20
Jan09
20
Jan09
Obama aos líderes do mundo: “…seu povo vai julgar vocês pelo que vocês podem construir, não pelo que podem destruir”.
15
Jan09
"Não há santos nessa guerra"
Recebi do Geraldo Hoffmann, da Suíça, um comentário sobre meu post em que reproduzi as regras da grande mídia internacional quando o assunto é Oriente Médio:
Trabalho num veículo de comunicação internacional e não acredito que as “regras” acima sejam regra geral na grande imprensa internacional. Acredito que, apesar das dificuldades impostas à imprensa nessa e em outras guerras, há colegas que fazem um trabalho na medida do possível honesto, equilibrado. Do contrário, provavelmente as atrocidades cometidas pelas partes conflitantes seriam ainda maiores.Um fato que pode parecer marginal, mas que me chamou a atenção: a Agência France Presse divulgou ontem uma nota informando que o governo dinamarquês estuda a possibilidade de pedir ressarcimento a Israel por danos causados pela ofensiva militar a projetos humanitários apoiados pela Dinamarca em Gaza. Numa busca rápida no Google, notei que essa informação não foi muito aproveitada pelas redações. Algumas exceções: o jornal dinamarquês Politike.dk (versão inglesa – http://politiken.dk/newsinenglis…icle628230.ece) , a revista Focus – versão alemã da Epoca (http://www.focus.de/politik/weitere-meldungen/ gaza-daenemark-prueft-schadensersatzansprueche-an- israel-wegen-gaza-offensive_aid_361821.html) e o DCI, no Brasil (http://www.dci.com.br/noticia.asp?id_editoria=2& id_noticia=269165). Acredito que essa questão deve estar sendo levantada também em outros países que prestam ajuda aos palestinos, mas, como admite o próprio governo dinamarquês, pedir um ressarcimento desses é uma questão delicada e juridicamente complicada.
O triste disso tudo é que a população que deveria ser beneficiada com a ajuda humanitária, no fim, acaba ficando de mãos vazias – independentemente de quem seja a culpa pela destruição dos projetos. Hoje vi também na TV alemã uma mulher palestina, em Gaza, que criticou abertamente o Hamas. “Eles escondem as armas em nossas casas, mas não nos defendem. Os líderes do Hamas somem e nos deixam entregues ao caos”, reclamou. Segundo o repórter, essa foi uma das primeiras críticas em público ao Hamas. Na minha opinião, não há santos nessa guerra próxima à Terra Santa.
14
Jan09
Barômetro da Liberdade de Imprensa 2009
| 2 | 0 | 138 | 9 | 72 |
| Jornalistas mortos | Assistentes de mídia mortos | Jornalistas aprisionados | Assistentes de mídia aprisionados | Ciberdissidentes aprisionados |
Fonte: Repórteres sem Fronteiras
08
Jan09
Robert Fisk: "Atrocidade é pouco para descrever"
Em artigo no jornal The Independent (“Why Do They Hate The West So Much, we will ask”) [em inglês], o jornalista inglês radicado no Líbano Robert Fisk, um dos maiores especialistas em Oriente Médio, desvenda as reiteradas mentiras do governo de Israel quanto à morte de palestinos inocentes. Atrocidade é pouco para descrever o que aconteceu, ele escreve:
“O que surpreende é que tantos líderes ocidentais, tantos presidentes e primeiros-ministros e, temo, tantos editores e jornalistas tenham acreditado na mesma velha mentira: que os israelenses algum dia tenham se preocupado em poupar civis. Todos os presidentes e primeiros-ministros que repetiram a mesma mentira, como pretexto para não impor o cessar-fogo, têm as mãos sujas do sangue da carnificina de ontem. O que aconteceu não foi apenas vergonhoso. O que aconteceu foi uma desgraça. ‘Atrocidade’ é pouco para descrever o que aconteceu. Falaríamos de ‘atrocidade’ se o que Israel fez aos palestinos tivesse sido feito pelo Hamas. Israel fez muito pior. Temos de falar de ‘crime de guerra’, de matança, de assassinato em massa”.
Um resumo em português está na revista digital Carta Maior.
08
Jan09
"Israel já perdeu a guerra da propaganda"
Uma contribuição do Geraldo Hoffmann sobre a guerra midiática que está por trás do conflito israelense-palestino:
Caro Dauro,acabo de ler dois artigos interessantes sobre a “guerra da propaganda” ou “propaganda de guerra” no conflito do Oriente Médio.
