Posts com a tag ‘memento’

20

May

09

Palavras…

Uma representação visual do texto que escrevi sobre minhas lembranças da rua dos Surfistas, no Campeche. Clique aqui pra vê-la ampliada. Fiz a brincadeira no www.wordle.net

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09

May

09

Praia do Campeche, rua dos Surfistas

Em 1998 e 1999 morei na rua dos Surfistas, numa pousadinha, bem perto desse ponto da praia do Campeche – tão perto que eu via, escutava e cheirava o mar pela janela enquanto trabalhava. Aí nessas areias lagarteei ao sol, caminhei de manhã na neblina, comemorei aniversário com amigos, fogueira e lua cheia. Nesse mar nadei sem pressa em águas mornas e transparentes, mergulhei rápido em águas arrepiantes e brabas, vi pinguins, visitei as inscrições pré-históricas da ilha do Campeche, prestei atenção nos ventos, nos trovões e estrelas, no tempo.

Nas dunas li Os Irmãos Karamazov e Grande Sertão – Veredas num longo inverno gelado, escrevi roteiros pra tevê, acompanhei navios e barcos de pesca de tainha, tive longos papos inspirados com a amada. O apartamento era pequeno e a vida, simplérrima, mas leve e doce, cheia de alegrias e tragos compartilhados com vizinhos gentes finas e com visitas ilustres, como a amiga dinamarquesa Nynne, que ficou conosco dois meses, e a animada turma de tchecos que adoravam cachaça e banho no mar gelado. Claro, morar tão perto do mar tem seus inconvenientes: em poucos meses a maresia corroeu nosso computador, fez vários rombos na lataria do carro, atacou a geladeira e o fogão da pousada. Mas não é a oxidação o que ficou mais presente na lembrança, e sim o oxigênio de momentos belos.

Em janeiro de 2000, Laura e eu deixamos nosso apezinho e fomos de mala e cuia pro Rio de Janeiro. Dois anos depois, voltamos pra Ilha de Santa Catarina, nos mudamos de casa várias vezes e finalmente construímos nosso cantinho no Campeche – a uma distância segura da maresia, mas perto o suficiente pra ir à praia de bicicleta. Este ainda é nosso point favorito na praia, e agora o exploramos com os dois meninos, que adoram brincar nas areias brancas fininhas. Não me canso de fotografar o lugar dos mais diversos ângulos e condições de luz. Essa temporada mágica não foi suficiente pra que eu me transformasse em um bronzeado cavalgador de ondas, mas com certeza reforçou meus vínculos com esta Ilha que escolhi pra viver.

Texto dedicado a seu Edson e dona Chiquinha, Mauro Martini e Gian, Cynara e Maurício, Marcelo Camelo e Liz, Dorva Rezende, Clarissa, Cleo e Joãozinho, Silvio Ligeirinho, Nynne Livbjerg, Fernando e Regina (que se apaixonaram ali, tempo depois), cachorrinhas Rebeca e Tinga (que estão no céu dos cachorros) e a todos os que não cito porque a memória me falta.

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17

Apr

09

Recuerdos do chorinho do Rio

Escrevi o post sobre o choro lembrando do Raul, nosso amigo carioca que é assíduo frequentador dos shows de sábado na pracinha da General Glicério. Eu tinha certeza que ele ia comentar. E fez, lembrando também do pastel com caldo de cana. :) Um recuerdo sinestésico (som + sabor + cheiro).

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17

Apr

09

Pedro e o Choro

Adri Canan tá divulgando um livro-cd infantil muito bonito: Pedro e o Choro: uma viagem pela música popular brasileira. A primeira edição está sendo quase toda distribuída de graça a professores.
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O choro me traz boas lembranças dos tempos de Rio. Um dos programas que a gente curtia muito no sábado de manhã era ir à pracinha da rua General Glicério, em Laranjeiras, ouvir os músicos tocando ao vivo.

