09
Jun09
Anotação de leitura: LLL e a notícia do acidente
De Alex Castro, um dos grandes textos da internet brasileira.
Vida Que SegueLiberal, Libertário, Libertino
Ontem de manhã, extraordinariamente, comprei o jornal. Estou procurando um apartamento pra alugar e queria ver os classificados. Em outro caderno, petrificados em fotos e condensados em resumos biográficos, estavam os mortos do acidente aéreo: o casal de noivos de Niterói, o maestro e o príncipe, a família que viajava separada justamente para que todos não morressem juntos, a mãe que perdeu a chance de ver a filha pela última vez pois ficou presa no trânsito. Li tudo aquilo com a curiosidade mórbida que caracteriza os humanos, me emocionei, considerei minha própria mortalidade, etc etc, e deixei o jornal respeitosamente à beira da cama, talvez para ler de novo. Mais tarde, houve sexo, com sua costumeira desordem viscosa. Já de madrugada, antes de dormir, fui arrumar o quarto. Em cima do jornal, tinha caído uma camisinha usada: gotas esparsas de porra e de KY manchavam o rosto do dinâmico chefe de gabinite de um jovem prefeito. Dobrei o jornal em volta da camisinha, joguei tudo fora e fui dormir.
09
Jun09
Ovonovelo, um filme sobre o filme
Começa em junho a filmagem do média-metragem Ovonovelo, que trata de Novelo, um curta de 16mm realizado em 1968 em Floripa. Naquela época os autores já antecipavam o caos urbano que hoje faz parte do cotidiano da capital catarinense. O projeto do documentário foi vencedor do Edital da Cinemateca Catarinense 2008. A direção é de Fernando Boppré e Maria Emília Azevedo e a produção, da Exato Segundo.
CAUSA
O Grupo Universitário de Cinema Amador (GUCA) se reuniu a partir de fins da década de 1960 para produzir curtas-metragens em 16mm na cidade de Florianópolis. Em “Novelo”, curta-metragem de 1968, o protagonista sai do continente em direção à Ilha de Santa Catarina. Depara-se com um congestionamento na Ponte Hercílio Luz e, logo em seguida, com a cidade abarrotada de pessoas e carros. Em “Novelo”, não existe saída: a crise da civilização é também existencial; os planos são fechados, claustrofóbicos. Há uma impossibilidade na narrativa: saído do continente, a personagem não encontra lugar no Centro, abandonando tudo em direção ao arrabalde. Numa praia distante e deserta, deixa seu carro, suas roupas, enfim, a civilização. Por fim, coloca-se em posição fetal junto ao costão e às ondas. É o fim? Não, apenas um novo começo: Ovonovelo.
Ficha técnica de “Novelo” (1968):
DIREÇÃO E ROTEIRO – Pedro Paulo Souza
CÂMERA E DIREÇÃO – Gilberto Gerlach
PRODUÇÃO – Ady Vieira Filho
ARGUMENTO – Pedro Bertolino
ATORES – Ady Vieira Filho e Fernando JoséEFEITO
Um filme sobre um filme. O desejo de estar num barco para dentro dele construir um outro barco; navegar junto d’ele, com ele. O filme “Ovonovelo” tem como ponto de partida “Novelo”, o primeiro curta-metragem de ficção realizado em Santa Catarina que, atualmente, encontra-se praticamente esquecido. Antes de ser um registro sobre a cinematografia, “Ovonovelo” é uma proposição em forma de filme. O título. inspirado no poema visual homônimo de Augusto dos Campos, traz em seu âmago o desafio de se pensar o novo a partir do velho, o ontem pelo hoje.
Ficha técnica de Ovonovelo (2009):
DIREÇÃO – Fernando C. Boppré e Maria Emília Azevedo
ASSISTENTE DE DIREÇÃO – Ricardo Weschenfelder
PRODUÇÃO – Guto Lima
DIREÇÃO DE FOTOGRAFIA – Ivan Soares
DIREÇÃO DE SOM – Gustavo de Souza
MONTAGEM – Alan Langdon
PESQUISA – André S.A. e Fernando C. Boppré
08
Jun09
Os homens que não amavam as mulheres
Mikael Blomkvist é jornalista de economia em Estocolmo, quarentão, coproprietário da revista Millenium e especialista em reportagens investigativas sobre crimes financeiros. Lisbeth Salander é uma punk de vinte e poucos anos, exímia hacker, que trabalha como araponga freelancer. Esses dois personagens são protagonistas do primeiro livro da trilogia Millenium, do sueco Stieg Larsson. Os homens que não amavam as mulheres (Companhia das Letras, 2008) é um romance de suspense de qualidade excepcional. Suas 522 páginas conduzem o leitor por uma trama de investigação do desaparecimento de uma adolescente, integrante de uma dinastia industrial sueca, ocorrido em 1966. A missão, que transforma os dois personagens em aliados, é desvendar uma intrincada rede de conexões que envolvem violência contra mulheres, lavagem de dinheiro, conflitos familiares e bizarrices sexuais.
Questões éticas do jornalismo investigativo associadas aos meandros dos crimes financeiros e das novas tecnologias estão na pauta do romance. O principal dilema enfrentado pelo protagonista é: até que ponto uma informação socialmente relevante deve ser levada a público, quando se sabe que essa revelação pode prejudicar a vida de muitas pessoas? Outra questão que ele enfrenta é sobre o uso de práticas ilegais pra levantar informações que vão embasar uma reportagem sobre um criminoso. Lamentavelmente, a trilogia não vai ter continuação. Larsson, um influente jornalista e ativista político sueco, morreu de ataque cardíaco em 2004 aos 50 anos, pouco depois de entregar os originais aos seus editores. A segunda parte da trilogia, A menina que brincava com fogo, foi lançada em português em abril.
