26
Apr10
De Olho na Capital, agora em livro

Nesta quarta o Cesar Valente lança seu primeiro livro, uma coletânea de suas crônicas publicadas no Diarinho do Litoral sobre a política de Santa Catarina, em especial de Florianópolis. Quem acompanhou seu blog De Olho na Capital sabe que o material é de primeira. Quem ainda não conhece, vale conferir.
18
Apr10
Anotação de leitura: contar é fazer história
Eis um aspecto do trabalho do jornalista que não para de me fascinar e, ao mesmo tempo, de me enquietar. Os fatos não registrados não existem. Quantos massacres, quantos terremotos acontecem no mundo, quantos navios afundam, quantos vulcões entram em erupção e quanta, quanta gente é perseguida, torturada e morta! Se não há alguém para colher o testemunho e escrevê-lo, alguém para fazer uma foto que deixe traços em um livro, é como se aqueles fatos jamais tivessem acontecido! Sofrimentos sem consequência, sem história. Porque a história existe apenas se alguém a conta. É uma triste constatação. Mas é assim que funciona, e é talvez essa mesma ideia a me ligar à profissão – a ideia que com cada pequena descrição de algo visto pode-se deixar uma semente no terreno da memória.
Tiziano Terzani, Um adivinho me disse, p. 64.
12
Apr10
Lido & Leno: China, resenhas, imigrantes…
Em março encarei dois livros bem interessantes enquanto preparava um artigo para a edição 16 da Revista do Observatório Social: China: uma nova história (John King Fairbank e Merle Goldman), e China: radiografía de una potencia en ascenso (Romer Cornejo, coord.). Como o tempo era escasso pra deglutir os dois tijolos, precisei fazer uma leitura transversal de ambos, principalmente do primeiro, em que saltei alguns séculos (não sem certo remorso, logo deixado de lado ao lembrar dos direitos inalienáveis do leitor) pra me dedicar com mais detalhe aos tempos recentes. O segundo, da Editora El Colégio de México, é em espanhol e reúne artigos de especialistas em diversas áreas. Muito legal pra quem se interessa por geopolítica, relações internacionais, minorias étnicas, questões de gênero e combate à pobreza. Um dos artigos, escrito por Xulio Rios, aborda as relações entre China e Taiwan, tema que me atrái desde que tive a oportunidade de conhecer a ilha asiática em 1993.
Nos intervalos, me deliciei com Nick Hornby e seu Frenesi Polissilábico, que ganhei do cumpay Frank Maia. O escritor inglês reúne uma série de resenhas literárias que publicou em uma revista americana. Fiel à sua mania revelada em Alta fidelidade, no início de cada artigo ele faz duas listas: a dos livros comprados e a dos livros lidos no mês. Não é o filé de Hornby, mas mesmo assim, valeu encarar. São resenhas bem humoradas e cheias de tiradas espirituosas sobre a arte (ou vício) de ler, além de ótimas dicas, apesar de quase sempre restritas ao universo anglo-americano. A maioria dos livros e autores que ele cita, eu nunca tinha nem ouvido falar. Mas Hornby é simpático o bastante pra nos deixar bem à vontade quanto à nossa ignorância. Taí um cara com quem eu gostaria de tomar uma Guiness ou uma caipirinha. Se você é viciado em livros, recomendo o Frenesi, mas se ainda não leu Hornby, melhor começar com Um grande garoto ou Alta fidelidade.
Há poucos dias terminei A síndrome de Ulisses, do colombiano Santiago Gamboa. Aborda a vida de imigrantes ilegais. É a história de um colombiano que tenta ser escritor em Paris dos anos 90, em meio ao maior perrengue de grana, tendo que lavar pratos num restaurante coreano e fazer bicos de professor de línguas pra sobreviver. Ele faz amizade com vários imigrantes que, como ele, vivem no submundo parisiense: uma prostituta romena, um estudante marroquino, um norte-coreano com quem divide a pia do restaurante e outros. Pelo caminho, ele mata o tempo trepando com várias mulheres, investigando sobre um compatriota desaparecido, tentando superar o fora da ex-namorada espanhola e reescrevendo um romance ruim. Um dos pontos altos é a série de papos literários que ele tem com os amigos árabes e com escritores latino-americanos. Também é interessante a forma como, em determinados momentos, ele passa a narrativa em primeira pessoa aos outros personagens. Achei meio mal-amarrado em alguns trechos e foi inevitável compará-lo desfavoravelmente a outros autores que escreveram sobre a vida dura de Paris, com absoluto domínio da narrativa (Henry Miller, Paul Auster). De qualquer forma, a escrita é coloquial, flui bem e prende a atenção.
