Posts com a categoria ‘humanos’

15

Sep

09

De Dubai via SMS

Marques Casara está viajando para a China com sua mulher Tatiana Cardeal, que vai receber um prêmio internacional de fotografia. Na escala de oito horas em Dubai – onde estão neste instante – ele conversou comigo via mensagem de texto de celular.

Eu: - Conta alguma coisa daí.

Marques Casara: – Fizemos um táxi tur das 2 às 4 da manhã. No mar ilhas artificiais gigantes construídas com pedras importadas do Egito. Milhares de obras tocadas por imigrantes indianos. Palácios riquíssimos. Obras, obras, obras. Paraíso da desigualdade. Indianos erguem a cidade no deserto a 300 dólares por mês. No hotel aqui perto, diárias a 2.500, jantares a mil dólares.

- Paraíso da desigualdade? Então cês tão se sentindo quase em casa. Tou vendo Dubai no mapa. Do ladim do Irã, Arábia Saudita, Iraque, Paquistão, Índia… Nada mal pruma outra viagem.

- Cruzamos o Golfo Pérsico no início da noite de domingo. A poltrona da Emirates é uma plataforma interativa com quatro câmeras do lado de fora do avião. Centenas de filmes, música, jogos e até telefone e e-mail com cartão de crédito pra quem tem bala.

- Você compraria um terreninho em Dubai?

- Pra comprar um terreno entra na lista. A cada 17 anos escolhem os felizardos. Ap de 1 quarto em algumas ilhas a US$ 4 milhões. Para abrir um negócio, só com sócio local.

- Choque cultural?

- Aqui é cosmopolita. Miami árabe. Cidades islâmicas ao redor são hipertradicionais. Essas eu queria ver. Recebeu a foto?

- Ainda não. Tuitei: de Dubai via SMS. Um papo entrevista com Marques Casara acontecendo agora.

- Os jornais impressos vão acabar. Vi o papel digital, fosco, lindo, não cansa a vista, toca música e interage com você.

- Hahahaha. Recebi a foto. Já tá no blog.

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20

Aug

09

Chegadas: Leo

Nasceu hoje às 9h23 em Brasília, pesando 3,345 Kg e com 50 cm, o LEO, filho do Lúcio Lambranho e da Cristina Gallo. Parabéns ao trio! E também ao mano maior do Leo, o lindo Matheus-blue-eyes.

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19

Aug

09

Nane e as mulheres que dizem ‘sim’ pra si mesmas

Dou continuidade à série Humanos com minha amiga Eliane (Nane) Faganello de Som, catarinense de Seara que vive em Stuttgart, Alemanha, com o marido e a filha. Nane é psicóloga e faz um bonito trabalho com mulheres em situação de vulnerabilidade – principalmente as de origem turca e de outros países muçulmanos. Ao mesmo tempo em que as ajuda a se alfabetizarem em alemão, ela estimula o fortalecimento da autoestima dessas imigrantes, para que enfrentem o machismo e conquistem seu lugar no mundo. Não por acaso, usa o método Paulo Freire.

Propus entrevistá-la e ela concordou. Antes que eu fizesse as perguntas, me enviou como introdução um relato tão rico, tão impregnado de força e generosidade, que achei melhor publicar assim mesmo, em primeira pessoa. O depoimento que se segue está praticamente na íntegra. Suprimi só um ou outro detalhe agora irrelevante, como a proposta de que fizéssemos a entrevista pelo skype e a referência a férias no Brasil. “Dauro, eu não sei escrever curto e bonito, como os bons jornalistas”, me disse ela. “Também não sei pôr as vírgulas nos lugares certos e me perco em análises”. Pois eu discordo, Nane. Adorei seu texto.

p.s.: a Nane é parceirona no filme Espírito de Porco desde os primeiros passos, quando fez uma ampla pesquisa em bibliotecas alemãs. Coautora do roteiro, deu sugestões sempre pertinentes durante toda a produção e edição do documentário.

