Posts com a tag ‘comunicação’

05

Feb

09

Google Latitude e a invasão da privacidade

Mais uma inovação do Google: Latitude, uma ferramenta para que você, por meio de GPS e triangulações de sinal de celular, “veja onde estão seus amigos em tempo real!”. E, é claro, seja visto no mapa por seus “amigos”. Embora a gente possa pensar em várias aplicações práticas interessantes, o potencial intrusivo é preocupante, como bem escreve o Doni no blog Hedonismos.

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28

Jan

09

UFSC vai ao Pará com o Projeto Rondon

Estudantes de jornalismo, medicina e serviço social da UFSC começaram esta semana a Operação Centro-Norte – nome com o qual foi batizada a missão do Projeto Rondon no município de Monte Alegre, no Pará. O projeto, coordenado pelos professores Sérgio Mattos e Clóvis Geyer, prevê uma série de ações sociais envolvendo crianças, adolescentes, idosos, mulheres em amamentação, educadores, agentes comunitários e a população em geral. É a primeira vez que uma turma do jornalismo da UFSC participa dessa experiência transformadora de conhecer e informar sobre um Brasil que a maioria dos brasileiros desconhece. Tiro o chapéu pro Projeto Rondon, uma das raras iniciativas em que a universidade pública é colocada a serviço do povão. Dá pra acompanhar de perto o trabalho da moçada pela internet, em textos, fotos e, em breve, também em vídeo. Monte Alegre fica perto de Santarém, a 623 km em linha reta de Belém. O Projeto Rondon é promovido pelo Ministério da Defesa com apoio da Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação.

p.s.: O professor @clovisgeyer é tuiteiro. Se tiver tempo, vai enviar alguns dropes de viagem em 140 caracteres.

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15

Jan

09

"Não há santos nessa guerra"

Recebi do Geraldo Hoffmann, da Suíça, um comentário sobre meu post em que reproduzi as regras da grande mídia internacional quando o assunto é Oriente Médio:

Trabalho num veículo de comunicação internacional e não acredito que as “regras” acima sejam regra geral na grande imprensa internacional. Acredito que, apesar das dificuldades impostas à imprensa nessa e em outras guerras, há colegas que fazem um trabalho na medida do possível honesto, equilibrado. Do contrário, provavelmente as atrocidades cometidas pelas partes conflitantes seriam ainda maiores.

Um fato que pode parecer marginal, mas que me chamou a atenção: a Agência France Presse divulgou ontem uma nota informando que o governo dinamarquês estuda a possibilidade de pedir ressarcimento a Israel por danos causados pela ofensiva militar a projetos humanitários apoiados pela Dinamarca em Gaza. Numa busca rápida no Google, notei que essa informação não foi muito aproveitada pelas redações. Algumas exceções: o jornal dinamarquês Politike.dk (versão inglesa – http://politiken.dk/newsinenglis…icle628230.ece) , a revista Focus – versão alemã da Epoca (http://www.focus.de/politik/weitere-meldungen/ gaza-daenemark-prueft-schadensersatzansprueche-an- israel-wegen-gaza-offensive_aid_361821.html) e o DCI, no Brasil (http://www.dci.com.br/noticia.asp?id_editoria=2& id_noticia=269165). Acredito que essa questão deve estar sendo levantada também em outros países que prestam ajuda aos palestinos, mas, como admite o próprio governo dinamarquês, pedir um ressarcimento desses é uma questão delicada e juridicamente complicada.

O triste disso tudo é que a população que deveria ser beneficiada com a ajuda humanitária, no fim, acaba ficando de mãos vazias – independentemente de quem seja a culpa pela destruição dos projetos. Hoje vi também na TV alemã uma mulher palestina, em Gaza, que criticou abertamente o Hamas. “Eles escondem as armas em nossas casas, mas não nos defendem. Os líderes do Hamas somem e nos deixam entregues ao caos”, reclamou. Segundo o repórter, essa foi uma das primeiras críticas em público ao Hamas. Na minha opinião, não há santos nessa guerra próxima à Terra Santa.

