnólogo, ele fez uma tradução das Mil e Uma Noites que chocou a sociedade vitoriana. Também levou à Europa o Kama Sutra e outras obras indianas; foi um dos primeiros ocidentais a fazer a peregrinação a Meca, disfarçado de afegão; descobriu o lago Tanganica, na África; desceu o rio São Francisco, no Brasil; cruzou o Velho Oeste dos EUA numa diligência, e conviveu com os mórmons; escreveu sobre extração de clitóris, eunuquismo e costumes sexuais de vários povos; converteu-se ao islamismo e aprofundou-se no sufismo etc. etc. Cinco estrelas.

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07

Feb

12

O povo brasileiro e o bar Savoy

Na última página de O povo brasileiro, de Darcy Ribeiro, papai deixou na margem o comentário de que é um ” magnífico livro”. E também esta anotação, precedida pela observação de que não tem nada a ver com a obra:

Numa placa de bronze afixada na parede interna do último edifício da Avenida Dantas Barreto, no Recife, lê-se: ‘Por isso, no bar Savoy, o refrão tem sido assim: são trinta copos de chope, são trinta homens sentados; trezentos desejos presos, trinta mil sonhos frustrados’.
Camillo, 19/09/2007 – quinta-feira. Russas-CE, BRASIL.

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06

Feb

12

Enquanto isso, lá em Cambridge…

Neve em Cambridge

Neve em Cambridge

Neve em Cambridge

Fotos de Fabrício Boppré.

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30

Jan

12

A rainha do Sabiá

Hoje de manhã, em Fortaleza, morreu a tia Edite, mana querida de meu pai, com quase 90 anos de idade. Ela era a última sobrevivente dos irmãos dele, depois da partida da tia Maria do Céu aos 91 no ano passado. Visitei tia Edite em abril (poucos dias depois da morte dele), no quarto-enfermaria montado no apartamento da prima Judite. Tia Edite viveu os últimos tempos sofrendo com as doenças inevitáveis da velhice, mas em relativa serenidade, no aconchego da família. Ela alternava momentos de lucidez com outros em que viajava no tempo da sua longa existência, recordando antigas rezas e canções ou conversando com seus amados que já tinham partido. Pele alva, mãozinhas encarquilhadas pelo tempo, tinha lindos olhos claros que nos encaravam com imensa doçura.

Nunca vou esquecer das férias de infância que eu passava no sítio do Sabiá, em Russas. Aquele cenário de caatinga cearense faz parte de mim. Eu brincava entre os pés de carnaúba, corria atrás das galinhas-de-angola e admirava os cachorros de cabeça grande tangerem o gado pro curral, comandados pelo tio Raimundo Cláudio. De chapéu preto, magro, forte e calado, sempre trabalhando numa coisa ou outra, tio Raimundo Cláudio emanava uma energia silenciosa que combinava demais com o lugar. A água vinha de um riacho a alguns quilômetros, trazida em barricas pelos jumentos. Não havia luz elétrica e nenhum vizinho ao alcance da vista, só um enorme pátio com mato ressecado e a casinha de taipa abandonada ao lado, onde ela os irmãos tinham nascido. Enormes pés de tamarindo faziam a gente apertar os olhos ao olhar pra cima, seus galhos mais altos se misturando com as nuvens flocadas. Sol de torrar, banho de cuia. Depois das três da tarde, pontual, chegava o Vento Aracati pra refrescar a alma dos viventes.

Quando anoitecia, tia Edite acendia um lampião que enchia o velho casarão com cheiro de querosene e produzia um jogo impressionante de luz e sombras. A gente ensaiava a fuga, mas sabia que era inevitável: ela nos arrebanhava todos pra rezar o terço na calçada, em tamboretes e cadeiras de balanço. Eu contava os minutos pra acabar logo a reza, mas aquela ladainha era também hipnotizante, fazia a gente dar um curioso mergulho em si mesmo – anos depois, quando aprendi o que era mantra, me lembrei disso. Depois seguíamos pelo corredor comprido até a cozinha, nos fundos, e íamos jantar – comida simples, mas sempre gostosa. Às vezes aparecia uma visita que amarrava o cavalo na árvore da frente e sentava pra bater papo. Aí ficávamos ouvindo as conversas dos adultos: noivas que fugiram, bailes, crimes; comentários sobre a seca; anedotas, histórias de assombração. No céu, uma imensidão de estrelas, a não ser quando era lua cheia, outro espetáculo mágico.

