06
Jan09
O horror e a esperança
Escrevo com o estômago embrulhado depois de ver, nesta matéria da Folha Online, a foto do palestino Samouni, que perdeu três filhos ao ter sua casa atingida por um tanque israelense em Gaza. É de chorar. Se você é pai ou mãe, entende bem o que digo. Fico impressionado com quem tenta justificar essa carnificina em que a maioria das vítimas é de inocentes. E com a cegueira criminosa dos que ordenam bombardeios numa das áreas mais densamente povoadas do mundo. Uma política assim não leva à paz, pelo contrário, planta sementes de vingança que, infelizmente, virão mais cedo ou mais tarde.
Dá pra fechar os olhos, fingindo que isso só acontece no noticiário da tevê. Ou acreditar que todos somos um e tentar influir no caminho do bem, por menor que seja o ato. Neste link você pode firmar um abaixo-assinado pelo cessar-fogo. E no escuro do quarto ou numa praça ou praia deserta, sempre se pode orar – pelos mortos e também pelos vivos, pra que sejam iluminados. No campo da política, uma pessoa em especial pode fazer profunda diferença e abreviar a tragédia: Barack Obama, pressionado pelo povo americano. Espero que as esperanças que tanta gente depositou nele possam se transformar em realidade. E que Obama possa entrar pra História como o estadista que levou paz ao Oriente Médio.








Caro Dauro,
também vi a foto na imprensa suíça e a sensação foi semelhante à tua. Não sei se é do conhecimento geral que, na Europa, criticar o governo ou a política de Israel é extremamente complicado. Político que que sonha com carreira em qualquer partido conservador nem pensa em fazer isso. Em muitos meios de comunicação, o assunto é igualmente tabu. Mas alguns arriscam. Nem seja através de entrevistas com personalidades insuspeitas, como, por exemplo, a da Rádio Suisse Romande (parte francesa da Suíça) com o ex-diplomata francês Stéphane Hessel, cuja afirmação principal eu reproduzi no Blog Coisas da Suíça. Ele considera o ataque a Gaza um “típico crime de guerra” e “até mesmo um crime contra a humanidade”. Com tanta clareza e contundência eu ainda não tinha ouvido ninguém criticar Israel. Hessel tem 91 anos, foi perseguido pelos nazistas e ajudou a escrever a Declaração Universal dos Direitos Humanos. O homem é de tirar o chapéu.