Posts com a categoria ‘humanos’

08

abr

11

Adeus, pai

Papai Camillo na praia do Pântano do Sul, Floripa, em 2007.

Papai Camillo na praia do Pântano do Sul, Floripa, em 2007.

João Camillo da Silva Filho, meu pai, descansou esta noite, em torno das 20h. Foram 85 anos de vida plena. Sua sabedoria permanece com os que o amaram.

Gravei este video com ele há dois anos

Ainda vou escrever muito sobre ele e as suas histórias. Depois.

Algumas vezes ele disse, de diferentes maneiras, que quando essa hora chegasse, que tomássemos as providências e depois fôssemos aproveitar a vida. Obrigado pelo carinho. Aproveitem a vida vocês também.

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04

abr

11

4 de abril no blog, há cinco anos

terça-feira, 4 de abril de 2006

Nasceu!

Bruno chegou ontem às 23h40, de parto normal, com 3,4 kg e 49 cm. É lindo como o pai e a mãe. Cabelos pretos, olhos puxados e pulmões fortes. O parto foi bem mais rápido que o do Miguel. Mesmo assim foi… um parto, e não vou dizer que sei o que vocês mulheres sentem nessa hora. A equipe do Hospital Universitário deu outra vez um show de profissionalismo e gentileza. Laura tá ótima. Estão no alojamento conjunto do H.U., onde 15 bebês resolveram nascer no mesmo dia. A fila do banho hoje tava uma coisa :) Ela e Bruno saem da maternidade amanhã.

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03

abr

11

3 de abril no blog, há cinco anos

40a. semana…

…e Laura está a cada dia mais grávida.

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29

mar

11

Frank no objETHOS

Frank Maia OBjethos by objethos

Entrevista do Frank Maia a Carolina Dantas, do objETHOS, Observatório da Ética Jornalística, projeto da UFSC coordenado pelos professores Francisco Karam e Rogério Christofoletti.

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13

mar

11

Transitions in Eloquence

Meu amigo-brother Antonio Rocha, carioca radicado nos Estados Unidos há 22 anos, fala sobre seu ofício de mímico e contador de histórias no TEDxDirigo, organizado no Maine. Esse é um dos “filhotes” da conferência multidisciplinar TED (Technology Entertainment Design), que desde 2006 divulga gratuitamente, sob licença Creative Commons, as TedTalks, palestras muito boas (e curtas) sobre os mais variados temas. Aqui, Antonio conta um pouco sobre o seu processo criativo.

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11

mar

11

Blogs e perfis de Twitter de #BrasileirosNoJapão

A Sam Shiraishi (no Twitter, @samegui) publicou em seu blog um post de grande utilidade compilando blogs e perfis de Twitter de brasileiros que moram no Japão. Assim dá pra se informar direto na fonte sobre a situação que as pessoas de lá estão enfrentando depois do terremoto e da tsunami. A lista está sendo atualizada de forma colaborativa.

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16

fev

11

Vô e neto

Vô Camillo com Miguel na Costa da Lagoa.

Um presentão do moquirido Raul Ribeiro. Ele clicou a foto destes meus dois amores no final de 2005 na trilha da Costa da Lagoa, em Floripa. Papai tava com 80 anos e Miguel, com três.

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11

fev

11

Minhas idiossincrasias (après Brüggemann)