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12

Jan

09

Mídia e pluralidade

Recomendo a leitura do post Viva a pluralidade, escrito pelo Maurício Oliveira em seu blog. Ele critica o lastimável oligopólio do grupo RBS que se formou na mídia catarinense e cita a ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal contra a aquisição do jornal A Notícia.

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11

Jan

09

A grande mídia internacional e o Oriente Médio

Recebi de um colega jornalista e passo adiante.

Doze Regras de Redação da Grande Mídia Internacional Quando a Notícia é do Oriente Médio

Regra Um – No Oriente Médio, são sempre os árabes que atacam primeiro e sempre Israel que se defende. Esta defesa chama-se represália.

Regra Dois - Os árabes, palestinos ou libaneses não têm o direito de matar civil. Isso se chama “Terrorismo”.

Regra Três -Israel tem o direito de matar civil. Isso se chama “Legítima Defesa”.

Regra Quatro - Quando Israel mata civis em massa, as potências ocidentais pedem que seja mais comedida. Isso se chama “Reação da Comunidade Internacional”.

Regra Cinco - Os palestinos e os libaneses não têm o direito de capturar soldados de Israel dentro de instalações militares com sentinelas e postos de combate. Isso se chama “Sequestro de Pessoas Indefesas”.

Regra Seis - Israel tem o direito de sequestrar a qualquer hora e em qualquer lugar quantos palestinos e libaneses desejar. Atualmente, são mais de 10.000, dos quais 300 são crianças e 1000 são mulheres. Não é necessária qualquer prova de culpabilidade. Israel tem o direito de manter os seqüestrados presos indefinidamente, mesmo que sejam autoridades democraticamente eleitas pelos Palestinos. Isso se chama “Prisão de Terroristas”.

Regra Sete - Quando se menciona a palavra “Hezbollah”, é obrigatório a mesma frase conter a expressão “apoiado e financiado pela Síria e pelo Irã”.

Regra Oito – Quando se menciona “Israel”, é proibida qualquer menção à expressão “apoiada e financiada pelos Estados Unidos”. Isso pode dar a impressão de que o conflito é desigual e que Israel não está em perigo existencial.

Regra Nove – Quando se referir a Israel, são proibidas as expressões “Territórios Ocupados”, “Resoluções da ONU”, “Violações de Direitos Humanos” ou “Convenção de Genebra”.

Regra Dez – Tanto os palestinos quanto os libaneses são sempre “covardes” que se escondem entre a população civil, a qual “não os quer”. Se eles dormem em suas casas com as sua famílias, a isso se dá o nome de “Covardia”. Israel tem o direito de aniquilar com bombas e mísseis os bairros onde eles estão dormindo. Isso chama “Ações Cirúrgica de Alta Precisão”.

Regra Onze - Os israelenses falam melhor o inglês, o francês, o espanhol e o português que os árabes. Por isso eles e os que os apoiam devem ser mais entrevistados e ter mais oportunidade do que os árabes para explicar as presentes Regras de Redação (de 1 a 10) ao grande público. Isso se chama de “Neutralidade Jornalística”.

Regra Doze - Todas as pessoas que não estão de acordo com as Regras de Redação acima expostas são “Terroristas Anti-Semitas de Alta Periculosidade”.

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08

Jan

09

"Israel já perdeu a guerra da propaganda"

Uma contribuição do Geraldo Hoffmann sobre a guerra midiática que está por trás do conflito israelense-palestino:

Caro Dauro,

acabo de ler dois artigos interessantes sobre a “guerra da propaganda” ou “propaganda de guerra” no conflito do Oriente Médio.

Um é de Peter Philipp, chefe dos correspondentes da Deutsche Welle. Ele conclui que um noticiário confiável tornou-se inviável porque são as partes em conflito que informam – (ou seria desinformam – observação minha) – diretamente a opinião pública.

