24
Apr09
O portão da praia
O portão da praia é o romance in-progress da Regininha Carvalho, que ela resolveu compartilhar com os leitores à medida que escreve. Dois capítulos já estão no novo blog, aberto a comentários moderados. Bela ideia, Regininha! A primeira frase:
A casa é a velha casa de sua família, e tem acompanhado gerações e mais gerações dos Vieira desde que chegaram dos Açores.
24
Apr09
Liga, roda, clica
Da Laura, no blog Leiturama:
Fazia um tempinho que eu não lia nada muito acadêmico e em fevereiro peguei para ler o livro Liga, roda, clica, organizado pelas amigas Gilka Girardello e Monica Fantim.São 12 artigos que tratam das relações entre a criança e as novas tecnologias. O que me chamou atenção foi:
- Estação Memória: projeto interessante em SP, em que em entrevistas idosos contam a história do bairro e de sua infância, compartilhando com as novas gerações.
- Como todos nós, os educadores estão um pouco perplexos e não sabem direito o que fazer e como entender sobre a relação das crianças com o computador.
- Fiquei um pouco perturbada com a declaração da Bebel de que a escola, que antes era o espaço do saber, luta para manter um espaço de relevância.
- Gilka nos lembra: jogos violentos e muito realistas não ajudam a estimular a imaginação.
- Em um artigo sobre como as crianças retratam o corpo, Ingrid conta de uma menina que tinha fixação em se manter magra. Detalhe: a menina não era gorda e tinha apenas 5 anos.
O livro não se propõe a oferecer respostas prontas. Não é nada do tipo o que fazer, como fazer. Mas vez ou outra dá para pescar recados interessantes, do tipo: mediar a relação das crianças com a tecnologia é uma tarefa de todos – da escola, da família, de todos nós. Para isso, é preciso que a gente mesmo comece a usar e descobrir coisas legais. Outro recado: vale muito a pena procurar experiências off-line, que ampliem cada vez mais a diversidade cultural das crianças.
Para finalizar, aí vai um vídeo bem bacana do TED “Escolas matam a criatividade?”:
18
Apr09
Dois jingles do tempo da República Velha
Florianópolis, cidade linda, de nome tão feio, como quem mora aqui já sabe (ou devia), foi batizada assim em 1894 como homenagem de um deputado puxa-saco ao presidente Floriano Peixoto – então ainda bem vivo -, depois que ele mandou abafar a Revolução Federalista ao custo de quase 200 fuzilamentos na Fortaleza de Anhatomirim. Li hoje uma historinha jocosa também ligada ao nome do marechal. A fonte é a biografia Rubem Braga: um cigano fazendeiro do ar, de Marco Antonio de Carvalho. Braga a ouviu na infância, de um parente mais velho, e anos depois contou ao sobrinho Edson, que a revelou ao biógrafo:
Na campanha presidencial que colocou Floriano contra Custódio de Melo, em 1890, os partidários de Melo cantavam, nas ruas: “Floriano, Floriano, que nome horrendo/ começa cheirando, acaba fedendo”. Mas seus adversários respondiam no mesmo tom: “Custódio, Custódio, que nome tens tu! / Acaba com ódio, começa com cu!”
17
Apr09
Pedro e o Choro
Adri Canan tá divulgando um livro-cd infantil muito bonito: Pedro e o Choro: uma viagem pela música popular brasileira. A primeira edição está sendo quase toda distribuída de graça a professores.
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O choro me traz boas lembranças dos tempos de Rio. Um dos programas que a gente curtia muito no sábado de manhã era ir à pracinha da rua General Glicério, em Laranjeiras, ouvir os músicos tocando ao vivo.
08
Apr09
Túnel do tempo: 13 de novembro de 2007
Um mergulho no baú pra marcar os cem anos do nascimento de John Fante.
À procura da frase perfeita“Era fim de tarde quando acordei e acendi a luz. Eu me sentia melhor, menos cansado. Fui para a máquina e me sentei diante dela. Minha idéia era escrever uma frase, uma única frase perfeita. Se pudesse escrever uma frase boa, escreveria duas, e se pudesse escrever duas, escreveria três, e se pudesse escrever três, escreveria para sempre. Mas e se eu falhasse? E se eu tivesse perdido meu belo talento? (…) Tinha dezessete dólares na carteira. Dezessete dólares e o medo de escrever.”