Tia Edite era rainha absoluta de seus domínios, respeitadíssima por todos – e fazia um lindo par com tio Raimundo Cláudio. Ah, eu adorava as férias no Sabiá. Aos meus olhos de sete anos, tudo aquilo me parecia grandioso. Já se vão quase quarenta anos. Muita coisa mudou, outras, nem tanto. A propriedade hoje tem luz elétrica e bomba d´água, mas continua sem vizinhos próximos – e as antigas fotos de família continuam ornando as paredes. A casa de taipa onde tia Edite e os irmãos nasceram não existe mais, desabou de velhice. Permanecem de pé os carnaubais e continuam por lá as misteriosas inscrições rupestres. Os rios secos ainda transbordam na estação das chuvas, isolando a propriedade. Os pés de tamarindo também resistem ao tempo – devem ter saudade daqueles dois meninos, Janes e Jacó – meu pai e meu tio -, que subiam até os galhos mais altos pra se esconder da mãe quando aprontavam alguma presepada. Tio Raimundo morreu faz tempo e a família mora em Fortaleza. Lá vive só o primo Cláudio, poeta meio ermitão que cria uns sete gatos, faz seu próprio queijo e com quem gosto demais de prosear. Adeus, tia Edite, e obrigado por ter existido.

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30

Jan

12

Sonho 30.01.2012

Sonhei que era funcionário público e trabalhava numa mesa ao lado do Zé Dassilva. Aí uma pessoa me procurou com uma proposta pra que escrevesse “frases engraçadas e criativas” pra uma revista. Recomendei que ele falasse também com o Zé, “o melhor frasista da América do Sul”. Aí o cara nos disse que o orçamento da revista era apertado e eles iriam nos remunerar colocando nosso nome no expediente e assinando as matérias, o que iria projetar a gente no mercado. A partir daí o sonho ficou confuso, mas lembro que o Zé e eu fizemos várias piadinhas com o cara e não aceitamos a oferta. Acordei e tocou o telefone. Era o Zé, que tava em Floripa e me chamava pra ir pra praia com o Blue.

p.s.1: Terminamos não indo porque a Luísa foi picada por mosquitos e tava com o pé machucado.

p.s.2: Um blog que tem tudo a ver com esse sonho é o do Di Vasca. Boas risadas garantidas, principalmente pra quem tá acostumado a receber propostas indecentes de trabalho.

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25

Jan

12

Fibra

Trailer do novo documentário de Fernando Evangelista e Juliana Kroeger, Fibra, sobre a Coepad, de Florianópolis, primeira cooperativa brasileira formada por pessoas com deficiência intelectual. O lançamento está previsto para março. Mais informações no sítio da produtora DocDois.

Trailer do documentário Fibra from Doc Dois on Vimeo.

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18

Jan

12

Violência policial no Maciço do Morro da Cruz

Reproduzo do Facebook do Fernando Evangelista:

Do amigo Marcelo Peregrino: “VIOLÊNCIA DA PM CONTRA AS POPULAÇÕES MARGINALIZADAS NO MACIÇO DO MORRO DA CRUZ. NO dia 12 de janeiro do presente ano a PM invadiu o terreno de um morador do Maciço do Morro da Cruz, cuja ocupação tem mais de 50 anos. Pior do que a patrola sobre dezenas de árvores nativas e frutíferas sobre a área do conhecido Juca Fazendeiro é a imposição do absoluto terror pela corporação sobre essas populações marginalizadas. Ontem a noite, fiquei estarrecido com o relato dos moradores na reunião do Conselho Comunitário do Montserrat. A população (mulheres e crianças) foi recebida a bala/palavrões e não teve qualquer explicação sobre a invasão e destruição de porção significativa de área de preservação permanente do topo do morro. Goiabeiras, gabirobas, magueiras, pitangueiras, plantadas pelo Sr. Juca nos últimos cinquenta anos foram todas colocadas abaixo pela força da PM. Fiz uma representação ao MP estadual, a 28 promotoria de justiça, cujo promotor não pode nos receber e ao Procurador-Geral de Justiça. A Procuradoria da República acionada demonstrou um esmero exemplo de quem deve por dever legal servir ao público. Após o envio da representação fui imediatamente contatado pelo servidor responsável que já está tomando as providências junto ao órgão de execução. Tenho muito medo que isso se torne uma tragédia, pois os ânimos estão bastante acirrados. Hoje Anselmo Machado e eu acompanhado das lideranças do Morro tentaremos ser ouvidos pelas autoridades competentes, mais uma vez…”

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16

Jan

12

Nahuel Huapi

Lago Nahuel Huapi. Bariloche, Argentina

Lago Nahuel Huapi. Bariloche, Argentina

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05

Jan

12

Cinema catarinense de graça

A primeira quinzena de janeiro no novo Cinema do CIC – Centro Integrado de Cultura de SC – é dedicado ao cinema catarinense. Entrada gratuita. Confira a programação. Se você ainda não viu Espírito de Porco, vai passar neste domingo.

Cinema do CIC

Programação Especial Primeira Quinzena de Janeiro 2012

- Dedicada ao Cinema Catarinense – Entrada Gratuita

Dia 06/01 – Sexta-Feira :

20:30h – Fritz – de José Alfredo Abrão

Ficção, 22min, 2010

A vida do naturalista Fritz Muller (1822-1897). O filme relembra os últimos momentos de sua vida, suas pesquisas, a colaboração e a correspondência com Charles Darwin, a vida com a esposa e as filhas na colônia de Blumenau, o contato com os índios e as impressões sobre a exuberante natureza tropical.

