30
Jan09
Pílulas brasilienses
Na entrada do hotel onde tou hospedado tem uma Rural que pertenceu a JK. Conservadíssima, linda. Tenho vagas lembranças de infância de uma Rural na família, do pai ou de um tio.
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Hoje vi um cachorro preto passear de lancha e depois de jet-ski no lago Paranoá.
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Pitomba, nosso taxista cearense, contou que tem sucuri no lago. Gugleei “sucuri + paranoá” e encontrei uma matéria legal do Correio Braziliense, de 2003, sobre o que essas águas escondem.
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Semana passada o Botelho, catarinense radicado em Brasília, me contou uma história engraçada que presenciou em Salvador. Ontem ele botou no blog: Emplacamento baiano.
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Comida goiana é boa demais. Tem muita semelhança com a mineira. Mas não me arrisco no pequi, aquela armadilha espinhenta com jeitinho inocente.
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Lendo: Em águas profundas: criatividade e meditação, de David Lynch, o diretor de Veludo Azul e Mullholand Drive – Cidade dos Sonhos, dois dos filmes mais oníricos que já vi.
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O tuiteiro @tiagomx dá a dica: http://twtip.com, saite com dicas sobre Google, Photoshop, writing, life etc. In English.
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O designer João Zanatta dá esta outra: The 100 Most Popular Photoshop Tutorials 2008. Saiba como transformar uma mocréia numa sereia.
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Ei, Ana Paula, conheci uma cerveja nova hoje: Teresópolis, uma lager que vem numa garrafa gordinha. Boa. (curti o som da Amy Winehouse que você blogou; e fui atrás de outros).
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Contando as horas pra voltar pra Floripa.
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(pensando alto, depois de dois adiamentos: trilha da Lagoinha do Leste no carnaval?)
25
Jan09
O filho eterno
Terminei na sexta-feira, voando entre Brasília e Floripa, O filho eterno, de Cristovão Tezza. Melhor livro que li no ano. Ok, ainda estamos em janeiro, mas vai ser preciso outro muito bom pra mudar minha opinião até dezembro. A história, contada na terceira pessoa, tem fundo autobiográfico: um escritor tem um filho com síndrome de Down e narra a dificuldade que enfrentou pra aceitar a criança. É um relato corajoso, pois ele conta coisas que dificilmente um pai confessaria em público. Por exemplo, que no começo desejou que o bebê morresse, e que por muito tempo teve vergonha de comentar sobre o filho com os amigos. Aos poucos ele vai aprendendo com as dificuldades e se conhecendo melhor enquanto educa o menino e o vínculo entre eles vai aumentando.
Tezza é catarinense, amigo da querida Regininha Carvalho – foi no blog dela, atualmente desativado, que li a primeira resenha sobre o livro – e vive em Curitiba. Seu texto é muito bom. Conta uma história forte, emocionalmente envolvente, sem ser piegas em nenhum momento. Chorei ao ler o livro, pois me identifico muito com o que o escritor conta ali. Tive um irmão com síndrome de Down que morreu em 1999, aos 46 anos de idade, de pneumonia. Leopoldo foi uma bênção divina com quem nossa família teve o privilégio de conviver. Ainda tenho dificuldade em falar ou escrever sobre isso, por isso recomendo que leiam quem conseguiu colocar as emoções em palavras com tamanha beleza e arte.
p.s.: O filho eterno já recebeu três prêmios: Portugal Telecom, o da Associação Paulista de Críticos de Arte e o Jabuti.
19
Jan09
Lendo: ganhador do Jabuti e biografia de Braga
Quase um ano depois da sugestão do Felipe Lenhart, no fim de semana comecei a ler Rubem Braga: um cigano fazendeiro no ar, biografia de um dos meus escritores favoritos, de autoria de Marco Antonio de Carvalho (que morreu em 2007, pouco antes do lançamento do livro). Em paralelo, segue a leitura do excelente O filho eterno, de Cristovão Tezza, que a @ticiani me emprestou.
15
Jan09
O Carrasco do Amor
A Laura comenta no Leiturama um livro que li o ano passado:
Acabei de ler ontem “O Carrasco do Amor”, de Irvin Yalom. O autor relata dez experiências em psicoterapia, numa abordagem vívida, humana, emocionante. Nos deparamos com dez desafios que os pacientes enfrentam com coragem, em busca da cura para um sofrimento, seja um abandono, uma doença fatal, a aposentadoria, a necessidade de ser amado, a morte. O autor explica que cada caso é único e que isso descarta as fórmulas prontas de terapia. O mais interessante é ver como o médico está presente, como um companheiro de caminhada. Ele se envolve, se sente atraído, inseguro e até repelido por seus pacientes. Em alguns pontos, parece o relato de um detetive, que vai investigando as várias camadas que encobrem o verdadeiro problema. Vale muito a leitura.
