Posts com a tag ‘histórias’

06

Oct

08

Botelheco: Ciro Gomes e um cigarro

Historinha muito boa sobre Ciro Gomes e um cigarro, no Botelheco – blog que o amigo Diógenes Botelho, nosso correspondente para asssuntos aleatórios em Brasília, resolveu ressuscitar, pra alegria dos leitores.

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09

Aug

08

Da série Mais Sorte que Juízo: fogo é notícia

Floripa, 1987. Eu fazia reportagem de polícia pro jornal O Estado. Certa vez, estava no centro quando percebi que havia um princípio de incêndio no prédio de um hotel na rua Felipe Schmidt. No auge da impulsividade insana dos vinte anos, num só fôlego subi doze andares pelas escadas até o foco da fumaça negra. Cheguei antes dos bombeiros. Pra minha sorte e dos demais ocupantes do hotel, o princípio de fogo havia sido dominado sem maiores danos. Ninguém me pediu respiração boca a boca. O episódio rendeu só uma notinha de pé de página.

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31

Jul

08

The bridge


Esta ponte, na rodovia CE-105, tem história. Ela foi construída anos antes da estrada e ficou parada um tempão como elefante branco. Depois fizeram a estrada, mas tiveram que ajustar o trajeto porque não encaixava na ponte…
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29

Jul

08

Ciclista na boca da noite


O local desta foto, no centro de Russas, tem história. Imagine-se caminhando até o fim da rua e dobrando a esquina à direita. Bem ali defronte à igreja, neste mesmo horário, na década de 30 – meu pai era menino quando ocorreu o fato – um juiz de direito natural de Alagoas estava sentado na cadeira de balanço em frente à sua casa, esta que aparece à direita da imagem. Dois homens saltaram o muro dos fundos e avançaram por dentro da casa até a porta. Um deles passou um pano pelo pescoço do juiz, puxando-o para trás, e outro o matou com um punhal. Pouco depois, suspeitou-se de um sujeito que apareceu com o pé ferido – havia farpas afiadas de metal no muro que os assassinos saltaram. Quando a polícia o procurou, ele já havia desaparecido da cidade. Dizem que passou anos no Norte do país, até que o homicídio prescreveu e ele voltou. O crime nunca foi solucionado.

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23

Jul

08

O aprendiz de criminoso

Aconteceu faz anos, num tempo em que até a criminalidade era mais ingênua. Conheci o personagem, mas nomes, lugares e datas não importam. No início o negócio parecia bom. Venda de comida congelada no varejo. Começou a ganhar dinheiro e o olho cresceu. Pegou empréstimo em banco, investiu pesado, ampliou o estoque. Mas logo passou a sofrer com a concorrência numerosa e hábil. Quebrou. Endividado, teve a idéia de aplicar sozinho um golpe que viria a ser conhecido como o seqüestro mais burro da crônica policial do estado.

A primeira etapa correu bem. Arrumou uma arma, rendeu um ricaço local e o levou para o cativeiro numa casa dos arredores. A partir daí as trapalhadas se sucederam. Ele escrevia bilhetes de próprio punho nas negociações. Ligava para a família do refém sempre do mesmo telefone público e ficava um tempão conversando – era um sujeito vaidoso e loquaz, não gostava que o interrompessem quando estava falando. Detalhe: o orelhão ficava pertinho do lugar do cativeiro. E mais: estacionou o carro do sequestrado no pátio da frente da casa, com a placa visível a quem passasse pela rua e desse uma olhada pelo portão gradeado.

Chegou o momento decisivo, o pagamento do resgate. Por comodidade, combinou um lugar prático para a entrega do dinheiro: um latão de lixo na calçada da casa da mãe dele. O resultado foi previsível. A polícia o pegou em flagrante. Preso, teve a sorte de não ir direto para a penitenciária, que estava lotada até a tampa. Ficou aguardando julgamento numa casa de detenção provisória, até que um dia conseguiu fugir pela porta da frente – possivelmente depois de generosa doação de sua família aos carcereiros, pois é improvável que um plano de fuga de sua lavra tivesse qualquer chance de êxito.

Livre, num raro lampejo de inteligência, intuiu que sua carreira criminosa não teria futuro. Zarpou para o exterior, onde vive até hoje, casado e com filhos. Se colocar de novo os pés no Brasil, imagino que será condenado a ver filmes policiais e ler romances de Agatha Christie por dez anos até deixar de ser burro. Woody Allen adoraria filmar a vida desse cara.

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04

Jul

08

A China pelo olhar de Sônia Bridi

Minha ex-colega de curso na UFSC, Sônia Bridi, hoje correspondente da TV Globo em Paris, está lançando pela editora Letras Brasileiras o livro Laowai (Estrangeiro). Numa mistura de reportagem e diário de viagem, Sônia conta das experiências que ela mais o marido, o cinegrafista Paulo Zero, e um filho de três anos viveram em 2005 e 2006 na China, onde montaram a primeira base da emissora na Ásia.

Diz o texto do convite da Letras Brasileiras: “Uma história divertida, intensa e delicada, que provoca risos e lágrimas, sem apelações ou pieguices. … Um retrato pitoresco, emocionado e extremamente requintado da sociedade chinesa,…com olhar perspicaz de repórter e viajante experiente e uma perspectiva feminina que dá ao relato um sabor especialíssimo”.

