Resenhas

A era dourada (Gore Vidal)

A Era Dourada é o sétimo e último livro da série em que Gore Vidal relata a ascensão do império americano. Mestre do romance histórico, o escritor faz uma crônica do período entre 1939 e 1954 – com um rápido salto, ao final, para a virada do milênio.

A política do rebelde – tratado de resistência e insubmissão (Michel Onfray)

A veia anarquista que originou A política do rebelde lhe surgiu na infância, conta o filósofo francês. Sua experiência de humilhações em um colégio interno e, na adolescência, o trabalho insalubre numa fábrica de queijos forjaram-lhe um visceral espírito libertário: “A autoridade me é insuportável, a dependência, intolerável, a submissão, impossível”.

As consolações da filosofia (Alain de Botton)

Este livro sugere que a filosofia pode oferecer consolação para muitas mazelas humanas. A partir das idéias de seis filósofos – Sócrates, Epicuro, Sêneca, Montaigne, Schopenhauer e Nietzsche – ele apresenta exemplos de consolação para a impopularidade, não ter dinheiro suficiente, frustração, inadequação, coração partido e dificuldades.

Croquê humano (Kate Atkinson)

A autora aborda de forma original temas difíceis como estupro, incesto, abandono infantil, violência contra a mulher e espancamento de crianças. Apesar de toda a carga dramática, a história flui com leveza e graça. Grande parte é narrada com observações ferinas por Isobel Fairfax, garota de 16 anos que vive em uma pequena cidade inglesa em 1960.

Do outro lado da Mancha (Julian Barnes)

As dez histórias curtas deste livro trazem situações e personagens bem distintos, com um tema em comum: as experiências de britânicos que cruzaram o Canal da Mancha para viver algum tempo na França. Julian Barnes trata da relação ambivalente entre britânicos e franceses, viajando por tempos diversos, da Idade Média ao futuro.

Exortação aos crocodilos (António Lobo Antunes)

Quatro mulheres compartilham um segredo terrível ligado aos homens com quem vivem. Suas memórias e a opressão de carregar o segredo compõem o cenário deste romance. É preciso ir, pouco a pouco, montando um quebra-cabeças de estilhaços, composto de imagens da infância, sabores, objetos de estimação, humilhações quotidianas.

Ficar ou não ficar (Tom Wolfe)

Com seu estilo inconfundível, que combina linguagem coloquial, pesquisa acurada e humor mordaz, Tom Wolfe fez uma mistura de reportagem, ficção e ensaio sobre temas que vão da sexualidade à informática, da neurociência à arte conceitual. O livro também conta a origem do Vale do Silício e discute a contribuição do jornalismo à literatura.

Lao Wai / Estrangeiro (Sônia Bridi)

A burocracia, a censura, o curioso “comunismo de mercado”, o carinho dos chineses pelas crianças e seu apreço pela educação, a medicina tradicional, a decoração kitsh na casa dos novos-ricos, a poluição, as antigas tradições que estão se perdendo… Eeste livro delicioso é ao mesmo tempo um diário de viagem e uma aula de geografia globalizada.

Meias vermelhas & histórias inteiras (Marcos Donizetti)

Doni lida bem com a passagem do tempo e com a reversão de expectativas – às vezes só pra confirmar o que o leitor já intuía. As histórias são temperadas com humor discreto, fetiches e sexo gostoso, mas o mote mesmo é amor. Com suas possibilidades e impossibilidades, palpitações, euforias e, quando acaba, seus efeitos devastadores.

Noites tropicais (Nelson Motta)

Motta conviveu com grandes artistas da história recente do Brasil, desde a bossa nova (é amigo de longa data de João Gilberto) à Jovem Guarda (Erasmo, Roberto…), MPB (Caetano, Gil, Chico, Elis – de quem foi namorado -, Tim Maia, Raul…), discoteca, rock, cinema novo (era muito amigo de Glauber Rocha) e artes plásticas (Hélio Oiticica).

O livro de Asta (Barbara Vine – pseudônimo de Ruth Rendell)

Nos cadernos escritos entre 1905 e 1967, a dinamarquesa Asta Westerby, imigrante na Inglaterra, conta sua vida de mãe de família em terra estranha. Suas memórias ajudam a reconstituir o mistério que envolve um homicídio, um desaparecimento de criança e uma investigação de paternidade.

Os homens que não amavam as mulheres (Stieg Larsson)

Este romance de suspense conduz o leitor por uma trama de investigação do desaparecimento de uma adolescente, integrante de uma dinastia industrial sueca. Um jornalista e uma hacker tentam desvendar uma intrincada rede de conexões que envolvem violência contra mulheres, lavagem de dinheiro, conflitos familiares e bizarrices sexuais.

Os mortos na sala de jantar (Ademir Demarchi)

Ademir passeia por vários formatos de escrita em torno do tema da nossa finitude. Seus textos, longe de oferecer conforto, fazem refletir sobre as idéias prontas que se tem sobre bater as botas. O poeta se vale de referências irônicas e ácidas sobre história, política, literatura e comportamento pra criticar as fantasias que escravizam as pessoas.

O espelho enterrado (Carlos Fuentes)

Obra fundamental de introdução à cultura hispano-americana. Fuentes compartilha 50 anos de leituras: Dom Quixote, de Cervantes; os grandes pintores espanhóis, de Goya a Picasso; os dramaturgos Lope de Vega e Calderón de la Barca; o cineasta Luís Buñuel; o muralista Diego Rivera; os escritores José Martí, Juan Rulfo, Borges, García Márquez…

Travessuras da menina má (Mario Vargas Llosa)

Tradutor peruano é apaixonado desde a adolescência por uma mulher. Mas eles são muito diferentes. Enquanto Ricardo é romântico e se satisfaz em levar uma vida tranquila na capital francesa como intérprete da Unesco, a mulher – que tem vários nomes – é ambiciosa, quer a todo custo sair da pobreza se casando com homens de dinheiro.