Anteontem comecei Um adivinho me contou, de Tiziano Terzani, enfaticamente recomendado pela @ladyrasta e que a Laura encontrou por R$ 9,90 num balaio de promoções. É o relato da experiência que esse jornalista italiano viveu ao passar um ano inteiro sem viajar de avião, se locomovendo entre Ásia e Europa por terra e mar. Um adivinho havia previsto que ele poderia morrer se voasse em 1993, e de fato ele se salvou de um acidente aéreo (eu também, quando era criança). Terzani questiona o modo de vida consumista, apressado e cético da cultura ocidental. As primeiras páginas já me fisgaram de jeito.
28
Mar10
De cinema e livros
Dica preciosa do Fabrício Boppré: dezenas de livros sobre cinema para download, incluindo alguns clássicos, no blog A Pimenta.
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Vi ontem Julie & Julia. Filme simpático sobre comer/viver e blogar/escrever. O roteiro, adaptado de dois livros com histórias reais, vai e vem dos anos 50 em Paris a 2002 em New York.
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Meryl Streep, pra variar, tá esplêndida. Vive um casamento amoroso com o ator Stanley Tucci (também ótimo) que, em O diabo veste Prada, ela humilhava. ![]()
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Obituário de Julia Child (1912-2004, a personagem vivida por Meryl Streep no filme) pelo San Francisco Chronicle: “She demystified the kitchen, teaching attention to technique and taste with a nonchalant humor that encouraged viewers to relax and trust their instincts and palates.”
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Taking Woodstock. Outro filme simpático e despretensioso que vi esses dias. Conta os bastidores do surgimento do megafestival de Woodstock na pequena cidade de Bethel, pelo ponto de vista de uma família proprietária de um pequeno hotel do lugar.
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Lendo A síndrome de Ulisses, do colombiano Santiago Gamboa. É sobre o mundo dos imigrantes fodidos em Paris. Mais uma dádiva da Barca dos Livros, de onde peguei a obra emprestada.
08
Feb10
Migração em andamento: resenhas
Tenho aproveitado umas horinhas livres pra fazer aos poucos a migração do blog antigo pra este, com a ajuda inestimável do desenvolvedor web Fabrício Boppré, voluntário na empreitada do novo DVeras em Rede. Neste fim de semana, salvei diversas resenhas de livros que estavam dispersas no Blogger, em Googlepages e em outros sites, reunindo-as em páginas novas no WordPress. Uma parte delas foi escrita em 2001 quando eu fazia frilas para a Editora Rocco – são, portanto, resenhas-releases, mas selecionei só os textos sobre livros de que realmente gostei e recomendo. Entre meus favoritos, As consolações da filosofia, de Alain de Botton, e A política do rebelde – tratado de resistência e insubmissão, de Michel Onfray.
Há também algumas resenhas que bloguei mais recentemente, como as impressões sobre e o livro de contos Meias vermelhas & histórias inteiras, de Marcos Donizetti, e sobre o livro de poemas Os mortos na sala de jantar, de Ademir Demarchi, no início de 2008. Falta ainda compilar muita coisa, não há pressa. Penso em também reunir anotações de leitura, posts em que reúno trechos que me marcaram em diversas obras. Em mudança de pobre, sempre se perde alguma coisa pelo caminho. Marquei bobeira ao não ter salvado os textos que estavam arquivados na extinta Geocities. Cheguei a recuperar alguns usando o Internet Archive, um fantástico “túnel do tempo” que tenta preservar a memória da grande rede – mas não faz milagres.
Enfim, continuamos em obras. Enquanto não volto a postar com mais regularidade, talvez algumas dessas dicas de leitura possam ser úteis. Deixo com você três consolações da filosofia como degustação para o livro de Alain de Botton, que continua tão atual quanto Epicuro, Sêneca e Nietzsche:
Epicuro e sua filosofia da busca de felicidade pelo prazer são um alento para quem tem pouco dinheiro. Segundo o epicurismo, a felicidade é relativamente independente dos bens materiais. Os ingredientes essenciais para uma vida agradável são a amizade, a liberdade e a reflexão serena sobre as principais fontes de ansiedade – morte, doença, fome, superstição.
Consolação para a frustração aborda a vida de Sêneca, cuja obra é permeada por uma única tese: a de que suportamos melhor as frustrações para as quais nos preparamos e somos atingidos principalmente por aquelas que menos esperamos. O filósofo romano propôs que se tenha sempre em mente a possibilidade de uma tragédia e que não se deve surpreender com nada: “O que não pode ser modificado precisa ser suportado”.
