05
Mar07
Library Thing no NY Times
O New York Times deste domingo traz uma reportagem sobre LibraryThing, uma rede social na web em que seus 150 mil membros (entre eles, eu) já catalogaram mais de dez milhões de livros: A Cozy Book Club, in a Virtual Reading Room.
24
Feb07
Frase da vez: linguagem
“Language is a virus from outer space…”William S. Burroughs
Pesquei deste saite que traz jogos e dicas pra enfrentar o bloqueio da escrita. Numa página em que Jack Kerouac faz considerações sobre a técnica da prosa espontânea, encontrei dois vídeos dele: o primeiro é uma leitura de On the Road e o segundo, cenas dele com Ginsberg em New York.
21
Feb07
Folhas secas, viagens e esquinas (après Cortázar)
As antenas de nossa percepção têm um limite, único e peculiar a cada pessoa. O universo que alguém enxerga numa folha seca pode passar despercebido por outro. O eco afetivo de memória que, em mim, certas músicas provocam, abrindo “portais de espaço-tempo”, a você talvez soe como um amontoado de sons que não fedem nem cheiram. Além do alcance dos nossos “tentáculos sensoriais” há o grande vazio. Um vazio repleto de vida e informação, mas por não tomarmos consciência dele, é como se não existisse. De vez em quando um movimento imprevisto no líquido amniótico em que a existência está mergulhada faz com que os tentáculos tateiem um pouco mais longe em direções inusitadas. É um jogo de toma-lá-dá-cá. Se dedico alguns anos a aprender francês, vão ser anos sem estudar alemão. Enquanto leio Cortázar – cujo capítulo 84 de Rayuela me inspirou a escrever isto sentado num banco de praça -, estou deixando de ler outros. A viagem à Europa ou ao Ceará é uma não-viagem a outros lugares.
Pode-se lidar com esta limitação de muitas maneiras, todas imperfeitas, nenhuma necessariamente melhor que a outra, talvez melhor pra mim e nem tanto pra você ou ao contrário. Viver satisfeito, pleno de si, da maneira mais criativa e genial possível dentro da bolha existencial, sem perder tempo com o inatingível. Viver em permanente ânsia e frustração pela viagem não feita, a frase não-escrita, o amor não-vivido – porque se estava fazendo outra viagem, escrevendo outras coisas, vivendo outro amor. Ou ainda o frágil e desequilibrado equilíbrio entre o contentamento com o que conseguimos perceber e o sonho com a sombra da possibilidade do que há nas outras dimensões, nas folhas secas que jamais veremos, nos idiomas falados pelas árvores e cães e gentes paradas em esquinas onde jamais vamos pisar. Mas se imaginarmos, quem poderá dizer que não existem?
14
Feb07
Pensamento aleatório do dia: livros e livros
Os livros que li são mais importantes que os que possuo na estante, porque as traças podem comer o papel destes, mas nunca vão se alimentar das letras lidas. Aliás este é o critério que tou usando pra catalogar livros no Librarything. Não os que tenho, mas os que me têm.
10
Feb07
Calvin vem aí
Trecho do livro O mundo é mágico – as aventuras de Calvin e Haroldo, de Bill Watterson. Editora Conrad, R$ 40,90, inédito no Brasil. Meu exemplar deve tar chegando hoje pelo correio.
06
Feb07
Autocensura, fronteiras e lembranças aleatórias
Aline comenta em seus Pensamentos Públicos sobre o dilema da autocensura. Respondi dizendo que a autenticidade é uma das suas grandes e muitas virtudes. Todos temos um instinto de autopreservação que funciona no piloto automático. É ótimo quando a gente consegue relaxar e deixar que esse instinto dê o tom das coisas que a gente expressa. Sempre que a gente se bloqueia e limita nossas manifestações ao “socialmente aceitável”, é grande o risco de deixar algumas preciosidades trancadas no baú. Aí lembrei de Henry Miller, cujos livros autobiográficos possivelmente são os mais sinceros da literatura mundial.
Uma coisa puxa outra: lembrei também de uma cena do livro Viajante Solitário, de Jack Kerouac, que acabo de ler. Kerouac estava mochilando pela Europa e tinha acabado de entrar na Inglaterra, vindo da França de barco. Os policiais da alfândega o detiveram e começaram o interrogatório: “O que veio fazer no Reino Unido só com 15 xelins no bolso?” Ele respondeu que era escritor, ia pegar um cheque de direitos autorais e a história podia ser comprovada com o editor dele em Londres. Mas era sábado, ninguém atendeu o fone. Aí ele teve uma lembrança, revirou a mochila e pegou um recorte de revista: era um artigo assinado por ele sobre Henry Miller. O oficial disse: “Miller? Há alguns anos também foi detido por nós, escreveu um monte de coisas”. (Ih, fudeu!, K. deve ter pensado). Mas ficaram satisfeitos com a identificação e o liberaram.