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01

Apr

09

Jornalismo da UFSC, 30 anos

No dia 30 de março o curso de Jornalismo da UFSC comemorou 30 anos. Tive o privilégio de conviver por seis anos intensos – 1986 a 1991 – com um grupo espetacular de pessoas, entre colegas estudantes, professores, funcionários e agregados. Convivência intensa, às vezes conflituosa, como costuma acontecer com gente assertiva e apaixonada pelo que faz, mas sempre enriquecedora. Com leituras densas (sei, podiam ter sido mais), muita ralação e também muita festa – a síntese disso eram os baixamentos do (multipremiado) jornal-laboratório Zero, em que virávamos a madrugada até concluir todas as páginas.

Não pude ir à cerimônia, mas acabo de receber por e-mail o discurso do professor Paulo Brito, um dos pioneiros do curso, com as memórias dessas três décadas. Suas palavras emocionadas me despertam outras lembranças dessa época maravilhosa, cheia de descobertas e alumbramentos com a profissão. O curso de jornalismo despertou meu fascínio pelo cinema, pela fotografia e por outras áreas das ciências humanas. Lá pude contar com a generosidade e paciência de muitos mestres, com anos de estrada e leituras. Ganhei grandes Amigos, com quem convivo até hoje. O curso foi fundamental na minha formação – embora não a única fonte, pois antes fiz dois anos na UFRN, em Natal, e enquanto estudava na UFSC trabalhei como revisor e repórter no jornal O Estado, outra grande escola.

No momento em que escrevo, o Supremo Tribunal Federal debate o fim da exigência do diploma de jornalista pro exercício profissional. Dia de temperatura alta, com debates acirrados. Sou a favor da regulamentação da profissão, pelos argumentos expostos com brilhantismo neste texto do Cesar Valente. “Aquela lenda urbana, segundo a qual jornalismo se aprende fazendo, não se sustenta”, diz ele, e assino embaixo. Nas redações falta tempo de reflexão, de debate e aprofundamento. Outra grande falácia é que a regulamentação atentaria contra a “liberdade de expressão”. Basta abrir os jornais pra ver como isso é falso. Claro que, pra ser bom jornalista, o diploma não é suficiente. É preciso – citando o César – da “centelha que alumia o tesão”. Mas a desregulamentação da profissão não traz qualquer benefício pra sociedade. Pelo contrário, só favorece as grandes empresas de mídia. Aguardemos a decisão do STF.

UPDATE 2/4/09: Sessão adiada pra 15 de abril.

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20

Mar

09

As marolas do jornalismo alternativo

Recebi hoje uma mensagem do amigo Marques Casara que me deixou muito contente. Não sou de ficar relembrando sucessos passados, mas, mesmo correndo o risco de me acharem cabotino, quero compartilhar esta memória aqui – em especial com quem está começando como repórter e sente desânimo com as perspectivas da profissão.

Quase cinco anos depois, é um registro de que o jornalismo pode contribuir pra um mundo melhor. Neste caso, correndo por fora da mídia hegemônica, numa publicação de terceiro setor que teve tiragem de apenas 4 mil exemplares. Às vezes uma marolinha faz coisas que a gente nem imagina. O e-mail foi dirigido a mim e ao repórter fotográfico Sérgio Vignes, parceiro meu e do Marques nessa reportagem.

Caríssimos,
um registro para vossas memórias:

Quarta-feira, auditório da Bolsa de Valores de São Paulo. Todas as poltronas ocupadas, engravatados se espremem na porta. A estimativa era a de que 20% do PIB brasileiro estava presente. Tema do encontro: erradicação do trabalho escravo na cadeia produtiva das empresas. Atualmente, 160 grandes empresas são signatárias do Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo.

Abertura do evento: Caio Magri – Instituto Ethos.

