17
Sep07
Monteiro Lobato de volta às livrarias
Que notícia bacana eu recebi do Dubes:
Editora Globo anunciou nesta 3ª.feira (11/9) ter assinado um contrato vitalício com representantes da família do escritor Monteiro Lobato para licença e uso dos direitos autorais de suas obras, que conta com 56 livros (31 para o público infanto-juvenil e 25 para adultos), todos sem atualização há 40 anos. (…)
Monteiro Lobato foi um dos responsáveis pelo meu gosto pela leitura e pela escritura (a culpa também é dele, leitores). A chave do tamanho, Reinações de Narizinho e depois, na adolescência, a obra-prima A Barca de Gleyre marcaram minhas primeiras trilhas no mundo das letras. Embora essa coisa de “contrato vitalício” sempre me deixe de pé atrás, é muito bem-vinda a notícia de que os livros dele vão ser reeditados. Um grande presente pra criançada do século 21.
14
Sep07
Primeira frase de ‘O Grande Bazar Ferroviário’
Desde criança, quando vivia perto da via férrea de Boston e Maine, raras vezes ouvi o silvo de um trem sem sentir o desejo de estar nele.
Paul Theroux
14
Sep07
Primeira linha
Encontrei – dica do Nando – um uso bem criativo e potencialmente rentável do Twitter: o TwitterLit. É um saite que oferece teasers literários duas vezes por dia, com a primeira linha de um livro. Não diz o título nem o nome do autor, mas dá um link pra livraria virtual Amazon.com, onde a pessoa pode descobrir a informação – e fazer a compra se quiser, o que rende uma comissão pro dono do saite. Dá pra acompanhar via Twitter ou RSS e ainda incorporar o código no blog ou saite, em três versões: Estados Unidos, Reino Unido e Canadá.
A primeira linha diz muito sobre uma obra e seu autor. Nem sempre é um resumo; às vezes serve pra fisgar a atenção, amarrar o leitor desde o início. Ela tem muito a ensinar aos jornalistas e aos aspirantes de vôos literários. Ainda não existe versão brasileira desse saite, que eu saiba. Mas vou brincar com a idéia aqui e publicar a primeira linha de alguns livros da minha biblioteca – ou primeira frase, quando a primeira linha sozinha não fizer sentido. Com a diferença de que vou dizer o título e a autoria.
Pra começar, a biografia de um grande mestre:
“Eu não poderia ser diferente do que sou. Se há alguma coisa que sei, é isso”.
Eu, Fellini (Charlotte Chandler)
13
Sep07
A função da arte
Recebi da Adriane Canan:
Diego não conhecia o mar.
O pai, Santiago Kovadloff, levou-o para que descobrisse o mar.
Viajaram para o Sul.
Ele, o mar, estava do outro lado das dunas altas, esperando.
Quando o menino e o pai enfim alcançaram aquelas alturas de areia, depois de muito caminhar, o mar estava na frente de seus olhos.
E foi tanta a imensidão do mar, e tanto seu fulgor, que o menino ficou mudo de beleza.
E quando finalmente conseguiu falar, tremendo, gaguejando, pediu ao pai:
- Me ajuda a olhar!
[Eduardo Galeano, em O livro dos abraços]
~
Tou ajudando o Miguel a olhar. A piscina
30
Aug07
Compras na livraria
- O povo brasileiro, Darcy Ribeiro. Essencial pra entender a formação do Brasil e por que o país ainda não deu certo. Levou 30 anos pra ficar pronto. Na reta final o autor, com câncer no pulmão, fugiu do hospital pra concluí-lo. Dei de presente pro meu pai.
- Revista Recreio com matéria sobre folclore. De brinde uma garrafa plástica de água. Pro Miguel.
- El plan infinito, Isabel Allende. Um homem superando obstáculos em busca de seu lugar na Califórnia e suas lembranças sobre a vida num caminhão com a família nômade. Pra mim.
- Um caderninho pra anotar idéias aleatórias e “blogar” offline. Fiquei um dia e meio sem internet. A Brasil Telecom resolveu por conta própria aumentar a velocidade de conexão e reduzir o preço.
28
Aug07
DSMU: minha biblioteca
Da Série Mergulho no Umbigo, um pedacim da minha modesta – mas gostosa – biblioteca. Da esquerda pra direita: As mil e uma noites, volume 5; Leviatã (Paul Auster); Achei que meu pai fosse Deus (idem, org.); O livro das ilusões, Mr. Vertigo, Desvarios no Brooklyn (idem); Sonhos de Bunker Hill (John Fante); O Deus das Pequenas Coisas (Arundhati Roy); Distraídos venceremos (Paulo Leminski); Lolita (Vladimir Nabokov); Morte e Vida Severina (João Cabral de Melo Neto); A Marca (Fernando Sabino); Crazy Cock, Trópico de Câncer, Sexus e Nexus (Henry Miller).
