16
Apr07
Três ingredientes do futuro do jornalismo
“Don´s speak. Point!” A afirmação é de Ethan Zuckerman, co-fundador do GlobalVoices, durante uma palestra em que foi perguntado se achava que os editores de jornais e tevês ainda seriam relevantes nestes dias de jornalismo participativo, ou “cidadão”. A afirmação radical “Aponte para as pessoas e saia do caminho!” se referia ao fato de que os dias em que os jornalistas falavam “em nome das pessoas” ou “para as pessoas” já se foram. Diante da realidade em que informações e opiniões circulam livremente, o papel dos jornalistas está se transformando no de facilitadores, de organizadores do fluxo. Bruno Giussani, no Lunch over IP, cita essa síntese e aponta três ingredientes do futuro do jornalismo.
1. The assembled media, ou mídia feita de partes anexadas a partir de outras fontes – por exemplo, vídeos publicados no youtube que qualquer um pode reproduzir no próprio blog colando um código na página.
Embedding is a win-win situation: You upload something and embed it in your blog: Somehow it becomes “yours” –part of your own blog, of your story, of your online persona — while remaining “theirs.” It maintains their format and branding and extends their reach into your audience. Whatever way you turn it, that’s extremely powerful. And-regardless of whether you’re an individual with a laptop or a large media organization-it heralds a new way of creating, of assembling really, a news or entertainment product. The potential is virtually infinite.
2. The read-write media. Mídia em que a audiência ganha domínio sobre as ferramentas e passa a ser também produtora de informação, contribuindo para a construção coletiva de narrativas.
The collision of new technologies and media is making the “audience” more involved; the tools to gather, treat and distribute information are now in the hands of multitudes. This is transformative.
3. The media as places. Jornais e canais de rádio tevê passam a ser “lugares” onde ocorrem conexões de comunidades.
The direct implication is that the newspaper and the television/radio channel are no longer a mere product –and that they have to relinquish their self-representation as “beacons” or “heralds.” They have to become places. Places where people from the community converge, stop by, make connections and come back again to build a common future.
Para Giussani, a “velha mídia” e a “nova mídia” não são antagônicas, mas complementares, e têm um relacionamento dialético que vai transformar ambas. A nova força dos editores e jornalistas vai depender da sua habilidade de desenvolver novas tarefas: animar um grupo de pessoas; desenvolver formas de organizar como a informação é obtida e utilizada, com a participação do que se costumava chamar “a audiência”; e ajudar as pessoas a navegar em um ambiente de informação a cada dia mais movimentado e instável.
O que isso tem a ver com o futuro do jornalismo? Três coisas, ele diz:
“Primeiro, os jornalistas vão estar aqui por um bom tempo. Segundo, eles não precisam ter medo do que virá, porque isso será excitante e vai expandir bastante suas possibilidades. Mas, em terceiro lugar, eles precisarão se reinventar como uma parte qualificada da multidão, em vez de professores, para se tornarem mais tolerantes à ambigüidade e fluentes tanto nas inovações tecnológicas como nas transformações nas dinâmicas sociais que estão conduzindo o desenvolvimento da mídia”.
O artigo completo está aqui, em inglês.
04
Apr07
Intermezzo em casa nova
O Intermezzo, blog coletivo que há quatro anos promove reflexões sobre jornalismo e comunicação no ciberespaço, está com endereço novo: www.imezzo.wordpress.com . Pra quem assina via RSS, também mudaram os feeds, tanto os de posts como os de comentários.
02
Apr07
Rádio Campeche faz dois anos
Hoje a Rádio Comunitária Campeche completa dois anos no ar, consolidada como uma experiência bem sucedida de comunicação democrática a serviço dos moradores do bairro. Quando você estiver no Campeche e arredores, sintonize 104.9 FM e confira a qualidade da programação. No sábado, dia 7, a partir das 15h, vai haver uma festa na sede da rádio pra marcar a ocasião.