14
Jan09
Máscara Âmbar
Meu amigo Joca Wolff, junto com Ricardo Corona, acaba de traduzir o livro de poesia do escritor argentino Arturo Carrera, Máscara Âmbar – sua primeira obra publicada no Brasil. O livro sai pela Lumme, tem ensaio crítico de Raul Antelo e pode ser encontrado na Livraria Cultura. Trecho da biografia do autor:
Arturo Carrera nasceu em Pringles, província de Buenos Aires (Argentina) em 1948 e é uma das vozes máximas da poesia hispano-americana atual. Sua obra possui mais de vinte livros de poesia, ensaio e tradução; entre eles: Escrito con un nictógrafo (1972); Momento de simetría (1973); Oro (1975); La partera canta (1982); Ciudad del colibrí (1982); Arturo y yo (1984); Mi padre (1985); Animaciones suspendidas (1986); Ticket para Edgardo Russo (1986); Children’s corner (1989); Negritos (1993); Nacen los otros (1993); La banda oscura de Alejandro (1994); El vespertillo de las parcas (1997); Palacio de los aplausos (com Osvaldo Lamborghini, 2002); Tratado de las sensaciones (2002); Carpe diem (2003), Potlatch (2004), El coco (2004), Noche y Día (2005) e La inocencia (2005). Cursou na Universidade de Buenos Aires estudos de medicina e letras e psicanálise com Oscar Masotta. Traduziu textos de Agamben, Haroldo de Campos, Pasolini, Mallarmé, Bonnefoy, Michaux, entre outros. Realizou leituras e leituras críticas de seus poemas nas Universidades de Nova York e Princeton (USA), no Centro de Estudos Leopardianos de Recanati e na Universidade de Macerata (Itália); em Trois Rivières (Canadá), e em Santiago e Valparaíso (Chile), em Santa Catarina e São Paulo (Brasil), no Paraguai e no México. Como professor de Literatura e Poética, trabalhou no Abroad Program das Universidades de Illinois e Carolina do Norte e na Fundação Antorchas. [...] Editou na Internet, sob os auspícios do ICI, uma antologia de 37 poetas argentinos de menos de 37 anos: Monstruos, publicada pelo Fondo de Cultura Económica.
11
Jan09
Quero ler: biografia de García Márquez
Do New York Times, via UOL: a biografia de García Márquez acaba de ser publicada na Inglaterra. Tem 664 páginas e mais de 300 entrevistas. Seu autor, Gerald Martin, é um acadêmico inglês, especialista em literatura latino-americana. Passou 15 anos escrevendo o livro. Na América Latina deve chegar só no segundo semestre.
06
Jan09
Viva o ócio
Regininha Carvalho, no último post de seu blog. Fico com saudade dos seus textos cotidianos, mas ao mesmo tempo, orgulhoso pela corajosa decisão da querida de seguir seu sonho.
Tenho três livros à beira da publicação. Tenho mais três livros in progress, na velha prancheta de trabalho. Quero poder me dedicar só a eles, e aos outros que ainda são apenas projetos.
Para escrever um livro, vive repetindo o Tezza, precisamos de ócio. Precisamos de longas caminhadas, para burilar ideias e pensamentos; de longas, às vezes chatíssimas pesquisas; de descanso mental. E de não muita diversificação da atividade mental, pois o excesso dela acaba sendo muito fatigante e conduz – no meu caso, ao menos – a muitas noites de insônia e a dias improdutivos, na seqüência.
Assim, tou indo. Vou nidificar um pouco. Não foi fácil decidir, e não tenho a ilusão de que será fácil manter a decisão. Mas quero perseguir meu sonho, me dou este direito.
E FUI!
05
Jan09
Nós e os livros
Li no blog do Maurício e copiei a ideia pra cá. São sete perguntas sobre leitura. As minhas respostas estão aí, mas me passei e contei bem mais do que foi pedido. Quer brincar também?
