03
Dec06
Memento sonoro: Vangelis
Na Superinteressante deste mês tem uma materinha sobre o escritor Philip K. Dick, “o mestre cyberpunk”, autor do livro que deu origem ao clássico filme de ficção científica Blader Runner (1984) e também ao mais recente Minority Report. A matéria conta que no começo de 2007 vai ser lançado no Brasil mais um filme baseado na obra dele: A Scanner Darkly (“O homem Duplo”), uma ficção animada. Keanu Reeves vive um policial que toma drogas do futuro e passa a ter dupla identidade. É uma história com pitadas autobiográficas, pois o escritor teve umas crises esquizofrênicas em que pensava ser perseguido pela CIA e pela KGB. Pois bem, li toda essa matéria ouvindo, direto da gaveta da mente onde se guardam as lembranças sonoras, a trilha de Blade Runner. Ela foi composta pelo grego – confiro na Wikipedia – Evángelos Odysséas Papathanassíu, mais conhecido como Vangelis.
03
Dec06
Documentário: Sem Limites
Eu devia ter escrevido isso antes, mas ainda tá em tempo. Nos sábados 2 (já foi), 9 e 16 de dezembro, a RBS exibe, antes do Jornal do Almoço, o documentário “Sem Limites-Histórias de Verdade”, da dupla Tetê Kaiser e Daniel Ferraz. São histórias de cinco pessoas que têm comum a determinação em conquistar seus objetivos e a capacidade de superar limites. Conta o Jakzam:
“O destaque é o roteiro, construído com as falas dos personagens, que vão se encaixando e formando frases, como se estivessem seguindo um roteiro pré-determinado. Mas nada foi combinado previamente, as conversas são espontâneas e esta costura foi feita depois: todo o texto foi construído a partir do material captado. Uma fala liga na outra, que liga na outra, que liga na outra. É bem interessante, deve ter dado um trabalhão!A força do documentário está nos personagens. Um cego que dá aula de filosofia pro Ensino Médio, ensina violão e dança todo o sábado no Bar do Tião, é sensação no local. Um jovem com problema neurológico cerebral que montou e dirige o museu dos polacos em Campo Alegre (acho, não tenho certeza) e ainda descobriu um meteorito, que leva seu nome. Uma moça paraplégica que é campeã paraolímpica de natação. Um médico tetraplégico. Um margarida que acumula tragédias (mortes de marido, filhos) mas leva a vida com alegria. Os depoimentos são fortíssimos, mas são todos pessoas positivas, e suas histórias são contadas de forma delicada, sem qualquer concessão pro piegas.
30
Nov06
‘Grande Sertão: Veredas’ em pdf
Pra comemorar os 50 anos de lançamento de Grande Sertão: Veredas, as editoras Nonada Cultural, Nova Fronteira e a Tess Advogados estão liberando pela internet o download gratuito do livro de Guimarães Rosa. O arquivo pdf vai ficar disponível até dezembro. São 608 páginas do mais puro deleite lingüístico. Claro que o mais confortável é ler o romance no bom e velho livro de papel – bem devagar, frase a frase, pra demorar a chegar no fim. Mas a versão eletrônica já serve pra saciar a curiosidade de quem nunca teve a chance de folhear essa obra-prima da literatura universal – parece exagero, mas não é, o livro é um monumento.
Um trechinho aleatório que pesquei da página 23 (tive que copiar no método tradicional, porque o pdf não permite Control C + Control V):
O senhor… Mire veja: o mais importante e bonito, do mundo, é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas – mas que elas vão sempre mudando. Afinam ou desafinam. Verdade maior. É o que a vida me ensinou. Isso que me alegra, montão.
[via Adauri]
30
Nov06
30
Nov06
De abraço
Quem conta essa é a Fê Medeiros:
minha mãe ligou para o meu sobrinho hj cedo:
- joão, tou ligando para dar um abraço pelo teu aniversário
- abraço é coisa de velho. eu quero é um beijo na boca
Imagina quando ele tiver uns 15 anos…
30
Nov06
Brasil na mídia alemã
O repórter Geraldo Hoffmann, amigo brasileiro que vive na Alemanha, começou a publicar várias reportagens especiais para a Deutsche Welle sobre o Brasil – parte de uma série que também inclui Bolívia, Chile e Venezuela, países cobertos por colegas dele. Geraldo conta que ongs alemãs apóiam índios em conflito com a Aracruz Celulose no Espírito Santo. Em outra reportagem, mostra que projetos sociais em favelas de Floripa e do Rio de Janeiro podem contribuir com a redução da criminalidade.
29
Nov06
Ajuda Extra
Alexandre Gonçalves, autor do Coluna Extra e meu consultor informal pra assuntos aleatórios ligados à blogosfera, agora oferece um serviço de consultoria especializada pra pessoas ou empresas que querem criar blogs: o Ajuda Extra. Bacana!
29
Nov06
Amigo poeta ganha prêmio
Ademir Demarchi, editor da revista de poesia Babel, de Santos, foi meu primeiro chefe no ofício de jornalista aqui em Floripa. Ele coordenava a revisão – função hoje extinta nas redações – no jornal O Estado. Naquela minúscula sala aprendi a consultar dicionário e curti belos momentos com um timaço que incluía Frank Maia, Joca Wolff, Giane Severo, Ricardo Carle, Mara, Denise, Edson e outras figuras bacanas. A gente brincava direto com as palavras, apostando cerveja sobre a grafia correta, fazendo trocadilhos e filosofando.
“Ademonho”, como às vezes o chamávamos, era um grande chefe, justo, amigo e divertido. Um poeta cabeção. Depois que se mudou nunca mais o vi, mas vez em quando tenho notícias dele. Acabo de saber pelo Adauri que Ademir ganhou um prêmio na categoria poesia num concurso de edição de livro promovido pela Secretaria da Cultura de SP. Ele vai receber grana pra publicar mil exemplares de “Os mortos na sala de jantar”. São 110 poemas que vêm sendo escritos há 15 anos, tendo como tema a idéia de morte na história, na antropologia, na cultura e na literatura. Uma amostra:
FIAT CÉSIO
ademir demarchi
como aura divina os lábios azuis-claros resplandecem
a radioatividade do cérebro e do lixo
apagando o vermelho intenso do coração
beijam sentidos calcificados que se derramam em baba
balbuciam inaudíveis, autômatos de pilha falha
o frio da solidão se intensifica
e os corpos se aproximam uns dos outros
em busca de um calor inexistente
aumentam a luz dos novos cogumelos simbólicos
que se amontoam como o lixo aos cantos
meninos e meninas sentem náusea física da infância
vão perdendo com dor os belos dedos acesos pela luz
definham como a carga de uma bateria e vão morrendo
urrando luz com olhar de ovários arrancados
com tez iluminada de azul celeste
angelicalmente estáticos e passivos
como se assistissem a tevê no domingo em preto e branco
29
Nov06
Raindrops falling on my head
Êta chuvinha que não pára. A lista é inevitável: dez coisas boas pra fazer em dias de chuva (tirando as óbvias “comer, dormir e transar”).
- abrir aquele tinto
- organizar os CDs
- ouvir os CDs e bagunçar tudo de novo
- retomar aquele livro que ficou pela metade
- plantar uma árvore no quintal
- pegar quatro filmes na locadora, ver e pegar +4
- montar robôs de lego com o filho
- tentar mais uma vez fazer origamis
- tomar banho quente bem demorado
- acordar de madrugada e escrever uma carta com papel e caneta
Sugestões?
29
Nov06







