24
Nov08
A chuva em SC e a internet
O Alexandre Gonçalves, do blog Coluna Extra, é um dos exemplos de como a população de Santa Catarina está se mobilizando pela internet pra se informar e informar sobre a maior tragédia climática de todos os tempos já registrada aqui no estado. No topo de seu blog é possível seguir os comentários no twitter para as palavras-chave #chuva, #floripa e #blumenau.
24
Nov08
Diarinho na Chuva
O Diarinho do Litoral, um dos jornais mais irreverentes e bons de briga do Brasil, lançou um blog de emergência porque sua edição impressa não vai circular amanhã – Itajaí está debaixo dágua. Quem quiser pode também acompanhar pelo recém-criado perfil no tuíter ( http://twitter.com/diarinho ) – uma iniciativa do Alexandre Gonçalves. Reproduzo foto de um leitor, “Veneza Peixeira”.
19
Nov08
Três links sobre cibercultura
Este livro de Ronaldo Lemos (FGV, 2005) se propõe a investigar os desafios propostos ao direito em decorrência da internet e da tecnologia digital. Está licenciado em Creative Commons, é só clicar e baixar.
“O Overmundo é um site colaborativo. Um coletivo virtual. Seu objetivo é servir de canal de expressão para a produção cultural do Brasil e de comunidades de brasileiros espalhadas pelo mundo afora tornar-se visível em toda sua diversidade. Para funcionar, ele precisa da comunidade de usuários sempre gerando conteúdos, votando, disponibilizando músicas, filmes, textos, comentando tudo e trocando informações de modo permanente.”
Criado em 2008 como resultado do saite Overmundo, visa estimular iniciativas para a criação de “novos canais de difusão e oportunidades para a produção cultural de todo o Brasil; a exploração das novas possibilidades de criação, compartilhamento e circulação de cultura e conhecimento geradas pela internet e pelas tecnologias digitais; e o incentivo a modelos inovadores de gestão da propriedade intelectual e de negócios nas áreas da cultura e da comunicação que confiram sustentação legal e econômica às duas vias anteriores”.
[tks Felipe Obrer]
04
Nov08
"Nem parece banco"

Charge do Frank. E comentário bastante pertinente do Zé Dassilva sobre o slogan publicitário do Unibanco:
Esse slogan “nem parece banco” é a maior peça de sentimento de culpa que já vi no mundo publicitário. Isso porque a parte entre parênteses fica subentendida: “Unibanco, (tão bom que) nem parece banco”. Essa é a mensagem, certo?Imagina se outros fossem na mesma linha…
“A Notícia, nem parece jornal.”
“UFSC, nem parece universidade.”
“Renault, nem parece montadora.”Ninguém se anuncia denegrindo aquilo que é. As empresas costumam ter orgulho em ser o que são, em trabalhar no que trabalham.
Ao fazer isso, o Unibanco demonstra toda a vergonha em ser uma instituição que dá 1% de juros enquanto cobra uns 10%.
14
Oct08
A destruição da Amazônia: nome aos bois
Vou lhe passar o link pra um estudo que dificilmente terá o espaço que merece na grande mídia, por um motivo simples: suas conclusões são incômodas, contrariam interesses comerciais milionários. As 43 páginas de Quem se beneficia com a destruição da Amazônia (pdf, 9,35 MB), divulgadas hoje à tarde em São Paulo no seminário Conexões Sustentáveis, trazem informações estarrecedoras sobre a voracidade predatória das corporações. Também nos fazem refletir sobre nossa responsabilidade como consumidores. Várias dessas empresas que lucram fortunas às custas do desmatamento ilegal fabricam produtos que provavelmente usamos no cotidiano.
O estudo é iniciativa do Fórum Amazônia Sustentável e do Movimento Nossa São Paulo. Foi realizado pela ong Repórter Brasil, coordenada pelo jornalista e cientista social Leonardo Sakamoto, e pela Papel Social Comunicação, do amigo jornalista Marques Casara. Eles e uma equipe de colaboradores fizeram uma minuciosa investigação de meses para desvendar alguns elos de diversas cadeias produtivas, que na ponta amazônica têm atividades ilegais em Mato Grosso e no Pará. Esse processo de ocupação predatória, que desrespeita a legislação trabalhista e ambiental e em muitos casos viola direitos humanos, também tem sido financiado pelo Estado brasileiro – por exemplo, através de empréstimos do BNDES.