06
Mar07
Os postais de Cingapura
A Nessa comenta que isso de fazer conexões mentais com outras pessoas acontece seguidamente com ela. Vou contar outra: em 1993 eu estava em Cingapura a trabalho. Pensei num grande amigo carioca que vive nos Estados Unidos, o mímico Antonio Rocha, e em como ele gostaria de conhecer aquele lugar. Eu passava perto de uma agência de correios, aí aproveitei e mandei um postal pra ele. Quando a viagem terminou e cheguei em casa, em Floripa, encontrei um postal dele pra mim. Escrito em Cingapura! Exatamente no dia em que eu enviei o meu postal! Imagino a cara dele quando chegou em casa no Maine e abriu a caixa do correio. Dá pra acreditar? Fomos pra um lugar improvável no outro lado do mundo, sem avisar um ao outro – eu trabalhando, ele de lua-de-mel -, estivemos na mesma cidade-país e não nos encontramos fisicamente, mas a sincronicidade aconteceu! Você acha que dá pra chamar isso de telepatia ou foi só coincidência?
06
Mar07
O dissidente da verdade
Morreu hoje aos 77 anos Jean Baudrillard, sociólogo e fotógrafo francês, polêmico crítico da mídia e do consumismo. Suas obras inspiraram a trilogia de filmes Matrix, que ele achou divertida, mas uma leitura ingênua da relação entre ilusão e realidade:
“Prefiro filmes como Truman Show e Cidade dos Sonhos, cujos realizadores perceberam que a diferença entre uma coisa e outra é menos evidente.”
Em 2003 ele concedeu esta entrevista a Luís Antônio Giron, da Época, com um bom resumo de suas idéias. Trecho:
“Sou um dissidente da verdade. Não creio na idéia de discurso de verdade, de uma realidade única e inquestionável. Desenvolvo uma teoria irônica que tem por fim formular hipóteses. Estas podem ajudar a revelar aspectos impensáveis. Procuro refletir por caminhos oblíquos. Lanço mão de fragmentos, não de textos unificados por uma lógica rigorosa. Nesse raciocínio, o paradoxo é mais importante que o discurso linear. Para simplificar, examino a vida que acontece no momento, como um fotógrafo. Aliás, sou um fotógrafo.”
07
Feb07
Sabonetes, comunicação e monopólio
“Na região Sul do Brasil, que abrange três estados, um único grupo, o RBS, possui mais de 40 empresas de comunicação, fatura 1 bilhão de reais por ano e tem o domínio de virtualmente 80% da audiência de rádio e de TV e da circulação dos jornais…. enquanto uma fábrica de sabonetes, pelas leis antimonopolistas, não pode ter mais de 40% do mercado, as empresas de comunicação de massa, cruciais na formação da democracia no Brasil, violam tranquilamente a lei e chegam a altas concentrações de mercado”.
Bernardo Kucinski, em seus “ensaios sobre o colapso da razão ética”, apontando os 10 paradoxos do jornalismo. O sexto paradoxo trata da concentração monopolista dos meios de comunicação no Brasil. [tks Casara]. Ele escreveu isso antes da compra do jornal A Notícia.
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Salsichas, jornais e tevê: se você souber como são feitos…
10
Jan07
A Idade da Pedra, um ano depois
Anteontem o jornal O Globo repercutiu a denúncia feita há um ano pela revista do Observatório Social sobre trabalho infantil na cadeia produtiva de multinacionais. A reportagem, de autoria de Marques Casara, com fotos de Sérgio Vignes e editada por mim, ganhou menção honrosa no Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos em 2006.
O jornal informa que Basf, Tintas Coral e Faber-Castell, apontadas como compradoras da matéria-prima, serão intimadas pelo Ministério Público do Trabalho a assinar um Termo de Ajuste de Conduta (TAC). Das três multinacionais envolvidas, só a Basf não reconhece o problema. Tintas Coral e Faber-Castell romperam relações com os fornecedores de talco, tomaram medidas para reforçar o controle dos fornecedores e repudiaram com veemência o uso de trabalho infantil. A Faber-Castell doou material didático para as escolas da região.
