05
Sep08
Anotação de leitura: "aquilo" de Conrad
“E agora que acabara de vestir-me, não tinha mais ocupação. Fui invadido por uma profunda aflição. Já se observou que a rotina da vida quotidiana, esse sistema arbitrário de ninharias, constitui um grande apoio moral. Mas acabara de vestir-me, não me restava fazer mais nada dessas coisas consagradas pelo uso e que não ofecerem alternativa. O exercício de qualquer espécie de vontade por um homem cuja consciência se acha reduzida à sensação de que está sendo morto por ‘aquilo’ não pode deixar de ser insignificante em relação à morte, uma atitude sem sinceridade para consigo mesmo. Não me sentia capaz disso. Foi então que adquiri a convicção de que ser morto por ‘aquilo’, quero dizer, a absoluta convicção, não era, por assim dizer, nada em si. O horrível era esperar.”
Joseph Conrad em A flecha de ouro (L&PM Pocket).
O livro é uma aventura autobiográfica do autor, que em 1876, aos 19 anos, se envolveu no contrabando de armas para as montanhas espanholas por causa da paixão por Doña Rita, uma das lideranças do movimento legitimista. Ele só escreveu o livro quarenta anos depois.
24
Aug08
Observatórios de Mídia
Recebi e passo adiante:
Chega às principais livrariarias do país esta semana o volume “Observatórios de Mídia: Olhares da Cidadania”, organizado por Rogério Christofoletti e Luiz Gonzaga Motta.
O livro sai pela Paulus e conta com 230 páginas. É uma reunião de textos de 17 pesquisadores brasileiros, de todas as regiões do país, e que compõem a Rede Nacional de Observatórios de Imprensa (Renoi), surgida em 2005. O prefácio é assinado pelo jornalista Alberto Dines, fundador do Observatório de Imprensa.
Mais informações: http://monitorando.wordpress.
com/2008/08/24/observatorios- de-midia-lancamento/
16
Aug08
Bilica faz um ano
Hoje é aniversário de um ano da Bilica – Biblioteca Livre do Campeche, em Floripa. O projeto nasceu do esforço de um grupo de voluntários do bairro pra criar um espaço de difusão da leitura e da cultura. A Bilica tem uma boa quantidade de bons livros sobre os mais variados temas pra crianças e adultos, doados pela comunidade. Também abriga oficinas de música, conversação de inglês e espanhol e outras atividades. A festa teve contação de histórias pra crianças, pipoca, bolo e música ao vivo. Aproveitamos pra fazer nosso cadastro, que dá direito a pegar até três livros por vez por quinze dias, renováveis por mais quinze. Tudo de graça. Quer conhecer? Fica aqui.
p.s.: A Bilica precisa de voluntários pra que possa ficar mais tempo aberta. Também seria maravilhoso se alguma associação (digamos, a dos funcionários do Besc, que fica logo ali) pudesse ceder espaço ocioso pra que a biblioteca crescesse. Quem sabe um contrato de comodato, como foi feito com o terreno que abriga a Rádio Campeche. Fica a sugestão.
14
Aug08
Mais dez livros sobre jornalismo investigativo
A lista de Rogério Christofoletti é bem interessante. Desses, li só Meninas da noite, bela reportagem de Gilberto Dimenstein sobre exploração sexual de crianças e adolescentes; e Fábrica de notícias, de Günter Wallraff, sobre como o jornal sensacionalista alemão Bild falsifica reportagens (quando será que um Wallraff brasileiro vai contar os bastidores da Veja?). Vi o filme baseado em um dos livros, Todos os homens do presidente, sobre o escândalo político que levou à queda de Nixon.
12
Aug08
Dez livros sobre jornalismo investigativo
Um estudante pediu minha opinião sobre meus livros preferidos de jornalismo investigativo, pruma matéria que vai fazer sobre a lista dos 10+. Acho que dizer “jornalismo investigativo” é quase uma redundância. A rigor, todo jornalista que se dispõe a ir além do trivial está sendo investigativo, mesmo que o objeto de sua história não seja um caso de crime ou corrupção. Mas ate entendo a expressão. É uma forma de qualificar uma prática profissional que, no cotidiano, anda desgastada pela mediocridade.
Investigativo ou não, o importante é ter sensibilidade pra ver, coragem pra tirar a bunda da cadeira e bom senso pra voltar vivo e contar uma boa história. A coragem a que me refiro pode ter várias formas. Física, moral. Oriana Falacci, por exemplo, no seu Um Homem, construiu um manifesto pela liberdade sem o pejo de assumir que teve um profundo envolvimento emocional com seu personagem. Bem, taí minha lista – nem todos os autores eram propriamente pessoas de bom senso, mas tiveram a sorte de viver pra contar. Vários conseguiram transcender o jornalismo e suas obras podem ser chamadas, sem nenhum favor, de literatura.
- Rota 66, de Caco Barcellos.
Investigação corajosa sobre um tema crucial pra sociedade brasileira, a violência policial.
- Abusado, idem.
Belo perfil de um personagem contraditório e interessantíssimo. Uma aula de jornalismo.