Um livro de reportagem e histórias sobre a China, por si só, já me deixaria curioso (em 93 estive em Taiwan e Hong-Kong, o que me deixou com água na boca pra conhecer melhor essa cultura fantástica). Escrito pela Sônia, então – uma das repórteres de tevê mais brilhantes que conheço -, não dá pra deixar de ler. O lançamento com presença da autora vai ser no dia 10 de julho às 19h na Livraria Cultura de São Paulo (Conjunto Nacional); 15 de julho às 19h na Livraria da Travessa em Ipanema, Rio de Janeiro; e 17 de julho às 19h na Livraria Saraiva, em Floripa. Pena que estarei viajando, mas vou reservar meu exemplar.

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26

Jun

08

Cochilos nas nuvens

Deu na AFP: Pilotos dormem e avião vai parar em outra cidade na Índia. Meu amigo Marques Casara, na lista Salinha do C.A., aproveitou pra contar outra:

Essa matéria me fez lembrar de uma história de avião.

Em 2002, peguei um monomotor em Macapá com destino a uma aldeia no Oiapoque. Fui sentado ao lado do piloto e os quatro caras da equipe de filmagem nos bancos de trás.

Decolamos ao amanhecer. A equipe pegou no sono em menos de 10 minutos. Também resolvi cochilar. O piloto tinha colocado o avião no automático e abriu uma revista. Quando acordei, o piloto tava babando em cima da revista, dormindo sono solto. Avião no automático. A equipe, de ressaca, roncando na parte de trás.

Olhei pela janela, um oceano verde do lado de baixo, um mar azul do lado de cima, tempo bom, sol no horizonte. O avião tava nivelado no rumo Norte. Encostei a cabeça na vidraça e continuei a soneca.

Acordei com o piloto fazendo uma curva à esquerda, posicionando para pouso. Deu um rasante e arremeteu. O avião tremeu todo, parecia que ia desmontar.

O que houve? – perguntei.

Antes de pousar em pista perto de aldeia, a primeira vez a gente dá um rasante, pros índios se assustarem e saírem do meio da pista – explicou o comandante, ainda com cara de sono.

Deu a volta e pousou. Os índios cercaram o avião. O cinegrafista acordou com a algazarra das crianças querendo entrar na cabine. “Nossa! Já chegamos? Que rápido!”, disse ele. O resto da equipe continuava dormindo.

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15

Jun

08

Vida de frila

Maurício Oliveira dá adeus definitivo ao finado blog Fogo-Fátuo e abre o blog temático Vida de frila, em que vai contar as aventuras e desventuras de seu dia-a-dia de repórter. Bem-vindo de volta.

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13

Jun

08

Ambulantes no trem

André de Abreu, no Intermezzo, comenta sobre a reportagem multimídia Ambulantes no trem, um trabalho de conclusão de curso de alunos de graduação da faculdade Anhembi-Morumbi, orientado por Fábio Cardoso. Narrativas hipertextuais como esta são um exemplo do que pode se tornar o jornalismo daqui a alguns anos. Dá pra ser profundo e criativo sem ser chato. Construída em flash, a reportagem usa a metáfora do próprio trem como estrutura de navegação. Vídeos apoiados por textos curtos mostram o cotidiano dos “marrereiros”, o conflito com os seguranças de empresas privadas que apreendem suas mercadorias e às vezes os agridem, as expectativas desses vendedores, as opiniões dos usuários do transporte. Há também um mapa clicável da rede ferroviária de São Paulo com informações sobre as principais estações.

Naveguei pela reportagem de maneira não-linear e transversal, como acho que a maioria do público fará. Também dá pra seguir o caminho convencional. Parece que esta é uma forte tendência nesse tipo de narrativa: traçar a rota de começo, meio e fim – o que gera segurança – e ao mesmo tempo permitir que o navegante mais destemido ou impaciente crie seus próprios. Os pequenos problemas, pelo que conta André, estão sendo corrigidos: faltam os créditos e há excesso de pop-ups: quando naveguei na parte dos usuários do trem, o vídeo travou algumas vezes. Nada que ofusque a alta qualidade do trabalho de pesquisa e de execução prática da idéia. Parabéns aos autores e ao orientador.

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10

Jun

08

Domingo na Lagoa com a Barca dos Livros

No domingo fomos conhecer melhor a Barca dos Livros. É um lindo projeto da Sociedade Amantes da Leitura, que criou uma biblioteca na Lagoa da Conceição e, no segundo domingo de cada mês, promove passeios de barco com contadores de histórias. Uma das contadoras é a amiga Gilka Girardello, que foi minha professora do curso de jornalismo. Tem também o Sérgio Bello, o Polo com seu acordeon e outras pessoas que não conheço. Um barco cheio de livros sai com a criançada, pára no meio da Lagoa e começam as histórias entremeadas de música. Ao final, sorteiam um livro infantil.
Lanchamos no café da biblioteca com o Tomate, a Nega, a Isa e a Fernanda. Depois fomos ao Cineclube Sal da Terra conferir de novo À luz de Schwanke, curta-metragem dos amigos Ivaldo Brasil e Maurício Venturi, com roteiro de Ivi e da Katia Klock, que foi exibido sábado no Centro Integrado de Cultura durante o FAM – Florianópolis Audiovisual Mercosul.

Muita gente conhecida teve a mesma idéia. E a maioria resolveu levar os filhos. A criançada tomou conta do centro cultural com suas correrias e brincadeira de se esconder – acho salutar uma boa dose de irreverência em centros culturais. Quase todas as crianças também viram o documentário, embora esperassem um desenho animado ou coisa parecida. Dia divertido. Clique nas fotos pra ampliar.

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