03
Apr12
Seis anos de brunitezas
Hoje o Bruno completa seis anos. Ele já vinha na contagem regressiva há uns dois meses, tá todo contente – não só com o presente que saiu pra escolher junto com a mãe, como pela nova idade, de “menino grande”. Compartilho algumas brunitezas pra comemorar:
28/12/10
Dando uma geral no google docs, encontrei um documento sem título. Fui ver o que era e achei isso: brunoijhgbzdstwqy
01/10/10
Geografia do Bruno em dose tripla: Mauroega, Rei Nunido e João em Ville.
17/04/10
- Mãe, por que a gente sempre não vai ao McDonald’s?
15/04/10
A mãe apressando o menino no banho: “Bruno, quando você vai tirar o sabonete?”
Ele, na banheira quentinha: “Só depois do dia 15″
07/03/10
- Mãe, eu gosto de você várias vezes.
12/01/10
O quarto deles tava a maior bagunça. Miguel arrumava os brinquedos e Bruno, largadão na cama. Falei:
- Filho, levante pra ajudar seu irmão. – E ele: – Eu sei arrumar deitado.
09/01/10
Os manos conversando. Miguel: “Meu signo é escorpião. E o seu?” Bruno: “O meu é vagem”.
28/11/09
Adivinhações:
- Tem oito patas, molha e é do céu. – …? – Chuva!
- Tem bigode, mia e é do mar. – …? – Gato marinho!
03/10/09
- Pai, não quero mais ver esse filme. Tem muitas páginas.
20/07/09
Bruno, ouvindo Hermeto Pascoal pela primeira vez:
- Parece um monte de abelha chorando.
17/02/09
- Mãe, você é reciclável?
13
Feb12
Cozinha a Dois na tevê
O programa Missão Casa, apresentado pela Simone Bobsin, foi ao apartamento do Gastão e da Soninha apresentar a cozinha deles e o blog Cozinha a Dois, um espaço especial dedicado às delícias da culinária e da convivência. Bem legal!
09
Feb12
Um homem extraordinário
Excelente biografia sobre um dos homens mais extraordinários do século 19: Sir Richard Francis Burton. Escritor, tradutor, poeta, militar, diplomata, explorador, agente secreto, linguista (conhecia 29 idiomas e vários dialetos), etnólogo, ele fez uma tradução das Mil e Uma Noites que chocou a sociedade vitoriana. Também levou à Europa o Kama Sutra e outras obras indianas; foi um dos primeiros ocidentais a fazer a peregrinação a Meca, disfarçado de afegão; descobriu o lago Tanganica, na África; desceu o rio São Francisco, no Brasil; cruzou o Velho Oeste dos EUA numa diligência, e conviveu com os mórmons; escreveu sobre extração de clitóris, eunuquismo e costumes sexuais de vários povos; converteu-se ao islamismo e aprofundou-se no sufismo etc. etc. Cinco estrelas.
30
Jan12
A rainha do Sabiá
Hoje de manhã, em Fortaleza, morreu a tia Edite, mana querida de meu pai, com quase 90 anos de idade. Ela era a última sobrevivente dos irmãos dele, depois da partida da tia Maria do Céu aos 91 no ano passado. Visitei tia Edite em abril (poucos dias depois da morte dele), no quarto-enfermaria montado no apartamento da prima Judite. Tia Edite viveu os últimos tempos sofrendo com as doenças inevitáveis da velhice, mas em relativa serenidade, no aconchego da família. Ela alternava momentos de lucidez com outros em que viajava no tempo da sua longa existência, recordando antigas rezas e canções ou conversando com seus amados que já tinham partido. Pele alva, mãozinhas encarquilhadas pelo tempo, tinha lindos olhos claros que nos encaravam com imensa doçura.
Nunca vou esquecer das férias de infância que eu passava no sítio do Sabiá, em Russas. Aquele cenário de caatinga cearense faz parte de mim. Eu brincava entre os pés de carnaúba, corria atrás das galinhas-de-angola e admirava os cachorros de cabeça grande tangerem o gado pro curral, comandados pelo tio Raimundo Cláudio. De chapéu preto, magro, forte e calado, sempre trabalhando numa coisa ou outra, tio Raimundo Cláudio emanava uma energia silenciosa que combinava demais com o lugar. A água vinha de um riacho a alguns quilômetros, trazida em barricas pelos jumentos. Não havia luz elétrica e nenhum vizinho ao alcance da vista, só um enorme pátio com mato ressecado e a casinha de taipa abandonada ao lado, onde ela os irmãos tinham nascido. Enormes pés de tamarindo faziam a gente apertar os olhos ao olhar pra cima, seus galhos mais altos se misturando com as nuvens flocadas. Sol de torrar, banho de cuia. Depois das três da tarde, pontual, chegava o Vento Aracati pra refrescar a alma dos viventes.
