13
Jun11
Adeus, Norberto
Meu amigo Norberto Well era da turma de 86 do jornalismo da UFSC e uma das primeiras pessoas que conheci no curso. A gente o chamava de Ronnie Von, pela semelhança. Ele morreu este domingo às 20 horas no Hospital Santa Isabel de Blumenau, de complicações de saúde – era transplantado de fígado.
Eu o reencontrei há 3 semanas na festa dos “dinossauros” do jornal O Estado. Estava de chapéu e mancava. Conversamos num canto do salão, olhando o movimento e colocando os assuntos em dia. Ele me contou que queria se mudar de volta pra Floripa e perguntou sobre casas pra comprar. Ficamos de continuar a conversa pelo gtalk, mas não deu tempo.
Norberto vai ser velado e sepultado hoje às 16 horas, no Cemitério Municipal de Araquari, informa a viúva, Mari Lúcia Hoff. Era um homem generoso, sempre em busca da evolução espiritual. Guardo boas lembranças de nosso acampamento na Lagoinha do Leste há vinte e muitos anos, de nossas conversas sobre crônicas, poesia e a vida. Descanse em paz.
11
Jun11
O desafio do parquinho de Marabá
Um causo impressionante de dois amigos e colegas de profissão, narrado pelo Marques Casara:
História do Brasil caipira:
Estava outro dia com o fotógrafo Sérgio Vignes em Marabá, sul do Pará.Depois do jantar, Sérgio disse:_ Tem um parquinho ali na esquina, vamos lá.No parquinho, tinha um estande de tiro ao alvo com espingarda de pressão.No estante, tinha um cara se vangloriando que era o tal, que atirava melhor que todo mundo, coisa e tal.O Sérgio disse pra ele:_ Vamos fazer o seguinte: eu vou dar seis tiros. Se eu errar um tiro, você ganha, nem precisa atirar. Mas se eu acertar todos os seis tiros, ai você precisa ao menos empatar comigo._ Fechado!Sergio atirou. Acertou os seis tiros.O cara ficou passado. Pegou a espingarda.Acertou o primeiro, o segundo. Mas errou o terceiro.Sérgio deu uma risada na cara dele e disse:_ Vambora Casara, esse cara não é de nada, o dia amanhã vai ser cheio.O cara pediu revanche.- Revanche nada, você não é de nada.O cara ficou puto. Ficou roxo.Voltamos pro hotel.Isso aconteceu em março de 2011.…Hoje, Sérgio me liga e diz:_ Sabe o cara do parquinho, do tiro ao alvo?_ Sei….o cara que tu esculachou._ Tá preso em Rondônia. É o pistoleiro que matou o lider camponês que saiu nos jornais._ Caralho! Sérgio! Que é isso, meu? Você desafiou um pistoleiro pra uma disputa de tiro ao alvo?_ Desafiei… E ganhei!!!_ E deixou o cara puto da cara, soltando fogo pelas ventas._ Bom, isso é por conta dele…
29
May11
Uma noite feliz com os dinossauros
Uns 150 “dinossauros” de várias gerações – incluindo alguns “babyssauros” de safra recente – marcaram presença ontem na churrascaria Meu Cantinho pra celebrar o reencontro dos que trabalharam no extinto jornal O Estado. Foi uma noite maravilhosa, emocionante – falo por mim, mas vi isso refletido em muitos olhos. Nestes tempos em que o sucesso se mede em cifrões e coisas consumidas, em que a desinformação e o entretenimento se embolam no mesmo balaio de negociatas, a energia emanada pelos camaradas que ousaram viver com integridade seus sonhos profissionais é um alento. Foi um privilégio ter feito parte daquele divertido laboratório de jornalismo que foi a redação do “mais antigo”.
Noite mágica, sim. Gente que eu não via há uns 25 anos se materializava na minha frente enquanto eu caminhava pelo salão. Uns vindos de Brasília, São Paulo, Porto Alegre… Outros, vivendo aqui mesmo em Floripa, cidade que já foi pequena e onde está cada vez mais difícil reencontrar as pessoas por acaso. Abraços apertados, beijos, reconhecimentos parciais (“sei que conheço esse rosto, mas o nome me escapa”) e completos.
Frank Maia, que me levou pra revisão do jornal, meu amigo-irmão até hoje. Chico Faganello, então laboratorista e depois repórter de Cultura, que muitos anos depois, se tornou parceiro no cinema. Zurildo, o chefe dos motoristas, um rosto pra não esquecer. Carlão Paniz, editor de Polícia, e Lena Obst, editora de Geral, com quem tanto aprendi. Ademar Vargas de Freitas, meu primeiro copidesque, que me mostrou o caminho das pedras com sua caneta vermelha. Jane Miklasevicius, repórter de Economia, e Raquel Wandelli, de Geral, motivações cotidianas pra eu escrever melhor. Tio Cesar Valente, maestro da redação em belas coberturas. Marco Cezar, Paulo Dutra e Gilberto Gonçalves, ases do fotojornalismo. E tantos outros. Os que subiram pro andar de cima: Bento Silvério, Miro, Beto Stodieck, Ricardo Carle, Almirzinho Casimiro, Carlos Jung… O fantástico Bonson, artista que, se não tivesse existido, precisaria ser inventado. Fui um cara de sorte por ter cruzado com essas pessoas.