Segue um brevíssimo resumo com alguns nomes que pincei do texto (a íntegra dos estudos de caso traz preciosas informações de contexto e também as versões das empresas que quiseram se manifestar):
Quatro Marcos. Com sede em MT, é um dos maiores frigoríficos do Brasil. Um terço de sua receita vem das exportações.
O problema: Unidades de abate apresentaram graves problemas ambientais e trabalhistas. A empresa comprou gado de empregador que figura na “lista suja” do trabalho escravo. Por fim, o nono maior desmatador da Amazônia, de acordo com o Ministério do Meio Ambiente, pertence à família que controla o frigorífico.
Friboi. Com sede em São Paulo, é o maior frigorífico do mundo. Tem cerca de 40 mil empregados e faturou R$ 4,7 bilhões no ano passado.
O problema: A unidade do Friboi de Barra do Garças (MT) adquiriu gado de um pecuarista que teve área de sua fazenda embargada pelo Ibama por desmatamento ilegal.
Tramontina. Nascida no RS, fabrica utilidades domésticas. Tem dez fábricas no Brasil e centros de distribuição em cinco países.
O problema: A Tramontina manteve relações comerciais com empresas multadas diversas vezes por beneficiamento e transporte de madeira ilegal.
Sincol. Com matriz em Santa Catarina e filiais em São Paulo, Paraná, Miami (EUA) e Porto Rico, está entre as maiores empresas do setor madeireiro no país.
O problema: A empresa controla a madeireira Sulmap Sul Amazônia Madeiras e Agropecuária, com sede em Várzea Grande (MT), autuada por crimes ambientais e acusada de envolvimento em “grilagem” de terras.
Mahle. Multinacional de origem alemã com sede em Mogi-Guaçu (SP), desenvolve e fabrica peças para a indústria automotiva.
O problema: Um de seus fornecedores utiliza matéria-prima oriunda de garimpos localizados em Altamira (PA) que funcionam sem licença ambiental e não respeitam a legislação trabalhista.
Bunge. Multinacional holandesa, atua no Brasil na produção de insumos e na fabricação de produtos para consumo final na indústria alimentícia. Também fabrica fertilizantes.
O problema: A Bunge adquiriu soja de fazenda com área embargada pelo Ibama.
ADM do Brasil. Terceira maior trading de soja em atuação no Brasil, a Archer Daniels Midland Company exporta grãos e farelo de soja, fabrica biodiesel e produtos alimentícios.
O problema: A empresa manteve relações comerciais com produtor autuado por crimes ambientais na Floresta Amazônica.
Caramuru. Maior empresa no setor graneleiro no país com capital 100% brasileiro.
O problema: Foi identificada adquirindo girassol de produtor autuado por desmatamento em diferentes propriedades.
Esse estudo terá continuidade e trará surpresas nos próximos meses.
13
Oct08
Quem se beneficia com a destruição da Amazônia
Um estudo inédito que será divulgado amanhã mostra como a cidade de
São Paulo, principal mercado consumidor brasileiro, também é
responsável pela destruição da Amazônia. A iniciativa é do Fórum
Amazônia Sustentável e do Movimento Nossa São Paulo, realizadores do
seminário “Conexões Sustentáveis: São Paulo – Amazônia”, que ocorre
nesta terça (14) e quarta-feira (15).
Realizada pela ONG Repórter Brasil e pela Papel Social Comunicação, a
pesquisa constatou a existência de uma grande rede de “lavagem de
produtos” da Amazônia, que transforma produtos ilegais em legais para
serem comprados por grandes empresas, pelo poder público e financiados
pelo sistema financeiro. Os setores produtivos analisados são pecuária
bovina, plantio de soja e outros grãos, extrativismo vegetal e
políticas de financiamento para atividades produtivas.
Essas matérias-primas chegam a grandes redes varejistas, indústrias
automobilísticas e à construção civil. “O objetivo não é apontar
culpados, pois estes são muitos e incluem todos nós, consumidores”,
ressalta Marques Casara, da Papel Social Comunicação. “O objetivo é
relacionar exemplos que sirvam de referência para aprofundar o
conhecimento sobre o tema e a busca de soluções”.
