Posts com a tag ‘livros’

15

Jun

09

Webleituras

A World of Risk for a New Brand of Journalist
“As the journalists Laura Ling and Euna Lee complete their third month of detainment in North Korea, it remains rather astonishing that they were there in the first place to report for a fledgling cable channel. But their path there may explain in part why they remain in custody”.
Brian Stelter, NY Times, sobre os perigos do jornalismo freelance.

Every news organisation should have a data store
“Is this a natural extension of the blogging culture of linking to your sources? I think it is. And the more journalists get used to publishing their work on the likes of Google Spreadsheets, the better journalism we will get”.
Paul Bradshaw, no Online Journalism Blog, sobre o uso de bancos de dados para contar histórias.

Banco Mundial rescinde contrato com a Bertin e exige dinheiro de volta: Amigos da Terra pede que o BNDES faça o mesmo
“Amigos da Terra – Amazônia Brasileira anuncia que, após três anos de acompanhamento, conseguiu confirmar, na noite de ontem [12.6], um importante objetivo de campanha: fazer com que a International Finance Corporation (IFC), braço para setor privado do Banco Mundial, voltasse atrás em sua decisão de financiar a expansão na Amazônia do frigorífico Bertin…”
Essa decisão deve ter muitas repercussões.

Exclusif : nous avons retrouvé le tome 4 de “Millénium”
“Cette fois, c’est certain : il existe bien un tome 4 de « Millénium ». Trois Suédois, fans du polar posthume de Stieg Larsson, sont parvenus à s’introduire dans l’ordinateur de l’auteur, alors entre les mains de sa compagne, Eva Gabrielsson”.
Reportagem de Rue 89 sobre a invasão, por hackers, do computador da viúva de Larsson e o vazamento do quarto volume que dá sequência à trilogia noir.

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08

Jun

09

Os homens que não amavam as mulheres

Mikael Blomkvist é jornalista de economia em Estocolmo, quarentão, coproprietário da revista Millenium e especialista em reportagens investigativas sobre crimes financeiros. Lisbeth Salander é uma punk de vinte e poucos anos, exímia hacker, que trabalha como araponga freelancer. Esses dois personagens são protagonistas do primeiro livro da trilogia Millenium, do sueco Stieg Larsson. Os homens que não amavam as mulheres (Companhia das Letras, 2008) é um romance de suspense de qualidade excepcional. Suas 522 páginas conduzem o leitor por uma trama de investigação do desaparecimento de uma adolescente, integrante de uma dinastia industrial sueca, ocorrido em 1966. A missão, que transforma os dois personagens em aliados, é desvendar uma intrincada rede de conexões que envolvem violência contra mulheres, lavagem de dinheiro, conflitos familiares e bizarrices sexuais.

Questões éticas do jornalismo investigativo associadas aos meandros dos crimes financeiros e das novas tecnologias estão na pauta do romance. O principal dilema enfrentado pelo protagonista é: até que ponto uma informação socialmente relevante deve ser levada a público, quando se sabe que essa revelação pode prejudicar a vida de muitas pessoas? Outra questão que ele enfrenta é sobre o uso de práticas ilegais pra levantar informações que vão embasar uma reportagem sobre um criminoso. Lamentavelmente, a trilogia não vai ter continuação. Larsson, um influente jornalista e ativista político sueco, morreu de ataque cardíaco em 2004 aos 50 anos, pouco depois de entregar os originais aos seus editores. A segunda parte da trilogia, A menina que brincava com fogo, foi lançada em português em abril.

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01

Jun

09

Anotação de leitura: da impossibilidade de escrever

Quando lhe perguntavam por que não escrevia mais, Rulfo costumava responder:
- É que morreu meu tio Celerino, que era quem me contava as histórias.

Bartleby e companhia, Enrique Vila-Matas.

