02
mai09
Wired conta de onde veio o ancestral da gripe suína
Reportagem publicada ontem pela Wired Science aponta que o “ancestral” do vírus da gripe H1N1 surgiu em 1998 em fazendas industriais nos Estados Unidos.
Swine Flu Ancestor Born on U.S. Factory FarmsScientists have traced the genetic lineage of the new H1N1 swine flu to a strain that emerged in 1998 in U.S. factory farms, where it spread and mutated at an alarming rate. Experts warned then that a pocket of the virus would someday evolve to infect humans, perhaps setting off a global pandemic.
The new findings challenge recent protests by pork industry leaders and U.S., Mexican and United Nations agriculture officials that industrial farms shouldn’t be implicated in the new swine flu, which has killed up to 176 people and on Thursday was declared an imminent pandemic by the World Health Organization. (…)
Wired Science – News for Your Neurons
30
abr09
A gripe suína e o poder da indústria pecuária
Pra quem tem interesse em saber o que está por trás da origem da gripe suína, recomendo a leitura de um artigo de Mike Davis, professor no departamento de História da Universidade da Califórnia e especialista nas relações entre urbanismo e meio ambiente. O texto foi publicado dia 27 no Guardian e sua tradução em português, por Katarina Peixoto, está no Carta Maior. Davis alerta para os riscos da industrialização empresarial da pecuária:
Em 1965, havia nos EUA 53 milhões de porcos espalhados entre mais de um milhão de granjas. Hoje, 65 milhões de porcos concentram-se em 65 mil instalações. Isso significou passar das antiquadas pocilgas a gigantescos infernos fecais nos quais, entre esterco e sob um calor sufocante, prontos a intercambiar agentes patógenos à velocidade de um raio, amontoam-se dezenas de milhares de animais com sistemas imunológicos debilitados. Cientistas advertem sobre o perigo das granjas industriais: a contínua circulação de vírus nestes ambientes aumenta as oportunidades de aparição de novos vírus mais eficientes na transmissão entre humanos. (…)
Coincidentemente, esta semana o videodocumentário Espírito de Porco, que Chico Faganello e eu dirigimos (com recursos do Prêmio Cinemateca Catarinense), foi finalizado e entregue à Fundação Catarinense de Cultura. Entre as questões levantadas pelo filme está o confinamento na criação industrial, que tem reflexos no bem-estar dos suínos e, por tabela, dos humanos, na água, no solo e no ar (“é o cheiro do dinheiro”, brincam alguns moradores do Oeste do estado, naqueles dias quentes em que a merda de porco é captada pelo olfato a quilômetros de distância).
Santa Catarina tem uma das maiores concentrações de suínos do mundo – o rebanho supera as 50 milhões de cabeças, ou dez porcos para cada habitante. Por motivos econômicos, governo e indústria têm se esforçado em disseminar a ideia de que o problema não tem nada a ver conosco. Mas os alertas vindos de todo o planeta indicam que seria sensato pensar grande e com visão de longo prazo, isto é, fazer uma reflexão profunda sobre a validade do atual modelo de produção de carne. Nosso documentário não tem respostas prontas, quer mesmo é estimular o debate. Em breve vamos exibi-lo ao público, primeiro no oeste de Santa Catarina e depois em Florianópolis e festivais.
29
abr09
Informações sobre gripe suína
Bem boa esta matéria do Bom Dia Brasil, da Globo, sobre a gripe suína, e também a série de perguntas e respostas sobre o risco e a prevenção, publicada no portal G1. Reportagens esclarecedoras e sem alarmismo.
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Cesar Valente citou no De Olho na Capital o saite que dois cientistas criaram voluntariamente no dia 27 com informações em português sobre prevenção, tratamento e contenção. É bem fundamentado e referenciado, mas aplicável somente SE a gripe chegar por aqui botando pra quebrar, como já ocorre no México.
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Nessas orientações do doutor em epidemiologia Wladimir J. Alonso e da doutora em zoologia e profissional de TI Cynthia Schuck-Paim, me chamou a atenção uma divergência quanto à recomendação de duas fontes com bastante credibilidade:
* Nota: nós respeitosamente discordamos da recomendação de alguns órgãos (como o Center of Diseases Control dos EUA e o Ministério de Saúde do Brasil) que pessoas com suspeita de gripe suína devam “Procurar assistência médica na unidade de saúde mais próxima”. Dado o potencial pandêmico desta cepa viral, é fundamental que suspeitos de terem esta doença evitem circular por locais públicos. Casos suspeitos deveriam ser comunicados por telefone, através do qual instruções de contenção seriam repassados ao paciente e pessoas próximas, e imediatamente uma equipe com equipamentos adequados de biosegurança se deslocaria ao local. Este tipo de medida é fundamental principalmente no primeiro estágio de propagação.
