18
Sep09
‘Lisbeth Salander debe vivir’ (Vargas Llosa)
Artigo de Mario Vargas Llosa em El País sobre a trilogia Millenium, do sueco Stieg Larsson:
Comencé a leer novelas a los 10 años y ahora tengo 73. En todo ese tiempo debo haber leído centenares, acaso millares de novelas, releído un buen número de ellas y algunas, además, las he estudiado y enseñado. Sin jactancia puedo decir que toda esta experiencia me ha hecho capaz de saber cuándo una novela es buena, mala o pésima y, también, que ella ha envenenado a menudo mi placer de lector al hacerme descubrir a poco de comenzar una novela sus costuras, incoherencias, fallas en los puntos de vista, la invención del narrador y del tiempo, todo aquello que el lector inocente (el “lector-hembra” lo llamaba Cortázar para escándalo de las feministas) no percibe, lo que le permite disfrutar más y mejor que el lector-crítico de la ilusión narrativa.¿A qué viene este preámbulo? A que acabo de pasar unas semanas, con todas mis defensas críticas de lector arrasadas por la fuerza ciclónica de una historia, leyendo los tres voluminosos tomos de Millennium, unas 2.100 páginas, la trilogía de Stieg Larsson, con la felicidad y la excitación febril con que de niño y adolescente leí la serie de Dumas sobre los mosqueteros o las novelas de Dickens y de Victor Hugo, preguntándome a cada vuelta de página “¿Y ahora qué, qué va a pasar?” (…)
18
Sep09
Drops da semana
Semana corridaça. Então, ao estilo twitter, vamos aos drops.
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Recebi, via www.trocandolivros.com.br, Primeiras Estórias, de Guimarães Rosa. Preciosidade.
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Lendo a 3a. parte da trilogia Millenium, do sueco Stieg Larsson: A rainha do castelo de ar.
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Artigo de Vargas Llosa em El País elogiando a trilogia Millenium: “Lisbeth Salander debe vivir”.
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O escritor da vez em Grandes autores catarinenses, blog da Regininha, é Godofredo O. Neto.
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Festival Internacional de Mágica em Floripa. Ganha quem fizer sumir o engarrafamento.
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Revendo um ótimo e despretensioso filme romântico: Before Sunrise (Richard Linklater, 1995).
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Contagem regressiva: faltam três dias para a Primavera. Chega de chuva e lama, quero praia.
12
Sep09
Anotação de leitura: Primeiras Estórias
Tudo se amaciava na tristeza. Até o dia; isto era: já o vir da noite. Porém, o subir da noitinha é sempre e sofrido assim, em toda a parte. O silêncio saía de seus guardados. O Menino, timorato, aquietava-se com o próprio quebranto: alguma força, nele, trabalhava por arraigar raízes, aumentar-lhe alma.
Guimarães Rosa, As margens da alegria, conto publicado em Primeiras Estórias.
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O subir da noitinha me traz lembranças de infância semelhantes ao que Rosa descreve no trecho acima. Um quê de tristeza no mundão enquanto esperava o pai e a mãe chegarem do trabalho; aves voando no horizonte, a “hora do anjo” às seis horas na rádio. A literatura é maravilhosa quando desperta coisas assim, ecos da nossa própria vida.
11
Sep09
Grandes autores catarinas
Regininha Carvalho, que dia desses cometeu bloguicídio pra se dedicar mais tempo à literatura, volta a atacar na blogolândia, agora com Grandes autores catarinas, aproveitando material de pesquisa que está fazendo pra um livro sobre seu avô. Diz ela:
Não existe, atualmente, melhor meio pra divulgação que a internet, temos que reconhecer… Colocarei poetas, contistas e cronistas, talvez ensaístas, desde que tenham sido publicados em livro, sem pensar em se estão vivos ou mortos. Basta que sejam bons! Acho que ‘cês vão gostar dele!
Adorei. Regininha aceita sugestões de autores e textos. E de cara, compartilha um conto belíssimo de Flávio José Cardozo, lido pelo autor durante uma oficina na Academia Catarinense de Letras: Eles apenas saíram, publicado no livro Guatá, de 2005. Sou pai de dois meninos, impossível não chorar. O início:
Eu muitas vezes penso que eles apenas saíram. Foram levar as marmitas e não tiveram vontade de ir para a escola, então saíram para um passeio pelos eucaliptos, por aqueles morros. Saíram por distração, travessura. Foram olhar nossas casas mais do alto e a Serra um pouquinho mais de perto, logo estarão de volta.Dulcídia não conhece tristes cantares de outras terras, canções para outros meninos. O que sabe, com murmúrios e silêncios, é que seus meninos apenas saíram. Estão por aí, pelos morros, pelos eucaliptos. (…)
01
Sep09
A vida dos animais
Esses dias li A vida dos animais, do sul-africano J.M. Coetzee. Bela história metalínguística. Ele fez duas palestras numa universidade apresentando a história de uma escritora vegetariana que faz duas palestras numa universidade sobre questões éticas da relação dos humanos com os (outros) animais. Foi inspirador pro debate que tive com os participantes da Mostra de Curitiba.
