01
Aug08
O que a censura tem a ver com sua vida
César Valente volta a comentar em seu De Olho na Capital sobre a censura judicial a um blog e um jornal em Santa Catarina, por solicitação de candidato a cargo eletivo que se sentiu ofendido. Ele alerta que o fato tem a ver com cada um de nós:
Hoje não se pode xingar um candidato, amanhã não se poderá falar mal de um jogador de futebol (hoje já se corre riscos ao criticar dirigentes de clubes de futebol e cartolas das federações), depois nos impedirão de cantarolar a música de nossa preferência. Assobiar em locais públicos, então, só se pagarmos as taxas do Ecad.
Que muitos candidatos sejam ignorantes quanto aos princípios democráticos, não é surpresa. Só essa evidência já deveria servir como critério pra que os eleitores os expurgassem da política. O mais lamentável é que alguns magistrados, dos quais se espera preparo e equilíbrio para aplicar a lei, não consigam compreender a essência do que diz a Constituição Federal. Seu artigo quinto assegura liberdade de expressão no país, desde que cada um assuma a responsabilidade pelo que diz. Os que se sentirem prejudicados podem recorrer à Justiça pedindo reparação depois da suposta ofensa ter sido cometida.
“…
IV – é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;
V – é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral ou à imagem;
…”.
31
Jul08
Censura
Com a chegada da campanha política, retornam as ações de censura à liberdade de expressão por parte do judiciário em primeira instância. Detalhes no blog De Olho na Capital.
29
Jul08
O racha no Sindicato dos Jornalistas de SC (2)
Saiu novo manifesto com o outro lado. Em resumo, os integrantes da chapa 1 dizem que o processo eleitoral tem sido democrático e transparente. Convidam a categoria ao diálogo aberto e à união. A íntegra está no blog do César Valente.
~
Lamentável não haver uma chapa 2. Essas diferenças seriam resolvidas no voto, com a saudável alternância de poder se assim os eleitores decidissem.
29
Jul08
O racha no Sindicato dos Jornalistas de SC
Fiquei de cara com o racha pré-eleitoral no Sindicato dos Jornalistas de SC, explicitado neste manifesto no blog do Rogério Christofoletti. Que o Sindicato está distante de parte significativa da base e defasado quanto a várias questões de nosso tempo, eu já sabia (digo isso com a tranqüilidade de sindicalizado há duas décadas e, portanto, com direito de dar pitaco). Mas não imaginava que a coisa chegasse ao que está descrito no documento.
A grande novidade desta eleição, marcada pra 6 de agosto, é que pela primeira vez em muitos anos a chapa única não resulta de consenso. Em resumo, os colegas insatisfeitos alertam que o processo eleitoral está sendo conduzido de forma autoritária e com interesses político-partidários, o que inviabilizou a construção de uma chapa que representasse a diversidade de pensamento dos profissionais (e já esgotou o prazo pra criação de uma chapa 2).
Prefiro não subscrever o manifesto porque estou afastado do dia-a-dia da entidade e não acompanhei o caso desde o início. Mas os nomes dos que assinam são gente de credibilidade. Ex-dirigentes sindicais com um histórico de lutas importantes pro fortalecimento da profissão, como Ayrton Kanitz, Celso Vicenzi, Francisco Karam, Gastão Cassel, Luis Fernando Assunção, Maria José Baldessar, Samuel Pantoja Lima, Valdir Cachoeira e outros.
Conheço alguns integrantes da chapa 1 e são gente boa. Mas se o povo todo que assinou o manifesto adverte pro risco da transformação do sindicato em braço de partido político, então fico com os dois pés atrás. Cá de minha rede no quintal, aguardo os desdobramentos, concordando com o que diz o Cesar Valente: eleição com chapa única é uma chatice. Ao que parece, é o que teremos no dia 6. Espero que a crise sirva pra sacudir os ânimos e recolocar o SJSC no papel que lhe cabe.
