Posts de 2009

27

Jul

09

Banho


Banho, originally uploaded by dveras.

Esta foto foi tirada em 1970 nos arredores de Manaus, que na época tinha uns 100 mil habitantes (hoje tem 1,7 milhão). Um passeio frequente que fazíamos era ir aos “banhos”, lugares onde passam igarapés, pra assar peixe e curtir o mato. Boa parte desses riachos cor de mel se transformaram em esgotos fétidos no entorno da metrópole inchada. Mas no momento em que esse instantâneo foi tirado, tudo isso era só o futuro imprevisível.

Tenho quatro anos e estou sentado ao lado de minha mãe Sara. Meu mano André, com dois anos, está no colo da nossa babá Inês – cearense que ajudou a nos criar e, encantada com Manaus, terminou ficando por lá, onde vive até hoje, trabalhando para uma congregação de padres (um dia conto mais sobre as histórias fantásticas que ela contava pra gente dormir). No fundo, de pé, à esquerda está meu pai Camillo e à direita meu cunhado Pedrão, que na época ainda era namorado da minha irmã Lubélia – provavelmente ela é a autora da foto.

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26

Jul

09

Girafa


Girafa, originally uploaded by dveras.

Começo hoje uma nova série no blog: fotos de infância. Talvez algumas tenham interesse pra você, possivelmente a maioria não. Isso é irrelevante pra mim (se você me conhece ou acompanha DVeras em Rede há tempo, sabe que não se trata de descaso com o leitor, e sim o compromisso primeiro com o que me importa publicar, antes de qualquer consideração com o que os outros querem que eu publique). Encaro esse material como uma espécie de terapia empírica de autoconhecimento (sou só um grande curioso; meu amigo Ayres Marques, que trabalha com fototerapia na Itália, sabe bem como isso funciona).

Um prólogo com idas e vindas no tempo e no espaço pra explicar como recuperei essas fotos: minha mãe Sara era aficcionada por fotografia. Durante os dois anos em que vivemos em Manaus ela tirou centenas de slides em suas viagens como enfermeira num navio-hospital que atendia as comunidades ribeirinhas no estado. No meio dessas, muitos flagrantes familiares. Ela também clicou muita coisa antes (Recife) e depois da nossa temporada amazonense (Recife e Natal). Com sua morte em 1990, os slides ficaram com meu irmão André. No ano passado estive em Natal e levei alguns, guardando-os na gaveta com a vaga intenção de um dia escaneá-los.

Esse dia chegou na semana passada, quando recebi a visita do Michel e da Cecília, amigos e vizinhos de bairro aqui no Sul da Ilha de SC. Michel é um francês que conheci no Thorn Tree, fórum de viajantes do saite Lonely Planet, e que hospedamos em 2001 no apartamento que morávamos na Serrinha. Ele fazia uma escala na viagem de bicicleta do Alasca à Terra do Fogo. Em Floripa apaixonou-se – coincidentemente, por uma amiga minha, colega de Aliança Francesa -, largou a vélo e fixou residência.

Passaram-se oito anos. Há poucos dias, recorri ao serviço profissional dele pra consertar um computador (aliás, recomendo: twi.web [arroba] gmail [ponto] com). Ao tomarmos um café, comentei dos slides guardados na gaveta e ele se ofereceu pra digitalizá-las, como retribuição àquela longínqua hospedagem. Enfim, o material está na mão em forma de bits e bytes. São quase 800 fotos, muitas delas em mau estado de conservação, outras com as cores já meio desbotadas ou alteradas. E elas são só o começo, meu irmão tem muito mais no baú de tesouros dele. Tenho me divertido em doses homeopáticas com a restauração caseira desse material no fotoxópi e com as evocações que essas imagens trazem.

Esta foto, por exemplo, foi tirada em Recife em 1968, quando eu tinha dois anos de idade. O mais importante dela aparece no canto direito: a girafinha, o brinquedo preferido da minha primeira infância. Já contei aqui: o bichim apitava quando a gente apertava a barriga. Meu irmão André detestava o barulho do apito. Um dia a girafa sumiu. Passou um tempão até que alguém, limpando o alto do guarda-roupa, achou o brinquedo escondido. Depois disso a girafa ainda durou um tempão, até que sumiu pra sempre, numa das trinta e tantas mudanças que já fiz. Que bom revê-la.