26
Aug09
Lido & Leno: Superinteressante; A vida como ela é
Gosto de revistas, aprendi a ler com a ajuda delas. Mas ultimamente quase não compro, por causa da abordagem rasa e da recorrente impressão de déjà-vu que despertam. Entre as poucas que me atraem pela criatividade de algumas pautas estão a Wired, a Trip, a piauí e a Superinteressante. Ontem comprei a Super que traz reportagem de capa tratando de revisões históricas sobre a Segunda Guerra Mundial. Muito legal a matéria – destruidora de mitos. Pena que é curta demais. Matéria de revista brasileira é que nem ejaculação precoce: quando a coisa começa a ficar boa, acaba. Bem que podiam ser um pouco como a New Yorker, que não se acanha em publicar bons textos longos, às vezes em páginas inteiras sem ilustrações. Mas devo ser um leitor das antigas mesmo. Nada contra os infográficos, bem pelo contrário. Mas eles não têm a função de substituir o texto de qualidade.
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Lendo A vida como ela é, do grande Nelson Rodrigues.
17
Aug09
Lido & Releno: Salim Miguel e Rubem Fonseca
Terminei Nur na escuridão, de Salim Miguel. O romance conta a trajetória de sua família, que saiu do Líbano em busca de vida melhor nos Estados Unidos e, pelas artimanhas do destino, veio parar no Brasil. Gostei muito e me identifiquei. Minha família, embora não tenha vindo do exterior, foi meio nômade durante boa parte de minha infância e adolescência. Mudanças de cidade e de casa, readaptações e choques culturais, com todo o difícil aprendizado que envolvem, fizeram parte da vida do escritor (e da minha). Sua obra está impregnada de carinho pelos personagens que habitam a memória desses tempos. A narrativa do patriarca libanês, pai dele, é fragmentada, com lacunas, elipses, contradições e reiterações como costumam ser as boas histórias orais que prendem os ouvintes. Recomendo! (peguei emprestado na biblioteca Barca dos Livros, na Lagoa da Conceição). Ah, Felipe Lenhart publicou na revista Cult de julho um ótimo perfil de Salim Miguel. O escritor “líbano-biguaçuense”, como ele gosta dizer, recebeu há pouco da Academia Brasileira de Letras o Prêmio Machado de Assis pelo conjunto da obra.
Também peguei na Barca dos Livros a excelente compilação 64 contos de Rubem Fonseca. Já havia lido praticamente todos, mas foi com prazer que pude voltar a algumas joias, como Passeio Noturno – parte I, A força humana, Feliz ano novo, O balão fantasma e O cobrador (“Estão me devendo comida, boceta, cobertor, sapato, casa, automóvel, relógio, dentes, estão me devendo”). Uma vez eu disse aqui que, quando crescesse, queria escrever que nem o cronista Rubem Braga. Posso dizer o mesmo sobre o contista Fonseca (como romancista, acho que tem altos e baixos). É um doutor na arte das histórias curtas, com domínio absoluto da linguagem e do ritmo. Seus temas, fascinantes e às vezes inverossímeis como a própria realidade, abordam os escaninhos nebulosos e violentos da alma humana nas grandes cidades. Invoco os itens 2, 3 e 4 dos direitos inalienáveis do leitor pra não repassar todas 799 páginas deste livro. Tenho folheado aleatoriamente suas delícias.
17
Aug09
O amigo Joca Wolff lança esta semana em Buenoa Aires um livro que é versão de sua tese de doutorado na UFSC, orientada pelo professor Raúl Antelo.
14
Jul09
Barca dos Livros, agora com lanche e buscador
Vai passar pela Lagoa da Conceição (#floripa)? Uma opção legal é dar uma paradinha na biblioteca Barca dos Livros, onde agora funciona também um café com petiscos mineiros. Antes de sair de casa, dá pra fazer a busca de livros aqui. Já são 8.267 obras cadastradas. A Barca fica perto da pontezinha da Lagoa, perto do atracadouro.
16
Jun09
Lido & Lido: Millenium 2 e O silêncio da chuva
As leituras recentes são do gênero noir/policial: O silêncio da chuva, de Luiz Alfredo Garcia-Roza, e A menina que brincava com fogo, de Stieg Larssen. O primeiro é bem escrito, mas definitivamente não me fisgou. Achei os personagens rasos. É exatamente o oposto do que ocorre com os livros de Stieg Larssen, o sueco que escreveu a trilogia Millenium e morreu pouco antes de ver seus livros virarem best-sellers internacionais. Os protagonistas das histórias de Larsson são densos, complexos, contraditórios. Este segundo livro da série não chega a ser tão espetacular quanto o primeiro (Os homens que não amavam as mulheres, que já virou filme) e tem algumas cenas francamente inverossímeis, mas é daquele tipo de romance que prende a gente até a última página. O jornalista Mikael Blomkvist e a hacker Lisbeth Salander vivem mais uma vez uma aventura cheia de reviravoltas, em que ela é procurada pela polícia por triplo assassinato e ele tenta ajudá-la investigando pistas sobre uma quadrilha de tráfico de mulheres. E mais não conto, pra não tirar o prazer da sua leitura.
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Agora resta aguardar a parte 3 de Millenium em português – e quem sabe a 4, que, segundo reportagem de Rue 59, foi hackeada do computador da viúva de Larssen.