13
Jul08
Palavra Cantada encerra mostra de cinema
E hoje chega ao fim a 7a. Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis. Foram 17 dias intensos, 106 filmes exibidos para 25 mil crianças, pré-estréias nacionais, debates instigantes, muita pipoca e emoção. Fiz a assessoria de comunicação junto com as amigas e colegas Kátia Klock, Adriane Canan e Cleide de Oliveira, com apoio do Vinicius Muniz no making of. Foi cansativo, mas um privilégio e um grande aprendizado. Tivemos ampla cobertura da mídia e foi nítido o salto de qualidade da Mostra, que acompanho há alguns anos como pai-espectador. É uma alegria imensa ver que o trabalho da Luiza Lins, mãe do evento, ganhou dimensão tão importante pra cultura local e nacional. A onda de beleza gerada em Floripa vai chegar até a Suécia, que em março de 2009 recebe, no Festival de Financiamento de Malmö, um projeto de filme brasileiro selecionado aqui.
Vou guardar muitas lembranças boas desses dias. Do Centro Integrado de Cultura ao Hotel Majestic, de Palhoça aos bairros de periferia, a Mostra irradiou magia pra muitos meninos e meninas que tiveram o primeiro contato com o cinema. Vi lágrimas no rosto de professoras e a alegria com que o pessoal da produção trabalhou pra que o evento tivesse a melhor qualidade possível. Acompanhei a pintura da tela gigante “Eu no mundo” pelas crianças da comunidade Chico Mendes, na oficina Palavra Pintada. A maneira bonita como elas foram desarmando suas couraças em meio a atividades de massagem, dança e canto. O sorriso orgulhoso da meninada que fez a oficina de dublagem ao ver exibido o seu trabalho pro público. O insight dos participantes da oficina de flipbook ao se darem conta, nos bloquinhos de papel, de como funciona a ilusão de ótica do cinema. É um evento em que os sonhos e esperanças ganham posição de destaque. Uma delas, a de que as crianças brasileiras possam ver cada vez mais sua própria cultura nas telas de cinema e tevê. “É uma questão de segurança nacional”, disse alguém num dos debates. A gente chega lá.
Três momentos especialmente marcantes pra mim: o comentário da querida amiga Gilka Girardello, professora da UFSC, de que só vamos perceber todo o alcance da Mostra daqui a vinte anos, quando essa platéia de crianças e adolescentes estiver adulta, produzindo e criando; Alemberg Quindins, da Fundação Casa Grande, com seu sotaque cearense que me é tão familiar, lembrando que a infância é um estado de espírito e que ele, aos 42 anos, tem um quarto de brinquedos e almoça e janta pra esperar a sobremesa; e os olhos azuis brilhantes da Heleninha Gassen, atriz do curta Leste do Sol, Oeste da Lua (de Patrícia Monegatto Lopes), ao me contar que tem vontade de trabalhar em cinema ou televisão quando crescer. Foram dias bem felizes e encantados. A Mostra encerra hoje com o anúncio do melhor filme escolhido por júri infantil e com duas apresentações do novo espetáculo do grupo Palavra Cantada, com nome bem adequado a esta celebração da diversidade cultural: Carnaval.
Fotos: Cleide de Oliveira
p.s.: O filme vencedor da Mostra foi O mistério do cachorrinho perdido, do diretor paulista Flávio Colombini.
p.s.2: Galeria de fotos do show do Palavra Cantada (por Cleide de Oliveira).
12
Jul08
Boataria x Informação
De Olho na Capital reproduz a íntegra do editorial publicado hoje no Diarinho pela diretora de redação, Samara Toth Vieira, sobre a fracassada tentativa de apreender a edição que trazia reportagem-denúncia contra o prefeito de Itajaí, Volnei Morastoni. O prefeito está sendo investigado pela Procuradoria da República por supostas irregularidades que favoreceriam aliados em concurso público para o porto do município.
07
Jul08
A cor da voz
O Diário Catarinense de hoje traz entrevista da repórter Alícia Alão com meu irmão Leonardo Camillo sobre dublagem. Neste fim de semana ele fez uma oficina pra 15 crianças e pré-adolescentes durante a 7a. Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis. Se você já viu filmes dublados com Nicolas Cage, John Travolta, Kevin Costner, Pierce Brosnan (007), o Jesus de Zefirelli, o Ikki de Fênix da série de animação Cavaleiros do Zodíaco e o dinossauro Barney, entre tantos outros, com certeza já ouviu a voz dele. Trecho:
DC – E o mercado, como está?Camillo
– É um mercado restrito em termos de elenco. Porque formar um elenco de dublagem não é da noite pro dia. É diferente de qualquer outro meio de interpretação, do teatro, da TV, do cinema. É uma coisa muito específica e não trabalha só com interpretação, mas também com uma parte técnica que muita gente não consegue se adaptar. Muitos entram na dublagem e não têm paciência pra crescer na área, porque no começo não compensa financeiramente. Você acaba se afastando. Fica quem realmente gosta. Transformar um dublador para fazer grandes papéis, papéis centrais, demora no mínimo uns cinco anos. O elenco acaba sendo umas 300 pessoas, mais ou menos, e só em RJ e SP. Mas trabalho tem bastante!DC – O dublador não tem tanto reconhecimento do público quanto um ator de TV ou teatro. O que você acha disso?
