15
Dec08
Livro sobre a origem das radionovelas
Ricardo Medeiros vai lançar nesta quarta 17, em Floripa, um livro sobre a origem das radionovelas até a sua chegada no meio radiofônico. O que é Radioteatro sai com o selo da Editora Insular e o apoio da Associação Catarinense de Emissoras de Rádio e Televisão, Acaert. O lançamento é às 19h no Espaço Cultural Jerônimo Coelho, na Assembléia Legislativa. Segue o minicurrículo formal do jornalista e o da minha memória afetiva:
Ricardo é doutor em Rádio pelo Departamento de História da Université du Maine (Le Mans – França). Já publicou Dramas no Rádio – a radionovela em Florianópolis nas décadas de 50 e 60, História do Rádio em Santa Catarina, Caros Ouvintes-os 60 anos do rádio em Florianópolis e CBN Diário: uma luz no apagão. É professor do curso de Jornalismo da Faculdade Estácio de Sá e assessor de imprensa da Secretaria Municipal de Educação.
Ricardo foi a primeira pessoa que conheci no curso de Jornalismo da UFSC quando cheguei a Floripa em 1986, e meu primeiro guia de boêmia catarina. Desde estudante ele já tinha paixão pela expressão oral – tanto que os colegas o chamavam de “coordenador do telefone”.
Junto com Cacau Lino e Maneca Mendes, fazia um esquete humorístico que animou muitas festanças, a Rádio Fofinha. Como se vê, continuou a carreira fazendo o que gosta. Hoje ele é meu vizinho de bairro.
O quê: lançamento do livro O Que é Radioteatro
Quando: Quarta-feira, dia 17
Horário: 19h
Local: Assembléia Legislativa de Santa Catarina, espaço Jerônimo Coelho
Preço do livro: R$ 25,00
Número de páginas: 112
01
Dec08
Anotação de leitura: Sagan e o amor
Se tanto o bebê como a criança, o adolescente e o adulto encontram personalidades compatíveis no ser amado, há uma possibilidade real de que todas essas subpersonas fiquem felizes. O amor põe fim à longa solidão de cada uma delas. Talvez a profundidade do amor possa ser mensurada pelo número de diferentes egos envolvidos ativamente num determinado relacionamento.
Carl Sagan, Contato (Companhia de Bolso, 2008)
19
Nov08
Três links sobre cibercultura
Este livro de Ronaldo Lemos (FGV, 2005) se propõe a investigar os desafios propostos ao direito em decorrência da internet e da tecnologia digital. Está licenciado em Creative Commons, é só clicar e baixar.
“O Overmundo é um site colaborativo. Um coletivo virtual. Seu objetivo é servir de canal de expressão para a produção cultural do Brasil e de comunidades de brasileiros espalhadas pelo mundo afora tornar-se visível em toda sua diversidade. Para funcionar, ele precisa da comunidade de usuários sempre gerando conteúdos, votando, disponibilizando músicas, filmes, textos, comentando tudo e trocando informações de modo permanente.”
Criado em 2008 como resultado do saite Overmundo, visa estimular iniciativas para a criação de “novos canais de difusão e oportunidades para a produção cultural de todo o Brasil; a exploração das novas possibilidades de criação, compartilhamento e circulação de cultura e conhecimento geradas pela internet e pelas tecnologias digitais; e o incentivo a modelos inovadores de gestão da propriedade intelectual e de negócios nas áreas da cultura e da comunicação que confiram sustentação legal e econômica às duas vias anteriores”.
[tks Felipe Obrer]
03
Nov08
Ética no jornalismo
Novo livro de Rogério Christofoletti na praça: Ética no jornalismo. Trecho do release:
Deve o fotógrafo capturar a imagem de uma criança morrendo ou ajudá-la? Qual é a relação possível com a fonte? Até onde ir para conseguir uma manchete? O repórter pode omitir sua identidade para conseguir uma boa informação? Em Ética no jornalismo, Rogério Christofoletti convida o leitor jornalista a se questionar o tempo todo, para que sua atividade não perca a razão de ser.
26
Oct08
Snyder, o mestre zen
A edição de 20 de outubro da revista New Yorker traz o perfil “Zen Master”, feito pela jornalista Dana Goodyear sobre o poeta Gary Snyder, de 78 anos, natural de San Francisco. Budista, tradutor de poemas chineses e japoneses, mochileiro e praticante do montanhismo, Snyder é frequentemente associado ao movimento beat. Ele foi usado como modelo por Jack Kerouac no fascinante personagem Japhy Ryder em The Dharma Bums – publicado em português como Os vagabundos iluminados (L&PM, 2004) e provavelmene o melhor romance de Kerouac.