A (des)organização é semi-aleatória, por critério de autoria – embora haja outras obras de alguns desses escritores em outras prateleiras. Li todos estes, exceto Crazy Cock, que achei chato e larguei no começo. Os autores e a autora – a indiana A. Roy – são mestres. Se eu tivesse que levar só três desses livros pra reler numa ilha deserta, escolheria Achei que meu pai fosse Deus (histórias curtas, supostamente reais, dos ouvintes de um programa de rádio de Auster); O Deus das Pequenas Coisas (um caso de amor entre castas diferentes em Kerala, na Índia); e Sonhos de Bunker Hill (não é o melhor de Fante, mas adoro todas as histórias de Arturo Bandini).
27
Aug07
Capas de On the Road

Boa dica do Felipe: uma seleção de capas de On the road. Esta é de uma edição norueguesa de 2004. Gosto da simplicidade da idéia e da foto: Kerouac conversando com seu interlocutor oculto, Neal Cassady, o Dean Moriarty que move a história.
22
Aug07
Do amigo Ulysses Dutra
Ulysses botou no Esquerda Festiva um vídeo de Jack Kerouac lendo trechos de On the road ao som de jazz. Ei, você ainda não conhece o blog do Ulaiça? Aproveite e confira. Não vai perder seu tempo.
17
Aug07
‘On the road’: banal e mal escrita?
Ana Paula fez um comentário interessante e respondo aqui. On the road é uma história banal? Talvez possa ser vista assim. Acho que nisso está boa parte da força do romance – os acontecimentos narrados são banais e o núcleo ocorre sob a superfície. Os protagonistas fogem da vida previsível e enfadonha da classe média conformista dos anos quarenta e se aventuram pelas estradas em busca do momento presente, em vez de sonhar com a ilusória estabilidade. Aos vinte anos eu faria isso (aliás, fiz); hoje a viagem é outra. Mas a magia simbólica da estrada está lá. Eu a reconheci inteira, porque já a tinha vivido sem palavras em minhas andanças, antes de ler o livro.
Texto pobre? Aqui há um detalhe importante: muito se perde na tradução. Rimas, aliterações, coisas assim. Nada entendo de teoria literária, mas minha impressão é que, mesmo tendo sido escrito em poucas semanas e sob inspiração do instinto (baixou o santo no homem), houve trabalho cerebral deliberado pra aproximar a prosa da poesia. O “fluxo da consciência” tenta reproduzir o fio dos pensamentos à medida que surgem, mas antes de ser colocado no papel, passou por um filtro de talento. Ele fez várias leituras públicas de trechos do livro ao som de jazz. Talvez esse ritmo seja a chave pra pegar carona no ritmo da narrativa, nas suas frases longas, elipses, digressões.
Trama fraca? Disconcordo. A história tem estrutura simples, mas focada na construção de um personagem com vida psicológica e afetiva riquíssima. Dean Moriarty é o miolo do romance, sua razão de ser. Um cara rebelde, irresponsável, hedonista, incoerente, amoroso, maluco, impulsivo, com pitadas de agressividade e sentimento autodestrutivo. Essa grande salada o torna uma espécie de mito aos olhos do narrador – e dos leitores que assim o enxergaram. O mito é construído e parcialmente demolido no desenrolar da narrativa. Mas é isso… Livros, pessoas, cervejas, impossível obter unanimidade, né?
Eu já tinha comentado sobre Vagabundos Iluminados (Dharma Bums), talvez seu melhor romance – On the road ofuscou todos os outros, para desencanto do autor. Lembrei de outro interessante que li há anos: Big Sur. É uma viagem de delirium tremens durante um isolamento voluntário do protagonista como guarda de um parque florestal na Califórnia. Nada muito brilhante, mas tem trechos bons. Vale conferir.
16
Aug07
Um cinqüentão em boa forma
On the road, livro de Jack Kerouac que virou símbolo da geração beat, comemora 50 anos. O romance autobiográfico conta das andanças de Sal Paradise – personagem baseado no autor – e Dean Moriarty – inspirado em Neal Cassady, amigo de Kerouac – de carona pelos Estados Unidos e México, no ritmo de jazz. Foi escrito com a técnica do “fluxo de consciência” numa folha de papel com 36 metros e meio. Muitos especialistas o consideram mais uma curiosidade histórica e minimizam seu valor literário. Mas o livro ainda é bastante estudado nas escolas americanas e faz parte da bagagem de muitos mochileiros. Li pela primeira vez aos vinte anos e fiquei encantado com seu ritmo e prosa poética. Reli o ano passado, com olhar um pouco mais crítico. Mesmo assim a magia permanecia lá. Pra quem gostou ou quer conhecer mais de Kerouac, recomendo também Vagabundos Iluminados, uma viagem mais zen.