Devo dizer que não sou tão interessante como tu pensas, nem o meu trabalho tem dimensões tão grandes a ponto de eu imaginar que possa vir a melhorar o mundo. Dentro deste microuniverso em que estou envolvida faço coisas simples, que me permitem uma certa movimentação intelectual e me dão muita alegria. Sei que ajudo essas pessoas e isso me faz bem. Também eu me defronto com o novo, aprendo e me transformo. E é legal assim.

Trabalho em vários lugares, ou seja, em instituições certificadas que recebem dinheiro público para projetos sociais, sobretudo na área de política de integração, que é um dos temas centrais dos últimos dez anos. O governo e a União Européia repassam o dinheiro dos projetos sociais e interculturais para essas instituições, que se encarregam de contratar pessoas e instrumentálizá-las para o trabalho. Tudo é com certificação e qualificação e acompanhado de cursos de aperfeiçoamento, certificados e coisa e tal.

Num desses lugares, trabalho com um grupo de mulheres de várias nacionalidades e religiões, como turcas muçulmanas, curdas alevitas, albanesas desorientadas e até uma brasileira mal-tratada pelo marido. São mulheres que precisam de uma certa estabilidade emocional e que ninguém, na verdade, sabe o que fazer com elas. A forma de conseguir fazer com que elas saíssem de casa foi criando um grupo de alfabetização, o que é aceito pelas famílias e legitimado pelo governo. Assim, o espaço de alfabetização é a possibilidade de sair de casa, de se defrontar com outros valores e realidades e de questionar a sua própria.

Tenho plena consciência de que muitas delas jamais abandonarão seus véus, mas também não precisam, nem essa é a proposta. O fato delas se sentirem respeitadas em sua cultura, língua e religião, faz com que aprendam a aceitar as outras culturas ao seu lado. Elas se tornam mais conscientes, tolerantes e capazes de dizer: ” Ich bin ok, wie ich bin. Du bist ok, wie du bist.” O que quer dizer: “Eu sou legal como eu sou. Você é legal como é.”

A questão central do trabalho é a alfabetização e a manutenção destas mulheres num curso ou em algum lugar onde possam se defrontar com seus próprios valores. Eu ajudo elas a pensar sobre a língua, sobre o processo de alfabetização, sobre problemas nunca tematizados e a resgatar um pouco da sua identidade.

Não posso dizer que sou alfabetizadora, porque são elas mesmas que se alfabetizam, através da leitura do seu mundo e da sua posição na história. Eu ajudo elas a se manterem no grupo, a pensarem sobre temas difíceis e complexos, como sua própria família e a realidade onde vivem. Também não posso dizer que sou psicóloga, nos modelos tradicionais. Sou uma psicóloga que trabalha com pessoas em processo de alfabetização, de aprendizagem e de reestruturação da sua própria identidade.

O grupo é bem heterogêneo e da análise da realidade individual e grupal surgem palavras para escrever (e elas escrevem desesperadamente, Dauro!). As palavras selecionadas, resultantes de nossas conversas são escritas e trabalhadas, como no método Paulo Freire e aos poucos elas conseguem ler cartazes, livros e a sua própria vida.

Normalmente surgem temas pesados para conversas, tais como Gewalt (violência), Wut (raiva), schlagen (bater) e nas últimas semanas surgiram questões belíssimas: – por que só as mulheres muçulmanas não podem casar quando o marido morre? Ou ainda, por que os homens podem casar de novo, mas as mulheres não? Por que as mulheres muçulmanas não podem freqüentar piscinas mistas, mas os homens sim?

Trabalho com este grupo duas vezes por semana e muitas das mulheres têm “desabrochado”, dia por dia, como diria o padre Pinto. Festejamos o carnaval com música árabe e saí cambaleando de tanto comer daqueles charutinhos de folha de parreira recheados com carne de ovelha, mas confesso que nunca vi aquelas mulheres tão felizes.