Um é de Peter Philipp, chefe dos correspondentes da Deutsche Welle. Ele conclui que um noticiário confiável tornou-se inviável porque são as partes em conflito que informam – (ou seria desinformam – observação minha) – diretamente a opinião pública.
“Ainda antes da ofensiva terrestre em Gaza, o exército israelense iniciou uma ofensiva de informação na internet, que chegou ao ponto de Israel publicar videoclipes e entrevistas com soldados – supostos blogs – sob um endereço próprio no Youtube. Isso o porta-voz do exército, Benjamin Rutland, explica assim: “Além daquilo que se passa na terra, na água e no céu, consideramos a mídia como uma frente adicional e um local onde de muitas formas a guerra pode ser vencida ou perdida.”
O segundo artigo, do jornal suíço Tagesanzeiger, considerado liberal, tem o título “Israel já perdeu a guerra da propaganda”. “O governo isralense recorre a modernos meios de comunicação, como o portal Youtube, na guerra da propaganda. Também os embaixadores do país em todo o mundo e a porta-voz das forças armadas, Avital Liebovich, incansalvemente dão declarações. Mas as imagens de vítimas desesperadas no território palestino deixam esses esforços ter a aparência de espadas sem corte”, escreve o jornal.
07
Jan09
Em Gaza
Dois links pra entender o conflito e acompanhá-lo pelo ponto de vista de quem está preso no gueto:
http://ingaza.wordpress.com
Blog de um palestino que está em Gaza. Histórias e fotos fortes. Em inglês [dica do Yan].
O Biscoito Fino e a Massa
Blog de Idelber Avelar. Ele convida os interessados em acompanhar os testemunhos dos palestinos no Facebook a entrar em contato e pedir para ser adicionado na comunidade do Biscoito.
p.s.: G1 com agências, 11h17, atualizada 11h27:
Israel e palestinos aceitam proposta franco-egípcia de cessar-fogo
07
Jan09
"Ataque a Gaza é crime contra a humanidade"
Reproduzo comentário de Geraldo Hoffmann, um dos autores de Coisas da Suíça, ao post que escrevi ontem sobre o horror em Gaza. Ele cita no blog a declaração de um ex-diplomata francês de que o ataque de Israel aos palestinos pode ser considerado um crime de guerra.
Caro Dauro,também vi a foto na imprensa suíça e a sensação foi semelhante à tua. Não sei se é do conhecimento geral que, na Europa, criticar o governo ou a política de Israel é extremamente complicado. Político que sonha com carreira em qualquer partido conservador nem pensa em fazer isso. Em muitos meios de comunicação, o assunto é igualmente tabu. Mas alguns arriscam. Nem seja através de entrevistas com personalidades insuspeitas, como, por exemplo, a da Rádio Suisse Romande (parte francesa da Suíça) com o ex-diplomata francês Stéphane Hessel, cuja afirmação principal eu reproduzi no Blog Coisas da Suíça. Ele considera o ataque a Gaza um “típico crime de guerra” e “até mesmo um crime contra a humanidade”. Com tanta clareza e contundência eu ainda não tinha ouvido ninguém criticar Israel. Hessel tem 91 anos, foi perseguido pelos nazistas e ajudou a escrever a Declaração Universal dos Direitos Humanos. O homem é de tirar o chapéu.
06
Jan09
O horror e a esperança
Escrevo com o estômago embrulhado depois de ver, nesta matéria da Folha Online, a foto do palestino Samouni, que perdeu três filhos ao ter sua casa atingida por um tanque israelense em Gaza. É de chorar. Se você é pai ou mãe, entende bem o que digo. Fico impressionado com quem tenta justificar essa carnificina em que a maioria das vítimas é de inocentes. E com a cegueira criminosa dos que ordenam bombardeios numa das áreas mais densamente povoadas do mundo. Uma política assim não leva à paz, pelo contrário, planta sementes de vingança que, infelizmente, virão mais cedo ou mais tarde.
Dá pra fechar os olhos, fingindo que isso só acontece no noticiário da tevê. Ou acreditar que todos somos um e tentar influir no caminho do bem, por menor que seja o ato. Neste link você pode firmar um abaixo-assinado pelo cessar-fogo. E no escuro do quarto ou numa praça ou praia deserta, sempre se pode orar – pelos mortos e também pelos vivos, pra que sejam iluminados. No campo da política, uma pessoa em especial pode fazer profunda diferença e abreviar a tragédia: Barack Obama, pressionado pelo povo americano. Espero que as esperanças que tanta gente depositou nele possam se transformar em realidade. E que Obama possa entrar pra História como o estadista que levou paz ao Oriente Médio.








