01
Jun09
Anotação de leitura: da impossibilidade de escrever
Quando lhe perguntavam por que não escrevia mais, Rulfo costumava responder:
- É que morreu meu tio Celerino, que era quem me contava as histórias.
Bartleby e companhia, Enrique Vila-Matas.
31
May09
31
May09
30
May09
Zé Rodrix e a crítica aos especialistas medíocres
No blog do Ulysses, esbarrei neste belo depoimento de Lázaro Freire sobre o músico e compositor Zé Rodrix, que partiu há poucos dias. Trechinho:
(…)
O primo Zé, um generalista genial por definição, e que em muitos aspectos sempre foi um “pai” e exemplo para mim, fez um breve porém cirúrgico discurso a favor do generalismo inteligente que contrabalance e lance voz crítica a uma sociedade de especialistas medíocres. E me disse algo que JAMAIS esqueci, quase um pedido, um legado, que no dia soou para mim quase como uma daquelas frases que pais entregam para seus filhos no leito de morte:“Primo, nunca se esqueça, esse discurso de ‘foco’ (numa atividade só) é para os medíocres. Nunca, nunca, nunca, mas nunca mesmo, permita que a mediocridade dos demais lhe roube NENHUM de seus talentos”
(…)
29
May09
Atendimento ao leitor: sabiá da mata
- Bom dia amigo procuro sabia da mata fêmea. abraços zumari.
- Zumari, obrigado pela visita. Não faço ideia de onde encontrar uma sabiá da mata nem das suas intenções com a avezinha. Se me permite a sugestão, no youtube há dezenas de vídeos com o Turdus fumigatus. Clique lá e aprecie as melodias sem tirar o bichinho da mata. Vamos deixar a sabiá passarinhar em paz. Atenciosamente, DV
27
May09
Histórias de Cinema – Episódio 1
Chico Caprário e suas Histórias de Cinema. Veja também o Episódio 1 – 2a. Parte.
Chico é um cara tranqüilo. Ele vive em Santa Catarina, tem uma namorada e muitos amigos. Mas Chico tem um sonho diferente: ser cineasta. Para realizar seu desejo, ele decide fazer um filme que vai mudar a sua vida para sempre.Nessa aventura ele conta com a ajuda de seus amigos cineastas. Eles dão dicas sobre como fazer cinema e contam histórias que fazem Chico voltar no tempo e entender o que é fazer cinema.
Histórias de Cinema é uma série em três episódios que mistura a linguagem do documentário e da ficção Uma série informativa, emocionante e divertida que mostra uma visão diferente sobre a aventura de fazer cinema em Santa Catarina.
27
May09
Autores de romances policiais
Hoje deixei um comentário no blog da Regininha pedindo que ela citasse seus autores favoritos de romances ou contos policiais/detetivescos. Poucas horas depois ela respondeu. A lista dela tem duas categorias: brasileiros e estrangeiros. Presentão, pois a maioria eu não conhecia ou só tinha ouvido falar. Acho que vou começar pelo sueco Stieg Larsson. Gosto bastante do gênero, mas conheço mais os “clássicos”. Minha lista de 8+:
- Edgar Allan Poe. O gênio delirante de Boston/Baltimore conseguia ser ao mesmo tempo cerebral e mexer com os terrores atávicos dos leitores. Sou fãzaço. Pai do conto policial moderno, criou o detetive Auguste Dupin e uma série de “histórias extraordinárias” que pendem mais pro gênero da literatura fantástica.
- Arthur Conan Doyle. Pai de Sherlock Holmes, o detetive mais famoso do mundo, excêntrico fumador de cachimbo, cheirador de cocaína e hábil em disfarces, que resolve casos por deduções lógicas de seu intelecto afiado. O parceiro doutor Watson é um figuraço, perfeita “escada” pro protagonista exibir seus dotes mentais. Dizem que Doyle resolveu vários casos reais usando os métodos de seu detetive fictício. Algumas das soluções de Holmes me parecem meio inverossímeis.
- Agatha Christie. Mãe do detetive belga Hercule Poirot e da velhinha esperta Miss Marple, a dama britânica era uma usina criativa. Escreveu mais de 80 obras de ficção, a maioria sobre crimes misteriosos, mas também alguns romances e peças ótimas com outros temas. Dos 50 e poucos livros que li dela, só adivinhei o assassino em três, embora ela recheasse as histórias com dicas. Meus favoritos são Cai o pano (o último caso de Poirot) e seu primeiro sucesso, O assassinato de Roger Ackroyd, de 1926 – em que ela usou um recurso narrativo inovador para a época, desprezando as convenções do romance policial (com essa dica você tem tudo pra descobrir o criminoso).
- Rubem Fonseca. Contista brilhante e mestre da palavra. Gostei muito de A grande arte. Também curti Bufo e Spallanzani, mas não tanto. Pai do detetive Mandrake, advogado carioca namorador e conhecedor do submundo do Rio. Seu livro de contos Feliz ano novo é espetacular. Não gostei do romance Agosto, mas, em se tratando de Rubem Fonseca, mesmo quando ele é ruim, é bom.
- Raymond Chandler. Suas histórias são cinematográficas e cheias de atmosfera noir, lembram um pouco os personagens de Humphrey Bogart. Um dos romances mais conhecidos de Chandler é Adeus, minha adorada.
- Patricia Highsmith. Gostei muito de O amigo americano e de O talentoso Ripley. Em ambos, o protagonista Ripley é um criminoso discreto cujas características são a extrema inteligência, a empatia e a amoralidade.
