17
Jan08
Três novos blogs
Recebo hoje com alegria a notícia da criação de três novos blogs.
Botelheco, do amigo Diógenes Botelho, compartilha as pérolas da gaveta em clima de boteco, com o humor ácido que lhe é peculiar. Sua praia são causos curiosos, amenidades picantes, frases afiadas e desbocadas, fotos antigas do curso de jornalismo da UFSC, homenagens aos amigos que já se foram e aos malacos que continuam por aí – olha eu de cabelo preto. Botelho trabalha (mesmo) no Congresso, mas promete não escrever de política. Deveria. Tem cada história…
Tra-la-lá é um blog sobre música tocado por Dorva Rezende, Fábio “Mutley” Bianchini e Renê Müller, jornalistas do Diário Catarinense. Os dois primeiros são meus amigos de longa data. Renê, vou ter o prazer de conhecer melhor agora. Eles entendem muito de música e têm intimidade com o idioma – Dorva é mestre em literatura e escreve sobre livros no jornal. Já publiquei aqui uma foto do Mutley (de preto) num dia em que brincamos de Nero no meu quintal.
Eu escolho como vou andar… é da Fernanda Costa, que não conheço pessoalmente mas me lê há um tempão – “há com H”, como ela faz questão de frisar, depois de ter escorregado no comentário; Fê, isso acontece nas melhores famílias; tá corrigido. Ano passado ela comentou pela primeira vez – sobre o momento de felicidade que foi ter conhecido o namorado no show do Roger Waters, no meio de 40 mil pessoas. O mote da Fê é a liberdade de escolha.
Já tou seguindo vocês por RSS.
22
Oct07
Batizado
Em Sampa. Este post é pro meu sobrinho Estéfano, de sete anos, ler um dia. No sábado tive a honra de me tornar seu padrinho de batismo. Agora você é meu afilhado. Sua mãe é minha cunhada-comadre e seu pai, meu concunhado-compadre. Essa é uma experiência inusitada pra mim, cheia de significado simbólico. Sei que não sou a pessoa mais indicada pra educá-lo como bom cristão, mas pode acreditar: em mim você vai ter sempre um amigo fiel e um guia. Este é um compromisso pra toda a vida, uma responsabilidade que me deixa muito feliz. Ainda mais porque você é amigão do meu filho, que agora, mais que primo-amigo, é algo mais – pode chamar de irmão se quiser.
O curso de padrinhos e a cerimônia foram muito legais, cheios de ensinamentos sobre os valores éticos que nos ajudam na busca pela felicidade – nossa e também dos outros, impossível separar isso. Ignorei o conteúdo carola de algumas palestras, assim como os dogmas religiosos que não me tocam – meu caminho é muito mais a espiritualidade que a religião institucionalizada, mas não quero fazer sua cabeça nem a de ninguém. Apreciei as explicações sobre o que quer dizer cada passo do ritual: os óleos, a água… E guardei no coração as mensagens de amor, o exemplo daquela comunidade em que as pessoas trabalham com alegria uns pelos outros. O padre, que figuraça! Muito engraçado, espirituoso, um verdadeiro amigo dos paroquianos. Este foi um fim de semana especial, me senti irmão daquelas pessoas todas.
Acho bacana que isso tudo tenha acontecido a poucos dias de receber a menção honrosa no Herzog. É um reforço a mais pra manter a cabeça no lugar, dar o devido peso a cada coisa e evitar a soberba. Mas não me furto de comentar sobre a alegria que me deu essa conquista. Se tem uma coisa que não suporto é a falsa modéstia. A reportagem foi bem feita e esse prêmio vai ajudar indiretamente a proteger pessoas que correm risco todos os dias no trabalho. Isso é o que importa, afinal. Quando, aos 15 ou 16 anos, decidi estudar jornalismo, era isso que me motivava: transformar a realidade, por menor que fosse essa contribuição. Felizmente – e apesar de muitas frustrações pelo caminho – tenho conseguido isso, o que me salvou do cinismo que tantas vezes vejo nessa profissão. Acredito que pequenas e boas marolas podem representar grandes ondas de coisas boas. Sim, ontem foi um domingo especial. Deus te abençoe, Estéfano.
01
Sep07
Diários do Paquistão
Em 2004 tive a satisfação de conhecer o jornalista e cientista social Leonardo Sakamoto quando ele colaborou com uma publicação que editei sobre trabalho escravo. Ele coordena a ong Repórter Brasil, dedicada ao jornalismo social. Sua atuação como profissional e ativista em defesa das pessoas injustiçadas já lhe rendeu o reconhecimento da OIT (Organização Internacional do Trabalho) e o Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos. Como se não bastassem a consistência, o rigor técnico e a coragem de se arriscar pelo que acredita, o cara também escreve bem demais.
Uma boa oportunidade para conhecer seu trabalho é a reportagem especial Diários do Paquistão. Acompanhado de Xavier Plassat, da Comissão Pastoral da Terra (outra personalidade fascinante, um herói dos despossuídos da Amazônia), Leo Saka passou nove dias no país asiático. Eles foram conhecer projetos de combate ao trabalho forçado por lá – estimativas apontam que há 1 milhão de paquistaneses escravizados. As impressões dos dois sobre o tema – e também sobre o povo, a cultura, a política e a religião – são uma leitura que recomendo com ênfase.
p.s. 1) Leonardo Sakamoto mantém um blog sobre trabalho decente, meio ambiente e questão agrária, onde também reproduziu o relato.
p.s. 2) Sobre o papel da imprensa no combate ao trabalho escravo no Brasil – me alegro de ter contribuído com a causa -, leia aqui.
p.s. 3) Levei três horas pra escrever estas linhas, com pausas pra trocar fralda, botar a janta dos meninos, encaminhar banho, escovação de dentes e ida pra cama.
p.s. 4) Miguel acaba de me dizer: – Pai… Te amo.