Tenho atração por certas assimetrias, como quadros tortos nas paredes e pessoas ligeiramente vesgas. Gosto de arrancar ervas daninhas quando estou sentado na grama (pensando na inutilidade disso). De rasgar rótulos de cerveja começando pelos cantos. De desenhar coqueiros. Sempre corto laranjas em quatro partes, descasco e depois corto em mais quatro. Jogo fora as canetas no ato quando elas falham mais de uma vez. Nunca deixo meus chinelos virados pra baixo. Tenho certa tendência incendiária – adoro fazer fogueira, pra assar peixe ou só pra ver o fogo. Telefono pra alguns amigos em horas impróprias. Visito uns poucos em horas mais impróprias ainda. Leio vários livros ao mesmo tempo e os deixo espalhados pela casa, numa bagunça ordenada. Raramente compro o que me oferecem sem ser solicitado. Não uso relógio, anéis, brincos ou colares – mas acho bonito quem sabe usar bem. Gosto de cheiro de cabeça de neném, de livro novo, de mato molhado e de café torrando. Tenho crises de espirros com poeira. Horror a cômodos sem janelas, gente arrogante, rotina burra. Gosto de quase todas as frutas, mas se melão fosse extinto, não me faria falta alguma. Detesto fazer compras, mas curto passear em livrarias, lojas de ferragens e de traquitanas tipo 1,99. Não tomo leite nem ponho açúcar no café. Fico alterado na lua cheia. Água corrente me acalma. E por hoje chega.

Inspirado no texto sobre as idiossincrasias do Fábio Brüggemann

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29

jan

11

Carta ao pai na UTI

Pai, escrevo esta carta sem considerar a remota hipótese de que você possa compreendê-la. Há vários meses a doença de Alzheimer lhe tirou o prazer da leitura e está passando uma borracha no seu cérebro. Mas as epístolas são um recurso de estilo adequado no nosso caso, pois fluem espontâneas. Tratamo-nos por “você” (alguns filhos lhe chamam de “senhor”, mas nunca me habituei), sem perder a reverência entre filho e pai. Presto tributo às nossas décadas de troca de correspondência e ao milagre da palavra contada, que você sempre admirou. Aproveito para informar os amigos, parentes e agregados que gravitam de maneira amorosa em nosso entorno e estão ansiosos por novidades. É um texto público que fala de um assunto privado e nada agradável à maioria dos paladares: doença e risco de morte. Natural a aversão ao tema: as pessoas tendem a fugir da dor e fingir que ela só acontece com os outros. Só vão ler minhas palavras as três dúzias de pessoas que tiverem interesse genuíno no João Camillo da Silva Filho e esbarrarem neste blog por acaso ou boca-a-boca. Os amigos, os conhecidos e os desconhecidos com quem você brindou a alegria de viver.

Aliás, abre parêntesis, vou lhe fazer uma confissão tardia: quando eu era um adolescente tímido e íamos a restaurantes e botecos, eu ficava envergonhado quando você se levantava e ia puxar assunto com gente desconhecida nas mesas vizinhas; hoje tenho vergonha de ter tido vergonha. Só as pessoas de personalidade cativante conseguem fazer o que você fazia sem serem chatas. Então, que uma vergonha cancele a outra. Fecha parêntesis.

Chegamos ontem de Fortaleza, depois de dez dias difíceis. Encontrar você em uma UTI, com pneumonia e em estado grave, foi bastante penoso pra nós todos da família. Especialmente quando a gente sabe que você  sempre abominou a ideia de vegetar numa cama de hospital. Cheguei num momento crítico, em que, depois de muitas horas de espera, meus irmãos tinham conseguido vaga na UTI da Uniclinic. Era o possível no momento. Mas, em pouco tempo, informando-nos com diversos profissionais de medicina e observando a rotina hospitalar, percebemos que o lugar estava muito aquém das exigências mínimas de tratamento humanitário. Somos gratos a alguns profissionais de lá, que fizeram o possível com as condições que tinham; quanto aos arrogantes e despreparados, a gente lamenta que insistam numa profissão tão nobre como a de saúde. Movemos mundos atrás de outra vaga e finalmente conseguimos duas vitórias: a sua transferência para o Hospital São Carlos – um lugar de excelência que respeita a dignidade das pessoas, como deviam ser todos os hospitais brasileiros – e a contratação de um ótimo médico pneumologista para acompanhá-lo.