1. Livro que marcou sua infância
Tarzan, de Edgar Rice Burroughs. Li toda a coleção aos dez anos na biblioteca pública de Natal. Também adorei A chave do tamanho, de Monteiro Lobato; O pequeno Nicolau (Goscinny e Sempé); a coleção Para gostar de ler (Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos, Rubem Braga e Carlos Drummond de Andrade); e os quadrinhos de Asterix (Uderzo e Goscinny).
2. Livro que marcou sua adolescência
Muitos. Um dos inesquecíveis foi Nada de novo no front, de Erich Maria Remarque, sobre um soldado alemão na Primeira Guerra Mundial. Também guardo lembranças fortes de Histórias extraordinárias (Edgar Allan Poe); Huckleberry Finn (Mark Twain); toda a coleção de Sherlock Holmes (Conan Doyle) e dos livros de Agatha Christie – meus dois favoritos são O assassinato de Roger Ackroyd e Cai o pano. Um super marcante: O falecido Mattia Pascal, de Luigi Pirandello.
3. Autor que mais admira
Aí vão trinta, em diferentes gêneros e em ordem aleatória: Guimarães Rosa, García Márquez, Julio Cortázar, Jorge Luis Borges, John Fante, Raymond Carver, Charles Bukowski, Charles Baudelaire, Luis Fernando Verissimo, Machado de Assis, Isabel Allende, Ernest Hemingway, Dostoievski, Chekov, Manoel de Barros, Érico Verissimo, Mario Benedetti, Ítalo Calvino, Jack Kerouac, Henry Miller, Saint-Éxupery, Rubem Fonseca, Ignácio de Loyola Brandão, João Ubaldo Ribeiro, J.D. Salinger, Milton Hatoum, Oriana Falacci, Joseph Conrad, Gustave Flaubert, Rubem Braga. Quando eu crescer, quero escrever que nem o Braga.
4. Autor contemporâneo
Marçal Aquino.
5. Leu e não gostou
O Guarani, de José de Alencar. Talvez porque era leitura obrigatória.
6. Lê e relê
Vários. Gosto especialmente de voltar aos contos de Guimarães Rosa e de Poe.
7. Mania
Várias: escrever listas; fuçar velhas novidades em sebos; espalhar livros pela casa.
04
Jan09
Leiturama
Criei ontem um blog coletivo da família Tuyama, o Leiturama. A ideia é que a gente comente com simplicidade o que leu, está lendo e pretende ler. Assim vamos criando um registro familiar dos livros que estão circulando entre nós e podemos fazer uns intercâmbios. Também é uma maneira de incentivar a galerinha mais nova a gostar de ler e a refletir sobre as leituras. A Ana, irmã da Laura, estreou ontem a participação com um comentário sobre Persépolis, uma história em quadrinhos da iraniana Marjana Satrapi que foi adaptada pro cinema. Escrevi sobre um ótimo livro que estou lendo agora, O Mago, biografia do escritor Paulo Coelho por Fernando Morais.
01
Jan09
DVeras Awards 2008: livros
Em 2008 li 26 livros. Uma média de 2,2 por mês. Metade do que eu pretendia, mas tá de bom tamanho. Os 5+ foram:
5) A incrível viagem de Shackleton (A. Lansing)
Aventura na Antártica. No começo do século 20, um navio ficou preso no gelo e o comandante precisou fazer uma marcha forçada de meses na tentativa de salvar a tripulação. História real e impressionante.
4) O carrasco do amor (Irvin D. Yalon)
Psicanálise, filosofia e ficção se combinam em sintonia fina no texto desse escritor. São várias histórias curtas em que ele relata alguns de seus casos, sem identificar os pacientes e misturando um pouco as histórias. Li num momento difícil e foi importante.
3) Os vagabundos do darma (J. Kerouac – releitura)
Tenho predileção especial por este livro. Há poucos dias o David Levin me enviou pelo correio uma revista New Yorker com um perfil de Gary Snyder (Zen Master, by Dana Goodyear), o poeta em quem Kerouac se inspirou ao criar o fascinante personagem Japhy Ryder. A vida de Snyder daria um livro – aliás, ele escreveu vários, de poesia e prosa, passando por temas como fauna selvagem, sexo, meio ambiente, lendas indígenas e zen-budismo.
2) Vale tudo (Nelson Motta)
A ultraextraordinária (com hífen ou sem hífen?) vida de Tim Maia contada de maneira acurada e divertida por alguém que foi seu amigo. Muito bom! Pra ler ouvindo Tim Maia.
1) 200 crônicas escolhidas (Rubem Braga)
O que dizer do texto de Rubem Braga? Quando eu crescer quero escrever como ele.