“Ainda antes da ofensiva terrestre em Gaza, o exército israelense iniciou uma ofensiva de informação na internet, que chegou ao ponto de Israel publicar videoclipes e entrevistas com soldados – supostos blogs – sob um endereço próprio no Youtube. Isso o porta-voz do exército, Benjamin Rutland, explica assim: “Além daquilo que se passa na terra, na água e no céu, consideramos a mídia como uma frente adicional e um local onde de muitas formas a guerra pode ser vencida ou perdida.”

O segundo artigo, do jornal suíço Tagesanzeiger, considerado liberal, tem o título “Israel já perdeu a guerra da propaganda”. “O governo isralense recorre a modernos meios de comunicação, como o portal Youtube, na guerra da propaganda. Também os embaixadores do país em todo o mundo e a porta-voz das forças armadas, Avital Liebovich, incansalvemente dão declarações. Mas as imagens de vítimas desesperadas no território palestino deixam esses esforços ter a aparência de espadas sem corte”, escreve o jornal.

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15

Dec

08

Livro sobre a origem das radionovelas

Ricardo Medeiros vai lançar nesta quarta 17, em Floripa, um livro sobre a origem das radionovelas até a sua chegada no meio radiofônico. O que é Radioteatro sai com o selo da Editora Insular e o apoio da Associação Catarinense de Emissoras de Rádio e Televisão, Acaert. O lançamento é às 19h no Espaço Cultural Jerônimo Coelho, na Assembléia Legislativa. Segue o minicurrículo formal do jornalista e o da minha memória afetiva:

Ricardo é doutor em Rádio pelo Departamento de História da Université du Maine (Le Mans – França). Já publicou Dramas no Rádio – a radionovela em Florianópolis nas décadas de 50 e 60, História do Rádio em Santa Catarina, Caros Ouvintes-os 60 anos do rádio em Florianópolis e CBN Diário: uma luz no apagão. É professor do curso de Jornalismo da Faculdade Estácio de Sá e assessor de imprensa da Secretaria Municipal de Educação.

Ricardo foi a primeira pessoa que conheci no curso de Jornalismo da UFSC quando cheguei a Floripa em 1986, e meu primeiro guia de boêmia catarina. Desde estudante ele já tinha paixão pela expressão oral – tanto que os colegas o chamavam de “coordenador do telefone”. :) Junto com Cacau Lino e Maneca Mendes, fazia um esquete humorístico que animou muitas festanças, a Rádio Fofinha. Como se vê, continuou a carreira fazendo o que gosta. Hoje ele é meu vizinho de bairro.

O quê: lançamento do livro O Que é Radioteatro
Quando
: Quarta-feira, dia 17
Horário: 19h
Local: Assembléia Legislativa de Santa Catarina, espaço Jerônimo Coelho
Preço do livro: R$ 25,00
Número de páginas: 112

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06

Dec

08

A enchente e a publicidade oportunista

Um leitor do blog chama a atenção pro podcast que acompanha esta matéria da Folha de S. Paulo (“Homem que perdeu tudo ajuda a resgatar vítimas da enchente em Santa Catarina”). A primeira coisa que a gente ouve é a dica sobre uma incorporadora de imóveis de onde o desempregado Elson Ferreira da Conceição, com a água até o pescoço e pensando nas crianças e nos idosos ameaçados pelas águas, pode encontrar uma nova casa. “Cirela. Basta um clique”. Comenta o leitor: “Isso é que é jornalismo-cidadão! Põe sensibilidade nisso. ;-)”

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05

Dec

08

Jornalismo, mangaba e direitos humanos

Dia de comemoração! Acabo de saber que a reportagem Tradição Dizimada, escrita por Paola Bello e fotografada por Tatiana Cardeal, ganhou o Prêmio Especial de Direitos Humanos da OAB/RS e do Movimento Justiça e Direitos Humanos. O texto, sobre as dificuldades enfrentadas pelas mulheres catadoras de mangaba de Sergipe, foi publicado em novembro na edição 14 de Observatório Social Em Revista [pdf, 4,3 MB], que tive a honra de editar.

