Posts com a tag ‘memento’

07

Oct

08

Uma historinha de Realidade

Mylton Severiano (Myltainho), colunista da Caros Amigos, já integrou a redação de Realidade, revista que nos anos 60 fez história no jornalismo brasileiro. Pesquei de uma entrevista dele a Luiz Maklouf Carvalho (Profissão Repórter) esta historinha saborosa.

“O Narciso [Kalili] foi ao Nordeste fazer reportagem sobre uma vila de pescadores miserável. Chega lá, pega a verba de viagem, compra comida pra todo o mundo, distribui dinheiro. Manda pelo malote da Abril da capital daquele Estado, não sei se Salvador, Recife, bilhete mais ou menos nestes termos: ‘Paulinho, seu viado, me manda mais dinheiro que estourei a verba com os pescadores. Dá um jeito aí, pau no seu cu’, aquele jeito ‘delicado’ que o Narciso tinha de ser terno com os amigos, e o Paulo rasgou o bilhete, escreveu outro à máquina em nome do Narciso, dizendo que havia alugado um jipe para chegar à vila, o jipe atolou, tiveram de alugar trator para puxar, e tal, imitou a assinatura do Narciso, passou ao Roberto Civita, que autorizou mais verba.”

p.s.: Meus pais colecionavam Realidade. Rasguei algumas quando era bebê. Depois, aos oito, nove anos, “redescobri” suas reportagens maravilhosas, ao mesmo tempo em que curtia, fascinado, aqueles fotões lindos de página inteira. Ainda não sonhava em ser jornalista, mas a semente foi bem plantada.

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07

Oct

08

Os eleitos do Troféu Imprensa ONU/Herzog

Caco Barcellos, Henfil, José Hamilton Ribeiro, Ricardo Kotscho e Zuenir Ventura foram eleitos para receber o Troféu Especial de Imprensa ONU: 60 Anos da Declaração/Prêmios Vladimir Herzog. A iniciativa é do Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil e da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República. O júri foi composto pelos mais de 500 jornalistas que receberam o Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos desde sua criação, em 1979. O troféu vai ser entregue aos eleitos – e familiares do Henfil – no dia 27 de outubro durante cerimônia da trigésima edição do Prêmio Herzog, em São Paulo.

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30

Sep

08

Reblogando-me: 6 de Fevereiro de 2003

Intuição

Uma vez consegui alugar um apartamento na Trindade de uma maneira inusitada. Tava procurando o dia todo e nada. No fim da tarde, vi um velhinho sair da padaria com um saco de pão na mão e resolvi seguir o cara. Ele entrou num prédio, eu fui atrás. Caminhou até o último bloco e subiu quatro andares, eu subi. Entrou num ap e, quando a porta se fechou, eu toquei a campainha. Atendeu a mulher dele. Perguntei se ela sabia de algum ap pra alugar. Ela disse: “Que coincidência! Quero alugar o meu e ainda não anunciei em lugar nenhum. Entre!” Fechamos negócio.

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16

Sep

08

Recuerdos de Bolívia

Há músicas que nos transportam no tempo e no espaço. Esta primeira me faz rever a gente simples e altiva da Bolívia, as paisagens de montanha, de uma beleza intensa como em poucos lugares encontrei. A segunda, dos mesmos músicos, eu não conhecia. Serendipity.

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11

Sep

08

11/9

Meu 11 de setembro de 2001.

E você, onde estava? O que sentiu, o que fez no resto do dia?

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03

Sep

08

Blip, a nova febre entre as redes sociais

Num dia em que muito se falou do novo navegador da Google, o Chrome, eu o deixei passar em branco – ainda nem consegui aprender direito todos os recursos do ótimo Firefox 3.0 e tou satisfeito com ele. Em compensação, com umas poucas fuçadas viciei na blip.fm, ferramenta colaborativa em que você é seu próprio DJ. É mais ou menos como no twitter, com a diferença que você faz buscas em músicas, escuta, comenta e compartilha com os contatos. Pode também dar “props”, menções honrosas pros seus DJs preferidos, e recebê-las de seus ouvintes. Gostei pelo jeito simples e intuitivo de favorecer a sinestesia. Associar música a impressões, sentimentos e lembranças é mais que uma brincadeira divertida. É um mergulho de cabeça no que fomos, somos e vamos ser.