Isso me lembrou um caso engraçado acontecido comigo no Rio Grande do Norte – Ayres, já te contei essa? Eu tava indo acampar em Barra do Punaú, umas três horas ao norte de Natal. Punaú é um riozinho que desagua entre dunas no meio de um coqueiral à beira-mar – descrição pobre pra um lugar paradisíaco. Ayres me recomendou falar com um pescador local amigo dele, Zé Leiteiro. Quando lá cheguei com uma galera, fui recebido por um homem com cara braba, dono do terreno que margeava o riacho. Fui logo perguntando por Zé Leiteiro e aguardando o momento propício pra pedir permissão de armar a barraca. Ele respondeu na lata: “Você é amigo de Zé Leiteiro? Já tá perdendo ponto comigo!”. (Ih, fudeu!, pensei) Mas acabou deixando a gente acampar. Eu soube depois que Zé Leiteiro era posseiro antigo de um terreninho encravado bem no meio do latifúndio do sujeito. Esse pescador nos recebeu com grande hospitalidade. A sombra dos coqueiros depois virou um hotel feioso, mas aí já é outra história.
05
Feb07
Anotação de leitura: introspecção
Nenhum homem deveria passar pela vida sem experimentar pelo menos uma vez a saudável e até aborrecida solidão em um lugar selvagem, dependendo exclusivamente de si mesmo e, com isso, aprendendo a descobrir sua verdadeira força oculta. – Aprendendo, por exemplo, a comer quando tem fome e a dormir quando tem sono.
Jack Kerouac, em Viajante Solitário, sobre um período que passou sozinho no topo de uma montanha como vigilante de incêndios.
30
Jan07
O mundo é mágico
Eba!!! Li agora nesta mina de ouro que a Editora Conrad já está fazendo a pré-venda do livro com a melhor tirinha de todos os tempos, Calvin e seu tigre Haroldo. O livro vai se chamar O Mundo é Mágico (formato 22,8 x 30 cm, 168 páginas, R$ 44,90), tradução de um inédito no Brasil, It’s a Magical World, lançado nos Estados Unidos em outubro de 96. Seu autor, Bill Waterson, começou a publicar as tirinhas do menino de seis anos e seu amigo imaginário em 1985 e, pra tristeza dos fãs em mais de 2.400 jornais pelo mundo, parou em 31 de dezembro de 95. Você pode encomendar seu exemplar aqui.
25
Jan07
Desvarios no Brooklyn
Nathan Glass procurava um lugar sossegado para morrer. Aluga um apartamento no Brooklyn, bairro de sua primeira infância. Para espantar o tédio e a solidão, começa a escrever por passatempo O livro do desvario humano, registro de casos engraçados – gafes, vexames e fraquezas dele próprio e dos outros. Mas a vida desse corretor de seguros aposentado de 59 anos, recém-separado e convalescente de câncer de pulmão, toma um rumo bem diferente.
Por uma sucessão de acasos reencontra o sobrinho Tom, jovem brilhante e tímido que abandonara o doutorado em letras para trabalhar em subempregos; faz amizade com o chefe de Tom, Harry – gay de personalidade cativante, dono de um sebo e de um passado malandro; conhece Marina, simpática garçonete portorriquenha por quem arrasta a asa; reencontra a menina Lucy, de nove anos – filha da irmã porra-louca de Tom, – que um dia aparece de forma misteriosa e sem falar uma palavra. Mais personagens entram na história: Nancy, a B.M.P. (Bela Mulher Perfeita), mulher casada com dois filhos por quem Tom tem uma paixão platônica; Rufus, travesti jamaicano soropositivo com o coração de ouro, e outros que são apresentados no devido tempo, numa sucessão de aventuras.
Mais um livro de Paul Auster que me conquistou da primeira à última frase. Flui como água limpa num riacho, com narrativa ao mesmo tempo sofisticada e despojada de frescuras, agudo senso de humor, reflexões sobre viver, escrever e amar. Tanto em meio à fauna urbana de New York como no Hotel Existência, bucólico refúgio imaginário que os protagonistas sonham encontrar. Belo livro!
23
Jan07
Leitura de ônibus
Por conta de dois improváveis incidentes com chaves, a do carro e a do escritório, já peguei cinco ônibus hoje – aliás, seis, pois um deles quebrou no caminho e tive que esperar o seguinte. Aproveitei pra adiantar a leitura do ótimo Desvarios no Brooklyn, de Paul Auster.