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27

May

09

Autores de romances policiais

Hoje deixei um comentário no blog da Regininha pedindo que ela citasse seus autores favoritos de romances ou contos policiais/detetivescos. Poucas horas depois ela respondeu. A lista dela tem duas categorias: brasileiros e estrangeiros. Presentão, pois a maioria eu não conhecia ou só tinha ouvido falar. Acho que vou começar pelo sueco Stieg Larsson. Gosto bastante do gênero, mas conheço mais os “clássicos”. Minha lista de 8+:

  1. Edgar Allan Poe. O gênio delirante de Boston/Baltimore conseguia ser ao mesmo tempo cerebral e mexer com os terrores atávicos dos leitores. Sou fãzaço. Pai do conto policial moderno, criou o detetive Auguste Dupin e uma série de “histórias extraordinárias” que pendem mais pro gênero da literatura fantástica.
  2. Arthur Conan Doyle. Pai de Sherlock Holmes, o detetive mais famoso do mundo, excêntrico fumador de cachimbo, cheirador de cocaína e hábil em disfarces, que resolve casos por deduções lógicas de seu intelecto afiado. O parceiro doutor Watson é um figuraço, perfeita “escada” pro protagonista exibir seus dotes mentais. Dizem que Doyle resolveu vários casos reais usando os métodos de seu detetive fictício. Algumas das soluções de Holmes me parecem meio inverossímeis.
  3. Agatha Christie. Mãe do detetive belga Hercule Poirot e da velhinha esperta Miss Marple, a dama britânica era uma usina criativa. Escreveu mais de 80 obras de ficção, a maioria sobre crimes misteriosos, mas também alguns romances e peças ótimas com outros temas. Dos 50 e poucos livros que li dela, só adivinhei o assassino em três, embora ela recheasse as histórias com dicas. Meus favoritos são Cai o pano (o último caso de Poirot) e seu primeiro sucesso, O assassinato de Roger Ackroyd, de 1926 – em que ela usou um recurso narrativo inovador para a época, desprezando as convenções do romance policial (com essa dica você tem tudo pra descobrir o criminoso).
  4. Rubem Fonseca. Contista brilhante e mestre da palavra. Gostei muito de A grande arte. Também curti Bufo e Spallanzani, mas não tanto. Pai do detetive Mandrake, advogado carioca namorador e conhecedor do submundo do Rio. Seu livro de contos Feliz ano novo é espetacular. Não gostei do romance Agosto, mas, em se tratando de Rubem Fonseca, mesmo quando ele é ruim, é bom.
  5. Raymond Chandler. Suas histórias são cinematográficas e cheias de atmosfera noir, lembram um pouco os personagens de Humphrey Bogart. Um dos romances mais conhecidos de Chandler é Adeus, minha adorada.
  6. Patricia Highsmith. Gostei muito de O amigo americano e de O talentoso Ripley. Em ambos, o protagonista Ripley é um criminoso discreto cujas características são a extrema inteligência, a empatia e a amoralidade.
  7. Philip Kerr. Desse escritor escocês li somente a trilogia Berlim Noir (Violetas de Março, O assassino branco e Réquiem alemão), que se passa no início da ascensão do nazismo, durante a Segunda Guerra e no pós-guerra. Ixpetáclo!, a gente mergulha junto com os personagens naquele ambiente da História recente. O detetive é um cara durão e dono de um senso de humor peculiar, com frases boas que às vezes lhe custam umas porradas.
  8. Peter Hoeg. Conheço só um livro desse escritor dinamarquês: Miss Smilla’s feeling for snow (não sei como traduziram pro português, é algo como “o sentido da senhorita Smilla para a neve”). Em Copenhague, uma filha de groenlandeses decide fazer uma investigação amadora sobre a morte de um menino que caiu do telhado de seu prédio. As pegadas na neve são a chave que a leva a uma aventura na terra de sua mãe. Muito bom! Virou filme com Julia Ormond, mas na tela a história perdeu as sutilezas sobre diferenças culturais.

p.s.: Os links nos nomes dos autores remetem à Wikipedia (em português ou inglês), mas nem sempre os verbetes são muito esclarecedores. Pra ir mais fundo sugiro googlear em outras fontes.