Arturo Bandini em “Sonhos de Bunker Hill” (John Fante, 1983)
02
Apr09
Flush – memórias de um cão
Depois de mais de um ano que peguei emprestado da amiga cachorreira Ana Paula Lückman, finalmente terminei de ler Flush – Memórias de um cão. Esse livro, escrito meio que como divertimento por Virginia Woolf (1882-1941), tornou-se um dos maiores sucessos de público da escritora britânica. É a biografia ficcional de um cocker spaniel pertencente à poeta inglesa Elisabeth Barret Browning. Conta desde a infância dele em Londres até a maturidade e velhice na colorida Itália, pra onde a poeta se mudou com o marido.
Um dos méritos do romance é que ele descreve de maneira bastante vívida os costumes do período vitoriano inglês – e, em contraste com o luxo dos casarões, as condições de indigência dos bairros periféricos de Londres de meados do século 19. Confesso que gostei mais de Niki – a história de um cão, do húngaro Tibor Déry. Mas Flush tem o seu valor e me ajudou a estudar a narrativa pelo ponto de vista não-antropocêntrico, num momento em que eu me dedicava a escrever um roteiro de um documentário suinocêntrico. Acho que os cachorreiros vão gostar.
p.s.: Dos livros “sobre animais” que já li, o mais tocante, disparado, é Vidas Secas, de Graciliano Ramos. Os últimos momentos da cachorra Baleia são inesquecíveis.
Post publicado também no blog Leiturama.
02
Apr09
Balanço trimestral de leitura
Li nove livros no primeiro trimestre de 2009, três por mês. Por enquanto, a média é superior à do ano passado (2,2/mês), mas bem distante da que eu atingia em meus alegres tempos de vagabundagem pelas bibliotecas e sebos. Essa contagem é uma bobaginha estatística, claro – um dos livros tinha mais de 600 páginas, outro era fininho mas devia valer por dois; e outro ainda tinha um trecho chato que me obrigou a fazer uma leitura transversal de várias páginas. Mas é divertido anotar os títulos (estão na coluna da direita do blog), escrever um pouco sobre eles e perseguir a meta de chegar ao fim de 2009 com 50 livros lidos. A ver.
30
Mar09
27
Mar09
Lao Wai
Terminei de ler Lao Wai – Estrangeiro (Editora Letras Brasileiras, 2008), narrativa da jornalista Sônia Bridi sobre os dois anos em que ela viveu na China como correspondente da Rede Globo. Muito bom! Texto saboroso e bem humorado em primeira pessoa, riquíssimo em informação e histórias sobre esse país fascinante. Comentei no Leiturama.
18
Mar09
Travessuras da menina má
Terminei de ler – ou melhor, devorei – Travessuras da menina má, de Mario Vargas Llosa. Lindíssimo e triste também. É a história de um tradutor peruano apaixonado desde a adolescência por uma mulher. Mas eles são muito diferentes. Enquanto Ricardo é romântico e se satisfaz em levar uma vida tranquila na capital francesa como intérprete da Unesco, a mulher – que tem vários nomes – é ambiciosa, quer a todo custo sair da pobreza se casando com homens de dinheiro. Os anos vão passando e os dois se encontram em várias ocasiões, em diversas cidades do mundo – primeiro em Lima, depois Paris, Londres, Tóquio, Madri… A relação entre eles é estranha e dolorida porque ela o faz de gato e sapato, mas ele continua cada vez mais apaixonado.
Pelo caminho, o narrador – que conta a história em primeira pessoa, de forma linear – vai entremeando relatos sobre os momentos históricos que viveu, como os anos revolucionários em Paris nos anos 60, a swinging London dos hippies nos 70, a Madri em efervescência política da redemocratização dos anos 80. Também passam pela narrativa alguns grandes amigos dele e breves relatos das mudanças no Peru: golpes de estado, terrorismo do Sendero Luminoso, urbanização e favelização das grandes cidades. É um romance tocante sobre encontros e desencontros, sobre solidão, sonhos e buscas existenciais. Dos livros de Vargas Llosa que li até agora (os outros são Conversa na Catedral e Quem matou Palomino Molero?), achei o melhor.