Uma delas perdeu a família no Iraque, trata um câncer de mama e é tiranizada pelo marido, que a controla pelo celular, chamando-a para preparar chás e coisas a fins. Na semana passada ela conseguiu dizer “não” a ele, pelo telefone, de uma forma tão serena e educada que as outras aplaudiram. Eu sinalizei, no final, que ela estava dizendo “sim” para ela mesma. Daí elas escolheram uma palavra bem bonita para trabalhar nos próximos dias: respeito.

Um abraço bem grande,

nane


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13

Aug

09

Dia do Canhoto

Hoje é Dia do Canhoto, me deem os parabéns. Pra mim e pra 15% da humanidade.
~
A canhotice rende inúmeros posts, mas hoje não. Acordei com o pé esquerdo.
~
Tenho um irmão que é ambidestro. Bate com as duas.

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12

Aug

09

Muito obrigado, Marcelo

Recebi do Raulzito e publico na íntegra.

Uma lição tripartida de perseverança, honradez e cidadania! Muita gente nas planícies e Planaltos Centrais deveriam aprender com eles. Como é bom ler uma notícia desta e chorar por uma emoção boa. Leia quem tiver tempo para uma reflexão nestes tempos de Sarneys, Renans e United Collors of Senado.

Enviado por Mauro Ventura
no Blog Dizventura do O Globo

Agradecimento a Marcelo Fonseca

No começo de maio fiz uma coluna Dois Cafés e a Conta com Marcelo Fonseca, dentista das estrelas, que tem um trabalho social. Entre as várias cartas que recebi estava a de Neide Maria da Silva Suzano, moradora de Bangu.

Era um berro visual. Vinha em maiúsculas e fazia um pedido a mim: que entrasse em contato com Marcelo. Repassei para ele a mensagem. Leiam trechos abaixo:

“FUI CRIADA PELA MINHA MÃE QUE ERA DOENTE MENTAL, POR ESSE MOTIVO NÃO NOS ENSINOU A TERMOS HABITOS DE HIGIENE EM TODOS SENTIDOS. AOS 11 ANOS MEU PAI TENTOU ABUSAR DE MIM SENTI QUE ERA ERRADO, MAIS NÃO PODIA IR DE ENCONTRO AO QUE ELE QUISESSE POIS ELE NOS BATIA DE+ PRINCIPALMENTE NA MINHA MÃE, POR ISSO RESOLVI IR MORAR NA RUA E NÃO ME DEIXAR USAR POR ELE. VIVI POR 8 ANOS NO MEIO DE: TRAFICANTES, ASSALTANTES, ETC SEM ESCOVAR DENTES,TOMAR BANHO, COMER DIREITO, ETC. ACABEI SENDO ESTRUPADA POR UM DOS BANDIDOS E TENDO UMA FILHA AOS 14 ANOS, QUE MORREU AOS 28 DIAS DE NASCIDA. MESMO ESTANDO NO MEIO DELES NÃO ME PROSTITUI, NÃO USEI DROGAS E NEM ASSALTEI NINGUÉM, GRÇAS A DEUS. DA RUA Só TROUXE DE RUIM O VICIUO DO CIGARRO QUE AOS 43 ANOS DEIXEI.

CONSEGUI SER UMA MULHER HONESTA E DIGNA MAIS MESMO TRABALHANDO MUITO, NÃO CONSIGO PAGAR UM TRATAMENTO DENTARIO COMPLETO COM UM PROFISSIONAL DEBOM CORAÇÃO, PARA DEIXAR EU PAGAR COMO EU POSSO. HOJE OS MEDICOS DIZEM QUE PERDI MUITA MASSA OSSEA E PERDI 6 DENTES SEM UMA CARIE POR TER PROBLEMAS DE GENGIVAS, E AGORA OS DENTES QQUE SOBRARAM EM CIMA QUE SÃO16 DESCERAM E MACHUCA MUITO A PARTE DE BAIXO QUE AINDA TEM 10 DENTES.