- Philip Kerr. Desse escritor escocês li somente a trilogia Berlim Noir (Violetas de Março, O assassino branco e Réquiem alemão), que se passa no início da ascensão do nazismo, durante a Segunda Guerra e no pós-guerra. Ixpetáclo!, a gente mergulha junto com os personagens naquele ambiente da História recente. O detetive é um cara durão e dono de um senso de humor peculiar, com frases boas que às vezes lhe custam umas porradas.
- Peter Hoeg. Conheço só um livro desse escritor dinamarquês: Miss Smilla’s feeling for snow (não sei como traduziram pro português, é algo como “o sentido da senhorita Smilla para a neve”). Em Copenhague, uma filha de groenlandeses decide fazer uma investigação amadora sobre a morte de um menino que caiu do telhado de seu prédio. As pegadas na neve são a chave que a leva a uma aventura na terra de sua mãe. Muito bom! Virou filme com Julia Ormond, mas na tela a história perdeu as sutilezas sobre diferenças culturais.
p.s.: Os links nos nomes dos autores remetem à Wikipedia (em português ou inglês), mas nem sempre os verbetes são muito esclarecedores. Pra ir mais fundo sugiro googlear em outras fontes.
26
May09
O conteúdo das faculdades de jornalismo
O Christofoletti dá a dica, em seu blog, de um excelente artigo de Eugênio Bucci, As faculdades de jornalismo e seu conteúdo, publicado hoje no Observatório de Imprensa. Bucci aprofunda as sugestões que apresentou à comissão que estuda a reforma nas diretrizes curriculares pros cursos de jornalismo. Também aborda de passagem três dimensões da atual crise na profissão: a agonia dos jornais impressos, o vazio jurídico criado com a extinção da Lei de Imprensa e o debate sobre a extinção da exigência do diploma. Ele propõe a articulação do novo currículo em torno de sete eixos:
- Linguagens.
- Democracia e Liberdade.
- Estudos da Comunicação.
- Humanidades.
- Reportagem.
- Cultura e Crítica.
- Gestão e Negócio.
Trechos:
… Além das diretrizes propriamente ditas, ela [a comissão] se viu instada a lidar com outra variável, sugerida pelo próprio ministro da Educação: a de abrir a possibilidade para que pessoas já graduadas por outras faculdades se formem também em jornalismo por meio de um segundo bacharelado, abreviado, mais curto. Teríamos, assim, um curso rápido (de um ou dois anos) para que engenheiros, médicos, economistas, sociólogos, advogados e outros se tornassem também jornalistas. A idéia é boa – é mesmo o caso de dizer que ela é necessária para a melhoria geral da profissão no país. O problema da comissão, um problema espinhoso, é encontrar um modo de colocá-la de pé sem melindrar seriamente o corporativismo. …… Adolescentes que chegam aos bancos do ensino superior movidos por seus sonhos puros e grandiosos encontram verdadeiros paredões de pessimismo e acidez. A marteladas, são forçados a se convencer de que o jornalismo não melhora o mundo, não muda a vida, não traz realização pessoal: é meramente uma ferramenta nas mãos das “elites” perversas que se dedicam sem descanso a dominar corações e mentes. O jornalismo seria a arte de tecer mentiras a favor da “classe dominante”. Em pouco tempo, esses meninos são intimados a se envergonhar, a se arrepender de suas aspirações de criança e, sem perceber, passam a carregar a cruz ressentida das gerações que lhes deveriam servir de inspiração e encorajamento. Em alguns casos, as salas de aula se converteram em câmaras de triturar esperanças e utopias pessoais. Muitas vezes, ensinam a criticar (muito mal e precariamente) a imprensa, mas não estimulam (nem ensinam) a fazer imprensa. É uma pena. …
… Infelizmente, temos visto turmas e mais turmas feridas pelas “desilusões perdidas”, desilusões dos outros, em ambientes que não cultivam o orgulho próprio, que não cultivam a confiança na enorme diferença que uma história bem contada pode fazer no destino de uma pessoa, de uma comunidade, de um país. O jornalismo, muito mais do que o samba, é um privilégio. Por maiores que sejam as crises. É isso o que deveria ser ensinado nas escolas de jornalismo, nosso colégio. Mas não é. Olho em volta e, exceções à parte, não vejo altivez, não vejo convites ao talento, não vejo vibração. …
26
May09
Dauro en la cena de los premios Nobel
Es un honor para Dauro una vez más, poder estar en uno de los banquetes más prestigiosos y de larga tradición e historia del siglo XX. Como cada año desde 1901, el 10 de diciembre, día del aniversario de la muerte de Alfred Nobel, se entregan los Premios que se instauraron a la muerte del inventor e industrial sueco, y se ofrece una cena de gala donde el Rey y la Reina de Suecia y otros miembros de la Realeza son los invitados de honor. La cena se celebra en el Ayuntamiento de Estocolmo desde 1930 y después de una meditada selección de los mejores productos de la gastronomía internacional se prepara un menú que pasará a engrosar la lista de todos los menús de la historia de los Premios Internacionales más insignes concedidos a hombres y mujeres de todo el mundo que investigan y trabajan por el avance y mejora de la Ciencia, la Literatura y la Paz.
Já fui à Escandinávia, mas nunca a tão refinados ambientes. O Dauro a que se refere o texto é um azeite espanhol. Pesquei aqui. Dica da nossa correspondente para assuntos gastronômicos aleatórios em Madri, a querida Dadivosa.
25
May09
Trailer de Espírito de Porco
Ficou pronto o trailer do documentário Espírito de Porco, dirigido pelo Chico Faganello e por mim. A estreia é em junho.