A íntegra da pesquisa e os nomes das empresas serão divulgados amanhã
às 14h. Mais informações:
http://www.nossasaopaulo.org.br/portal/node/1487
12
Oct08
Uma tarde com Myltainho
Meu agradecimento público ao amigo Fernando Evangelista, professor do curso de jornalismo da Faculdade Estácio de Sá, por ter me convidado a participar de um atividade extra-classe especial na tarde de ontem. Fomos numa turma de vinte e tantas pessoas, a maioria estudantes da sexta fase, visitar o jornalista Mylton Severiano. Myltainho, como é mais conhecido, tem mais de quarenta anos de atividade profissional nos mais diversos meios, entre eles a revista Realidade, um marco na história da reportagem no Brasil (semana passada publiquei aqui uma historinha deliciosa que ele contou ao Luiz Maklouf Carvalho sobre os bastidores da revista).
Tarde chuvosa, tocamos em carreata pro Ribeirão da Ilha. Myltainho, 68 anos, mora em Floripa há cinco, numa simpática casinha verde e amarela no alto do morro, rodeada de mata e com uma vista espetacular pra Baía Sul. De segunda a sexta ele trabalha em São Paulo como editor-chefe da revista Caros Amigos – função em que substituiu o recém-falecido Sérgio de Souza. Nos fins de semana se refugia em seu cantinho com a mulher e três cachorros, um deles com três pernas. Num varandão em L nos aboletamos em cadeiras, sofás e no chão de madeira pra ouvir o mestre – e sabatiná-lo com perguntas, algumas incômodas. Afinal, como ele próprio enfatiza, a boa reportagem incomoda, é subversiva. Por isso há tão poucas hoje na grande mídia.
Por quatro horas ouvimos histórias saborosas sobre sua passagem pela Quatro Rodas, Realidade, Bondinho, Rede Globo, Folha, Estadão e vários outros. Os dribles que ele e seu grupo davam na censura da ditadura; as concessões que às vezes foi preciso fazer para conseguir publicar matérias; a aventura dos repórteres de Realide pelos rincões do país, fazendo história no jornalismo brasileiro sem se darem conta disso. Com voz baixa e pausada, sem qualquer sombra de empáfia “sabe-tudo”, Myltainho nos capturou com relatos envolventes. De vez em quando despertava gargalhadas ao contar alguma anedota pincelada por palavrões. Os temas saltavam de um pra outro sem lógica rígida, com as digressões próprias de uma conversa entre amigos.
Quando vimos já era noite. O papo estava tão bom que, entre despedidas e fotos, levamos uma meia hora pra ir embora. E mais não preciso contar porque a entrevista completa vai ser publicada pelos estudantes da Estácio, aguardem.
p.s.: Conheci duas blogueiras com quem eu já tinha esbarrado na web: a Bel (Quiet Things That No One Ever Knows), moça irônica de texto afiado de quem eu tinha comentado há poucos dias, e a Flora (EcoFlora), que tem o nome adequadíssimo ao que gosta de fazer, fotografar a natureza.
16
Sep08
Dizer e calar
À moda da Ana Paula e suas Certezas biodegradáveis, aí vão algumas Confessions to the keyboard:
Eu já…
- fiquei calado quando devia ter falado;
- falei demais quando devia ter fechado a matraca;
- disse o que queria na hora certa, mas não como devia;
- disse a frase perfeita, mas só duas horas depois, sozinho;
- fiquei em silêncio no instante exato, mas não resisti… e ri.
09
Sep08
Mais censura na internet
Outra vez o judiciário exorbita das suas funções, atropela a Constituição e decreta censura prévia. Como se não bastasse, há o agravante da inépcia. A liminar tirou do ar o alvo errado. Quando é que o Supremo vai proibir o uso indiscriminado desse tipo de algemas digitais? Quando censurarem o blog de algum banqueiro?
~
Atualização: depois de uma enxurrada de protestos, o erro foi corrigido e o TwitterBrasil voltou ao ar. O que não significa um ponto final à história, pois o próximo alvo deve ser o próprio Twitter.
09
Sep08
Crianças "multitarefas"
Reblogando ótimo post do Rogério Christofoletti, que cita o jornal espanhol La Vanguardia:
O canal televisivo Cartoon Network realizou uma pesquisa com 7 mil usuários de seu site, entre 7 e 15 anos, e chegou a resultados impressionantes sobre os usos e apropriações desses meninos e meninas da tecnologia e de atividades cotidianas. A conclusão mais ruidosa é de que 73% dos sujeitos da pesquisa têm o hábito de combinar o uso de diversas tecnologias ao mesmo tempo, revelando um comportamento “multitarefa”. Realizada todos os anos, a pesquisa Kids Experts acompanha o comportamento infanto-juvenil. (…)