…
Consolação para as dificuldades resgata as idéias de Friedrich Nietzsche, para quem é impossível atingir uma vida plena sem passar por grandes períodos de dificuldade. Nietzsche utilizava uma analogia com a jardinagem para ressaltar a importância da valorização dos elementos negativos da vida humana: “Se fôssemos ao menos terrenos férteis, não permitiríamos que nada se tornasse inútil e veríamos em cada acontecimento, em cada coisa e em cada homem um adubo bem-vindo”.
21
Jan10
S.O.S. Barca dos Livros
Recebi hoje uma preocupante carta aos apoiadores, leitores e amigos da Barca dos Livros. Essa encantadora e aconchegante biblioteca, que fica na Lagoa da Conceição, está desde outubro de 2009 sem patrocínio de órgãos públicos e de empresas privadas. Em dezembro, dispensou todos os funcionários contratados e vem sobrevivendo com o apoio do trabalho de voluntários. Fico estarrecido (mas não surpreso) com o descaso dos donos do poder para com a educação e a cultura, numa cidade que busca ser reconhecida como referência turística internacional. Premiado pelo seu caráter inovador, o projeto da Barca envolve diversas atividades de incentivo à leitura de crianças, adolescentes e adultos. Saraus literários, passeios de barco com contações de histórias… E um acervo com mais de 8 mil livros de alta qualidade à disposição do público, gratuitamente. Tudo isso está ameaçado pela falta de continuidade nas políticas de patrocínio dos governos e das empresas. Alô Eletrobrás, Eletrosul, Tractbel, BRDE, Badesc, Ministério da Cultura, Funcultural, Governo de Santa Catarina! A Barca dos Livros é uma ideia boa demais pra ser abandonada.
p.s.: A administração da Barca dos Livros pede aos apoiadores a doação de R$ 10 para ajudar a manter a biblioteca. Depósitos podem ser feitos no Banco do Brasil, agência 3185-2, conta 13.058-3, CNPJ 06022478/0001-07, em nome da Sociedade Amantes da Leitura.
07
Dec09
DVeras Awards 2009: livros
É uma missão impossível apontar os três “melhores” livros que li em 2009. Qualquer que fosse a lista, ela seria injusta com alguns que ficam de fora. Este foi um ano em que li, por exemplo, três excelentes biografias – as de Paulo Coelho, Rubem Braga e (com atraso de uma década e meia, mas sempre em tempo) Nelson Rodrigues. Então tá, não tem essa de melhor. Vou apontar “três livros marcantes” e dizer por que vão para o pódio.
3. Travessuras da menina má, de Mario Vargas Llosa.
Linda e triste história de amor entre um homem romântico e uma mulher ambiciosa, situada ao longo de vários anos em diversas cidades do mundo. Vargas Llosa tem domínio pleno da arte da narrativa. O romance mergulha com intensidade e fluidez, mas sem pieguismo, nas contradições insanas do bem-querer. Delícia.
2. Os homens que não amavam as mulheres, de Stieg Larsson.
O primeiro livro da trilogia de suspense escrita pelo jornalista sueco (que morreu pouco antes da publicação) é de arrebatar. Uma página puxa outra. Na curiosidade de saber mais sobre a punk-hacker Lisbeth Salander, a gente devora 600 e tantas páginas brincando. E em seguida pula pro segundo e pro terceiro volume. Vai que é coisa de primeira (aliás o Vargas Llosa escreveu artigo no El Pais dizendo isso).
E na categoria Livros, o DVeras Awards 2009 vai para…
1. O filho eterno, de Cristovão Tezza.
Esse romance lindo (e multipremiado) de inspiração autobiográfica que li em janeiro evocou tantas referências da minha memória afetiva… Uma obra-prima, lapidada com arte e coragem. Recomendo.
20
Nov09
Boa notícia sobre a Barca dos Livros
A Bel Humenhuk (no twitter, @humenhuk) e seus colegas de jornalismo da turma do Paulinho Scarduelli na Estácio estão fazendo assessoria de imprensa para a Barca dos Livros. Ela acaba de me enviar mensagem com uma boa notícia: saiu parte da verba prometida pelo Estado de SC para a manutenção da biblioteca.