Faz a apresentação e avisa que diversas empresas vão apresentar “cases” sobre como estão enfrentando o problema na cadeia produtiva. Última fala de Caio Magri:

“É necessário fazer um registro. Tudo isso está acontecendo e nós todos só estamos aqui hoje porque, em 2004, o Instituto Observatório Social publicou uma corajosa reportagem sobre o trabalho escravo na cadeia produtiva do aço. A partir daquela reportagem houve uma grande mobilização, houve o lançamento de um primeiro Pacto em Brasilia e que culminou com o Pacto que hoje está em vigor e que nós vamos conhecer aqui na Bovespa”.

Na platéia, Paulo Vanucci, ministro da Secretaria Especial de Direitos Humanos, a cúpula da Bovespa, direção da Petrobrás, grandes siderúrgicas, as maiores cadeias varejistas do país.

Contem para seus netinhos porque vocês merecem.

abraços

Marques Casara
Papel Social Comunicação

p.s.: A “marolinha” foi a reportagem Escravos do Aço [pdf], que publicamos em junho de 2004, mostrando como as siderúrgicas se beneficiam do trabalho escravo em carvoarias da Amazônia.

p.s.2: Mais sobre trabalho escravo (e links pra outras fontes) aqui no blog.

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04

Mar

09

Da série ‘Recuerdos de meus tempos de foca’

Depois de uma entrevista trivial com um empresário nordestino da construção civil, o homem puxou o talão de cheques e me perguntou quanto tinha custado. Eu respondi que era de graça, aquilo era meu trabalho como repórter do jornal. Ele comentou, enquanto guardava o talão: “Lá em Fortaleza uma colega sua me cobrou mil”. Detalhe: eu tava completamente liso naquele dia.

* Foca, no jargão dos jornalistas, é quem está iniciando na profissão.

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24

Feb

09

Recordações de Quarta-Feira de Cinzas

Já fui bastante ligado em Carnaval. Não em clubes ou em de escolas de samba, e sim na festa de rua. Tenho belas lembranças dos blocos de sujos de Recife e Olinda da minha infância. Meus pais eram carnavalescos ativos e aqueles dias eram de uma deliciosa alegria ingênua. Primeiro, o “esquenta” em casa, com amigos e agregados. Depois saíamos atrás da muvuca nos bairros e no centro histórico. À noite os adultos deixavam as crianças em casa e iam pros bailes a fantasia, então dessa parte não tenho o que contar. Uma brincadeira comum naquele tempo era jogar água nos motoristas que passavam, usando uma espécie de “seringa” feita com um cano de PVC, um cabo de vassoura como êmbolo e um pedaço de borracha (depois foi proibida porque começaram a usar água de sarjeta e mijo, o que às vezes resultava em facadas e tiros, mas isso foi bem depois). O ritmo das bandas de frevo percorrendo a pé as ladeiras de Olinda reverberava em cada célula do corpo. As fantasias impressionavam pela criatividade. Lembro que o número de brigas era mínimo, considerando a quantidade de gente circulando.

Depois, na adolescência, descobri outros carnavais e já preferia me divertir com os amigos. Em fevereiro de 1982, aos 16 anos, fui acampar com meu irmão André e os amigos Marcello, João Augusto e Atamir em Barra de Maxaranguape, uma vila de pescadores no litoral potiguar, a uma hora de Natal. O lugar tradicionalmente pacato virava uma ferveção, tinha até trio elétrico. Andávamos descalços nas ruas de areia branca da vila, tomávamos banho de mar e misturávamos bebidas, pulando de festa em festa, dia e noite. Pra dormir, nos dividíamos: uns numa barraca no acampamento que montamos na praia, outros dentro duma Variant velha e quem sobrasse deitava numa rede no chão fofo ou ia dançar mais um pouco. Ali pertinho, a foz de um rio ladeado de coqueiros. Todos éramos lisos e desajeitados nas artes da paquera, mas tínhamos fígados novinhos e tamanha fome de viver que aquela folia entrou pra nossa história. Rolou até um diário coletivo em que íamos registrando as loucuras e piadas. Até hoje sou amigo desses caras. A gente raramente se vê, mas quando se encontra, é quase como se aquele carnaval tivesse sido ontem.