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25

Jul

09

Música pra escutar no útero


Miguel, você ouviu esta música de Bach muitas vezes quando estava na barriga da mãe. E até hoje gosta, antes de dormir. Lindos, né? O som e você.

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24

Jul

09

Mon Chinois


Melhor curta-metragem segundo o júri popular (RJ) do Anima Mundi. Em francês com legendas em português.

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23

Jul

09

Futebol divino


As freiras franciscanas missionárias, conhecidas em Loreto, na Itália, como Freiras do Lírio, praticam uma modalidade estranha de futebol para se manter em boa forma. O fotógrafo brasileiro Ayres Marques Pinto conseguiu, secretamente, filmar uma sessão de treino dentro do convento de Loreto. Quem pensa que a vida das freiras seja feita somente de oração e trabalho deve assistir este raro documento histórico.
[via Ponteblu]
~
Perguntei pro Ayres como ele tinha conseguido as imagens – se foi difícil obter a autorização das irmãzinhas. “Elas nem perceberam, entrei disfarçado de freira”, disse. :) Brincadeira. “Estamos fazendo um trabalho de fototerapia e autobiografia, além de um montao de presepada“, conta.

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21

Jul

09

Almost Blue


Sobre esta música não há o que comentar. É ouvir e sentir.

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21

Jul

09

Nicarágua, 30 anos



O amigo Lúcio Lambranho, repórter da publicação digital Congresso em Foco, recentemente esteve em Honduras cobrindo o golpe de Estado e está agora na vizinha Nicarágua. De lá, tem enviado uma série de reportagens sobres os 30 anos da revolução sandinista. Recebi um tocante e-mail dele e reproduzo uns trechos:

…Os dias aqui tem sido emociantes demais. …Os hondurenhos, tomara que eu esteja errado, já estão a bordo de uma guerra civil de consequências totalmente imprevisíveis.

Já na Nicarágua, que também está nessa lista dos três mais pobres junto com a vizinha Honduras e o Haiti, as emoções têm sido muito à flor da pele. Já chorei várias vezes nesses dias. De tristeza por não poder fazer algo mais efetivo por eles e com suas histórias de sofrimento e muita coragem. Não é fácil chutar a bunda, como eles fizeram, ao mesmo tempo de um ditador genocida e dos Estados Unidos.

Mas espero que no Brasil, minhas matérias possam conscientizar pelo menos algumas pessoas sobre a dureza em que vivem os mais pobres na América Central. Pelo menos é essa minha missão e estou trabalhando duro pra cumpri-la.

E chorei de alegria também. É como a realização de um sonho estar esses dez dias aqui e nessa data tão marcante. Era algo que buscava desde a faculdade e no dia que ganhei o Veias Abertas da América Latina da minha querida mãe há mais de 20 anos.

Parafraseando Bukowski sobre os escritos de John Fante, finalmente um repórter que não tem medo da emoção.

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20

Jul

09

S.O.S. Ilhabela


Trailer do documentário S.O.S. Ilhabela, que estreia em agosto em São Paulo. A produção é da Papel Social Comunicação.

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20

Jul

09

Primeiras impressões musicais

Bruno, ouvindo Hermeto Pascoal pela primeira vez:
- Parece um monte de abelha chorando.

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16

Jul

09

Do fundo do baú, serestas de Seu Edmilson

Seu Edmilson foi um talentoso seresteiro do Rio Grande do Norte, boêmio de alma generosa e grande amigo da minha família, falecido há muitos anos. Estas músicas foram gravadas em fita cassete no início da década de 1980, na nossa casa em Ponta Negra, Natal, e digitalizadas de forma caseira em 2009 por meu irmão André. Evocam um tempo doce e mais ingênuo, lua cheia, cheiro de mar trazido pela brisa. Destaco a bela canção ‘Praieira’ (composição de Eduardo Medeiros sobre poema de Otoniel Menezes, 1922) espécie de hino da cidade do Natal. Fica aqui esta pequena homenagem a um homem bom, apaixonado pela música e pelas alegrias simples da vida.

p.s.: Apreciaria se algum voluntário com conhecimento e equipamento disponíveis pudesse “limpar” o som.

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