O Estado de SC, através da Secretaria de Turismo, Cultura e Esporte, liberou parte da verba solicitada pelo Projeto Barca dos Livros no FUNCULTURAL 2009-segundo semestre. A segunda parcela do Projeto 2009 deverá ser repassada no início de 2010. A verba total é de 200 mil reais, e o FUNCULTURAL só tinha liberado metade. O aprovado agora foram 50 mil reais, ou seja, ainda falta 1/4 do total. Ainda assim, com isso a Barca dos Livros pode manter o programa de incentivo à leitura por alguns meses e poderá continuar pagando a manutenção do Projeto (despesas fixas) e suas atividades. O horário e a programação deverão continuar reduzidos pois a verba do município ainda não foi liberada. O Projeto FUNCULTURAL para 2010 já foi enviado para a Secretaria.
Além disso, a Barca dos Livros é uma das entidades que serão homenageadas pelo Estado de Santa Catarina com a Medalha Cultural Cruz e Souza. A entrega será no dia 24, às 20h, no Teatro Álvaro de Carvalho.As próximas atividades da Barca são essas:Sábado de Prosa e VersoUm dia especial para vivenciar a literatura, compartilhar emoções, impressões e novas descobertas. Participação especial de Maria Aparecida Barbosa e Dirce Amarante, tradutoras de “Feitiço de Amor e Outros Contos” e ” Contos de Ionesco para Crianças”, respectivamente.Dia 21 (sábado), às 18h, gratuitoTerças em ContosEncontros quinzenais do Grupo Permanente de Formação de Contadores de Histórias.Coordenação de Ingo Vargas.Dia 24/11 (terça-feira), às 19h, gratuitoSarau de Histórias – Contos de IlhasVenha compartilhar das mais curiosas e belas histórias de ilhas de todo o mundo. Coordenação: Sergio BelloDia 28/11, 20h, R$ 5,00
02
Nov09
Literatura em Joinville
Joinville Literária – autores contemporâneos joinvilenses e suas obras.
http://www.joinvilleliteraria.com.br/
Uma dica do Norberto Hoff.
01
Oct09
S.O.S. Barca dos Livros
Se você ainda não conhece a Barca dos Livros, um projeto maravilhoso que fica na Lagoa da Conceição, dê uma passadinha por lá (se tiver filhos, leve as crianças!) pra tomar um café, folhear ou levar emprestadas algumas publicações e fazer um passeio no barco de contação de histórias. Enquanto é tempo. Este texto da professora Tânia, coordenadora da Barca, me comove pelo idealismo e garra do pessoal que faz a Sociedade Amantes da Leitura. Ao mesmo tempo, causa indignação constatar a pequenez dos gestores públicos. Santa Catarina é um estado rico e sua capital se vangloria pela alta qualidade de vida. Num contexto desses, quando uma biblioteca premiada por sua proposta inovadora corre o risco de fechar, é porque alguma coisa vai mal, muito mal.
S.O.S. Barca dos Livros
Tânia Piacentini
“Um país se constrói com homens e livros”. Lobato, em tempos politicamente corretos, acrescentaria, talvez, “mulheres” – homens, mulheres e livros. Mas certamente manteria o cerne de sua afirmação e crença: livros são essenciais para a formação e desenvolvimento das pessoas. Nisso também acreditamos, nós, os membros da Sociedade Amantes da Leitura, a organização não governamental, sem fins econômicos e de utilidade pública municipal e estadual, responsável pela criação e funcionamento da biblioteca comunitária Barca dos Livros, na Lagoa da Conceição, em Florianópolis.
Inaugurada em 02 de fevereiro de 2007, a Biblioteca possui hoje um acervo de mais de 8.000 livros já catalogados e 3.000 em fase de catalogação, e desenvolve um programa mensal de incentivo à leitura, recebendo escolares e comunidade em geral, diária e gratuitamente. Desde a abertura temos mantido uma média de 1.800 visitantes/mês, provenientes não só da Lagoa da Conceição e região leste, mas de todo o município, da Grande Florianópolis e também do interior do Estado. Temos 2.300 leitores cadastrados a partir de outubro de 2007, 18.261 livros foram emprestados desde então, e 21.805 pessoas estiveram na biblioteca em 2008, participando de pelo menos uma das muitas atividades que oferecemos de terça-feira a domingo. Agora em 2009, já registramos a presença de 13.605 pessoas, até agosto.
Nesses dois anos e meio de atividade, nossa biblioteca é referência na área do livro e da leitura, e presença constante na mídia local e nacional, por ser um projeto que já nasceu com a qualidade, o trabalho e o reconhecimento de especialistas. (…)
Clique aqui para ler o texto na íntegra.