Depois disso houve vários carnavais, nenhum tão lindo, mas tiveram seu valor (destaques pra Olinda, Floripa e Laguna, em que a alegria caótica das ruas me ajudou a lidar melhor com pequenas e grandes tristezas). Aí o tempo foi passando, vieram os filhos, a preguiça aumentou exponencialmente. O fato de viver no Sul, há mais de duas décadas longe das minhas raízes carnavalescas nordestinas, talvez tenha contribuído pra esse afastamento gradativo. Agora deixo a folia passar ao largo e aproveito pra descansar, pegar praia, botar as leituras em dia. Com uma pontinha de saudosismo pelos meus velhos carnavais, mas sem a ranzinice de achar que “antigamente era melhor”. Como diz mestre Paulinho da Viola, meu tempo é hoje. Sem esquecer que o tempo passado “foi um rio que passou em minha vida/e meu coração se deixou levar“.

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30

Jan

09

Pílulas brasilienses

Na entrada do hotel onde tou hospedado tem uma Rural que pertenceu a JK. Conservadíssima, linda. Tenho vagas lembranças de infância de uma Rural na família, do pai ou de um tio.
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Hoje vi um cachorro preto passear de lancha e depois de jet-ski no lago Paranoá.
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Pitomba, nosso taxista cearense, contou que tem sucuri no lago. Gugleei “sucuri + paranoá” e encontrei uma matéria legal do Correio Braziliense, de 2003, sobre o que essas águas escondem.
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Semana passada o Botelho, catarinense radicado em Brasília, me contou uma história engraçada que presenciou em Salvador. Ontem ele botou no blog: Emplacamento baiano.
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Comida goiana é boa demais. Tem muita semelhança com a mineira. Mas não me arrisco no pequi, aquela armadilha espinhenta com jeitinho inocente.
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Lendo: Em águas profundas: criatividade e meditação, de David Lynch, o diretor de Veludo Azul e Mullholand Drive – Cidade dos Sonhos, dois dos filmes mais oníricos que já vi.
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O tuiteiro @tiagomx dá a dica: http://twtip.com, saite com dicas sobre Google, Photoshop, writing, life etc. In English.
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O designer João Zanatta dá esta outra: The 100 Most Popular Photoshop Tutorials 2008. Saiba como transformar uma mocréia numa sereia.
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Ei, Ana Paula, conheci uma cerveja nova hoje: Teresópolis, uma lager que vem numa garrafa gordinha. Boa. (curti o som da Amy Winehouse que você blogou; e fui atrás de outros).
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Contando as horas pra voltar pra Floripa.
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(pensando alto, depois de dois adiamentos: trilha da Lagoinha do Leste no carnaval?)

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26

Jan

09

Seis fatos aleatórios sobre mim

Quem me passou este meme foi a Marie. Como sou um rebelde sem causa, vou ignorar quase todas as regras, como citar as regras, indicar cinco blogueiros pra continuar, etc. Fica só o miolo: uma lista com seis fatos aleatórios sobre mim. Meu toque pessoal pra quem tá chegando agora ou perdeu algum capítulo do folhetim: todos os fatos já foram citados neste blog.

  1. Quase embarquei em um avião que caiu.
  2. Tenho mania de escrever listas.
  3. Uma vez joguei por engano um balde de água na minha avó.
  4. Já grudei moeda em calçada com cola extra-forte.
  5. Já aluguei um apê depois que tive uma intuição e segui um velhinho por várias quadras.
  6. Já enviei um postal de Cingapura pro Maine enquanto meu amigo do Maine, no mesmo dia e sem que soubéssemos um do outro, me mandava um postal de Cingapura pra Floripa.
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