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24

May

09

Lido & Leno: Single&Single e Bartleby e companhia

Single&Single não é dos meus livros favoritos de John Le Carré, mas prende do início ao fim. É um thriller de suspense sobre lealdade versus traição – tema recorrente na obra do escritor. Os cenários são a Inglaterra, a Turquia mediterrânea, a Rússia e a Geórgia. Sai de cena a guerra fria de seus primeiros romances, entra o crime organizado em tempos de desarticulação da União Soviética. Um escritório de advogados britânicos, especializado em lavar dinheiro, passa a fazer grandes negócios com parceiros da máfia georgiana, mas em certo momento as coisas desandam. Pontos altos pra densidade psicológica do protagonista, sócio do pai na firma que dá título ao livro, e pra verossimilhança da história. Ponto negativo pro ritmo desigual -tive a impressão que deu uma acelerada excessiva no fim. Se você ainda não conhece Le Carré, sugiro começar por O espião que saiu do frio ou O jardineiro fiel. Mas se já conheceu e gostou, recomendo. O homem domina o ofício.
~
Comecei a ler Bartleby e companhia, de Enrique Vila-Matas. É sobre a impossibilidade de escrever, com muitas histórias curiosas sobre pessoas que escreveram um ou dois livros – ou nenhum, apesar da vontade ou vocação – e se afastaram pra sempre da literatura. Melville, Rimbaud, Salinger, Rulfo e muitos outros. Depois escrevo sobre o livro… se conseguir.

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22

May

09

Os direitos inalienáveis do leitor

O prazer da leitura é um tema que me interessa muito. E devia interessar também a todos os pais e professores, que, muitas vezes, na maior das boas intenções, terminam criando aversão nos filhos/estudantes ao obrigá-los a certas coisas, como ler O Guarani sem preparação e estímulo prévios. A propósito, encontrei essa lista bacana e divido com vocês: Os direitos inalienáveis do leitor, por Daniel Pennac, em “Como um Romance” (citado em Peciscas, onde cheguei pela dica de Lady Rasta). Comentei abaixo de cada tópico.

1 – O direito de não ler
Não li Ulysses nem O monge o e executivo. Nem a maioria dos livros escritos pela humanidade, aliás. Minhas Mil e uma noites não chegam a um trimestre.

2 – O direito de saltar páginas
Gosto de abrir um livro novo pelo meio e bisuiar umas linhas antes de começar pelo começo. Amei Rayuela, do maluco do Cortázar.

3 – O direito de não acabar um livro
Pode me xingar, mas parei no primeiro capítulo de Os Sertões, de Euclides da Cunha. Dizem que a partir do segundo a coisa engrena.

4 – O direito de reler
Releituras recentes: Os vagabundos iluminados (Kerouac), Sagarana (Guimarães Rosa), Cai o pano (Agatha Christie).

5 – O direito de ler não importa o quê
Bula de remédio, rótulo de caixas de sucrilhos, Tex, pulp fiction…

6 – O direito de amar os “heróis” dos romances
Larry de O fio da navalha (Somerset Maugham); Bandini, de Pergunte ao pó (John Fante); Tarzan, de E. R. Burroughs; Huckleberry Finn, de Mark Twain.

7 – O direito de ler não importa onde
No ônibus; na praia; comendo (se tou sozinho) e descomendo. Meu lugar preferido é a rede embaixo das árvores. E um dos mais desconfortáveis é a tela do computador.

8 – O direito de saltar de livro em livro
8b: e o direito de espalhar livros não lidos pela casa toda, pra esbarrar neles por acaso.