O Globo também mostra com exclusividade que a empresa Minas Talco, que pagava pelo minério empilhado pelas crianças, admite, pela primeira vez, não ter nenhum tipo de controle sobre a cadeia produtiva. Mais aqui
08
Jan07
Sexo, censura e videotape
O caso da perseguida tá virando perseguição. Desde sábado a Brasil Telecom bloqueia o acesso dos usuários de internet ao youtube, atendendo decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo. A justiça acatou pedido do advogado de Daniela Cicarelli pra bloquear acesso ao polêmico vídeo da modelo transando na praia. A BT alegou não ter condições técnicas de bloquear só o motivo da celeuma. Então adotou o método chinês e barrou o saite inteiro com milhões de outros vídeos. Medida inócua, aliás, porque a relada ao ar livre se espalhou pela web. Também já circulam e-mails ensinando como driblar a censura ao portal. Afinal, o que o vídeo da minha cadela brincando com meu gato tem a ver com isso?
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9.1
Update 1: Começou o boicote à modelo e também à MTV, onde ela trabalha.
Update 2: O juiz mandou desbloquear o youtube.
06
Jan07
There´s no shelf
(…) One reason Google was adopted so quickly when it came along is that Google understood there is no shelf, and that there is no file system. Google can decide what goes with what after hearing from the user, rather than trying to predict in advance what it is you need to know. (…)

Somente links (não há sistema de arquivos)
Bom artigo sobre o novo paradigma de organização de informações. Saem de campo os mapas hierárquicos, entram com tudo os links e tags. Não por acaso, a maneira Yahoo de organizar arquivos por diretórios foi logo sucedida pelo modo Google. “Não há mais estante”. Isso interessa não só aos bibliotecários. Tem tudo a ver com colaboração, inteligência coletiva e modos mais produtivos de construir conhecimento.
Ontology is Overrated: Categories, Links, and Tags.
Clay Shirky
18
Oct06
Zero de outubro
A edição de outubro do Zero, jornal-laboratório do curso de jornalismo da UFSC, traz só entrevistas com jornalistas, realizadas por ocasião da V Semana de Jornalismo da UFSC. Clóvis Rossi, Maurício Dias, Juvan de Souza Neto, Renan Antunes, Marcelo Canellas, Juca Kfouri, Juca Varella e, na contracapa, uma anti-entrevista com Ricardo Kotscho, à la Gay Talese com Sinatra (“blue eyes” se recusou a falar com o jornalista americano e este fez um perfil clássico do cantor). O polêmico Renan Antunes de Oliveira, que em 2004 havia desistido do jornalismo e trabalhava como porteiro de hotel quando soube que ganhou o Prêmio Esso de Reportagem, deu a palestra encapuzado com um pano de chão, em protesto contra os profisisonais “mascarados” e em especial, Kfouri.
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O saite do Zero tá desatualizado. A edição impressa pode ser encontrada nas bancas de jornais da UFSC e arredores ou pedidas pelo correio pra Curso de Jornalismo (UFSC-CCE-JOR), Trindade, CEP 88040-900 – Florianópolis – SC.
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Com 24 anos de existência, o Zero acumula quase uma dezena de premiações que reconhecem seu valor como espaço de formação de jornalistas independentes, ousados e críticos. Tive a honra de publicar algumas matérias nele quando era estudante. Os festivos e trabalhosos dias de fechamento da edição, em que às vezes virávamos a noite preparando as reportagens e fotos, foram aulas práticas que estão gravadas pra sempre na minha memória afetiva. Muitos méritos do jornal se devem à dedicação apaixonada do professor Ricardo Barreto, que coordenou o projeto por 15 anos e agora passa o bastão adiante.