Rugas, circunferências abdominais avantajadas e cabelos grisalhos nos lembravam o tempo todo que ninguém passa impune pelo tempo, mas também eram marcas de vida vivida, da felicidade de estarmos juntos. Aqui e ali, estouravam gargalhadas – piadas novas e recordações do anedotário do jornal, recontadas com prazer. Também lágrimas – furtivas ou escancaradas. Em cada humano ali, uma avalanche de lembranças ricocheteaava nas dos outros, num burburinho aconchegante, impossível de abarcar, como água escorrendo dos dedos. A foto oficial de todos juntos também não saiu, pois seria preciso uma lente grande angular gigante. Mas o essencial estava ali, sem precisar de palavras, manchetes ou fotos: a sensação de pertencimento.
Como é que se consegue reunir um grupo como este depois de tantos anos de afastamento? O esforço da comissão organizadora da festa foi fundamental, sem dúvida. O Facebook deu grande ajuda. Mas pra que esse evento tivesse acontecido com tanta intensidade, era preciso algo mais. Arrisco um palpite. O idealismo com que tocávamos o dia-a-dia do jornal o fazia uma extensão das nossas casas. Assim, sem alarde nem formalismos, fez-se uma irmandade. Às vezes conflituosa, é verdade, mas também generosa, solidária, amiga e amorosa – que o digam os casais formados na redação e adjacências. Irmandade cimentada no calor do trabalho de contar a história catarinense de cada dia; na admiração pelo talento uns dos outros; no aprendizado da arte de contar; nas aventuras e riscos compartilhados de viagem. Nas confidências de bar, no suor das sextas-feiras e das coberturas especiais.
Passei só dois anos trabalhando no jornal O Estado, 1987 e 88. Primeiro como revisor, depois como repórter das editorias de Polícia e Geral e colaborador eventual do suplemento infantil O Estadinho. Foram suficientes pra me marcar. Com certeza há outros que têm muito mais a dizer. Espero que, no devido tempo, essas saborosas histórias sejam recontadas, até como forma de compensar o melancólico fim do jornal, em que boa parte de seu acervo fotográfico foi jogada no lixo.
Obrigado, colegas dinossauros, por uma noite feliz.
08
Apr11
Adeus, pai
João Camillo da Silva Filho, meu pai, descansou esta noite, em torno das 20h. Foram 85 anos de vida plena. Sua sabedoria permanece com os que o amaram.
Gravei este video com ele há dois anos
Ainda vou escrever muito sobre ele e as suas histórias. Depois.
Algumas vezes ele disse, de diferentes maneiras, que quando essa hora chegasse, que tomássemos as providências e depois fôssemos aproveitar a vida. Obrigado pelo carinho. Aproveitem a vida vocês também.
04
Apr11
4 de abril no blog, há cinco anos
terça-feira, 4 de abril de 2006
Nasceu!
Bruno chegou ontem às 23h40, de parto normal, com 3,4 kg e 49 cm. É lindo como o pai e a mãe. Cabelos pretos, olhos puxados e pulmões fortes. O parto foi bem mais rápido que o do Miguel. Mesmo assim foi… um parto, e não vou dizer que sei o que vocês mulheres sentem nessa hora. A equipe do Hospital Universitário deu outra vez um show de profissionalismo e gentileza. Laura tá ótima. Estão no alojamento conjunto do H.U., onde 15 bebês resolveram nascer no mesmo dia. A fila do banho hoje tava uma coisa
Ela e Bruno saem da maternidade amanhã.
03
Apr11
29
Mar11
Frank no objETHOS
Frank Maia OBjethos by objethos
Entrevista do Frank Maia a Carolina Dantas, do objETHOS, Observatório da Ética Jornalística, projeto da UFSC coordenado pelos professores Francisco Karam e Rogério Christofoletti.
13
Mar11
Transitions in Eloquence
Meu amigo-brother Antonio Rocha, carioca radicado nos Estados Unidos há 22 anos, fala sobre seu ofício de mímico e contador de histórias no TEDxDirigo, organizado no Maine. Esse é um dos “filhotes” da conferência multidisciplinar TED (Technology Entertainment Design), que desde 2006 divulga gratuitamente, sob licença Creative Commons, as TedTalks, palestras muito boas (e curtas) sobre os mais variados temas. Aqui, Antonio conta um pouco sobre o seu processo criativo.
11
Mar11
Blogs e perfis de Twitter de #BrasileirosNoJapão
A Sam Shiraishi (no Twitter, @samegui) publicou em seu blog um post de grande utilidade compilando blogs e perfis de Twitter de brasileiros que moram no Japão. Assim dá pra se informar direto na fonte sobre a situação que as pessoas de lá estão enfrentando depois do terremoto e da tsunami. A lista está sendo atualizada de forma colaborativa.
16
Feb11
Vô e neto
Um presentão do moquirido Raul Ribeiro. Ele clicou a foto destes meus dois amores no final de 2005 na trilha da Costa da Lagoa, em Floripa. Papai tava com 80 anos e Miguel, com três.