08
Jun09
07
Jun09
Impressões do Ceará
Meninos brincando com camaleão no distrito de Flores, em Russas (CE). No centro do rio Jaguaribe, uma carnaúba está coberta quase até a copa. Imagem atípica pra quem tá acostumado com o chão rachado da caatinga. Clique na foto pra vê-la ampliada.
Trinta graus num dia (Ceará), dez graus no outro (Santa Catarina). Castanha acolá, pinhão aqui. Contrastes do Brasilzão continente.
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Criança é de uma espontaneidade comovedora. Bruno, no embarque de volta pra casa: “Pai, o avião vai cair?” Segurei a mão dele: “Vai não, filho”.
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Mesmo com todo o estrago provocado pelas chuvas e pelos políticos (esse é antigo), o Ceará ainda é um dos estados mais lindos do Brasil.
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Na sexta fomos ao belo e enorme Centro Cultural Dragão do Mar, em Fortaleza. É de fazer o acanhado CIC de Floripa corar de vergonha.
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No Dragão do Mar encontrei um livro que procurava há anos: uma reedição do hilário Glosa Glosarum, do poeta potiguar Celso da Silveira. Aguardem trechos.
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Amigos de Natal: não foi desta vez que matamos a saudade. A semana passou voando, não deu mesmo pra ir até aí.
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Na ida pro Castanhão – um açude monumental – cruzamos um rio de balsa no distrito de Flores, em Russas. Paisagem amazônica no sertão.
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Eu tinha um nojinho de Canoa Quebrada, a ex-meca dos hippies, hoje “disneylândia dos gringos”. Mas passei um dia lá e mudei de ideia.
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Russas tem uma pracinha deliciosa. Igreja, barzinhos, lan-houses, pipoqueiros, camas elásticas, casais paquerando…
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Impressões contraditórias sobre Fortaleza, que conheço desde a infância. Cultura exuberante, gente boa, caos urbano, cercas eletrificadas.
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Dizem que, em Fortaleza, o calçamento das ruas é feito com a parte lisa das pedras virada pra baixo. Que maldade!
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Amostra do humor cearense em dois nomes de restaurantes em Fortaleza: De frente para o futuro (diante de um cemitério) e Casa do Cará (peixaria).
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Seu Lunga estava na beira da estrada e um homem o cutucou: “A BR é aqui?”. E ele, com sua gentileza proverbial: “É não, aqui é o meu ombro!”
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O mais duro de voltar pro Sul não é nem encarar o frio, vou sentir falta mesmo é da sesta depois do almoço.
04
Jun09
04
Jun09
03
Jun09
Casal e ilha

Ilha do Campeche vista da Ilha de Santa Catarina. Campeche, Floripa.
Foto com celular + Photoshop.
02
Jun09
Devastação S/A
Estou em “semiférias” de uma semana no Ceará, onde vim pro casamento da minha irmã. Antes de viajar, deixei uns posts pré-agendados pra distrair vocês e pretendia sumir do blog por uns dias, mas volto em edição extraordinária com este press-release:
Observatório Social revela esquema de exportação de madeira do desmatamentoReportagem publicada pela revista do Observatório Social mostra como funciona a exportação de madeira oriunda de áreas desmatadas. Funcionários públicos corruptos e grandes empresas de exportação estão envolvidas no esquema. Gigantes do setor, sediadas nos Estados Unidos, Ásia e Europa, compram a madeira da devastação.
Gigantes internacionais dos ramos de beneficiamento e de comercialização de madeira estão ligados a um esquema milionário que transforma madeira retirada ilegalmente da Floresta Amazônica em produtos legalizados. Entre os envolvidos estão órgãos ambientais e grandes exportadoras. A madeira é vendida para as maiores cadeias de vendas de pisos e móveis nos Estados Unidos, Europa e Ásia, muitas delas detentoras de selos de certificação de madeira. A reportagem completa está na próxima edição da revista do Observatório Social, que será lançada no próximo dia 10, em São Paulo. A revista vai revelar quais são as empresas envolvidas, tanto no Brasil quanto no exterior.
Segundo a revista, de 70% de toda a madeira comercializada no estado do Pará, maior vendedor de madeira amazônica no Brasil, tem origem ilegal. Essa madeira passa por um processo de “esquentamento” que funciona dentro de órgãos do governo. Autoridades do Ministério Público Federal e do Ibama confirmam o esquema e apontam o envolvimento da Secretaria Estadual do Meio Ambiente.
Ao lado de empresas fantasmas, de empresas que devem milhões em multas ambientais e de empresários que respondem por falsidade ideológica e escravidão de trabalhadores, grupos internacionais se beneficiam com o esquema. Entre os maiores, a dinamarquesa DLH Nordisk, o grupo europeu Kingfisher, das marcas Castorama e Brico Dépôt, e a norte-americana Lumber Liquidators, do milionário Tom Sullivan, patrocinador de programas como Dream Home, do canal Home and Garden Television, e Extreme Makeover: Home Edition, do canal People+Arts.
Serviço
Lançamento de Observatório Social em Revista, edição 15
Data: 10 de junho de 2009
Horário: 10h
Local: Auditório da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf). Rua Libero Badaró, 158. Centro. São PauloMais informações
Paola Bello
Editora-assistente
paola [arroba] os.org.br
(11) 8559 6758Marques Casara
Editor
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(11) 9353 2311
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Jun09











