10
Aug07
Joseph Conrad: ‘Juventude’
Entre um gole e outro de vinho, Marlow, narrador de várias histórias do escritor Joseph Conrad, conta a quatro amigos sobre sua primeira viagem num navio cargueiro ao Oriente, quando tinha vinte anos de idade. A incrível aventura e a impressão que causou no marinheiro são o enredo de Juventude (L&PM Pocket, 2006, 80 páginas). Foram os seis reais mais bem empregados dos últimos tempos. Trecho:
“Desde então tenho sentido o seu fascínio; vi as misteriosas praias, a tranqüila água, as terras dos povos morenos, onde uma furtiva Nêmesis espreitava, perseguindo, dominando tantos homens de um raça conquistadora que se orgulha de sua sabedoria, do seu conhecimento, de sua força. No entanto, para mim, todo o Oriente está contido nesta visão da minha juventude. Está tudo nesse momento em que abri meus olhos juvenis sobre ele. Chegava ao Oriente depois de batalhar contra o mar – e eu era jovem, e eu o vi olhando para mim. É tudo o que restou. Apenas um momento – de juventude! Um raio de sol sobre uma costa estranha, o tempo de lembrar, o tempo de suspirar e… bem, adeus! Noite – adeus!”
07
Aug07
A voz de Cortázar
Dica da Adri Canan: você pode escutar aqui o genial escritor argentino Julio Cortázar – autor de Rayuela (O jogo da amarelinha) e Histórias de Cronópios e Famas, entre outros – falando sobre literatura e lendo capítulos de suas obras.
25
Jun07
Claudinha no ano da loucura
Nesta terça 26, às 19h, a editora Letras Brasileiras lança na Livraria da Travessa Ipanema, no Rio, o livro Claudinha no ano da loucura, do grego Alexandros Evremidis. Quarta 27, também às 19h, é a vez de São Paulo, na Saraiva Megastore do Xopin Center Norte. Quinta 28 é na Mercearia São Pedro, na Vila Madalena. Em todos os lugares, quem comprar o livro tem direito a quebrar um prato.
É a história de uma Lolita da zona norte do Rio – sem a complicação de Nabokov -, que acaba na cama de um homem maduro e errante. “Juntos fazem a experiência do já experimentado”, comenta Carlos Heitor Cony. “E talvez seja essa a melhor definição para o romance: ‘gênero literário, gênero de vida’”.
Aguinaldo Silva diz sobre o livro: “Evremidis preferiu um tipo de linguagem que assusta até mesmo os autores que não enfrentam maiores problemas com as palavras: o coloquial. Para uma história tão íntima, ele escolheu o tom exato, uma linguagem ‘íntima’. Essa escolha (sem dúvida uma escolha, e não obra do acaso) já serve para testemunhar o talento do escritor”.
E mais não digo, porque ainda não li. Mas já comecei a gostar.
22
Jun07
Se você ler esse livro numa noite de inverno
A nova estação me lembrou deste “hiper-romance” de Ítalo Calvino: Se um viajante numa noite de inverno. O leitor é o protagonista de uma história múltipla, que reflete sobre o sentido de todas as narrativas. Acho o título também especial, cheio de possibilidades sugeridas.
05
Jun07
Livros espalhados pela casa
Lendo: Flush – memórias de um cão, de Virginia Woolf. E mais uns cinco ou seis que deixo largados pela casa em lugares estratégicos. É o que a gente poderia chamar de “bagunça funcional”. Impossível de explicar, mas faz sentido.
23
May07
Handbook for Bloggers and Cyber-Dissidents
Li no Coluna Extra que a tradutora Dora Garrido, do blog Crônicas Atípicas, está trabalhando na versão para português do Handbook for Bloggers and Cyber-Dissents, lançado em 2005 pela organização Repórteres Sem Fronteiras. Iniciativa muitíssimo bem-vinda, Dora!
16
May07
Lidos
Terminei O Grande Gatsby. O clássico de F. Scott Fitzgerald se passa na América dos anos vinte, embalada ao ritmo de jazz, festas e prosperidade. Em meio à abundância, o melancólico amor frustrado do protagonista por uma antiga namorada, casada com um milionário. Livro fininho e fácil de encarar. Gatsby é um personagem marcante, mas o livro é bem menos do que eu esperava. Em definitivo, não é “o segundo melhor romance do século 20″ como diz a resenha da Biblioteca da Folha.
Li também O Afegão, de Frederick Forsyht. Historinha descartável de espionagem moderna: um agente do serviço secreto britânico se infiltra na Al Qaeda pra tentar descobrir um grande atentado. Forsyht continua com sua fórmula inconfundível de frases curtas e roteiro envolvente de suspense baseado em muita pesquisa. Mas esta é uma obra menor em comparação com outras suas, como os ótimos O Dia do Chacal e O Dossiê Odessa.
Esta frase de Oscar Wilde continua valendo: “É absurdo ter regras absolutas sobre o que precisamos ler e o que não precisamos ler. Mais da metade da cultura moderna repousa sobre aquilo que não precisamos ler.”
11
May07
Novos hábitos de leitura a caminho?
Uma pesquisa de neurocientistas da empresa americana Walker Reading Technologies chegou à conclusão que nossos cérebros não foram feitos pra ler da maneira convencional. Depois de estudar os hábitos de leitura por dez anos, concluíram que o foco dos nossos olhos é circular. Quando lemos um texto linha a linha, dizem eles, isso provoca uma “briga” cognitiva dentro da cachola, porque as duas linhas de baixo e as duas de cima também entram no campo de visão.
formato que espera ser
uma revolução nos hábitos
de leitura online. Algo mais
ou menos assim - fico imaginando
como vão proteger sua patente
dos “piratas” e dos poetas.
Leia mais nesta reportagem
da Venture Beat.
Tem uns comentários
engraçados no pé da matéria.
23
Apr07
Na fila de leitura
Ana Paula me emprestou:
Flush é das obras mais famosas de Virginia Woolf, embora ela o tenha escrito a caráter de diversão, após um período cansativo onde escreveu obras complexas, como As Ondas. A obra é a biografia de um cão que mostra aventuras e mistérios da existência percebidos através dos olhos do melhor amigo do homem. O personagem central dessa história é um cocker spaniel de origem inglesa, Flush. Em pleno processo de apreensão do mundo e de si mesmo, ele ama tanto os raios de sol quanto um pedaço de rosbife, a companhia de cadelinhas malhadas assim como a companhia de seres humanos, o cheiro de campos abertos tanto quanto ruas cimentadas e o burburinho da cidade. Na obra, a autora tece comentários sobre a sociedade inglesa e vitoriana e seus valores.
27
Mar07
Gabo e as letras
“Não sei a que horas tudo aconteceu (o começo da carreira). Só sei que desde que tinha 17 anos e até a manhã de hoje não fiz coisa diferente de me levantar cedo todos os dias, sentar na frente de um teclado para encher uma página em branco, ou uma tela vazia de computador, com a única missão de escrever uma história ainda não contada por ninguém.”
Gabriel García Márquez, 80 anos, durante homenagem à sua carreira de escritor no 4º Congresso Internacional de Língua Espanhola.
[recebi do Adauri, que leu a reportagem no Estadão]