21:00h – Seo Chico, Um Retrato – de José Rafael Mamigonian

Documentário, 95min, 2004

A história do lavrador Francisco Thomaz dos Santos, o conhecido Seo Chico que morou por seus 64 anos no sul da Ilha de Santa Catarina. O filme revela a rotina do protagonista, um dos últimos a viver num engenho e produzir a cachaça artesanal, atividade tradicional da Ilha de Santa Catarina e Litoral do Estado, colonizado por imigrantes açorianos. Em 1996, foi assassinato em circunstâncias misteriosas.

Dia 07/01 – Sábado:

20:30h – Desilusão – de Bob Barbosa e Marco Stroisch

Ficção, 23min, 2008

Entrelaça as expectativas do menino Maninho, que quer montar um boi-de-mamão e da jovem Maria da Graça, que alimenta o sonho de ser rainha da bateria. No pequeno espaço da comunidade onde moram, suas vidas seguem, caminhos paralelos que podem se cruzar a qualquer momento.

21:00h – Aos Espanhóis Confinantes – de Angelo Sganzerla

Ficção, 85min, 2008

Em tom de documentário, o filme narra a viagem épica ao Oeste do Estado realizada em 1929 pelo governador Adolpho Konder. No lombo de burros e cavalos, de carroça, automóvel, lancha e trem, um grupo de 30 homens, formado por historiadores, chefe de polícia, agrimensores, consultor jurídico, e deputados, percorreu 3 mil quilômetros. O objetivo da empreitada era tomar posse do território catarinense, em litígio com a Argentina e combater o banditismo reinante na região.

Dia 08/01 – Domingo:

20:00h – Black Out, A Comédia do Sinistro – de Marco Stroisch

Ficção,22min, 2008

Blackouts gira em torno do apagão ocorrido no final de 2003, que deixou a ilha às escuras por quase 60 horas. A história traz recortes bem-humorados da influência do evento no cotidiano dos moradores da ilha. Um deles trata de uma discussão de relacionamentos de um casal no elevador.

20:30h – Espírito de Porco – de Dauro Veras e Chico Faganello

Documentário, 52min, 2009

O Espírito de Porco defende os suínos narrando a sua trajetória, desde o nascimento até quando a sua carne vai para a mesa. Ele discute a alimentação e a poluição; apresenta os humanos com quem convive e os problemas do seu cotidiano; defende o seu valor e busca semelhanças com as pessoas.

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Dia 13/01 – Sexta-Feira :

20:30h – L’amar – de Sandra Alves.

Ficção,19min, 2003

Duas amigas, durante um fenômeno conhecido como “Calmaria 88″, ficam à deriva em alto mar numa prancha de windsurf. Esta situação inesperada, onde o desespero de ambas ecoa mudo na imensidão do oceano, as aproxima de forma física e emocional. Seus corpos numa situação limite se somam, como numa poesia cruel, ao mar apático e ao sol torturante.

21:00h – Doce de Coco – de Penna Filho

Drama, 104min, 2009

Narra a história de Madalena, uma sacoleira, e seu marido Santinho, artesão sacro, num momento em que a crise econômica do país também abala as finanças da família. Para sair da situação difícil em que se encontra, o casal apela para as apostas na loteria, até que a mulher tem um sonho fantástico: a existência de um tesouro enterrado no cemitério da pequena cidade em que vive, a imaginária Fartura. O problema é desenterrar o tesouro, quando o casal vive situações embaraçosas e muito hilariantes.

Dia 14/01 – Sábado:

20:30h – Cerveja Falada – de Demétrio Panaroto, Luiz Henrique Cudo e Guto Lima.

Documentário, 15min, 2010

Rupprecht Loeffler foi um senhor de 93 anos de idade. Sua profissão? Mestre cervejeiro. Ele e sua cervejaria, a “Canoinhense”, que está em atividade desde 1915, são os personagens deste documentário. Uma viagem no tempo.

21:00h – Muamba – de Chico Faganello

Ficção,78min, 2010

Lian é um jovem de uma fronteira sul americana em conflito com o pai, um contrabandista disfarçado de criador de insetos. Com uma câmera que grava o que nem todos conseguem ver, Lian viaja em busca da liberdade e de um carro ganho em um concurso de TV, e encontra um mundo desconhecido.

Dia 15/01 – Domingo:

20:00h – Nem o Céu, nem a Terra – de Isabela Hoffmann

Ficção,25min, 2005

Explora os conceitos extremos da ilusão e da realidade vividos por crianças inseridas no contexto da violência urbana.

20:30h – Celibato no Campo – de Cassemiro Vitorino e Ilka Goldschmidt

Documentário,52min, 2010

A intensa migração de filhos de agricultores, sobretudo de jovens mulheres, que saem para estudar e dificilmente retornam às propriedades rurais faz surgir um novo fenômeno social: o celibato masculino no campo.

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