Quando anoitecia, tia Edite acendia um lampião que enchia o velho casarão com cheiro de querosene e produzia um jogo impressionante de luz e sombras. A gente ensaiava a fuga, mas sabia que era inevitável: ela nos arrebanhava todos pra rezar o terço na calçada, em tamboretes e cadeiras de balanço. Eu contava os minutos pra acabar logo a reza, mas aquela ladainha era também hipnotizante, fazia a gente dar um curioso mergulho em si mesmo – anos depois, quando aprendi o que era mantra, me lembrei disso. Depois seguíamos pelo corredor comprido até a cozinha, nos fundos, e íamos jantar – comida simples, mas sempre gostosa. Às vezes aparecia uma visita que amarrava o cavalo na árvore da frente e sentava pra bater papo. Aí ficávamos ouvindo as conversas dos adultos: noivas que fugiram, bailes, crimes; comentários sobre a seca; anedotas, histórias de assombração. No céu, uma imensidão de estrelas, a não ser quando era lua cheia, outro espetáculo mágico.
Tia Edite era rainha absoluta de seus domínios, respeitadíssima por todos – e fazia um lindo par com tio Raimundo Cláudio. Ah, eu adorava as férias no Sabiá. Aos meus olhos de sete anos, tudo aquilo me parecia grandioso. Já se vão quase quarenta anos. Muita coisa mudou, outras, nem tanto. A propriedade hoje tem luz elétrica e bomba d´água, mas continua sem vizinhos próximos – e as antigas fotos de família continuam ornando as paredes. A casa de taipa onde tia Edite e os irmãos nasceram não existe mais, desabou de velhice. Permanecem de pé os carnaubais e continuam por lá as misteriosas inscrições rupestres. Os rios secos ainda transbordam na estação das chuvas, isolando a propriedade. Os pés de tamarindo também resistem ao tempo – devem ter saudade daqueles dois meninos, Janes e Jacó – meu pai e meu tio -, que subiam até os galhos mais altos pra se esconder da mãe quando aprontavam alguma presepada. Tio Raimundo morreu faz tempo e a família mora em Fortaleza. Lá vive só o primo Cláudio, poeta meio ermitão que cria uns sete gatos, faz seu próprio queijo e com quem gosto demais de prosear. Adeus, tia Edite, e obrigado por ter existido.
31
Oct11
Lula e o SUS
Acompanhei de longe a notícia sobre o câncer de Lula e os comentários sugerindo que ele devia se tratar pelo SUS. Nem me deu coceira nos dedos pra comentar, pois outros o fizeram com mais competência. Gravatai Merengue critica a mesquinharia e desmonta o raciocínio tosco que levou à impropriedade da sugestão: quem pensa que ataca o ex-presidente, está é lhe desejando boa sorte, pois os tratamentos oncológicos no sistema público são de alta qualidade – o que não isenta o SUS de ser, em geral, um show de horrores. Hoje esbarrei no Facebook com estas linhas do Gastão Cassel que reproduzo na íntegra, por expressarem o que penso e virem de quem tem excelentes qualificações biográficas pra dar pitaco no assunto. Gosto especialmente da última frase.
Lamentável a campanha “Lula, faça tratamento pelo SUS”. Primeiro, porque pressupõem que o atendimento do SUS é uma condenação à morte. Depois porque soa como se desejasse o mal de um paciente de câncer, e isto não se deseja a ninguém. Quando tratei um linfoma utilizei vários serviços do SUS e sempre fui atendido com presteza, qualidade e muita dignidade. Só quem não tem noção do que é enfrentar o câncer trata o tema com tal leviandade. Desejo sorte a todos que lutam contra o câncer em tratamentos particulares ou no SUS, os pacientes célebres e os anônimos. E para quem ainda não entendeu: a solidariedade faz bem aos pacientes… e aos solidários.
30
Oct11
Humor no twitter
Testando um widget do Twitter que permite exibir o fluxo de mensagens de listas. Selecionei a minha lista “frasistas”, de gente que tem o dom de fazer rir – e também refletir – em até 140 caracteres. Se você tiver outras sugestões, deixe aí nos comentários.
18
Oct11
Bom dia
Bom dia ao gari Martins, de Balneário Camboriú, que todas as manhãs usa seu rastelo pra cumprimentar as pessoas com letras na areia. Leia matéria no Jornal de Santa Catarina.
28
Jun11
Zé Dassilva no Jô Soares
O amigo Zé Dassilva, cartunista do Diário Catarinense, roteirista da Globo e um dos melhores frasistas que conheço, foi entrevistado ontem no programa do Jô que foi ao ar esta madrugada. Dei boas gargalhadas. Se ele contasse todos os causos que a gente escuta em mesa de bar, precisava de outro programa inteirinho.
19
Jun11
Sábias palavras, Galeano
Depoimento do escritor Eduardo Galeano durante as manifestações de jovens na praça Catalunya, em Barcelona.
13
Jun11
Os epitáfios são eternos
órfão com muito orgulho, ex-agricultor, ex-engraxate, ex-vendedor de picolés, meias, pastéis, carnets, ex-garimpeiro, ex-jornalista, pai, marido, com soberba de ser poeta, com mania de ser escritor. A correr atrás do vento, através da vaidade, como todos os humanos. O sim é o sim, o não é não; quem não ajunta espalha, ying e yang é frescura, equilíbrio só existe no amor verdadeiro. Meio termo é o mal disfarçado e o Eterno, bendito seja o seu nome, é o bem e ponto final.