Começa assim a matéria:

Quando as primeiras flores da mangabeira começam a desabrochar na restinga sergipana, não é somente uma nova estação que se aproxima. A cada safra, a incerteza e a angústia de três mil famílias se multiplicam. Liderada por mulheres de pele negra e causas nobres, a catação ou colheita da mangaba é a razão pela qual toda uma comunidade tradicional nordestina está com a existência ameaçada.

A árvore símbolo de Sergipe já foi eliminada em 90% dos territórios nativos no Estado. Nos 10% que restam, a coleta da mangaba é um cabo de guerra onde estão, de um lado, o poder público e grandes investidores, e do outro, comunidades de baixa escolaridade, sem terras ou reservas econômicas, cuja maior riqueza é a tradição que carregam há gerações.

Há anos, os governos estadual e federal constroem discursos sobre os investimentos feitos na região. São milhões aplicados na construção de pontes e rodovias, na monocultura e no incentivo à vinda de grupos estrangeiros de turismo e criação de camarão. Ao mesmo tempo, a modernidade ameaça de extinção atividades que ajudaram a construir a identidade brasileira. (…)

Fico contente que o Observatório Social tenha acreditado no talento da Paola, minha substituta quando encerrei o vínculo formal com a organização em outubro de 2007. Graduada em jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), ela é daquelas profissionais em início de carreira que considero uma jóia rara, pelo talento em farejar boas histórias e contá-las com sensibilidade. Paola tem outros atributos preciosos: humildade, generosidade e coragem. Seu trabalho de conclusão de curso, realizado no ano passado aos 23 anos de idade, foi uma grande reportagem independente sobre refugiados de guerra em Uganda e no Sudão – países pra onde viajou sozinha. Aliás, A lei do mais fraco, publicada na revista Galileu em fevereiro, também ganhou prêmio neste concurso gaúcho (terceiro lugar na categoria Reportagem).

Tou duplamente feliz. Minha amiga Tatiana Cardeal é uma fotógrafa independente com um trabalho admirável na área de direitos humanos, em especial retratando comunidades indígenas, quilombolas e sem-teto. A química entre Tati e Paola, pelo que vejo, funcionou muito bem, e espero que renda mais histórias bonitas no futuro.

Observatório Social Em Revista é um caso singular entre as publicações jornalísticas de organizações do terceiro setor. Em apenas 14 edições, conquistou um Prêmio Esso de Jornalismo Ambiental, dois Prêmios Herzog de Anistia e Direitos Humanos e agora mais este. Tudo isso com recursos limitados e equipe enxuta, mas afiada. E com respaldo (= coragem, um dos atributos a que eu me referi acima) do IOS para mexer em temas polêmicos que envolvem interesses de empresas multinacionais, como foi o caso das reportagens-denúncia sobre trabalho escravo, trabalho infantil, contaminação ambiental e tantas outras. Fui um privilegiado por ter participado desse projeto por cinco anos, e agora, mesmo que a distância, por ter a chance de continuar editando a publicação. Valeu, Paola e Tati, vocês merecem!

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26

Nov

08

A tragédia e a blogosfera

Uma grande rede de comunicação alternativa e solidária se formou espontaneamente como complemento à cobertura da mídia sobre o desastre climático em Santa Catarina. Em muitos casos as informações chegam mais rápido e mais completas.

Alexandre Inagaki, um dos blogueiros mais lidos da internet brasileira, publicou hoje um importante texto sobre como ajudar os desabrigados.

O Alles Blau, blog coletivo sobre notícias de Blumenau, tem feito um trabalho extraordinário de divulgação de informações sobre a tragédia no município, talvez o mais gravemente atingido.

Paulo Henrique de Sousa, em seu blog ph ácido, traz relatos em primeira mão sobre o que está ocorrendo na cidade onde mora, Balneário Camboriú.

Destaque especial para o blog Coluna Extra, do Alexandre Gonçalves, que indexou no topo da página o que as pessoas estão publicando no twitter com as palavras-chave #chuva, #blumenau, #itajaí e #floripa.

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