Posso afirmar sem muita chance de erro que essas duas mudanças salvaram sua vida, pai. Quando você chegou lá no São Carlos, estava nas últimas, com a infecção quase tomando conta e a pressão muito baixa. O doutor Plínio e sua equipe atuaram de imediato, mudando a medicação, introduzindo alimentação venosa, pedindo exames, combatendo uma infecção nos rins… Enfim, atacaram o caso com uma abordagem holística. Nos vários boletins que ele fez oralmente para nós, pudemos perceber seu extremo profissionalismo e respeito humano. Voz pausada, olhos nos olhos, descrição honesta e sem firulas sobre o seu estado. A possibilidade de sua morte estava ali delineada, palpável. Começamos a nos preparar para a aceitação do que fosse melhor e representasse menos sofrimento, com o consolo de que, até agora, foram 85 anos muito bem vividos (no vídeo que gravei aos seus 83 anos, você me respondeu como era ficar velho: – A vantagem é que a gente morre bem sabidinho).

Os dias se passaram e seu estado, que era “gravíssimo”, passou para “grave”. E, no momento em que escrevo, é inspirador de cuidados. A infecção nos pulmões e nos rins está cedendo. Nas palavras do médico, houve “importante melhora” (opinião de leigo: atribuo isso não só aos cuidados profissionais, como também ao seu proverbial vigor físico de ex-paraquedista e à vontade de viver). Mas ele lembra que a falência total dos órgãos ainda é uma possibilidade a rondar, pois a pressão arterial está instável e a pré-existência da doença de Alzheimer (degenerativa e irreversível) não pode ser esquecida. É importante a gente ter isso em mente pra evitar o auto-engano. Lembro que você brincava com as mentiras piedosas que as visitas costumam contar às pessoas desenganadas pela medicina: “Você está com uma ótima aparência! Vai logo ficar bom!”, enquanto o sujeito estrebuchava. Fique tranquilo. O que eu lhe disse na visita de ontem é a verdade do momento. A batalha está sendo ganha, por ora. O futuro? Quem sabe?

Miguel e Bruno passaram esses dez dias em Fortaleza sem poder lhe visitar, pois não é permitida a entrada de crianças na UTI. Fizemos o possível para entretê-los nos intervalos das duas visitas diárias e em meio à chuva que castigou a cidade por vários dias. Eles adoraram a Sorveteria 50 Sabores. Encontramos também um restaurante legal perto do apartamento da prima Abélia: tem uma área pra crianças com labirinto e cama elástica. Nos poucos dias em que o sol deu as caras, fomos duas vezes à Praia do Futuro (na segunda vez, Miguel comentou que estávamos indo “de volta para o futuro”, referência a um filme dos anos 80 que você nunca viu, pois detesta cinema). Bruno se divertiu com objetos de papelão que ele pedia pra gente recortar e depois desenhava: celular, pen-drive, cartão de memória, carteira de cédulas, carteira de identidade, volante de carro. Perguntei se ele não era muito novo pra dirigir com quatro anos. Ele respondeu: “Eu tenho 19 anos, é que sou anão”.

Pai querido, meu grande abraço.

Florianópolis, 29 de janeiro de 2010 (aniversário de Lubélia)

Outra carta ao pai, em julho de 2010

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20

dez

10

Um brinde à amizade

Dias corridíssimos por aqui. A maior quebra da rotina está sendo a presença de nossos queridos amigos Eirik e Hélène com seus filhos Adrian, Viktor e Iseline. A meninada deles se deu muito bem com nossos meninos, apesar da barreira da língua. Em meio à salada de norueguês, francês, inglês e português, fala-se a língua universal da amizade. Pelo blog deles, The big voyage, dá pra ter uma ideia do que temos aprontado juntos, nos momentos em que consigo uma folguinha.

No fim de semana estivemos com eles na Pousada Pasárgada, em Anitápolis, acompanhados também pelo Rogério Mosimann, a Elô e o Theo. Banho de riacho, comida boa, mata atlântica, trilhas e papos deliciosos com nossos anfitriões Fernando e Regina, pessoas iluminadas por quem temos grande carinho. Um oásis de sossego em meio à loucura cotidiana.

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