TENHO IDO A DENTISTAS PARA TENTAR RESOLVER ESSE PROBBLEMA MAIS ELES NÃO TEM PAPO É PAGAR OU NÃO TEM ARGUMENTO. ME AJUDE POR FAVOR ESTOU DENTUÇA DE+, OS DENTES SEPARARAM D+, MORDO A MINHA BOCHECHA E MEUS LABIOS, ESCUTO ESTALOS NO MEU OUVIDO TODA HORA E SINTO DORES D+. HOJE TENHO 49 ANOS ACABEI O MEU ESTUDO O ANO PASSADO POIS MAL E PORCAMENTE SABIA LER E ESTOU TENTANDO FAZER UMA FACULDADE DE PEDAGOGIA PELO GOVERNO, FAREI O VESTIBULAR AGORA EM JULHO.

ESTOU APRENDENDO A USAR O COMPUTADOR COM MINHA NORA; JÁ TENHO ATÉ EMAIL VIU QUE CHIC QUE ESTOU? DEUS O ABENÇOE GRANDIOSAMENTE.”

Não tive mais retorno do caso, até que há poucos dias recebi nova mensagem de Neide. Selecionei alguns trechos:

“HOJE EU TENHO QUE AGRADECER PRIMEIRO A DEUS E DEPOIS AO SR. QUE FOI MEU ANJO DA GUARDA EM MANDAR AO DR. MARCELO O MEU EMAIL. PELA PRIMEIRA VEZ EU TIVE UM PISTOLÃO POR MIM. O DR. MARCELO JÁ ME ATENDEU E JÁ COMEÇOU OS PRIMEIROS PASSOS PARA RESOLVER OS MEUS PROBLEMAS DENTAIS, FUI TRATADA COMO UMA MADAME TAMANHA DEDICAÇÃO DE SUA EQUIPE. FIQUEI TÃO FELIZ QUE CHOREI DE ALEGRIA AO VER PESSOAS QUE NUNCA ME VIRAM ME TRATAREM COM TANTO CARINHO.”

O que posso dizer? Muito obrigado, Marcelo.

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15

Oct

08

Dia do Professor

A Ana Paula fez um bonita homenagem aos seus mestres e me inspirou. Minha lista é quilométrica e sei que vou deixar de fora nomes fundamentais, mas quero lembrar alguns professores que me ajudaram a ser quem eu sou hoje, e outros que indiretamente são parte importante de minha vida. Pra começar, meus pais. Só essa menção já renderia um longo post, que deixo pra outra hora. Inês, a babá protetora inesquecível. Márcia, na pré-escola, linda com seus cabelos castanhos e olhar doce (deixou o magistério pra casar). Coquinho, professor de história no Marista. Engraçadíssimo, motivador. Contava do tempo em que morou em Londres e estimulava a gente a botar mochila nas costas. Irmão Milson, mestre zen-católico com voz e risada de trombone: lições preciosas sobre bem-querer e solidariedade. Airton, o vizinho em Natal, que comentava meus contos e me emprestava Monteiro Lobato. Ayres, o melhor professor de inglês que já tive, e que me deu a honra de sua amizade.

