Posts com a tag ‘zen’

17

Feb

09

Anotação de leitura: "tempo livre"

Alex Castro, no blog Liberal, Libertário, Libertino, cita Adorno:

As pessoas realmente livres não têm “tempo livre” porque não têm “tempo preso”: estão sempre trabalhando em seus próprios projetos pessoais.

São preciosas essas reflexões do filósofo alemão sobre tempo livre e, por extensão, à servidão voluntária à qual a maioria das pessoas se submete. A existência do sábado e do domingo como oposição prazerosa a cinco dias “úteis”, e de um mês de férias a cada ano “produtivo”, às vezes chega a parecer tão natural que nem lembramos disso como invenção humana.

Admiro quem consegue romper com essa lógica e valoriza o próprio tempo de maneira a lhe dar sentido. Alguns com mais equilíbrio, combinando diversão e trabalho com arte e engenho. Outros de maneira atabalhoada ou instintiva, em que a simples negação do sistema os livra de um fardo insuportável, mas os coloca em situação vulnerável, tendo de bater de frente com a sociedade que abomina os “losers”.

Esse assunto me lembra um livro de Somerset Maugham, O fio da navalha. Larry, o protagonista, resolveu viver a vida conforme seu desejo de realização plena, e não a vida que estava moldada pra ele pelo seu meio social. O tema da impermanência também se faz presente:

Mesmo que ao meio-dia a rosa perca a beleza que teve na madrugada, sua beleza naquele momento foi real. Nada no mundo é permanente, e somos tolos em desejar que uma coisa perdure, mas mais tolos ainda seríamos se não a apreciássemos enquanto a temos. Se a mutabilidade é da essência da existência, nada mais natural do que fazer dela a premissa da nossa filosofia.

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26

Oct

08

Snyder, o mestre zen

A edição de 20 de outubro da revista New Yorker traz o perfil “Zen Master”, feito pela jornalista Dana Goodyear sobre o poeta Gary Snyder, de 78 anos, natural de San Francisco. Budista, tradutor de poemas chineses e japoneses, mochileiro e praticante do montanhismo, Snyder é frequentemente associado ao movimento beat. Ele foi usado como modelo por Jack Kerouac no fascinante personagem Japhy Ryder em The Dharma Bums – publicado em português como Os vagabundos iluminados (L&PM, 2004) e provavelmene o melhor romance de Kerouac.

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09

Sep

08

Aquele que conhece os outros é sábio;
mas quem conhece a si mesmo é iluminado!
Aquele que vence os outros é forte;
mas aquele que vence a si mesmo é poderoso!
Seja humilde e permanecerás íntegro.

Lao Tse – Filósofo

[via Luimar]

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16

Aug

08

Partidas: Dorival Caymmi

Aos 94, foi-se hoje o patriarca da MPB, um dos músicos mais geniais que já ouvi. Se este blog tivesse patrono, Caymmi seria um forte candidato ao posto. Sou admirador de sua proverbial preguiça criativa embalada na rede.

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11

Aug

08

Dia dos Pais

Domingo trivial e aconchegante junto com os meninos, a amada e a sogra. Eles me acordaram com uma lembrancinha – caneca de café e um pão de mel. Arranquei mato, plantei, bebi vinho, comemos, brincamos, rimos, dormimos, tomei banho com eles, vimos a chuva pela janela. Vida.
~
Passamos ao largo do aspecto consumista da data e nos concentramos no melhor da festa: o imenso prazer da convivência cotidiana num dia dedicado ao ócio amoroso – às vezes até o ócio criativo cansa. Saí de casa só uma vez, rapidinho, pra pegar um DVD do Bob Esponja.
~
Miguel, Bruno e eu conversamos bastante com papai por telefone. Papo à toa sobre sapos, cachorros, gatos, natação e fisioterapia, revistas ruins e livros bons, comida, temperaturas no Sul e no Nordeste. Esqueci de lhe perguntar sobre as Olimpíadas. Pra que esgotar o assunto?
~
Ando de coração mole. O texto dela sobre o pai me encheu os olhos d’água. O dele, sobre o dia em que chegou seu filho, me lembrou os nascimentos de meus dois meninos e a mudança radical que isso representou ao dar sentido a tudo.
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Há duas semanas, a perda que eles tiveram me apertou o coração. Em Il Morto e Lo Straniero, meu amigo lamenta o sogro recém-partido, e como isso o tornou ainda mais estrangeiro em terras italianas. Sofro junto, mesmo que nunca tenha encontrado esse homem especial.
~
Falar em sogros especiais: saudade imensa de meu segundo pai, morto há seis meses. Hoje, debaixo de chuvinha miúda, cavoquei buracos no jardim e no quintal pra plantar palmeiras. Com certeza ele estaria me ajudando e tomaríamos cerveja depois. Estava bem perto, senti.