Reportagem ou romance semi-autobiográfico? A história do ativista grego que passou anos na prisão e não se curvou é encantadora. Um mergulho na complexidade do ser humano.
- Kaputt, de Curzio Malaparte
Um dos meus favoritos sobre guerra. Também pode ser lido como reportagem. O jornalista conseguiu salvar pra posteridade momentos trágicos e líricos da campanha alemã na Rússia.
Um clássico. A construção dos personagens e do clima é primorosa.
Grande livro sobre os bastidores da conquista espacial, um tema que sempre me interessou.
Crítica social aguda ao modo como a sociedade alemã trata os imigrantes. O recurso de se disfarçar foi eticamente justificável. A reportagem, tal como foi contada, não poderia ter sido feita de outro modo.
Livro intenso sobre a loucura da guerra do Vietnã. Talvez não se encaixe na definição tradicional de jornalismo investigativo, mas sem dúvida o autor precisou sair da zona de conforto pra compartilhar o que viu.
- México rebelde, de John Reed. Grande retrato da revolução mexicana. Uma cena que guardo desse livro é o autor correndo de uma frente a outra da batalha, sob o risco de levar um balaço, pra ouvir “o outro lado”.
- Dez dias que abalaram o mundo, idem. Um retrato da revolução comunista na Rússia. Tem trechos chatíssimos, mas conseguiu reproduzir muito bem o clima de agitação da época.
09
Aug08
Dias estranhos
Leio Dias Estranhos (DigiZap, coleção Jovens Escribas, 2007), livro de crônicas do jornalista e escritor Rodrigo Levino. Presente do amigo Solino, que me deu a honra de um bom papo regado a cerveja de trigo quando estive em Natal em julho. Levino tem 25 anos, nasceu em Patu, RN, e escreve pra revista Piauí. Minha identificação com o cronista foi imediata. Ele aborda o mundo das miudezas significativas – as lembranças fragmentadas de infância quando mergulha no mar, as observações sobre o “tetris humano” no ônibus em Natal (também fiz tantas, percorrendo as mesmas avenidas), combinações inusitadas de vinho, macarrão e Led Zeppelin, o modo cauteloso de cortar legumes, o aconchego de uma pequena loja de discos diante da iminência de chuva forte. Sinto que, se nos encontrássemos, poderíamos passar horas falando sobre “o prazer de subverter a lógica do mundo das utilidades”, como ele coloca na crônica Deletérios. Ouro puro. Bom de ler em dias frios e chuvosos de inverno como hoje.
04
Aug08
Segundeiras
Coisas do jornalismo: passei metade da tarde numa interessante conversa sobre polímeros e reciclagem, com um especialista da Engenharia de Materiais da UFSC.
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Descobri hoje o blog do Zeca Camargo, aquele do Fantástico. Escreve bem o rapaz. Bem articulado, viajado, culto. Um tanto verborrágico pro meu gosto, mas tem o que dizer.
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O DVD Bob Esponja – O Filme, está passando uma temporada de quatro dias aqui em casa. Repetições incansáveis, entretenimento garantido.
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No fim de semana vimos Um Bonde Chamado Desejo (A Streetcar Named Desire, de Elia Kazan, 1951), adaptação da peça de Tennessee Williams. Marlon Brando arrebenta.
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Terminei de ler Contos de Crime (PocketOuro, 2008), coletânea de Flávio Moreira da Costa. Muita coisa boa. Gostei muito de Marjorie Daw, de Thomas Bailey Aldrich (EUA, 1835-1907).
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Costa da Lagoa no domingo, com Miguel e com meu sobrinho Érico. Sol e vento sul, anchovinha grelhada no Bela Ilha. Caminhada curta, 40 min, e o restante de barco.
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Amar é… se molhar todo com um jato de vômito do filho e não sentir um pingo de nojo.
E vamos em frente, que a semana só começou.
04
Aug08
O novo conto catarina em Brusque
O novo conto catarina, coletânea organizada pela professora Regina Carvalho da qual tenho a honra de fazer parte com o conto Pura sorte, vai ser relançado em Brusque nesta quinta, dia 7, às 20 horas na Fundação Cultural do município.
31
Jul08
Os epitáfios duram mais
Meu amigo Norberto Well, paranaense radicado em Joinville, está lançando hoje o primeiro livro de ficção: Os epitáfios duram mais, em que reúne contos e poemas escritos nos últimos vinte anos. O caderno Anexo, da Notícia, traz matéria hoje. Depois leio e comento.
29
Jul08
Vai-e-vem de livros
Na viagem, li Dias e noites de amor e de guerra, de Eduardo Galeano. Textos curtos com recordações agridoces dos tempos da ditadura no Uruguai, Argentina e Brasil. Estou lendo Contos de crime – clássicos escolhidos, uma coletânea organizada por Flávio Moreira da Costa. Entre os selecionados, contos de Machado de Assis, Maupassant, Poe, Dostoievski, O. Henry, Robert Louis Stevenson, Conan Doyle… Só filé.