Rogério Cadengue, no jornalismo da UFRN, que me abriu os olhos pro que García Márquez chama de “a melhor profissão do mundo”. Na UFSC, Regininha, Kanitz e Gilka, guias na trilha do encantamento pela palavra. Scotto, com quem aprendi sem nunca ter frequentado suas aulas. Gatti, que me abriu as portas pra magia do cinema e da fotografia. Finco, uma luz num momento difícil. Nara, da Aliança Francesa, por seu entusiasmo contagiante. Ademar, paciente copidesque de meus toscos textos de aprendiz no jornal O Estado. Ademir, revisor-chefe e poeta. Miguel de Urabayén, jornalista espanhol. Núbia, chefe de redação do DC que apostou em minhas pautas. Caco Barcellos, por suas palestras e livros inspiradores. Augusto, o sábio mestre sorridente que nos deixou este ano, mas está sempre comigo. Renata e Vanessa, professoras queridas do Miguel; Katiúscia, ex-prof dele que se mudou e deixou saudade. Lu, a babá carinhosa e paciente dos nossos “rapazes pequenos”. E tantos outros a quem sou grato, alguns nas salas de aula da vida e de quem nunca soube o nome. Feliz Dia do Professor!

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12

Oct

08

Uma tarde com Myltainho

Myltainho

Meu agradecimento público ao amigo Fernando Evangelista, professor do curso de jornalismo da Faculdade Estácio de Sá, por ter me convidado a participar de um atividade extra-classe especial na tarde de ontem. Fomos numa turma de vinte e tantas pessoas, a maioria estudantes da sexta fase, visitar o jornalista Mylton Severiano. Myltainho, como é mais conhecido, tem mais de quarenta anos de atividade profissional nos mais diversos meios, entre eles a revista Realidade, um marco na história da reportagem no Brasil (semana passada publiquei aqui uma historinha deliciosa que ele contou ao Luiz Maklouf Carvalho sobre os bastidores da revista).

Tarde chuvosa, tocamos em carreata pro Ribeirão da Ilha. Myltainho, 68 anos, mora em Floripa há cinco, numa simpática casinha verde e amarela no alto do morro, rodeada de mata e com uma vista espetacular pra Baía Sul. De segunda a sexta ele trabalha em São Paulo como editor-chefe da revista Caros Amigos – função em que substituiu o recém-falecido Sérgio de Souza. Nos fins de semana se refugia em seu cantinho com a mulher e três cachorros, um deles com três pernas. Num varandão em L nos aboletamos em cadeiras, sofás e no chão de madeira pra ouvir o mestre – e sabatiná-lo com perguntas, algumas incômodas. Afinal, como ele próprio enfatiza, a boa reportagem incomoda, é subversiva. Por isso há tão poucas hoje na grande mídia.

Por quatro horas ouvimos histórias saborosas sobre sua passagem pela Quatro Rodas, Realidade, Bondinho, Rede Globo, Folha, Estadão e vários outros. Os dribles que ele e seu grupo davam na censura da ditadura; as concessões que às vezes foi preciso fazer para conseguir publicar matérias; a aventura dos repórteres de Realide pelos rincões do país, fazendo história no jornalismo brasileiro sem se darem conta disso. Com voz baixa e pausada, sem qualquer sombra de empáfia “sabe-tudo”, Myltainho nos capturou com relatos envolventes. De vez em quando despertava gargalhadas ao contar alguma anedota pincelada por palavrões. Os temas saltavam de um pra outro sem lógica rígida, com as digressões próprias de uma conversa entre amigos.

Quando vimos já era noite. O papo estava tão bom que, entre despedidas e fotos, levamos uma meia hora pra ir embora. E mais não preciso contar porque a entrevista completa vai ser publicada pelos estudantes da Estácio, aguardem.

p.s.: Conheci duas blogueiras com quem eu já tinha esbarrado na web: a Bel (Quiet Things That No One Ever Knows), moça irônica de texto afiado de quem eu tinha comentado há poucos dias, e a Flora (EcoFlora), que tem o nome adequadíssimo ao que gosta de fazer, fotografar a natureza.