16
Sep06
Partidas: Oriana Fallaci
A jornalista e escritora italiana Oriana Fallaci morreu de câncer na quinta-feira 14, em Florença, aos 77 anos. Suas obras são leitura de alto proveito pra quem se interessa por jornalismo, política e história. Ela cobriu a guerra do Vietnã, o Oriente Médio e a América do Sul. Ficou famosa por suas entrevistas com líderes mundiais, vários do mundo árabe. Dela li só um livro, suficiente pra reconhecer sua grandeza no mundo das letras: Um homem (1979). É a história de Alexander (Alekos) Panagoulis, revolucionário grego que se opôs à ditadura militar de Papadopoulos e tentou matar o ditador em um atentado a bomba. Foi preso, torturado, exilado e perseguido, mas nunca desistiu da causa. Era respeitado pelos carcereiros por ser impossível de dobrar. A jornalista terminou se apaixonando pelo biografado e viveram juntos por um tempo, antes que ele fosse assassinado. Um belo retrato, sem retoques, de um homem digno. Nos últimos anos os escritos de Fallaci provocaram controvérsia ao criticar a cultura do islã.
31
May06
Partidas
O jornalismo e o Brasil perderam ontem uma grande figura. Daniel Herz morreu de câncer em Porto Alegre. Autor de A História Secreta da Rede Globo, leitura indispensável nos cursos de jornalismo, ele foi fundador do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação. Foi chefe do Departamento de Comunicação da UFSC, onde o conheci e aprendi a admirar.
César Valente, em sua coluna de quarta-feira no Diarinho, fez uma bela homenagem ao Daniel.
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Também me tocou outra partida pro outro lado, embora eu não conhecesse a pessoa. Kat, a menina que foi adotada pela família Schürmann na Nova Zelândia e navegou com eles pelo planeta, morreu anteontem em São Paulo, de pneumonia.
16
May06
Anotações esparsas sobre nomes
Mais de dez primos meus têm nomes que começam com A. Nenhum com Z, que eu saiba. Mas tudo é possível.
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Nunca consegui diferenciar meus primos gêmeos Cosme e Damião. Como a maioria das pessoas, aliás. Eles atendem pelos dois nomes.
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Em Granada, Espanha, há um hotel com meu nome. Também achei uma marca de azeite de oliva. Será que me dão desconto?
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Não tenho nenhum desses sobrenomes, mas se você tiver, é possível que sejamos parentes: Severiano; Pascoal; Lopes.
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Poucos sabem, mas também me chamo Pedrosa da Silva. Tou reservando esses nomes pra escrever contos cabeludos.
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Já tirei 2º lugar num concurso de poesia com o pseudônimo Ascaris lumbricoidis. O poema se chamava Papel carbono e felizmente se extraviou.
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Apelidos nunca grudaram em mim. Na escola ensaiaram me chamar de Álcoolman, mas logo fui pro jornalismo, onde tal alcunha não fazia muito sentido.
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Na escola tive um colega apelidado Mangaba e outro Batatinha. Na vizinhança, Cebolinha. No jornalismo, Tomate e Feijão. Também conheci vários bananas.
19
Apr06
Adeus, Nathan
Estou num hotel em São Bento do Sul. Acabo de checar os e-mails e a notícia triste me pega de surpresa. Nathan Manfroi, uma ex-colega do jornalismo da UFSC, morreu de complicações cardíacas depois de uma cirurgia. O enterro foi hoje em Lages. Ela era grande amiga da Laura e convivemos bastante há alguns anos – depois ela foi morar na Inglaterra e na Espanha. Nathan adorava teatro – era atriz amadora -, viajar, conhecer gente. A imagem dela tá dançando na minha cabeça bem agora: alta e bonitona, cabelos pretos compridos, um jeito sempre doce e carinhoso de tratar as pessoas, aquele sorriso enorme que era sua marca. É assim que quero lembrar dela.
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“Minha morte nasceu quando eu nasci. Despertou, balbuciou, cresceu comigo… E dançamos de roda ao luar amigo, na pequenina rua em que vivi”.
Mário Quintana
16
Jan06
As histórias de Zuenir
Acabo de ler Minhas histórias dos outros, de Zuenir Ventura. Com texto fluente e coloquial, ele passeia por alguns acontecimentos marcantes do século 20 que testemunhou como jornalista. Também conta anedotas curiosas de bastidores e pequenos grandes dramas do cotidiano. Eu já gostava muito do trabalho dele. Depois de ler a última história do livro – um relato corajoso e íntimo que envolve sua vida familiar -, minha admiração vai além do profissional: Zuenir é um homem de generosidade ímpar. Ele conta como rompeu com um dos princípios do jornalismo – o de não interferir nas histórias que cobre – ao adotar um menino acreano que foi testemunha-chave de acusação no caso Chico Mendes. O ato de amor que salvou a vida do menino provocou conseqüências inesperadas. Mais não conto pra deixar você com vontade de ler. As crônicas do autor de Cidade Partida e de 1968, o ano que não terminou podem ser lidas em No Mínimo.
14
Dec05
Uma estranha no ninho
Em maio de 2001 a repórter Adriana Kuchler reuniu, num etílico papo de mesa de bar, três dos principais chargistas de Santa Catarina: Frank Maia, Zé Dassilva e Sérgio Bonson, que morreu na semana passada. Falaram de jornalismo, arte, censura, inspiração e mais um monte de coisa. A entrevista terminou de um jeito inusitado. Esse texto ia ser publicado no Zero, jornal-laboratório do curso de jornalismo da UFSC, mas o jornal não foi impresso e o material permanecia inédito até agora. Bom proveito.