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22

Jul

08

Encontro feliz no calçadão de Ponta Negra

Dia feliz! Eu caminhava com Flávio e João Augusto pelo calçadão de Ponta Negra. De repente ela se materializou na minha frente com um sorriso lindo. Nem sabia que eu estava em Natal e a procurava, com pouca esperança de encontrar seu rastro. Foi uma emoção forte, depois de tanto tempo sem contato – a última vez que falamos tinha sido há um ano e nove meses, por telefone, uma conversa áspera e triste. Pedi pra meus amigos continuarem a caminhada. Descemos pra areia, tomamos água de coco e botamos as pendências em dia – assuntos complicados de família que não interessam aos leitores. Minha irmã me pareceu bem. Mais amadurecida e confiante. Liberta. Combinamos de amanhã ou depois nos encontrarmos de novo, ela vai levar os três meninos à praia. Segui a caminhada com meus amigos, me sentindo leve. Pensando em como é inútil julgar os outros ou pretender que se pode viver a vida pelos outros. Pensando nas voltas que a vida dá pra que as pessoas encontrem seu lugar no mundo.

p.s.: Hoje fiz as pazes com o calçadão de Ponta Negra :)

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22

Jul

08

Amigos

Tou há 35 horas em Natal e três amigos já me convidaram pra caminhar no calçadão da praia de Ponta Negra. Ok, adoro caminhar, mas não deixa de ser engraçada essa preocupação dos quarentões com a saúde: nos velhos tempos, me chamavam era pra tomar cana :)

Pensando bem, a gente suava. Dançando forró (no meu caso, tentando, pelo menos), correndo pra pegar ônibus, fazendo trilhas pra chegar em praias desertas e acampar… As histórias de empurrar carro quebrado dariam um capítulo inteiro da minha fase natalense.

Ontem andei no calçadão com Flávio, amigo-irmão, um dos caras mais zenerosos e desapegados que conheço. Tomamos açaí e falamos de tudo um pouco. Nem parecia que nosso último encontro tinha sido há cinco anos. Com Marcello, no domingo à noite, o mesmo.

Voltar a Natal é um reencontro com minha juventude, com tempos risonhos em que a gente se sentia imortal, em que as amizades eram absolutamente desinteressadas. Tanto é que alguns amigos daquele tempo são os grandes Amigos com letra maiúscula.

A gente olha uns pros outros, se sacaneia (“E aí, gordo? Fala, careca!” “Digaí, tiozinho!”), comenta do colesterol e triglicerídeos, se congratula por sobreviver. E pela alegria do reencontro, sem a ilusão de que vai ser a mesma coisa. Tudo muda o tempo todo.

Hoje mais um queridão, João Augusto, passa aqui. Ontem ao telefone foi engraçado, ele me confundiu com outra pessoa e queria me vender mel. Depois me ligou de volta e rimos. João tá criando abelha no sítio dele, o CDB (Cu de Burro).

Esses são da turma do bairro. Compas de festas e velórios, viagens e carnavais. Os três cruzaram o Brasil pra me visitar em Floripa. Nos próximos dias vou encontrar a turma da escola e da universidade. Alguns não vejo há 23 anos. Mas vamos dar um tempo de calçadão, tá?

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13

Jul

08

O lixo interior

Paulo Coelho não faz meu gênero de leitura, mas esbarrei hoje em um pequeno texto do blog dele, gostei muito e recomendo. Ela escreve sobre a importância de se livrar do lixo emocional, de se desapegar de sentimentos antigos que já nos ajudaram a amadurecer e hoje já não servem mais pra nada. Palavras sábias. As paixões e dores do passado tiveram sua função e devem ficar pra trás, pra que abram espaço ao que é hoje e ao que virá.

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24

Jun

08

Drops vespertinos para terça-feira invernal

Norberto Wells (pronuncia-se VElls, é sobrenome alemão) me lembra nos comentários: “Vamo trabalhá! São 12h30 e ainda não li nada”. Envaidecido por cobrança de tão atilado leitor (que, dizem as boas línguas, foi separado do gêmeo Ronnie Von ao nascer), farei um esforço hercúleo pra superar a letargia e teclar algumas mal-traçadas linhas. Desde já, meu caro Wells, perdoe os adjetivos hiperbólicos. E veja que minha referência ao seu sobrenome de origem européia não é em vão, usei como gancho pro que vem a seguir. Vamos aos drops e pescarias do dia, no momento ao som de Nature Boy de Miles Davis.
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Pescado de @cvalente: “Sobrenome do estelionatário que aplicava golpe do bilhete premiado nas velhinhas, preso hoje em Biguaçu: Cachorroski”.
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Pescado de [prefere ficar anônima] no Twitter: “
Eu acho Sex and the City a versão seriado da revista Nova: machista.”
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Pescado de
[prefere ficar anônimo, mas tirou as palavras da minha boca] no Twitter: “sentar no vaso = operaçao lenta e delicada em dias cruéis de inverno”.
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Pescado de @haicais: “
no despenhadeiro / a sombra da pedra / cai primeiro (Carlos Seabra)
~
Haicai doméstico: Com a agenda me esmero, / mas fralda / é prioridade zero

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23

Jun

08

Como se livrar de dívidas (2)

E já que estou no assunto, este post do blog Zen Habits faz uma lista de 73 dicas (in English) para eliminar os débitos, a partir de sugestões dos leitores. Algumas são redundantes, outras, contraditórias, mas tem bastante coisa boa. Selecionei dez:

  1. Não contraia dívidas. Pague em dinheiro e evite fazer débitos, exceto pra casa e carro.
  2. Gaste menos do que ganha. É auto-explicativo. É óbvio. E é duro de botar em prática.
  3. Evite comer fora. Cozinhe suas próprias refeições, exceto em ocasiões especiais.
  4. Use criatividade no lazer. Visite amigos, leia livros, divirta-se sem gastar.
  5. Crie um orçamento realista. Reserve um pouco de dinheiro pra cultura e lazer.
  6. Elimine. Avalie o que é realmente necessário e corte o que não é.
  7. Compre à vista. Assim você consegue bons descontos.
  8. Pague a você 10% primeiro. Deposite numa conta que seja difícil de mexer.
  9. Seja paciente. A redução de dívidas é um processo demorado.
  10. Eduque. Ensine seus filhos a não cometerem os mesmos erros que nós…
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