17

Feb

09

Anotação de leitura: "tempo livre"

Alex Castro, no blog Liberal, Libertário, Libertino, cita Adorno:

As pessoas realmente livres não têm “tempo livre” porque não têm “tempo preso”: estão sempre trabalhando em seus próprios projetos pessoais.

São preciosas essas reflexões do filósofo alemão sobre tempo livre e, por extensão, à servidão voluntária à qual a maioria das pessoas se submete. A existência do sábado e do domingo como oposição prazerosa a cinco dias “úteis”, e de um mês de férias a cada ano “produtivo”, às vezes chega a parecer tão natural que nem lembramos disso como invenção humana.

Admiro quem consegue romper com essa lógica e valoriza o próprio tempo de maneira a lhe dar sentido. Alguns com mais equilíbrio, combinando diversão e trabalho com arte e engenho. Outros de maneira atabalhoada ou instintiva, em que a simples negação do sistema os livra de um fardo insuportável, mas os coloca em situação vulnerável, tendo de bater de frente com a sociedade que abomina os “losers”.

Esse assunto me lembra um livro de Somerset Maugham, O fio da navalha. Larry, o protagonista, resolveu viver a vida conforme seu desejo de realização plena, e não a vida que estava moldada pra ele pelo seu meio social. O tema da impermanência também se faz presente:

Mesmo que ao meio-dia a rosa perca a beleza que teve na madrugada, sua beleza naquele momento foi real. Nada no mundo é permanente, e somos tolos em desejar que uma coisa perdure, mas mais tolos ainda seríamos se não a apreciássemos enquanto a temos. Se a mutabilidade é da essência da existência, nada mais natural do que fazer dela a premissa da nossa filosofia.

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One Response:

  1. Em 17/02/09, 12:26, Fabricio disse:

    “(…) servidao voluntaria a qual a maioria das pessoas se submete (…)”. Definicao adequadissima! Ha’ algumas poucas pessoas que podem dizer que seu emprego convencional e’ exatamente aquilo que ela gosta, e que este emprego nao e’ de forma alguma um impedimento para um vida plena, pelo contrario, e’ um dos aspectos desta vida. Mas vejo uma grande maioria de pessoas funcionando exatamente como servos, cuja atividade profissional nao lhes trazem satisfacao alguma, e’ apenas um fardo diario, com horario para entrar e para sair (mesmo que estes horarios nao combinem com os seus horarios pessoais de criatividade/produtividade — pelo contrario, combinam somente com o horario do rush no transito!), rancorosos com seus chefes, com seus colegas, rancorosos ao perceberem que sao apenas mecanismos indistintos de uma engrenagem… E no geral, nada fazem quanto a isso, afinal, ganham la’ seu salario direitinho no final do mes, e assim a vida segue. Uma pena, pois nessa brincadeira deprimente, vai um bom naco do nosso (escasso) tempo de vida aqui pela Terra…


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