Camillo – Nunca fui um carreirista, que faz para aparecer. Meu objetivo sempre foi interpretar. Eu me sinto com sucesso. Acontece que a dublagem sempre foi muito presa ao estúdio, anônima mesmo. Eu costumo dizer que dublagem tem um divisor de águas, há uns 12 anos, antes e depois de Cavaleiros do Zodíaco. Depois do Cavaleiros, começou um movimento nacional de fãs de anime. Tem eventos de anime em todas as regiões do país, todos os anos. E eles veneram o trabalho dos dubladores. Sabem tudo o que a gente faz, respeitam, reconhecem, querem saber, pedem autógrafos. Semana que vem estarei em Fortaleza, na outra em Recife, sempre nesses eventos, dando palestras, fazendo oficinas. Depois de Cavaleiros do Zodíaco, a coisa saiu do estúdio, os fãs sabem muito mais que eu das coisas que eu faço. Então saiu do anonimato.
p.s.: Alícia é uma repórter de texto sensível e afiado, com grande senso de observação pros detalhes, como o que ela captou pra abrir a matéria e virou título. Uma das melhores coberturas da Mostra tem sido a dela. Feliz do editor que pode contar contar com alguém assim na equipe.
27
Jun08
Mostra de Cinema Infantil de Floripa começa hoje
A 7a. Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis começa hoje às 14h no cinema do CIC, com a pré-estréia nacional do filme “Pequenas Histórias”, do cineasta mineiro Helvécio Ratton (sessão para estudantes de escolas públicas pré-agendadas; no sábado haverá nova exibição aberta ao público). Às 19 horas, no CIC, acontece a abertura oficial para imprensa e convidados.
Durante a recepção, a diretora da Mostra, Luiza Lins, e o coordenador institucional da Programadora Brasil, da Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, Frederico Cardoso, assinam protocolo de parceria para dar acesso da Programadora aos filmes inscritos na Mostra. A proposta é oferecer audiovisuais em séries de DVD, por meio de permissão de uso, para pontos de exibição de circuitos não comerciais em todo o país: escolas, universidades, cineclubes, centros culturais etc.
A programação completa da Mostra está aqui. Colegas jornalistas que precisarem agendar pautas e de mais informações, entrem em contato com a gente pelo e-mail imprensa [arroba] mostradecinematinfantil [ponto] com [ponto] br ou pelo telefones (48) 3225 7993 (assessoria de imprensa); 48/ 9989 4202 (Kátia Klock); 9633 9912 (Adriane Canan) e 9922 9700 (Dauro Veras, este que vos tecla).
20
Jun08
Cinema Infantil em Floripa
Vem aí a 7a. Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis. Com muita satisfação vou fazer assessoria de imprensa do evento, junto com a Adriane Canan e a Kátia Klock, que coordena a comunicação. A Mostra começa dia 27 de junho e, durante 17 dias, tem a meta de levar o cinema a 25 mil crianças, boa parte delas de escolas públicas. Cousa linda! Colegas jornalistas e blogueiros que tiverem interesse em divulgar, me dêem um toque que envio releases.
19
Jun08
Demissão coletiva na Caros Amigos
A jornalista Elaine Tavares, colaboradora da Caros Amigos, escreve sobre a demissão coletiva que fez a revista murchar feito um balão furado. Azedou o clima depois da morte do editor Sergio de Souza. A demissão do secretário de redação Thiago Domenici, “por telefone e sem direito a aviso prévio”, desencadeou um efeito dominó de gente pedindo pra sair em solidariedade ao colega. Entre eles meu amigo e brilhante repórter Fernando Evangelista, em quem já falei algumas vezes aqui. Dá uma pontada de tristeza ver um projeto editorial como esses ir pro saco. Mas assim é a vida. Como diz a Elaine, essa galera que está de saída vai parir o novo.