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11

Aug

08

Dia dos Pais

Domingo trivial e aconchegante junto com os meninos, a amada e a sogra. Eles me acordaram com uma lembrancinha – caneca de café e um pão de mel. Arranquei mato, plantei, bebi vinho, comemos, brincamos, rimos, dormimos, tomei banho com eles, vimos a chuva pela janela. Vida.
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Passamos ao largo do aspecto consumista da data e nos concentramos no melhor da festa: o imenso prazer da convivência cotidiana num dia dedicado ao ócio amoroso – às vezes até o ócio criativo cansa. Saí de casa só uma vez, rapidinho, pra pegar um DVD do Bob Esponja.
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Miguel, Bruno e eu conversamos bastante com papai por telefone. Papo à toa sobre sapos, cachorros, gatos, natação e fisioterapia, revistas ruins e livros bons, comida, temperaturas no Sul e no Nordeste. Esqueci de lhe perguntar sobre as Olimpíadas. Pra que esgotar o assunto?
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Ando de coração mole. O texto dela sobre o pai me encheu os olhos d’água. O dele, sobre o dia em que chegou seu filho, me lembrou os nascimentos de meus dois meninos e a mudança radical que isso representou ao dar sentido a tudo.
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Há duas semanas, a perda que eles tiveram me apertou o coração. Em Il Morto e Lo Straniero, meu amigo lamenta o sogro recém-partido, e como isso o tornou ainda mais estrangeiro em terras italianas. Sofro junto, mesmo que nunca tenha encontrado esse homem especial.
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Falar em sogros especiais: saudade imensa de meu segundo pai, morto há seis meses. Hoje, debaixo de chuvinha miúda, cavoquei buracos no jardim e no quintal pra plantar palmeiras. Com certeza ele estaria me ajudando e tomaríamos cerveja depois. Estava bem perto, senti.

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09

Aug

08

Da série Mais Sorte que Juízo: fogo é notícia

Floripa, 1987. Eu fazia reportagem de polícia pro jornal O Estado. Certa vez, estava no centro quando percebi que havia um princípio de incêndio no prédio de um hotel na rua Felipe Schmidt. No auge da impulsividade insana dos vinte anos, num só fôlego subi doze andares pelas escadas até o foco da fumaça negra. Cheguei antes dos bombeiros. Pra minha sorte e dos demais ocupantes do hotel, o princípio de fogo havia sido dominado sem maiores danos. Ninguém me pediu respiração boca a boca. O episódio rendeu só uma notinha de pé de página.

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25

Jul

08

Pérolas do passado

Nesta quinta, abri uma caixa de slides que meu irmão André guarda em sua biblioteca. São mais de 500 fotos de família, a maior parte do tempo em que vivemos no Amazonas – finalmente vou poder provar com imagens aquela minha história de que criamos um bicho-preguiça em casa. Há também muitos momentos cotidianos da minha infância e da dos irmãos: escola, casa, viagens de barco, festas juninas na nossa rua em Natal, Copa de 1982… Uma preciosidade, mergulho em cores na história familiar das últimas quatro décadas. Selecionei umas cem fotos pra primeira fase do esforço de digitalização.

À noite saí pra jantar com dois grandes amigos do tempo de colégio Marista, Henio e Jodrian. O tempo voou enquanto secávamos duas garrafas de vinho tinto e degustávamos pastéis de camarão com arrumadinho. Muitas lembranças comuns de fatos triviais e importantes, umas complementando as lacunas das outras. Em certo momento, Jodrian me surpreendeu com um envelope. Lá de dentro, tirou um conto datilografado por mim em 1981 (“O caso Ernesto”) e dedicado a ele, com um agradecimento pelas sugestões de mudanças no enredo. Fiquei surpreso, eu não me lembrava mais de ter escrito aquilo. Pelas linhas que li rapidamente, na época eu estava influenciado por Allan Poe. Em breve vou publicar o conto aqui na íntegra.

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24

Jul

08

Paris, Natal

Terça à noite saí com quatro amigos dos tempos do jornalismo da URFN: André Alves, Luís Benício, Geider e Solino. Tomamos cerveja de trigo e comemos arrumadinho num bar de Petrópolis, perto da Cultura Inglesa, meu primeiro emprego. Muito legal rever essa turma.

Benício foi com a mulher, Joelma. Ele trabalha no TRT e edita um programa de gastronomia na tevê. O casal tem dois filhos. O mais velho, de 19, mora em Floripa e estuda na UFSC. Isso quer dizer que vamos nos encontrar mais vezes. Fazia mais de dez anos que a gente não se via.

André, poeta e contista de humor peculiar, também é funcionário público. Contou histórias engraçadas sobre o nepotismo e a vagabundagem nas repartições. Desde que saí de Natal a gente tem mantido contato esporádico por correio e e-mail. Foi com a mulher e a sogra (acho).

Geider viveu anos na França, casou com uma francesa e separou, tem dois filhos e mora num sítio na zona sul de Natal. Ele é editor e apresentador do telejornal do almoço na TV Cabugi, afiliada da Globo. Combinamos de um dia desses invadir seu sítio pra fazer festa.

Solino era da chapa de oposição do C.A. quando fazíamos política estudantil. Mas sempre tivemos um relacionamento civilizado, lembra. Chargista talentoso, largou o traço pra se dedicar à publicidade. Ah, o homem estuda japonês e tem dois blogs.

Falamos de muita gente, do rumo que tomaram nossas vidas ali e cá, de carecas e cabelos grisalhos, de ex-professores, de academia e mercado, dos espigões à beira-mar e o dilema natalense “desenvolvimento sustentável versus especulação”, semelhante ao de Floripa…

Eles lembraram de um pacto que tínhamos combinado na faculdade em 84, de nos encontrarmos no ano 2000 ao pé da torre Eiffel em Paris (eu já tinha esquecido essa, mas não importa o lugar, sempre é tempo de se encontrar). Noite agradável embalada pela brisa. Preciso vir mais a Natal.

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