O que eles dizem parece fazer sentido. Mas, sem qualquer condição de opinar sobre a polêmica (que não é detalhe bobo, pois pode envolver a diferença entre a vida e a morte de muita gente), cá fico em minha ignorância, agora ligeiramente reduzida com a leitura desse material todo.
24
abr09
Liga, roda, clica
Da Laura, no blog Leiturama:
Fazia um tempinho que eu não lia nada muito acadêmico e em fevereiro peguei para ler o livro Liga, roda, clica, organizado pelas amigas Gilka Girardello e Monica Fantim.São 12 artigos que tratam das relações entre a criança e as novas tecnologias. O que me chamou atenção foi:
- Estação Memória: projeto interessante em SP, em que em entrevistas idosos contam a história do bairro e de sua infância, compartilhando com as novas gerações.
- Como todos nós, os educadores estão um pouco perplexos e não sabem direito o que fazer e como entender sobre a relação das crianças com o computador.
- Fiquei um pouco perturbada com a declaração da Bebel de que a escola, que antes era o espaço do saber, luta para manter um espaço de relevância.
- Gilka nos lembra: jogos violentos e muito realistas não ajudam a estimular a imaginação.
- Em um artigo sobre como as crianças retratam o corpo, Ingrid conta de uma menina que tinha fixação em se manter magra. Detalhe: a menina não era gorda e tinha apenas 5 anos.
O livro não se propõe a oferecer respostas prontas. Não é nada do tipo o que fazer, como fazer. Mas vez ou outra dá para pescar recados interessantes, do tipo: mediar a relação das crianças com a tecnologia é uma tarefa de todos – da escola, da família, de todos nós. Para isso, é preciso que a gente mesmo comece a usar e descobrir coisas legais. Outro recado: vale muito a pena procurar experiências off-line, que ampliem cada vez mais a diversidade cultural das crianças.
Para finalizar, aí vai um vídeo bem bacana do TED “Escolas matam a criatividade?”:
19
nov08
Acesso a medicamentos
Saiu hoje no Valor Econômico uma matéria minha sobre acesso a medicamentos que é uma boa notícia pra quem sofre de doenças como câncer, hemofilia e aids. A partir de 2011 o Brasil conquista a autosuficiência em cinco hemoderivados, que vão ser fornecidos de graça ao Sistema Único de Saúde (SUS). A matéria também aborda os genéricos, que desde o lançamento em fevereiro de 2000, já representaram uma economia de R$ 9,6 bilhões no bolso dos brasileiros; e o avanço dos medicamentos fitoterápicos no país – aqueles fabricados a partir de plantas medicinais.
18
out08
A obsessão por crescimento
A revista britânica New Scientist desta semana traz reportagem de capa defendendo uma coisa que vem sendo martelada há tempo pelo movimento ambientalista, mas que os timoneiros globais fazem questão de ignorar: a obsessão por crescimento está matando o planeta e precisa ser revista. Li um resumo aqui. Andrew Simms, diretor da New Economics Foundation, de Londres, levanta uma questão instigante:
“Só foi preciso alguns dias para que os governos da Grã-Bretanha e dos EUA abandonassem décadas de doutrinas econômicas para tentar resgatar o sistema financeiro de um colapso. Por que tem que demorar mais para introduzirem um plano para deter o colapso do planeta trazido por uma conduta irresponsável e ainda mais perigosa chamada obsessão pelo crescimento?”.
Arrisco dois palpites como resposta: ganância e acomodação. Movem-se fortunas para salvar o sistema financeiro do colapso porque a idéia é não deixar a zona de conforto. É para que os ricos continuem ricos e o sistema continue a se mover como tem sido até agora. Um esforço proporcional na direção de uma mudança para uma economia planetária sustentável exigiria desprendimento, altruísmo, revisão profunda de valores. Isso só vai acontecer quando a água começar a bater na bunda dos ricos. E aí talvez seja tarde.
p.s. Contraponto: pra quem ainda não viu, recomendo este vídeo do genial (e “politicamente incorreto”) humorista americano George Carlin (1937-2008), Save the Planet. Ele ironiza a obsessão dos ambientalistas em “salvar o planeta”. Reflete que o planeta vai relativamente bem, pois já resistiu a cataclismos bem maiores. Nós humanos é que estamos prestes a ir embora.