9 – O direito de ler em voz alta
Pros meninos antes de dormir. Monteiro Lobato em voz alta é uma delícia. Imito as vozes de Emília, do Visconde, de Pedrinho, de Dona Benta…

10-O direito de não falar do que se leu.
Comentar livro erótico é que nem sair contando como foi a transa.

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20

May

09

Barca dos Livros precisa de um PC

A biblioteca Barca dos Livros, um fantástico projeto cultural de incentivo à leitura que funciona a duras penas na Lagoa da Conceição, em Floripa, está precisando de um computador (configuração mínima de 233 mhz, 128 MB RAM, HD de 4 GB, unidade de CD-ROM ou DVD). Se você quiser doar ou souber de alguma pessoa ou empresa que se disponha, o contato é pelo fone 48/ 3879-3208 ou pelo e-mail administracao [arroba] amantesdaleitura.org

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12

May

09

Lido & Leno: Noites Tropicais e Single&Single

Com nove anos de atraso, li o ótimo Noites Tropicais, de Nelson Motta. Ele combina sua autobiografia com uma viagem deliciosa à história recente da música brasileira. E o leitor pega carona. Muitas músicas que ele cita foram trilhas sonoras de minha infância, adolescência e do início da vida adulta. Daqui a um tempo quero conhecer o audiobook. Esse livro é perfeito pra ser ouvido.

Comecei Single & Single, de John Le Carré, autor de O espião que saiu do frio e dO Jardineiro fiel, que virou filme nas mãos de Fernando Meirelles. Leitura leve e prazerosa pra balancear uma fase de outros textos pedreiras de trabalho. Também comecei O picapau amarelo, do mestre Monteiro Lobato, em que as personagens de ficção se mudam pro sítio de Dona Benta. Quase todas as noites leio um capítulo pros meninos antes de dormir. E pra mim mesmo, claro.

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02

May

09

Risíveis promessas

Marcos Donizetti começou hoje no seu novo blog uma série de contos ilustrados por fotos de seus leitores. Uma foto que tirei na Lagoa da Conceição (no aniversário do Antonio Faganello) foi escolhida pra ilustrar a primeira história: Risíveis promessas. O amigo blogueiro me contou que este possivelmente vai ser o primeiro capítulo do próximo livro dele. Se voce quiser conferir mais da literatura heDonista, recomendo os contos de Meias Vermelhas & Histórias Inteiras, a serem lidos ao som de Julia, de Lennon. Sábado que vem tem mais história com foto.

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26

Apr

09

Nova biblioteca em Floripa

Boa notícia pra Floripa: o Sesc da Prainha abriu uma biblioteca com computadores novos conectados à internet banda larga, jornais e revistas, seção infantil e, o mais importante, acervo de qualidade. Ela é relativamente pequena, mas moderna e climatizada. Numa passada rápida pelas estantes, vi que poderia passar um bom par de anos mergulhado ali dentro antes de terminar a leitura das obras que me interessaram. Já estou de olho nuns livros de Nelson Rodrigues, Isabel Allende, José Saramago e Stephen King. No item conforto, seria muito legal se houvesse uns pufes e almofadões pelos cantos, mas já tá de bom tamanho pra começar.

A Bilica – Biblioteca Livre do Campeche – e a Barca dos Livros, na Lagoa da Conceição, são outros dois belos espaços públicos que lutam pra sobreviver na base do voluntariado e mecenato, em meio à indigência cultural a que os catarinenses são submetidos pelo poder público. Se você tiver livros parados em casa e quiser fazer a boa ação do dia, dê uma passadinha nesses lugares, aproveite o ambiente e faça sua doação. A Bilica fica na avenida Campeche, ao lado da videolocadora Bela Arte, esquina em frente ao Ateliê da Arteira, um pouco depois do mercado Dezimas no sentido Campeche-Lagoa, à mão esquerda. A Barca dos Livros está no centrinho da Lagoa, perto do ancoradouro de barcos. Em breve o café do térreo vai reabrir com delícias da culinária mineira.

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