10
Oct08
A mulher e seu passado
(…)
“Benditos teu pai e tua mãe; benditos os que te amaram e os que te maltrataram; bendito o artista que te adorou e te possuiu, e o pintor que te pintou nua, e o bêbedo de rua que te assustou, e o mendigo que disse uma palavra obscena; bendita a amiga que te salvou e bendita a amiga que te traiu; e o amigo de teu pai que te fitava com concupiscência quando ainda eras menina; e a corrente do mar que te ia arrastando; e o cão que uivava a noite inteira e não te deixou dormir; e o pássaro que amanheceu cantando em tua janela; e a insensata atriz inglesa que de repente te beijou na boca; e o desconhecido que passou em um trem e te acenou adeus; e teu medo e teu remorso e a primeira vez que traíste alguém; e a volúpia com que o fizeste; e a firme determinação, e o cinismo tranquilo, e o tédio; e a mulher anônima que te vociferou insultos pelo telefone; e a conquista de ti por ti mesma, para ti mesma; e os intrigantes do bairro que tentaram te envolver em suas teias escuras; e a porta que se abriu de repente sobre o mar; e a velhinha de preto que ao te ver passar disse: ‘moça linda…’; bendita a chuva que tombou de súbito em teu caminho, e bendito o raio que fez saltar teu cavalo, e o mormaço que te fez inquieta e aborrecida, e a lua que te surpreendeu nos braços de um homem escuro entre as grandes árvores azuis. Bendito seja todo o teu passado, porque ele te fez como tu és e te trouxe até mim. Bendita sejas tu.”
Rubem Braga
A mulher e seu passado, no lindo livro Duzentas Crônicas Escolhidas, que terminei de ler hoje.
10
Oct08
A linha de sombra
Terminei ontem A linha de sombra, de Joseph Conrad, um dos escritores que mais admiro. É a história de um capitão de primeira viagem que vive uma situação-limite: comanda um navio que enfrenta calmaria e tem quase toda a tripulação afetada por uma doença tropical. No trajeto entre Bangcoc e Cingapura, ele é desafiado pelo “fantasma” do antigo capitão morto – na forma das alucinações febris do primeiro oficial – e precisa lutar contra suas próprias inseguranças. O tema de fundo é uma reflexão sobre o limiar entre a juventude e a maturidade. Encontrei o livro na estante de um café simpático no centro e o li em três sentadas. Sobre A linha de sombra, Conrad comentou:
… é experiência pessoal vista em perspectiva com o olho da mente e colorida pela emoção que alguém não pode evitar de sentir pelos acontecimentos de sua vida dos quais não tem razão alguma para envergonhar-se”.
p.s. 1: Anteontem terminei outro dele: A flecha de ouro, história autobiográfica de aventura que trata de uma avassaladora paixão de juventude do autor.
p.s. 2: Já fiz o trajeto entre Bancgoc e Cingapura. Foi de avião, sem calmarias e sem febres. Mas de certa forma, a viagem asiática me ajudou no rito de passagem que é deixar de ser jovem.
24
Sep08
Coleção de negativas (2)
Yoani Sanchez é uma personalidade admirável. Sua crônica eloqüente do cotidiano em Cuba, crítica sem perder o bom humor, foi amplificada de tal forma pela blogosfera que a mera negação de liberdade pra seu corpo cruzar fronteiras passa a ser de uma bizarrice cruel, inútil e burra. O sorriso dela, implícito em seu texto, me lembra Thoreau em Desobediência Civil, no trecho sobre a noite que ele passou na prisão por se recusar a pagar impostos que financiavam a guerra ao México e o regime escravocrata:
“Não pude deixar de sorrir perante os cuidados com que fecharam a porta e trancaram as minhas reflexões – que os acompanhavam porta afora sem delongas ou dificuldade; e o perigo estava de fato contido nelas. Como eu estava fora do seu alcance, resolveram punir o meu corpo; agiram como meninos incapazes de enfrentar uma pessoa de quem sentem raiva e que então dão um chute no cachorro do seu desafeto. Percebi que o Estado era um idiota, tímido como uma solteirona às voltas com a sua prataria, incapaz de distinguir os seus amigos dos inimigos; perdi todo o respeito que ainda tinha por ele e passei a considerá-lo apenas lamentável.”
24
Sep08
Anotação de leitura: Thoreau e a máquina
(…) Se a injustiça é parte do inevitável atrito no funcionamento da máquina governamental, que seja assim: talvez ela acabe suavizando-se com o desgaste – certamente a máquina ficará desajustada. Se a injustiça for uma peça dotada de uma mola exclusiva – ou roldana, ou corda, ou manivela -, aí então talvez seja válido julgar se o remédio não será pior do que o mal; mas se ela for de tal natureza que exija que você seja o agente de uma injustiça para outros, digo, então, que se transgrida a lei. Faça da sua vida um contra-atrito que pare a máquina. O que preciso fazer é cuidar para que de modo algum eu participe das misérias que condeno. (…)
Henry David Thoreau, A desobediência civil, 1848.
08
Sep08
Um escritor irremediável
Dia 11, Jeanne Callegari lança em Floripa o livro Caio Fernando Abreu, inventário de um escritor irremediável. Vai ser na Livraria Livros e Livros às 19h. No dia 12, quando Caio estaria completando 60 anos, Jeanne participa em Porto Alegre de uma mesa redonda sobre o escritor (Foyer do Teatro São Pedro, 15h).
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No tempo de faculdade, fiz um roteiro a seis mãos de um conto do livro Morangos Mofados. Foi meu primeiro contato com a beleza poética da sua obra, que ainda conheço pouco, mas aprendi a admirar.