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22

Aug

08

Da guerra à sala de aula

Recebi e passo adiante esta nota publicada no boletim do curso de Jornalismo da Faculdade Estácio de Sá de São José, SC. O coordenador do curso, meu amigo Paulinho Scarduelli, tem feito um trabalho bem interessante de aproximar o universo acadêmico da realidade cotidiana. A nota aqui é sobre outro amigo, profissional de rara cepa, que adora estar por perto de onde tem gente poderosa massacrando gente humilde. O que mais me impressiona no Fernando não é propriamente a coragem de arriscar a cabeça em lugares violentos, pois o mundo tá cheio de gente corajosa e estúpida. E sim o seu olhar sensível pro lado humano dos conflitos, sem maniqueísmo nem pretensa “neutralidade”. Isso faz toda a diferença na hora de dar o testemunho com boas histórias. Sortudos dos estudantes que puderem ter aula com ele.

Fernando Evangelista, ex-repórter da revista Caros Amigos, assumiu este semestre a disciplina Técnicas de Reportagem, Entrevista e Pesquisa Jornalística do curso. Mestre em Jornalismo pela Universidade de Coimbra, tem-se especializado em reportagens de risco. Entre seus trabalhos, destacam-se a cobertura da operação Escudo Defensivo na Palestina em 2002, a Guerra do Iraque em 2003, a Guerra do Líbano em 2006 e o conflito entre turcos e curdos em 2007. O processo seletivo para a disciplina reuniu mais de 25 candidatos.

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24

Jul

08

Paris, Natal

Terça à noite saí com quatro amigos dos tempos do jornalismo da URFN: André Alves, Luís Benício, Geider e Solino. Tomamos cerveja de trigo e comemos arrumadinho num bar de Petrópolis, perto da Cultura Inglesa, meu primeiro emprego. Muito legal rever essa turma.

Benício foi com a mulher, Joelma. Ele trabalha no TRT e edita um programa de gastronomia na tevê. O casal tem dois filhos. O mais velho, de 19, mora em Floripa e estuda na UFSC. Isso quer dizer que vamos nos encontrar mais vezes. Fazia mais de dez anos que a gente não se via.

André, poeta e contista de humor peculiar, também é funcionário público. Contou histórias engraçadas sobre o nepotismo e a vagabundagem nas repartições. Desde que saí de Natal a gente tem mantido contato esporádico por correio e e-mail. Foi com a mulher e a sogra (acho).

Geider viveu anos na França, casou com uma francesa e separou, tem dois filhos e mora num sítio na zona sul de Natal. Ele é editor e apresentador do telejornal do almoço na TV Cabugi, afiliada da Globo. Combinamos de um dia desses invadir seu sítio pra fazer festa.

Solino era da chapa de oposição do C.A. quando fazíamos política estudantil. Mas sempre tivemos um relacionamento civilizado, lembra. Chargista talentoso, largou o traço pra se dedicar à publicidade. Ah, o homem estuda japonês e tem dois blogs.

Falamos de muita gente, do rumo que tomaram nossas vidas ali e cá, de carecas e cabelos grisalhos, de ex-professores, de academia e mercado, dos espigões à beira-mar e o dilema natalense “desenvolvimento sustentável versus especulação”, semelhante ao de Floripa…

Eles lembraram de um pacto que tínhamos combinado na faculdade em 84, de nos encontrarmos no ano 2000 ao pé da torre Eiffel em Paris (eu já tinha esquecido essa, mas não importa o lugar, sempre é tempo de se encontrar). Noite agradável embalada pela brisa. Preciso vir mais a Natal.

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14

Apr

08

Dia do Beijo

Ontem foi o Dia Mundial do Beijo. O Inagaki escreveu um belo post sobre isso, recheado de boas citações (a descrição de Cortázar nos comentários é fantástica) e cenas antológicas de cinema.

Li na edição 8 da revista Brasileiros (ah, bendito sopro de bom jornalismo em meio à aridez das bancas) um ótimo relato de Roberto Saturnino Braga sobre uma visita que fez ao Parque Nacional da Serra da Capivara:

“Emocionante. Não existe em nenhuma outra pintura rupestre em todo o mundo uma cena de beijo humano; só ali, no Piauí. Realmente emocionante”.

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